• Etapa 3 - Exploração: esboço de possíveis soluções para os produtos; • Etapa 4 - Desenvolvimento: detalhamento das opções escolhidas;
• Etapa 5 - Realização: elaboração do produto em cada uma de suas partes e componentes;
• Etapa 6 - Lançamento: colocação e acompanhamento dos produtos no mercado.
A respeito das etapas do processo de desenvolvimento de um produto, a bibliografia existente apresenta vários modelos. Entretanto, nem sempre um modelo serve para todos os tipos de projeto de design, tendo em vista as especificidades de determinados setores e segmentos de atuação do design, que necessitam de conhecimentos e fases específicas para a implementação da solução do problema.
2.1.10 Otimização do processo de desenvolvimento e diferenciação competitiva do produto
Devido à exigência do mercado em obter artigos inovadores, o ciclo de vida do produto passou a ser cada vez menor. As empresas tiveram que se adaptar a essa nova necessidade e dinamizar seus processos de criação.
Segundo Magalhães (1997), o encurtamento do ciclo de vida dos produtos obriga a empresa seguidamente a lançar novos artigos. Dentre os fatores responsáveis pela redução do tempo de vida do produto está a reformulação dos artigos devido ao custo da matéria-prima, a necessidade do desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos, a inovação tecnológica e a pressão da
concorrência em um mercado globalizado. Diante disso, o mesmo autor ressalta que a solução para um mercado competitivo é o desenvolvimento de produtos diferenciados através de um bom trabalho de design, antecipando-se à concorrência.
Numa era em que se busca agilidade nos processos, a Gestão de Design tem como meta gerenciar o desenvolvimento de novos produtos, reduzindo o tempo nesses processos, garantindo dessa forma atender às verdadeiras necessidades do consumidor (SILVEIRA; PEDROSA; PEQUINI, 2003).
Conforme o Centro Português de Design (1997), para que o produto possa estar pronto para ser lançado no mercado na data prevista, a equipe de design da empresa deverá comprometer-se em seguir um calendário que defina os prazos em que devem ser executadas as fases de um determinado projeto.
Antes de iniciar o projeto, deve-se pensar em todas as relações de causa e efeito que poderão produzir atrasos, bloqueios e custos extras (BARROS, 2005). É importante levar em consideração todos esses aspectos na hora do planejamento dos prazos de um projeto; somente assim é possível elaborar um cronograma que seja o mais próximo da realidade.
Quanto maior a quantidade de informações, menor será a insegurança na hora do desenvolvimento do produto (CPD, 1997). Segundo Rabechini Jr. (2007), o profissional responsável pela equipe de design tem a tarefa de assegurar que a informação seja coletada, propagada de forma adequada e a tempo para todos os envolvidos no projeto.
No projeto de desenvolvimento do produto, o gestor de design e sua equipe devem trabalhar de forma integrada com outras áreas na busca de obter conhecimento para otimizar os processos. Magalhães (1997) observa que a necessidade de buscar conceitos interdisciplinares fora da estrutura da firma será maior quanto menor for a empresa.
O design pode contribuir na otimização dos processos através da redução de tempo e custos na produção. De acordo com o Centro Português de Design (1997), é necessário organizar de maneira eficaz o desenvolvimento do produto, para que sejam produzidos da forma mais rápida, com menores custos e minimizando as incertezas.
O uso de novos materiais e o bom aproveitamento dos mesmos também auxilia na produção de novos produtos. Para Bahiana (1998), além de oferecer um
artigo que atrai o consumidor, o design pode contribuir para que esse produto seja fabricado com economia, utilizando matéria-prima e processos de fabricação adequados e eficientes. Dessa forma, a empresa evitará desperdícios.
Todas as decisões tomadas na fase do projeto afetam o próprio produto e a qualidade na produção do mesmo (CPD, 1997). Por isso, a necessidade de atentar cuidadosamente para a qualidade durante o processo de criação. Segundo Baxter (1998), as metas de qualidade passam por etapas, iniciando com a declaração de objetivos dos negócios, refinadas nas metas técnicas de projeto e, depois, quando chega nas especificações para produção, são bem mais detalhadas.
Para o mesmo autor, a meta de qualidade está diretamente ligada às características relacionadas à aparência ou alguma função do novo produto, que se especifica por exigências do consumidor ou por desejos:
• as exigências dos consumidores são as características básicas que o produto deve ter para que seja viável sua comercialização. Aí se incluem as características exigidas por lei ou aquelas que o consumidor exige de um produto. Devem ser vistas como requisitos obrigatórios do controle de qualidade, pois caso o produto não atenda a essas exigências, estará situado abaixo do critério mínimo para alcançar o sucesso comercial; • quanto aos desejos, as características estão relacionadas à vontade do
consumidor de possuir esse produto, que o diferencia da concorrência. Durante o processo de desenvolvimento do projeto, quanto maior o número de desejos atendidos, maior a possibilidade de agregar valor ao produto.
Nascimento (2001) afirma que a qualidade refere-se a todo o processo que culmina em um produto que irá satisfazer às expectativas do consumidor e não apenas no que tange à parte visível de um produto. Neste sentido, Emídio (2006) ressalta que a atividade de design é peça fundamental no desempenho da qualidade do produto final. Isso é reflexo da qualidade no processo de design, em conformidade com os requisitos para a elaboração da especificação do produto, tendo como base as necessidades dos clientes e a orientação do mercado.
Para Magalhães (1997, p. 26), “o design estratégico materializa-se quando o importante é desenvolver o produto certo - eficácia do processo - e não somente desenvolver corretamente o produto - eficiência no processo de design”. O autor complementa que, num processo eficaz de design, é preciso antecipar os problemas
e verificar as oportunidades através da análise das necessidades dos consumidores, fabricante e sociedade, tendo os concorrentes como referência. Assim, o design é ferramenta fundamental de diferenciação competitiva, procurando também alcançar a otimização do processo.
De acordo com Emídio (2006), o processo de design funciona como um diferenciador, uma vez que os produtos estão cada vez mais parecidos tecnologicamente. O design inovador dos produtos é que distinguem as empresas junto aos clientes.
Com o aumento das necessidades de as empresas oferecerem produtos competitivos, os serviços fornecidos aos clientes passaram a ser enfatizados nas estratégias competitivas, pois são fontes importantes de diferenciação (SANCHEZ, 2006). O mesmo autor aponta que os designers podem contribuir na diferenciação das ofertas de produto na indústria e no local de mercado, aprimorando os caminhos que aumentam as percepções do cliente sobre o valor dos serviços. Best (2006) ressalta que o foco do design atualmente está em aperfeiçoar serviços e experiências junto ao cliente.
Diante de tudo que foi exposto, a implementação da Gestão do Design na empresa traz benefícios em relação ao produto, pois, segundo Martins e Merino (2008, p. 231), ela “otimiza as iniciativas do DNP e produção, reduz o tempo de lançamento, diminui custos, provê qualidade e agrega valor como diferencial e inovação, insere qualidade em suas características”.
Levando-se em conta que o próprio produto é a variável mais importante para a competitividade industrial, à medida que os empresários adquirem consciência da gestão desse processo, maior será a inclusão da Gestão de Design nas estratégias empresariais, buscando a diferenciação, qualidade e inovação de seus produtos (EMÍDIO, 2006).