A classificação e os pré-requisitos mínimos para a obtenção do nível da certificação variam de acordo com o nível desejado e de acordo com a zona bioclimática em que a edificação se encontra. Considerando como exemplo a zona bioclimática 8, para obtenção do nível A para a classificação de eficiência energética da envoltória, é necessário o atendimento dos pré-requisitos indicados na Tabela 4.Já considerando os níveis E e D, ainda para a zona bioclimática 8, o único pré-requisito que o regulamento especifica para a envoltória da edificação corresponde a transmitância da parede e da cobertura. A transmitância da coberta deve ser menor do que 2,0 W/m²K para qualquer ambiente em todas as zonas bioclimáticas e os valores da transmitância das paredes externas são idênticos àqueles apresentados na Tabela 4.
A certificação também especifica os valores admissíveis para o PAFT (Percentual de
Aberturas Total), o Fator Solar (FS) determinado pelo tipo de vidro e os Ângulos de Sombreamento Verticais (AVS) e Horizontais (AHS) das aberturas. O PAFT é determinado pela: “(...) razão entre a soma das áreas de abertura envidraçada, ou com fechamento transparente ou translúcido, de cada fachada e a área total de fachada da edificação. Refere-se exclusivamente a abertura em paredes verticais com inclinação superior a 60° em relação ao plano horizontal (...)” (RTQ-C, 2010. p.10). Ainda segundo o regulamentoo limite do PAFTestá atrelado ao Indicador de Consumo da Envoltória (ICenv)5, cada caso deve ser
analisado individualmente de acordo com o nível de certificação pretendido.
O FS é a relação entre: “(...)o ganho de calor num ambiente através de uma abertura e a radiação solar incidente nesta mesma abertura. Inclui o calor radiante transmitido pelo vidro e a radiação solar absorvida, que é re-irradiada ou transmitida, por condução ou convecção, ao ambiente” (RTQ-C, 2010, p.9).O FS é expresso em percentual e quanto mais próximo de 100% maior é o ganho térmico para o ambiente. Já o AVS e o AHS são “Ângulos que determinam a obstrução à radiação solar gerada pela proteção solar nas aberturas” (RTQ-C, 2010). Os AVS são relativos as proteções horizontais e o AHS às proteções verticais. Os ângulos de sombreamento protegem as aberturas da edificação da radiação solar direta, inibindo os ganhos de cargas térmicas dos ambientes internos advindos da radiação. Aumentando assim, a eficiência energética da envoltória em ambientes de clima quente e úmido.
2.2.3 Energy Star
O Energy Star é um programa voluntário desenvolvido pela Agência Norte Americana de Proteção ao Meio Ambiente (USEPA). O objetivo do programa é ajudar indivíduos e negócios a economizarem recursos monetários e a proteger o clima através da eficiência energética. O programa foi criado em 1992 com a finalidade de classificar produtos com o objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e em 1995 a agência expandiu a etiquetagem para equipamentos de escritórios e ar condicionados. Já em 1996, em parceria com o Departamento de Energia norte americano (US DOE), o programa expandiu-se para etiquetar produtos de diversas categorias. Hoje a etiqueta Energy Star é adotada em diversas partes do mundo, classificando desde equipamentos eletrônicos simples a residências e edifícios comerciais e industriais (EnergyStar, 2017).
O programa possui monitoramento e etiquetagem de meios de hospedagem, publicando periodicamente relatórios relativos ao consumo energético e desenvolvimento da eficiência energética do setor. A classificação da etiquetagem obedece a pontuação escalar de 1 a 100, onde são avaliados para a pontuação as atividades exercidas no empreendimento, seu número de funcionários, suas instalações (facilities), equipamentos, tamanho e indicador de consumo de energia (Energy Use Intensity - EUI)6 (EnergyStar, 2007).
O Relatório de Tendência de Dados (Data Trends, 2015) do programa analisa o benchmark7 e as tendências no consumo de energia e água dos empreendimentos cadastrados no portfólio (cerca de 10.412 propriedades). Segundo o relatório de 2015, a intensidade de uso de energia dos hotéis situados nos EUA variou entre 100 a mais de 800kBtu/ft², sendo a intensidade média de 187kBtu/ft² 8.
Tabela 8 - Características das propriedades hoteleiras e seus valores médios.
Característica da Propriedade Valores Médios de Benchmarking
Área (metros quadrados) 7246,437m²
Empregados a cada 92,90m² (1.000ft²) 0,03
Unidade de Refrigeração Comercial a cada 92,90m² (1.000ft²) 0,02
Possui instalações para cozinhar? 52% respondem que sim
Quartos a cada 92,9m² (1.000ft²) 1,8
Graus dias de Aquecimento 3.701
Graus dias de Resfriamento 1.262
Fonte: Adaptado de ENERGY STAR, 2015.
Ainda segundo o relatório o tamanho médio de um hotel é de 78.000ft² 9 e tem cerca de 1,8 quartos para cada 1000ft² 10. Na tabela 5 estão descritos alguns valores médios do
6 A EUI expressa a intensidade do consumo energético de uma edificação em função de sua área e/ou outras características (ENERGY
STAR, 2007). 7
O termo benchmark é utilizado para descrever o desempenho energético que representa a média do mercado em uma tipologia construtiva específica (BORGSTEIN; LAMBERTS, 2014).
8 187kBtu/ft² equivale a aproximadamente 589,91 kWh/m².
benchmark realizado para os hotéis do portfólio do programa. As tendências demonstram que hotéis que possuem mais empregados, unidades de refrigeração comercial e graus dia de resfriamento, por metro quadrado, utilizam um percentual de energia maior do que a média. A pontuação de etiquetagem média do EnergyStar para hotéis e motéis foi de 50 pontos.
O programa também possui um manual específico para cada atividade comercial, o EnergyStar Building Manual para Hotéis e Motéis (2007) informa que, nos EUA, são gastos cerca de $2.196 dólares para cada quarto disponível todos os anos com energia, representando cerca de 6% dos custos operacionais do estabelecimento. O manual do programa apresenta medidas de retrofit cujo objetivo principal é a economia de custos com manutenção e com eficiência de energia. Algumas dessas medidas estão listadas abaixo:
Em estabelecimentos que possuem condicionamento artificial nas áreas comuns, nas horas de pouco uso, os equipamentos devem estar configurados nas temperaturas mínimas de conforto.
Treinamento das camareiras para desligar todas as luzes e fechar as cortinas quando o apartamento se encontra desocupado, com a finalidade de reduzir o ganho térmico no verão e a perda de calor no inverno.
Treinar a equipe de recepcionistas para vender apartamentos próximos ou em uma ala específica com a finalidade de diminuir o consumo com condicionamento artificial das áreas comuns das outras alas (para estabelecimentos que possuem climatização nas áreas comuns e de circulação). Quartos situados nos andares da cobertura, nas quinas da edificação, voltados para oeste (no verão) ou para norte (no inverno) podem ser os mais dispendiosos com climatização artificial de resfriamento e aquecimento, logo, nesses períodos é melhor considerar a não locação dessas unidades (a não ser em caso de lotação do hotel).
O manual aconselha, sempre que possível, utilizar a iluminação natural. Para o controle de iluminação dos hotéis o manual recomenda a utilização de sensores de presença e sistemas de programação, além da utilização de lâmpadas com eficiência elevada.
Acerca do envelope (envoltória) da edificação são feitas recomendações que abrangem o uso de diferentes proteções solares para reduzir os ganhos de calor com aproveitamento da luz natural e o uso de revestimentos claros, com baixa absorção de calor nas coberturas, ou uso de tetos verdes. A instalação de películas refletivas em
vidros existentes pode ser uma opção mais econômica e eficiente do que trocar as esquadrias existentes por outras mais eficientes.
Realização de um procedimento desempenhado por profissionais especializados ou por equipe interna treinada e tecnicamente apta para verificar o funcionamento e a eficiência dos elementos que constituem o empreendimento - Retrocommissioning.Para a avaliação são comparados o benchmark do setor com os resultados obtidos no levantamento realizado durante a operação de Retrocommissioning. O programa EnergySar possui um Benchmarking Starter Kit que auxilia os hoteleiros com informações sobre a performance energética dessa tipologia.