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A partir da década de 1970 o mundo é abalado por uma grande crise do capital, houve a reestruturação produtiva, com impactos que gerou alterações tecnológicas, financeiras e sociais. Nesse cenário de crise, destacamos como estratégia de enfrentamento, particularmente na relação Estado e sociedade, a transferência de responsabilidade do público para o privado, modificado a ordenação das políticas públicas.
Diante da realidade do Brasil, verifica-se por parte do Estado que em frente aos ditames neoliberais, transfere para organização civil e da iniciativa privada a efetuação de serviços de caráter social. Assim privilegia as políticas focalistas e descontínuas e secundariza as políticas universalistas, e a privatiza as políticas sociais, a partir de artificio de refilantropização e mercantilização destas. E neste cenário surge o Terceiro Setor como um novo campo sócio ocupacional do Assistente Social. Com isso, tem-se novas exigências e demandas ao profissional de Serviço Social. Dessa forma, o Assistente Social é cada vez mais solicitado nos espaços sócio ocupacionais do terceiro setor, na qual apontamos neste estudo a APAE/Natal.
Assim, a pesquisa possibilitou uma reflexão acerca dos desafios e possibilidades do/a Assistente Social na APAE-Natal. Para tanto, buscou-se resgatar os aspectos sócio históricos e políticos do Serviço Social no Brasil e a contextualização da questão social e do terceiro setor, bem como o papel do Assistente Social na conjuntura social e política, em que os direitos das pessoas com deficiência são tão importantes. Por fim, faz-se uma abordagem sobre a APAE no que tange as demandas e possibilidades do exercício profissional do assistente social, frisando a importância dessa atuação no acompanhamento dos usuários para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência. Logo, chegamos algumas conclusão e resultados.
No que concerne o posicionamento dos assistentes sociais em relação as demandas e atribuições na instituição, encontra-se em concordância com o que está previsto no Código de Ética do Serviço Social e com a Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8662/1993), englobando a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo, bem como a ampliação e consolidação da cidadania com vistas à garantia dos direitos
sociais e políticos da população usuária, o que proporciona ao Assistente Social trabalhar de forma planejada e articulada com outros profissionais, desenvolvendo assim distintas possibilidades de atuação profissional. Além disso, foi verificado a importância que a Assistente Social da instituição dá ao estágio supervisionado, destacado como um momento de aprendizado e de troca de experiência e saberes entre o profissional e o estagiário.
O desafio identificado na instituição é a questão da limitação financeira, na qual muitas vezes quando se planeja um projeto, não se tem possibilidade de desenvolver. Dentro das possibilidades, das condições financeiras da instituição procura-se atender todos os projetos, embora os desafios sejam grandes, assim sendo, o maior obstáculo é manter a instituição e seus atendimentos. Nesse sentido, o Serviço Social afim de responder as demandas da instituição procura variadas formas de procedimentos para garantir a efetivação e a qualidade do atendimento prestado apesar dos desafios expostos.
Ainda como desafio, tem o fato de a instituição não ter um automóvel, sendo este um bloqueio que impede a realização de visitas domiciliares, quando há uma necessidade inevitável, esta recorre a colaboração de outro profissional na instituição. Também se observa, a questão da falta de informação por parte dos usuários, em que grande parte não tem conhecimento dos direitos que possuem, nem dos programas, projetos e políticas sociais que podem ser inseridos.
Vale ressaltar, conforme Silva (2008) que a única forma de enfrentamento ao crescente processo de conquista de espaço e aceitação na sociedade, é a análise crítica, cabendo ao profissional do Serviço Social questionar, angariar argumentos e desvendar ações e motivos que atuam por trás da noção de responsabilidade social e suas consequências para a população, além de contribuir para que as contradições e desigualdades sejam desmitificadas e que por sua vez são ocultadas pelas ideologias reproduzidas no projeto dominante.
Sendo assim, é de grande importância que o assistente social que trabalha no terceiro setor entenda o significado das transformações sociais e políticas, analisando as implicações para o exercício da profissão e, então a partir de uma postura crítica propor respostas inovadoras. Segundo Silva (2008)
é o conhecimento adquirido pelo profissional do serviço social que possibilitará a interpretação da realidade proporcionando a oportunidade do desenvolvimento de estratégias de atuação junto aos indivíduos.
Concluímos expondo que a princípio os objetivos da pesquisa foram parcialmente atingidos, uma vez que não se teve tempo suficiente para coleta de dados, e consequentemente, material suficiente para se concluir o trabalho. Não somente por tempo, como também dificuldades pessoais em expressar a realidade vivenciada em estágio. Assim, reafirma-se a importância da análise para o Serviço Social na APAE e evidencia que há a necessidade de mais estudos e pesquisas que norteiem as particularidades das realidades e nos diálogos interdisciplinar com intuito de garantir uma melhor qualidade de vida dos usuários e famílias da APAE/Natal.
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