Para Yin (1989) as variáveis que determinam a escolha do melhor método de investigação científica dependerão das questões propostas pelo pesquisador. Para Lakatos e Marconi (1991), a ciência não existe se não for seguida de eficientes métodos de pesquisa, sendo que o método ajuda a compreender o processo e o produto originado pela investigação. De acordo com as definições apresentadas neste capítulo, a presente dissertação classifica-se como um estudo de caso com predominância exploratória, qualitativa, sendo que o método de abordagem utilizado é de caráter descritivo.
Segundo Huberman (1999); Yin (2005) e Mucchielli (1996), o estudo de caso é uma estratégia metodológica classificada como exploratória, descritiva e interpretativa. Na opinião de Maren (1995, p. 239) o estudo de caso é eclético e pode ser trabalhado por meio das mais variadas técnicas e métodos que permitam a compreensão do fenômeno investigado.
Mucchielli (1996) aponta que existem três formas para se fazer estudo de caso: estudo de caso instrumental (definida a partir de um modelo teórico); estudo de caso múltiplo (quando se investiga duas ou mais situações e estudo de caso intrínseco ou único. O estudo de caso único trata de uma única realidade que pode ser estudada exaustivamente com objetivo de buscar novos elementos que possam corroborar com o objeto de estudo.
Minayo (1994) sugere que nas ciências sociais aplicadas predomina o método de investigação qualitativo, por permitir maior abrangência e profundidade, se comparado aos métodos quantitativos.
A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como uma tentativa de se explicar em profundidade os resultados das informações obtidas em entrevistas ou questões abertas, sem a mensuração quantitativa de características ou comportamento. Esse tipo de abordagem facilita a descrição da complexidade dos problemas e a interação entre as variáveis, compreendendo e classificando processos sociais; oferecendo contribuição em processos de mudança; e criando e formando opiniões em grupos ou atitudes em indivíduos. (OLIVEIRA, 2008)
Yin (2004) qualifica o estudo de caso como qualitativo e acrescenta que tal método vem conquistando espaço significativo no meio acadêmico. O propósito deste método de estudo é estabelecer uma estrutura de discussão e debate, sem que com isso precise conter uma interpretação completa dos eventos reais. Para este autor a utilização do estudo de caso como método de investigação científica permite um alcance analítico maior ao pesquisador, com sorte que o mesmo pode inquirir em determinadas situações comparando-as com outras e com as teorias existentes, gerando, em muitos casos, sugestões para investigações futuras.
Riege (2003) acrescenta que o método de estudo de caso deve ser utilizado quando o investigador pretende avaliar com mais profundidade um fenômeno da vida real, permitindo ao meio acadêmico o ganho de conhecimentos que se originaram de observações e interpretações holísticas. Porém, Yin (2004) alerta para as deficiências do método, que poderão ser superadas se o pesquisador seguir procedimentos ordenados e não aceitar falsas evidências ou evidências tendenciosas.
De acordo com Martins (2002) um estudo de caso tem predominância descritiva. Isso é característico nas situações onde não se pretende intervir sobre a situação, mas sim, investigar e informar sobre os acontecimentos. Nesse sentido, o autor sugere que as características de um estudo de caso perpassam as peculiaridades da pesquisa qualitativa. Para este autor, os estudos de caso visam à descoberta, pois: – o pesquisador mantém sua atenção a novos padrões que poderão
surgir;
– amplia a interpretação do contexto, buscando o melhor entendimento do problema;
– expressa a realidade em sua forma mais profunda evidenciando a pluralidade dos fatos;
– recorre a fontes de informações diversas, ampliando o escopo da pesquisa;
– observa a realidade sob diferentes perspectivas, representando os diferentes pontos de vista presentes nos fatos investigados.
A qualidade de uma pesquisa qualitativa não depende do tamanho da amostra, mas dos atributos da própria amostra:
“O julgamento da validade de uma investigação científica pode ser obtido pela construção metodológica do trabalho, ao relacionar à formulação teórica, questão de pesquisa, perguntas, critério de seleção dos entrevistados – ou seja, é identificada já no exame do projeto. a triangulação de dados com o acréscimo de fontes diversificadas de evidências, como documentos, observações e literatura e seu encadeamento consistente na etapa de análise, ajuda a garantir a validade dos resultados suportados por entrevistas em profundidade.” (DUARTE, 2005, p. 67)
O autor completa dizendo que a confiabilidade do estudo está diretamente ligada a três pressupostos:
– seleção de informações para responder as perguntas da pesquisa; – escolha de procedimentos adequados à questão da pesquisa;
– os resultados devem estar alinhados a teoria disponível e as informações levantadas durante a investigação. Nesse sentido, um plano metodológico para ser eficaz, deve dar atenção especial aos predicados que envolvem as perguntas de pesquisa.
1- Objetivo do estudo
Identificar as principais causas do declínio e as ações que levam a
retomada das organizações
Análise do processo de recuperação de uma empresa
familiar sob o enfoque do framework de Robbins e Pearce II
2- Questões de investigação
3 – Metodologia
Estudo de caso exploratório com predominância qualitativa e
abordagem descritiva
• Ciclo de vida nas organizações; • Empresa familiar;
• Declínio e turnaround.
4 – Fundamentação teórica
5 – Coleta dos dados
Bases de dados secundários, literatura disponível e entrevistas
presenciais
Análise sob o enfoque do ciclo de vida proposto por Gersick e o framework de Robbins e Pearce II
6 – Análise dos dados
8 - Conclusões
Apresentação das conclusões e sugestões para futuras
investigações
7 – Discussão dos dados
Apresentação dos achados da investigação
Figura 10 - Esquema do plano de investigação
Fonte: o autor
A Figura 10 apresenta, de forma objetiva, o plano de pesquisa e investigação da presente dissertação. É conveniente considerar que outros elementos fazem parte desta metodologia e estão distribuídos, na forma de processos, entre as oito etapas apresentadas.