O estudo da literatura, qualquer que seja a sua origem, assenta, embora não se reduza, numa determinada cultura e consideramos que o fenómeno literário adquire uma maior compreensão quando interpretado à luz dos pressupostos culturais que lhe estão inerentes, já que, nas palavras de Porter, a Literatura “tells truths about the past that history cannot articulate” (“Historical and Cultural Contexts to Native American Literature” in Native American Literature 39). Esta evidência tem uma ressonância especial, como se depreende das palavras de Porter, no contexto dos nativos americanos porque, até ao fim dos anos sessenta e início da década de setenta, estes povos tinham sido ignorados ou,
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quantas vezes, sujeitos a más interpretações pela História da cultura dominante. Neste sentido, pretendemos, com este sub-capítulo, contribuir para o justo reconhecimento da importância da escrita dos povos nativos e salientar a sua capacidade para invocar um passado com directas implicações no momento presente. Daí se poder argumentar que as obras dos escritores Índios não são apenas ficcionais, mas, de facto, remetem para a realidade, como é o caso da escritora consagrada Leslie Silko que, através da obra ficcional Almanac of the
Dead, descreve, com um realismo por vezes deprimente e confrangedor, a
realidade do mundo contemporâneo, bem como aborda a colonização dos nativos e as vicissitudes por eles experienciadas.
Os nativos americanos continuam a lutar pela sua sobrevivência e a ser um exemplo de força e abnegação para todos os que entram em contacto com as suas culturas. Estes povos mostraram ser capazes de resistir à brutalidade sofrida às mãos dos colonizadores da qual resultou, ou a deslocação, ou destruição das suas sociedades tribais, a repressão e gradual extinção das suas línguas, a ameaça à sua vida espiritual e religiosa, entre outras vicissitudes. O percurso de Gerald Vizenor é um exemplo ilustrativo deste facto. Membro da tribo Chippewa,
White Earth Reservation, de ascendência chippewa e francesa, foi considerado
um dos escritores nativos contemporâneos mais produtivos e versáteis, como comprovam os mais de trinta títulos que se distribuem por diferentes géneros literários, (poesia, conto, romance, autobiografia), e ainda por textos jornalísticos, ensaios, assim como teoria e crítica. Vizenor desenvolveu o seu carácter em circunstâncias dramáticas que poderiam ter arruinado a vida de um sujeito menos destemido.
Com efeito, o autor observa restrospectivamente a sua infância, pautada por circunstâncias dramáticas, ocasionadas quer pela pobreza familiar extrema quer pelo assassinato do seu pai, usando os acontecimentos que o marcaram
negativamente como matéria-prima para as suas narrativas. Vizenor desconstrói-os pelo recurso ao sentido de humor subtil e concomitantemente mordaz. De uma forma jocosa, brinca com as peripécias de que foi alvo designando-as de “metaphors and autobiographical myths”. Daí a utilização reiterada, na sua narrativa, da personagem mais influente da mitologia Ojibwa, o “trickster”, uma figura simbólica que questiona todas as ideologias estabelecidas de uma forma radical, recorrendo ao humor original. Este ser que é capaz de adquirir diferentes formas, sendo a mais comum a de um animal, é uma divindade nos mitos da criação de várias tribos, mantendo a sua importância na tradição cultural de vários povos nativos desde os seus primórdios. Segundo Paul Radin: “Laughter, humour and irony permeate everything Trickster does” (The Trickster: A
Study in American Indian Mythology xxiv).
Qualquer debate acerca deste escritor mestiço gira em torno de três vectores: a extraordinária odisseia pessoal de Vizenor, o seu génio e criatividade e a sua escrita profícua. Segundo a nossa leitura, estes vectores simbolizam o nativo indígena que é capaz de sobreviver aos ataques dos colonizadores europeus, de uma forma digna e exemplar. O escritor e intelectual (Cherokee/Choctaw), Louis Owens, retrata Vizenor como “a trickster, contrary, muckraking political journalist and activist, poet, essayst, novelist and teacher” e, por sua vez, Momaday descreve-o como “the supreme ironist” (Lundquist, Native
American Literatures: An Introduction 257).
Vizenor evoca, na sua obra, o crucial papel desempenhado pelos índios na história da América, considerando-os os fundadores/edificadores do continente americano: “Natives are the very start of any history of the United States. Not the absence of natives, not the myths of savagism and civilization, not mere museum natives, and not natives as eternal victims, but natives as a diverse continental presence” (255). Vizenor pretende, através de diferentes acções políticas, sociais
e literárias, despertar no nativo americano contemporâneo o orgulho pelas suas raízes, libertando-o do papel de vítima e levando-o a sentir-se como um verdadeiro filho do Continente Americano, pronto a redescobrir as suas autênticas raízes ancestrais. Assim, para Vizenor, como para outros escritores nativos contemporâneos, está na altura de resgatar a História primordial da América, libertando-a da visão eurocêntrica e dando a conhecer a elevada diversidade de culturas nativas bem como a multiplicidade de expressões literárias orais e escritas reflexo da tradição oral e manifestações artísticas dos nativos americanos. Por isso, o autor afirma: “There is a real – not only a hesitation – denial of what the real America is; and the real America is the Native America of indigenous people and the indigenous principle they represent” (Coltelli, Winged
Words 116). De forma gradual, a verdadeira América enriquecida pelos mitos
cosmogónicos e tradição oral dos povos nativos, que, após a chegada dos Europeus ao Continente, sofreram a perda de cerca de setenta a noventa por cento da população e a expropriação de noventa e cinco por cento do seu território (Porter, “Historical and Cultural Contexts to Native American Literature” 40), está a ressurgir através de contos, romances, autobiografias, poesia, entre outras manifestações literárias.
Embora as Histórias e Antologias da Literatura Americana se refiram à presença nativa no continente, este conhecimento não está muitas vezes contextualizado, uma vez que necessita de estudo e compreensão das vivências dos nativos ao longo dos séculos no continente americano, (anteriormente denominado por eles próprios de Turtle Island2), para que finalmente as suas
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Em relação à denominação do Continente Americano por Turtle Island, David Peat esclarece: “Many Indigenous peoples refer to living on Turtle Island. There are stories that a giant turtle rose out of the ocean and allowed the plants, animals, birds, and people to live on its back. Some people suggest that Florida and Baja California are the turtle’s back flippers with Labrador and Alaska as the front. While I have heard some Native people associate Turtle Island with the North American continent, others suggest that both the Americas are one land” (Blackfoot Physics 9).
vozes, isto é, a sua expressão literária seja deslocada das margens para o centro das preocupações académicas. Daí que Laura Coltelli chame a atenção, em
Winged Words, para tal facto:
Before we can make valid critical interpretations of the work of American Indian writers, we must consider their tradition and historical background. We need to discover, or rediscover, cultural values other than those rooted in Western aesthetics or in individual aesthetics sensibilities. (1)
Os leitores com uma mundividência ocidental poderão ter grandes dificuldades em analisar a Literatura dos Nativos Americanos visto que, provavelmente, o farão com base nos seus padrões culturais que lhes são familiares, mas irrelevantes para a literatura em questão. Por conseguinte, ao longo dos tempos, tem-se revelado premente um encontro entre os diversos povos para que num diálogo aberto aprendam com as diversificadas vivências culturais, histórias e visões do mundo, aceitando a alteridade de cada grupo para que, em conjunto, encontrem respostas para os problemas de ordem social, ambiental e psicológica das sociedades contemporâneas. Paula Gunn Allen, conceituada poetisa, romancista e crítica literária, de ascendência Laguna, Sioux e Libanesa, chega mesmo a afirmar: “Native American literature is useful to everybody who’s trying to change from one world to another. And in America, that’s two-thirds of us” (12). Daí a necessidade de se estudarem outras culturas cujo vasto património cultural se evidencia nas mais variadas categorias de géneros literários inerentes a cada uma delas. No entanto, nas sociedades ocidentais ainda se acredita que existe apenas uma Verdade – a única conhecida – e todas as outras realidades são meras distorções de uma verdade tida como
universal. Assim, não surpreende que, durante muito tempo, às Literaturas Nativas tivessem sido atribuídas designações como primitive, savage, childlike e
pagan, uma vez que uma sociedade etnocentrista é, regra geral, incapaz de
avaliar, com imparcialidade, os elementos simbólicos subjacentes a outras culturas.
Acontece que sempre se perspectivou tudo em função da hegemonia cultural europeia e a heterogeneidade de outras culturas era algo despiciendo. Para a mentalidade ocidental, “The other does not exist: this is the conclusion of rational faith, the incurable belief of human reason. Identity equals reality as if, in the end, everything must necessarily and absolutely be one and the same” (Highwater, The Primal Mind. Vision and Reality in Indian America 11). No entanto, no decorrer dos anos sessenta, o movimento dos direitos cívicos deu a conhecer à sociedade americana a existência de outras culturas detentoras de uma grande complexidade e património cultural, incentivando os leitores a indagar sobre as experiências das minorias, muitas delas marginalizadas pela
mainstream.
Aceitar as diferenças é fundamental para que os povos nativos possam tecer a sua própria identidade que, múltipla e pluralista, não traz em si a marca de apenas uma voz, mas de diversas vozes que passaram a interagir no Continente Americano. A identidade dos nativos americanos constrói-se a partir da heterogeneidade de culturas, segundo a qual cada sujeito procura encontrar-se a si mesmo: um eu ao mesmo tempo em simbiose com os outros e individualizado, inserido num todo ao mesmo tempo uno e diverso. A partir daí, desafiando todo o sistema, “[…] the other refuses to disappear; it subsists; it persists; it is the hard bone on which reason breaks its teeth” (11), numa tentativa para preservar a sua memória, tradição e identidade cultural.
É esta também a perspectiva de Scott Momaday, autor de ascendência Índia e Branca que recebeu, em 1969, para grande surpresa do público, o prémio Pullitzer pela sua obra House Made of Dawn. Trata-se de um romance complexo e comovente, que narra a história do regresso à reserva de um jovem destroçado pela bebida e pelas tentações efémeras da sociedade branca. Segundo o escritor, o seu sucesso deve-se à fusão das duas tradições culturais: “[…] the Kiowa tradition to which he feels himself intimately linked through the memory of his grandmother, Aho, and the Euroamerican world to which he gained access through formal education at the highest level under the tutelage of Yvor Winters” (Wiget, Critical Essays on American Literature 1). Do início até ao fim do seu romance, Momaday centra-se nos rituais e tradições dos Walotowa, Navajo e
Kiowa. O enredo segue o padrão conflicto-crise-resolução, embora se destaquem
as cerimónias Navajo conhecidas como chantways. A finalidade destes rituais é a cura, alicerçada na percepção de que esta só é possível quando o sujeito recuperar a integridade psíquica. Para os Navajo, um indivíduo isolado ou alienado é permeável à doença e, desse modo, o ritual da cura centra-se na reintegração do indivíduo isolado na matriz comunitária e universal. Assim, Abel, através da tradição oral ritualística, é metamorfoseado de ser fragmentado/isolado em membro de uma irmandade universal, e de ser alienado em participante espiritual no mundo cósmico da sua tribo. A transformação da personagem ilustra a questão que pretendo discutir neste estudo, da fragmentação à unidade, com as diferentes etapas conducentes à cura e os mecanismos necessários para que tal processo ocorra.
Na altura em que Momaday escreveu House Made of Dawn, possuía já o doutoramento em Literatura pela Universidade de Stanford, o que lhe conferiu um grande conhecimento sobre a tradição literária da Civilização Ocidental, tornando- -o capaz de utilizar as principais técnicas da literatura moderna ao mesmo tempo
que recupera as tradições orais tribais, como que num tributo ao seu passado ancestral. Na perspectiva de Frederick Turner, Momaday sugere, de uma forma notável e com subtileza, que “his story is neither a beginning or an end but instead a portion of the long story that has been telling itself through nameless narrators since tribal time began” (Spirit of Place - The Making of an American Literary
Landscape 325).
Antes da publicação desta obra, considerada como um marco cultural e, por muitos, “a Native American Renaissance” (Lundquist, Native American
Literatures 38), a atenção dos investigadores estava apenas dirigida para a
literatura tradicional das diferentes tribos, mas sempre sob a denominação de “antropology”, “linguistics” ou “folclore”. Existia, nesta altura, um completo desconhecimento e ausência de publicação de Literatura Nativo-Americana, levando Simon Ortiz, escritor índio de Acoma Pueblo, a confessar que, na sua juventude, apesar do forte desejo de se tornar escritor, sentiu uma enorme inibição, pois desconhecia escritores nativos americanos até ao seu ingresso, em 1966, na Universidade do Novo México:
I didn´t know of any Native American writers until 1966 when enrolled at UNM (University of New Mexico) and actively sought for Works by Native American Writers. D’Arcy McNicle and Charles Eastman were the only two writers I found and I was happy to discover there were at least two current ones, N. Scott Momaday, who was just starting out, and Vine Deloria, a socio-historical legal commentator. (Ortiz citado em Turner, Spirit of Place - The Making of an American Literary
Na sequência da atribuição do prémio Pulitzer a Scott Momaday, outros escritores nativos americanos manifestaram o desejo de exibir a sua voz de protesto, de resistência e de criatividade literária. Entre eles, destaca-se James Welch, descendente de Índios Blackfeet e Gros Ventre, que publicou em 1974,
Winter in the Blood, um romance acerca da salvação de um jovem Blackfoot,
através da redescoberta das suas raízes tribais. Outros se seguiram de entre os quais merecem referência a título de exemplo os autores que passamos a mencionar. Assim, Leslie Marmon Silko (Laguna-Pueblo) publica Laguna Woman em 1974 e Ceremony em 1977, tendo já escrito anteriormente o conto “The Man to send Rain Clouds”. Outro escritor a ser reconhecido foi Gerald Vizenor (Chippewa e Francês) com Darkness in Saint Louis Bearheart e Wordarrows:
Indians and Whites in the New Fur Trade, ocupando-se das inter-relações entre
Índios e Brancos, publicados em 1978. Também, Simon Ortiz (Acoma) foi justamente apreciado pela crítica que, em 1981, lhe atribuiu um prémio, (the Pushcart Prize for Poetry), pela sua obra From Sand Creek. Louise Erdrich (Chippewa e Alemã) viu Love Medicine ser aclamada a melhor obra de ficção de 1984 pela National Book Critics Circle. Joy Harjo (Creek) com She Had some
Horses em 1983, foi igualmente bem acolhida.
Segundo Ortiz, a caminhada revelava-se árdua para os jovens escritores índios, ainda desconhecidos uns dos outros. No entanto, a obra de Charles Eastman, D’Arcy McNicle, Carlos Montzuma, ZitKala-Sa e Pauline Johnson no século XIX e, naquela altura, o sucesso de Momaday, apontavam uma nova esperança para a Literatura Nativo-Americana, que passaria a ser alvo de reconhecimento, despoletando uma real consciência tribal. Esta circunstância leva-nos a estabelecer uma analogia com o pensamento de Emerson que acredita na potencialidade da transcendência humana - “stone cut out of the ground without hands”. Assim, tal como a pedra pode ser removida do chão sem o
recurso à força humana, simbolizada aqui pelas mãos, também a literatura indígena pode (res)surgir com o seu poder intrínseco, dando uma notável contribuição para o enriquecimento da Literatura Americana no seu todo, como sustenta Laura Coltelli: “Contemporary American Indian Literature is playing a remarkable role in American Literature at large, it’s a very innovating contribution to it” (Winged Words 95). Momaday, por sua vez, acrescenta: “We cannot think of Melville without thinking of American Indian antecedents in the oral tradition, because the two things are not to be separated logically at all” (96).
Daí que Simon Ortiz, estimulado por estes indícios auspiciosos e com o apoio de James Welch, Leslie Silko e tantos outros, afirmasse com indignação: “What it came down to, was that we, Native American writers, represented less than a handful, and there was no tradition of a Native American literature; in a sense we barely existed [,] and in some critics and publishers’ eyes we didn’t exist at all” (Turner, Spirit of Place 326-327). Com efeito, os escritores índios americanos estavam habituados a serem invisíveis para a América branca, mas, naquele momento, os contornos da invisibilidade começavam a esfumar-se. Também eles, num clima de arrojada esperança, com uma sensação de anuência por parte dos jovens americanos abertos a novas visões, sentiam ter o direito de falar através das suas obras, que são realmente uma componente importante da sua perseverança, poder e força. Como Ortiz mais uma vez reitera: “Indians might be powerless and traumatized by change. But they did exist, after all. We had our communities, traditions, a portion of our lands, some of our languages, and we had our stories. There were always the stories, and we believed in them because they were the truth; they verified our existence” (327). São as histórias orais e os mitos de criação respeitantes a cada tribo, a sua real memória que curam os seus membros da alienação cultural em que vivem, devolvendo-lhes vitalidade e identidade tribal.
De igual modo, Wendy Rose, de ascendência Hopi e Miwok, licenciada em Antropologia pela Universidade de Califórnia, salienta que as obras dos escritores nativo americanos naquela época não eram catalogadas nas bibliotecas e livrarias de acordo com as duas formas de expressão escrita – prosa ou poesia – mas como “anthropology”, “Native Americans”, “Indians”, “Western” ou mesmo “Juvenile”. Os próprios administradores das livrarias confidenciaram-lhe: “Neither Leslie Silko’s novel Ceremony nor her later volume of prose and poesy,
Storyteller, could be classified or sold as ‘regular fiction’ because no one would
buy them unless they were especially interested in Indians. Hence, the work is shelved under ‘Indian’ Period. A book by Silko thereby becomes a mere artifact, a curio” (Wendy Rose citado em M. Annette Jams, The State of Native America 409). Numa entrevista com Laura Coltelli, Wendy Rose denuncia os obstáculos levantados pelas universidades relativamente à inclusão da Literatura Nativo-Americana no departamento de Literatura e, ao mesmo tempo, pondera a possibilidade de esta vir a ser brevemente integrada no cânone literário. Rose refere ainda que o único departamento que aceitou tratar da sua dissertação envolvendo Literatura Nativo-Americana foi o de antropologia: “Comparative literature didn´t want to deal with it; the English department didn´t want to deal with it, in fact the English department told me that American Indian Literature was not part of American literature and therefore didn’t fit into their department” (Winged
Words 124). No decorrer da entrevista, coloca a hipótese de um dia se estudar
Momaday e outros escritores índios, como por exemplo, Charles Eastman, numa aula de Literatura Americana e acrescenta, num tom jocoso, se, por acaso, um escritor nativo alcança projeção internacional, como aconteceu com Momaday, e o seu romance for galardoado, os críticos e etnólogos salientam o facto de “his or her work is ‘not really Indian’. Rather, it suddenly falls within the ‘mainstream of American letters’” (130).
Face à dificuldade em delimitar e enquadrar a Literatura Nativo-Americana, poder-se-á, de uma forma genérica, começar por qualificá-la como ampla e variada, atendendo à existência de inúmeras e distintas sociedades tribais, cada uma com as suas próprias cosmologias, tradições, rituais e línguas e dando corpo a literaturas orais dotadas de grande poder e beleza. As literaturas tribais (incluindo as tradições orais de histórias, lendas, mitos, entre outras) são únicas e culturalmente específicas de um determinado grupo. Daí que Paula Gunn Allen, numa entrevista dada a Laura Coltelli, concorde com a opinião da entrevistadora, considerando a literatura Nativo-americana uma Literatura Multiétnica (17), que provém de diferentes tradições culturais. Para analisar a estrutura e os conteúdos das obras, é imprescindível saber a origem do escritor e, também, precisar o olhar