1.6. Factors affecting the transmission
1.6.3. Immune response against PRRSV
1.6.3.1. Innate immune response
Não foi possível a Marx aprontar esta terceira edição para ser impressa. O colossal pensador, ante cuja grandeza se curvam até seus próprios adversáriosa, morreu no dia 14
de março de 1883.
Sobre mim, que perdi, com ele, o amigo de quatro déca- das, o melhor e mais constante dos amigos, a quem devo mais do que se pode expressar com palavras, recai agora o dever de preparar esta terceira edição, bem como a do se- gundo volume, deixado em manuscrito. Cabe-me, aqui, prestar contas ao leitor de como cumpri a primeira parte desse dever.
Inicialmente, Marx planejava reelaborar extensamente o texto do volume I, formular de modo mais preciso diver- sos pontos teóricos, acrescentar outros novos e comple- mentar o material histórico e estatístico com dados atualiz- ados. Seu estado precário de saúde e a ânsia de concluir a redação definitiva do volume II obrigaram-no a renunciar a esse plano. Devia-se modificar apenas o estritamente ne- cessário e incorporar tão somente os acréscimos já contidos na edição francesa (Le capital. Par Karl Marx, Paris, Lachâtre, 1873b), publicada nesse ínterim.
No espólio, encontrou-se um exemplar da edição alemã, corrigido por Marx em alguns trechos e com refer- ências à edição francesa; encontrou-se também um
exemplar da edição francesa, com indicações precisas das passagens a serem utilizadas. Essas modificações e acrésci- mos se limitam, com poucas exceções, à última parte do livro, à seção “O processo de acumulação do capital”. Nesse caso, o texto publicado até agora seguia, mais que em outros, o plano original, ao passo que as seções anteri- ores haviam sofrido uma reelaboração mais profunda. O estilo era, por isso, mais vivo, mais resoluto, mas também mais descuidado, salpicado de anglicismos e, em certas passagens, obscuro; o percurso da exposição apresentava lacunas aqui e ali, posto que alguns pontos importantes haviam sido apenas esboçados.
Quanto ao estilo, o próprio Marx submetera vários capítulos a uma cuidadosa revisão, que, juntamente com frequentes indicações transmitidas oralmente, forneceram- me a medida de até onde eu poderia ir na supressão de ter- mos técnicos ingleses e outros anglicismos. Sem dúvida, Marx teria reelaborado os acréscimos e complementos, substituindo o francês polido pelo seu próprio alemão con- ciso; tive de me contentar em traduzi-los, ajustando-os o máximo possível ao texto original.
Nesta terceira edição, portanto, nenhuma palavra foi al- terada sem que eu não tivesse a certeza de que o próprio autor o faria. Jamais sequer me ocorreu introduzir em O
capital o jargão corrente em que se costumam expressar os
economistas alemães, uma mixórdia que, por exemplo, chama de Arbeitgeber [“dador” de trabalho] aquele que, mediante pagamento em dinheiro, faz com que outrem lhe forneça trabalho, e Arbeitnehmer [receptor de trabalho] aquele de quem o trabalho é tomado em troca do salárioc.
Também em francês se emprega a palavra travail, na lin- guagem corrente, no sentido de “ocupação”. Mas os franceses taxariam de louco, e com razão, o economista
que quisesse chamar o capitalista de donneur de travail e o trabalhador de receveur de travail.
Tampouco tomei a liberdade de reduzir a seus equival- entes alemães atuais as unidades inglesas de moeda, pesos e medidas usadas no texto. Quando da publicação da primeira edição, havia na Alemanha tantos tipos de pesos e medidas quanto dias no ano, e, além disso, circulavam dois tipos de marco (àquela época, o Reichsmarkdsó valia
na cabeça de Soetbeer, que o inventara no fim dos anos 1830), dois tipos de florim e ao menos três de táler, entre os quais havia um denominado “novo dois terços”[neue
Zweidrittel]e. Nas ciências naturais, prevalecia o sistema
métrico; no mercado mundial, os pesos e medidas ingleses. Nessas circunstâncias, as unidades inglesas de medida se impunham necessariamente a uma obra cujos dados fac- tuais tinham de se basear quase exclusivamente nas con- dições industriais inglesas. E essa última razão permanece decisiva ainda hoje, tanto mais que as condições referidas não sofreram maiores modificações no mercado mundial, e particularmente nas indústrias mais significativas – ferro e algodão – prevalecem até hoje quase exclusivamente pesos e medidas inglesesf.
Por fim, uma última palavra sobre o método, pouco compreendido, que Marx emprega na realização de citações. Quando se trata de dados e descrições puramente factuais, as citações – como, as dos Livros Azuis ingleses, servem evidentemente como simples referências com- probatórias. O mesmo não ocorre quando são citadas teori- as de outros economistas. Nesse caso, a única finalidade da citação é a de estabelecer onde, quando e por quem foi enunciado claramente, pela primeira vez, um pensamento econômico mencionado no decorrer da exposição. A única coisa que importa, nesses casos, é que a ideia econômica
em questão tenha relevância para a história da ciência, que seja a expressão teórica mais ou menos adequada da situ- ação econômica de sua época. Mas o fato de ser citado não implica de modo algum que esse enunciado tenha valor absoluto ou relativo do ponto de vista do autor, ou que já se encontre historicamente ultrapassado. Tais citações, pois, não constituem mais do que um comentário ao texto, tomado da história da ciência econômica, e registram cada um dos progressos mais importantes da teoria econômica, de acordo com a data e o autor. E isso era muito necessário numa ciência cujos historiadores até hoje se destacam apenas pela ignorância tendenciosa, quase digna de arrivistas. Compreender-se-á, então, por que Marx, em sin- tonia com o posfácio da segunda edição, apenas muito ex- cepcionalmente cita economistas alemães.
Espero que o segundo volume possa ser publicado no transcorrer do ano de 1884.
Friedrich Engels
Londres, 7 de novembro de 1883
Edição inglesa, traduzida por Samuel Moore e Edward Aveling.