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Initialiseur de constructeur this et base

Surcharge et redéfinition avec C#

2.2 Initialiseur de constructeur this et base

De acordo com Chizzotti (2009: 13), a pesquisa quantitativa tem origem nas ciências naturais, pautada sobre as postulações positivistas. Utilizando a lógica de experimentação hipotético-dedutiva, os investigadores dessa linha valorizariam “a

probabilidade e a dedução, a matematização da natureza, a noção de experiência, causalidade e previsibilidade”, para encontrar por meio de predições a estrutura

permanente e as leis invariáveis dos eventos naturais.

27 Tradução nossa. Excerto na língua original: “any systematic and principled inquiry [...]”.

Pode-se inferir que, segundo essa concepção, homem e mundo existiriam de maneira independente, isto é, coexistiriam. Assim, o sujeito seria responsável por reconhecer, recolher e organizar cientificamente as impressões oriundas do exterior, com um receptáculo daquilo que o envolve (cf. CHIZZOTTI, 2009).

De acordo com alguns autores (CHIZZOTTI, 2009; LARSEN- FREEMAN & LONG, 1991), até meados do século XX o método experimental, elaborado a partir das postulações desenvolvidas em ciências naturais, constituiu-se como método-padrão de pesquisas científicas e foi adotado também pelas ciências humanas, entre elas, Linguística e Psicologia. Esse método é considerado como rigoroso em obter dados e em construir conhecimentos cientificamente comprovados. De acordo com Chizzotti (2009: 25), a rigorosidade consiste em submeter

um fato à experimentação em condições de controle e apreciá-lo coerentemente, com critérios de rigor, mensurando a constância das incidências e suas exceções e admitindo como científicos somente os conhecimentos passíveis de apreensão em condições de controle, legitimados pela experimentação e comprovados pela mensuração.

É perceptível que essa metodologia se preocupa muito com uma investigação extremamente estruturada, isto é, com uma lógica sistematizada dos processos (técnicas e processos) que a compõem, na tentativa de controlar e delimitar a obtenção dos dados, para comprovar por meio de procedimentos matemáticos a veracidade ou a falsidade das hipóteses estabelecidas previamente.

Por conta da importância de análise estatística dos dados nesse tipo de metodologia, as pesquisas que a empregam são denominadas quantitativas ou definidas como pertencentes ao paradigma quantitativo.

Em contrapartida às metodologias desenvolvidas pelas ciências naturais, surge com forte influência da fenomenologia e da dialética (cf. CHIZZOTTI, 2009) a pesquisa qualitativa29. Embora nesse tipo de investigação seja costumeiro não conceber

hipóteses prévias, nada impede que o pesquisador as tenha, desde que essas não conduzam a investigação de modo a simplesmente confirmá-las ou invalidá-las, pois, dessa forma, ter-se-ia apenas uma experimentação.

A pesquisa qualitativa postula que a apreensão global de determinado fenômeno individual, social, linguístico, comportamental ou mesmo da natureza só será

29 De acordo com Chizzotti (2009:78), o termo “pesquisa qualitativa é uma designação que abriga correntes de pesquisa muito diferentes.” Embora possam ser muitas, essas se fundamentam em

realizada por meio da interação dinâmica e indissociável existente entre mundo real, objeto e sujeito. Assim, por um lado, o objeto não seria algo inerte e neutro, desprovido de significados; e, por outro, o pesquisador não seria apenas um observador externo, despido de memórias e conhecimentos construídos ao longo de suas interações, que, sem dúvida, influenciam em sua interpretação dos objetos e, consequentemente, em sua atribuição de significados.

É preciso deixar demarcado que os pesquisadores qualitativos postulam a não necessidade de haver neutralidade nas interpretações e conhecimentos construídos nesse tipo de investigação. Devido às próprias postulações científicas que a embasam, entende-se ser impossível a um indivíduo fazer qualquer observação com grau absoluto de neutralidade, uma vez que o sujeito é permeado por interações significativas que, de certa forma, orientam sua compreensão dos objetos. Dessa forma, o investigador qualitativo precisa tomar consciência sobre isso, para procurar se desvencilhar ao máximo possível de pré-conceitos em suas análises, a fim de alcançar uma neutralidade satisfatória em sua investigação.

Destarte, o investigador nesse tipo de pesquisa precisa estar atento não só aos resultados obtidos, mas também ao processo que permitiu alcançá-los, ou seja, ele precisa desenvolver uma compreensão pontual e global do fenômeno com que está lidando. Sua função durante a investigação é ativa e devidamente consciente, uma vez que os métodos e técnicas empregados nessa são dependentes de suas atitudes e ações.

Para a pesquisa qualitativa, os sujeitos (pesquisador e pesquisados/sujeitos acompanhados) que dela participam possuem conhecimentos que precisam ser considerados no momento da elaboração científica. Dessa forma, toda interação, fala, gesto, comportamento, atitude e expressão ocorridos durante o percurso da investigação podem configurar e constituir-se, de acordo com o que se objetiva, como dados para a compreensão da questão de pesquisa. Logo, para se conseguir coletar esses dados é preciso que haja um número grande de procedimentos de obtenção, alguns deles são: diário e notas de campo, entrevistas, gravações de áudio e vídeo, questionários, narrações de vida.

Segundo Chizzotti (2009: 85), os procedimentos empregados na pesquisa quantitativa “coadjuvam a descoberta dos fenômenos latentes” à questão investigada, contudo a utilização desses não deve ser entendida como um método “único, exclusivo e

adaptação de processos de acordo com o contexto e seus objetivos. Cabe, portanto, ao pesquisador expô-los e justificar o emprego de cada um destes.

É preciso deixar demarcado a não necessidade de que uma investigação adote apenas um dos dois paradigmas apresentados anteriormente. A escolha de um paradigma não exclui automaticamente o outro. Há pesquisas, como esta, que se aproximam, devido à orientação metodológica, mais de um, mas também empregam procedimentos metodológicos mais próximos do outro para conseguir alcançar seus objetivos. Nossa consideração está de acordo com a afirmação de Cohen (1989: 01), para quem “[...] tanto o método quantitativo como o qualitativo tem suas limitações. A

combinação dos dois tipos resulta em estudos mais complexos com convalidação

convergente.” Assim, a combinação entre essas linhas de pesquisa ajuda na construção

de uma compreensão mais profunda do(s) objeto(s) investigado(s).

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