As estratégias metodológicas do processo de incubação de empreendimentos econômicos solidários permitem atender uma determinada comunidade que possua um empreendimento ou pretende desenvolver um de forma coletiva, propulsionando o crescimento dos indivíduos em grupos com o objetivo de formar empreendimentos que favoreçam os princípios fundamentais da educação popular e da autogestão, visando o empoderamento, à emancipação e à organização solidária.
O processo de incubação em uma ITCP começa pelo diagnóstico situacional do empreendimento que pretende ser incubado, onde verificar-se a viabilidade econômica do mesmo. A partir do diagnóstico situacional, acontece a pré- incubação. Com o empreendimento aceito para participar do processo de incubação, a ITCP começa com a assessoria e assistência técnica no local do empreendimento. Após passar o tempo de incubação, a cooperativa e/ou o empreendimento está pronto para exercer as atividades de forma independente. A Figura 20 apresenta o processo proposto de incubação em uma ITCP.
Figura 20: Processo de Incubação em uma ITCP.
6.4.1 Diagnóstico Situacional
O diagnóstico situacional é o primeiro contato da ITCP com a comunidade na qual se encontra o possível empreendimento a ser incubado. A equipe responsável em ir à comunidade para realizar o diagnóstico deve passar por um processo preparatório de aplicação e análise das entrevistas. O levantamento dos dados feito no processo de diagnóstico proporciona à ITCP aprofundar o vínculo de algumas diretrizes para o delineamento do trabalho a ser desenvolvido no empreendimento incubado, levando em conta suas especificidades e particularidades, especialmente em seu território, histórico e composição do grupo. Caso o grupo possua viabilidade econômica dar-se-á continuidade com o projeto, caso não atenda aos requisitos de viabilidade o projeto se encera antes mesmo de começar a pré-incubação. O projeto aprovado para incubação é a principal ferramenta do processo de incubação, pois é onde se expõe o empreendimento econômico solidário idealizado.
6.4.2 Pré-Incubação
A Pré-incubação é o momento de firmar o planejamento do empreendimento. A partir do diagnóstico situacional e da confirmação da viabilidade econômica do projeto para a incubação, a ITCP começa a desenvolver junto à comunidade o plano de trabalho, onde começará o processo de incubação do empreendimento. O plano de trabalho deve conter a responsabilidade de ambas as partes, onde a ITCP entra com o desenvolvimento de atividades na parte de assessoria técnica, apoio na busca de financiamentos, orientação na elaboração de projetos e no processo de organização da autogestão do empreendimento, e o empreendimento entra com a mão-de-obra e a estrutura física por meio de associações e/ou cooperativas populares. Nessa fase, algumas ações a serem desenvolvidas pela ITCP são:
• Elaboração do plano de execução do projeto do empreendimento;
• Reflexão junto aos participantes sobre os atuais dilemas do mundo do trabalho;
• Promoção de intercâmbios e experiências entre os empreendimentos e redes de produção, consumo e comercialização;
• Desenvolvimento de atividades e experiências práticas que fomentem o estabelecimento de vínculos de grupo; e
• Fomento de instrumentos de planejamento participativo.
Ao desenvolver essas ações, a ITCP certifica da importância da elaboração do plano de incubação com maior eficiência e eficácia, o qual resulta na constituição e consolidação de projetos de empreendimentos econômicos solidários sustentáveis.
6.4.3 Incubação
A incubação é a fase em que o projeto de empreendimento econômico solidário é executado, recebendo assessoria e assistência técnica para viabilizar o seu negócio. Para isso, o grupo de trabalho de elaboração e execução de projetos precisam aprofundar o conhecimento sobre a economia solidária e o ramo de atuação da ITCP, contudo, é a partir da elaboração do plano de negócios, sendo o mesmo construído aos poucos e de forma coletiva com os incubados, se dará a estrutura administrativa e econômica do empreendimento.
Junto às atividades de assessoria econômica, são realizadas assessorias técnicas para apoiar os empreendimentos econômicos solidários, ensinando-os a melhorar os produtos e/ou serviços por meio de oficinas e aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão. Outro aspecto importante nessa fase, segundo Lopes et al., (2017), é o estímulo à participação dos incubados em redes de produção e comercialização de produtos, como também o envolvimento em fóruns, seminários, conferências, comitês, conselhos de direitos, comissões, entre outros aspectos da economia solidária.
No plano de negócios serão abordados os parâmetros das gestões administrativa; financeira, de marketing, comercial, e ambiental, podendo entrar outros fatores de acordo a necessidade dos empreendimentos. De forma resumida essas gestões compreendem:
• Gestão administrativa: consiste na união de atividades relacionadas ao cotidiano administrativo, como ações de organização de arquivos, documentos, procedimentos rotineiros, e controle do planejamento. O gestor administrativo é o responsável por tomar as decisões administrativas na formação e funcionamento do plano de negócios e da autogestão dos empreendimentos econômicos solidários.
• Gestão Financeira: integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controle de recursos financeiros de forma a garantir a estabilidade do negócio. O gestor financeiro é o responsável de não faltar recursos financeiros e de que sejam bem empregados na formação do EES.
• Gestão de Marketing: é um conjunto de técnicas usadas pelas empresas para estudar o mercado e conquistá-lo mediante o lançamento planejado de produtos ou serviços. Por isso, os responsáveis pelo Marketing da ITCP devem fazer pesquisas de mercado para viabilizarem a competitividade dos produtos dos empreendimentos.
• Gestão da Produção: é responsável pelos estudos e desenvolvimento de técnicas, tecnologias e melhoramento genético dos produtos e/ou serviços. O responsável pela produção preocupa-se com as estratégias de produção; projeto de produtos e serviços; sistemas de produção; arranjos produtivos; planejamento e controle dos projetos de produção. Pode ainda, planejar a venda de produtos ou serviços; gerenciar e coordenar equipes, definir estratégias de preço e local de venda; buscar compradores em potencial para grandes negociações; desenvolver competências de marketing, logística, economia e tributação que intervenham nas transações comerciais, determinando o preço final ao consumidor (GOMES; MENDES; LOPES, 2015).
• Gestão Comercial: é a parte da administração que está ligada diretamente com as vendas e atendimento ao cliente. Por isso, o representante comercial é responsável para treinar os grupos na parte da comercialização em que leve em conta o objetivo proposto por cada empreendimento, dando-lhes suportes necessários no cumprimento de metas de vendas, atendimento ao cliente, participação do mercado, ações de marketing, entre outros fatores que podem influenciar na venda dos produtos e/ou serviços.
• Gestão Ambiental: é área relacionada com a sustentabilidade e planejamento ambiental. Serve para prevenir os riscos à saúde, economizar recursos naturais, contribuir com a preservação do meio ambiente e contribuir com ações ambientalmente corretas em ações e procedimentos produtivos.
6.4.4 Pós-Incubação
A pós-Incubação (graduação) é a fase em que os empreendimentos podem caminhar por eles mesmos, ou seja, nessa fase eles estão maduros e podem gerir, produzir e comercializar seus produtos de forma coletiva e auto gestionário sem interferência da ITCP.
Destaca-se em todas as fases de incubação da estratégia metodológica a necessidade de possuir um processo permanente de planejamento, monitoramento e avaliação das atividades, visando à sua atualização para melhoria dos processos e resultados. É importante que os empreendimentos possam ter uma rede de relacionamento entre si, onde os diferentes níveis de amadurecimento dos incubados ajudem na necessidade e capacidade de absorção do tempo de incubação.