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Informations relatives aux garanties financières

Dans le document Informations clés pour l investisseur (Page 38-45)

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9. Informations relatives aux garanties financières

O impacto de chegada à UFSM é registrado pelos calouros de forma diferenciada. Layla (fisioterapeuta), residente em Porto Alegre, e que há três anos tentava vestibular na área de saúde, na UFRGS, alertada por uma colega de cursinho, inscreveu-se para o vestibular na UFSM, via Internet, prestou vestibular e foi aprovada. O primeiro desafio foi manter o pagamento do aluguel, pois por ser de fora desconhecia os procedimentos para conseguir vaga na União45. Inicialmente o aluguel foi pago com o Seguro Desemprego, depois, as despesas foram assumidas por sua mãe e por uma irmã mais velha, que é enfermeira. Separada da

45 A União é uma moradia provisória, com 180 vagas e que geralmente acolhe os novos estudantes que estão

chegando na universidade. A UFSM possui duas Casas de Estudante Universitário (CEU I e II) na cidade de Santa Maria e nos demais campis, também são oferecidas moradias, totalizando 2000 vagas. Ao ser aprovado no vestibular, o estudante natural de outra cidade, deverá se inscrever no Edital do Processo Seletivo para fazer jus ao Benefício Socioeconômico que dará direito à moradia e demais bolsas, visando a garantia de sua permanência, sempre visando a inclusão social do estudante.

família, Layla revela que o início de sua vida acadêmica foi difícil, regado com muitas lágrimas, em virtude das saudades. Portadora de gagueira, Layla frequentou consultórios de fonoaudiologia desde os nove anos, e após o ingresso na UFSM continuou em atendimento, na própria Universidade; segundo ela, esse foi seu maior problema, em especial durante apresentações de trabalhos. Tal situação pesou muito, e a experiência traumática na apresentação do seu primeiro trabalho no curso, seis anos depois, continua reverberando:

Eu fiz Fono... Então isso me ajudou na minha vida sabe? Só que quando eu fiz Fono, eu não pensava que com meus vinte e poucos anos, eu ia entrar na faculdade e ia ter que apresentar trabalho. Então a Fono me ajudou pra mim socializar, mas não em apresentações, que é outro tipo de estresse; é outro tipo de exposição. Nem eu achava que eu era tão gaga ainda, até meu primeiro trabalho! Que foi horrível, foi a pior apresentação que eu fiz assim, eu não completava uma frase completa sem gaguejar. (...). E daí, quando na minha primeira apresentação, (...), tinha uma professora que tava sentada bem na minha frente, não sei se ela nunca deu aula pra uma pessoa gaga, ou sei lá. Não sei o que aconteceu, mas ela riu na minha frente. Ela riu de mim, mas não deu gargalhada, óbvio né? Mas quem tá na frente apresentando tem uma visão geral da plateia, e eu vi ela rindo de mim. Então isso me deixou muito mal, muito, muito, muito mal! Então, em todas as apresentações, por incrível que pareça, eu parecia uma criança de uns cinco anos. Eu ia apresentar e me lembrava dela. E eu trancava muito, nem era mais com ela, era com qualquer aula. Então isso acabou me atrapalhando bastante (Layla, Entrevista em 04/09/2017).

Com a política de cotas a rotina social do ambiente universitário passa pelo impacto da chegada de pessoas com características étnicas e culturais diferenciadas. Tais estudantes terão seus atributos categorizados, a partir das preconcepções do grupo hegemônico que ocupava aquele espaço. O cotista é percebido com uma “identidade social virtual”, com um grau de expectativas que atenda ao que se espera dele, para que seja uma pessoa “normal”. À medida que ele mostra sua “identidade virtual real”, com base na categoria e atributos que o diferenciam dos demais, passa a ser considerado “menos desejável”, uma pessoa estragada, diminuída, como conceituou Goffman (1988, p. 12), possuidor de um estigma. Na narrativa de Layla percebo o estigma da cor da pele e gagueira. Não tem como esconder ou mentir, o que Goffman (1988, p. 14) chama de condição de desacreditada. Infiro que a atitude cruel e desrespeitosa assumida pela professora poderá ter sido impensada, vindo corroborar com o pensamento de Goffman (1988, p. 15) que afirma que, para os “ditos normais”, alguém com um estigma não é completamente humano, o que leva a uma série de ações de discriminação, como o inexplicável riso dessa professora, ao perceber a atitude constrangedora em que Layla se encontrava.

Alcançar o êxito no vestibular é motivo de felicidade para qualquer candidato, em especial para Jamila (Serviço Social), uma negra militante, que acompanhou o processo de aprovação da política de cotas em nossa universidade. Ingressou na UFSM, em 2010, e logo na primeira aula surpreendeu-se com a postura de um professor, que ao se deparar com cinco cotistas negros na turma, ao invés de dar boas-vindas, proferiu um discurso contrário às cotas. Jamila ingressava no curso emocionada, vencera o vestibular e seu sonho estava sendo realizado - cursar serviço social, numa universidade pública, contudo a atitude do professor foi desanimadora, conforme relata:

Um professor deslegitimando toda uma luta que eu vi ser construída, tudo, foi muito triste, assim. De início, já vi assim que a gente iria sofrer muitas barreiras. E assim foi. Sempre que se falava em cotas, a maioria dos alunos brancos era contra cotas, porque eles não entendem esse processo. Eles acham que a gente precisa de cotas por questão da gente ter menos inteligência, eles levam por esse lado. Mas com o transcorrer do curso eu fui provando e os meus colegas também, que não era isso, tanto é que sempre a gente teve notas superiores, as nossas notas sempre foram altas (...). O discurso político, o discurso social, tudo, a gente sempre se fez presente, fomos alunos que sempre participávamos de todo o processo, então acho que foi aí, a gente mostrando que nós estávamos ocupando aquela vaga ali, a gente estava ocupando uma vaga que ela foi construída, foi legitimada pela luta de muitos. Eu acho que quando a gente saiu dali o processo já tinha um maior entendimento, do que quando a gente entrou, quando foi bem difícil (Jamila, Entrevista em 02/05/2017).

Jamila expressa sua decepção com o professor sentindo tristeza: “foi muito triste! “Vi que iria sofrer barreiras”! O professor que ao receber calouros negros reage discursando contra a política de cotas, chamarei de professor inconformado. Com a justificativa de que está preocupado com a qualidade do ensino ou com o bom nível do curso, esse professor escancara seu medo ou inabilidade de trabalhar com estudantes com outro perfil étnico. Enquanto Jamila (Serviço Social) enfrentava o discurso contra a política de cotas por parte de um discente, Idia (Ciências Sociais) ouvia de seus colegas que tinha entrado pela porta dos fundos e Kadija (Ciências Sociais) ao ingressar no curso em março de 2010, teve por desafio compreender as razões da política de cotas. Mesmo tendo optado concorrer como cotista PPI precisava entender melhor a proposta, apesar de que sua opção em nenhum momento criou-lhe qualquer constrangimento no decorrer do curso. Kadija relata que foram temas referentes à religiosidade afro-brasileira que, em alguns momentos, provocaram-lhe estranhamento no grupo, como no caso de uma disciplina em que o tema era bruxaria à luz do pensamento lombrosiano, e colegas associaram à Umbanda e Religiões Afro-Brasileiras, com um tom preconceituoso, afirmando que “bruxaria, tinha que ser coisa de negro!” Da mesma

forma, Odé (história) optou por cotas para negros, ingressando em 2009. Apesar de não ter ainda se apropriado do assunto, confessou que não se identificava como negro, da maneira como se percebe hoje, mas se sentiu contemplado pela política de cotas. “Hoje, eu me compreendo, eu me identifico e eu tenho a compreensão de consciência de que eu sou negro. Mas isso eu fui aprender muito depois. Então, quando eu marquei, eu marquei para cota de afro-brasileiro” narra Odé, que ao ingressar na UFSM ficou deslumbrado:

Quando eu adentro a Universidade, eu acho, vindo do interior, eu não conhecia uma universidade com mais de 20 mil pessoas. Eu fico num primeiro momento deslumbrado, e num curso onde as pessoas são extremamente eruditas, porque têm uma carga de leitura muito maior, eu fiquei completamente deslumbrado, mas ainda assim eu tinha uma inquietude: -Porque só tem brancos aqui? Porque no ano que eu entrei, porque eu sou o primeiro cotista do curso de História, negro a se formar, porque na minha turma tinha a Juliana que faleceu, então eu sou o único cotista a estar formado pelas cotas, da UFSM, da primeira turma (...). Logo que eu entro, percebo que não tem nenhum negro, aí que eu encontro duas pesquisadoras negras, que são a X e Y, que é quando eu vou estagiar no Museu Treze de Maio, na cadeira de Educação Patrimonial e lá eu encontro a minha primeira referência de intelectual negro (Odé, Entrevista em 09/02/2017).

Odé (História) passa pelo estranhamento do espaço universitário, e emprega o termo “deslumbrado” para definir suas percepções, indo ao encontro das afirmativas de Coulon (2008) sobre a condição de estudante ao ingressar na vida universitária. Recorda do professor que durante as aulas tecia comentários sobre a trabalhadora doméstica que lhe prestava serviço, referindo-se à sua cor com a expressão “como da cor do pecado”, uma expressão que na atualidade é considerada ofensa racista, e que evoca a representação do papel social da mulher negra escravizada, cujo corpo foi apropriado e coisificado como objeto sexual do homem branco. Para legitimar a opressão, é utilizado o recurso da religião, comparando a cor da trabalhadora com o pecado, algo que é mau, negativo, dessa forma desprestigiando e rebaixando-a.

Por sua vez, a trajetória universitária de Ayo iniciada no ano de 2009, quando ingressou no curso de Letras, passou por uma situação inusitada, que o levou a desistir de assistir as aulas de determinada disciplina.

E nesse período, das lembranças que eu tenho foi a vez que a professora me expulsou da sala de aula, em função da minha aparência, pois estava vestindo um boné, e ela disse que a Universidade não era lugar pra eu estar de boné, que era coisa de moleque. Aí depois disso, nunca mais apareci na aula dela. Aí eu saí de fato. Até porque, quando eu entrei era letras bacharelado e depois fui pra licenciatura, e daí, como não ia mais utilizar a

disciplina dela, eu aproveitei, abandonei pra não ter contato com a professora. Na hora, a gente fica sem reação, tu não espera. Porque eu estava de boné, como se o boné fosse atrapalhar alguma coisa. Então na hora, a gente não percebe. Mas dá raiva, aquela, né! Simplesmente saí, por educação. Não ia ficar lá batendo boca com a professora. Mas depois, com o passar do tempo, como eu troquei do bacharelado pra licenciatura, eu encontrei ela um dia no corredor, e ela veio me pedir desculpas, que ela tinha visto que a atitude que ela teve, fez com que eu, simplesmente, abandonasse a disciplina dela (Ayo, Entrevista em 10/11/2016).

As razões que levaram a professora a expulsar o aluno que usava boné não foram esclarecidas; para ela, usar boné “é coisa de moleque”, mas nas normas da Universidade não há menção a esse respeito, não deixo de considerar, contudo, o discurso racista subjacente na atitude da professora.

Ao iniciar a vida acadêmica, Idia (Sociologia) preocupava-se em como se apresentar frente aos colegas, como se vestir, consciente de que participava de outro campo social, o que é logo resolvido, ao observar as colegas:

Como uma mulher muito pobre, eu sempre pensava, como eu vou chegar na Universidade. Eu não tenho roupa, eu não tenho calçado, eu não tenho dinheiro para as passagens. Eu trabalho. Eu saio do município (escola), pego faxina, saio das faxinas, vou pra Universidade. Chegando lá, eu me deparava com as minhas colegas alemãs, descendentes de alemães, descendentes de italianos, de chinelo, de crock, mas porque eu não posso? Uma negra de chinelo é empregada doméstica, uma italiana, uma alemã, descendente de alemães, de italiana, é uma filha de colono? É filha de empresário (...). E daí eu vi de que nós não precisamos... Não é a roupa que nos faz, não são os calçados, mas sim o nosso conhecimento e a maneira como nos tratamos (Idia, Sociologia).

Mas as impressões que mais a marcaram Idia foi a atitude dos colegas em relação às cotas, como relata:

Eu tive problemas, eu fui discriminada porque quando entrei no primeiro semestre, ah, ela é cotista. Entrou pela porta dos fundos. Sim os colegas falavam, porque muitos, mesmo estando dentro da Universidade, não têm noção que o cotista faz vestibular. O cotista tem que fazer a redação e ele tem que passar na redação. Tem que tirar mais de três. Ele não entra pela porta dos fundos e referente às nossas notas, as nossas notas são idênticas, são iguais ou melhores. Mas não por nós sermos melhores, porque nós temos o conhecimento também, o nosso raciocínio, a nossa lógica, a nossa inteligência é igual. Não é a raça, não é a etnia que define uma pessoa. Claro que nós temos as nossas características que marcam o nosso fenótipo. A nossa maneira de ser faz parte da nossa ancestralidade. Mas não é só a epiderme que classifica: ser ou não ser. E sim a tua maneira de agir, e de pensar e de fazer as coisas (Idia, Sociologia).

Perguntei-lhe como ela resolvera a questão com os colegas, quando eles falaram que o cotista entra pela porta dos fundos.

- Isso não é explícito, é aquele preconceito velado que dá entender, quando tu faz um trabalho em grupo, um seminário e que tu ficas de fora, como se tu fosses atrapalhar. Mas eu tive colegas que me chamavam pra fazer parte daquele grupo, me fazendo um favor. Não vamos deixar a Idia, ela é tão legal, ela é preta, ela é pobre! E é claro, eu sou uma pessoa difícil, eu tenho um gênio terrível, e é claro que as pessoas que não têm afinidade, que não se dão comigo, não é pelo fato de eu ser preta, porque eu não tenho mania de perseguição. É uma questão de personalidade forte. Eu dei uma entrevista no ano passado, um ano e meio atrás, que o entrevistador perguntou como que tu fez a respeito da invisibilidade. Foste tratada como uma invisível na Universidade? Eu disse, não. Porque aonde eu estou, o lugar que eu frequento, a sala de aula que eu estou, eu não sou invisível. Eu sou muito difícil de passar em branco, de passar invisível pelas pessoas. Porque penso, logo existo, logo resisto (Idia, Sociologia).

Para Kadija, a maior dificuldade sentida foi em relação ao excesso de informações, a carga de leitura, que vai exigir do estudante estratégias específicas. No caso dela, deixou de participar de festas, reuniões, para dedicar-se à leitura, como relata a seguir:

A minha principal dificuldade (...) é muita informação e tu não pode ficar parada. Tu tem que correr atrás, porque se não tu não acompanha (...) eu percebi assim que eu tenho (...) um grande vácuo entendeu? (...) Mas essa informação da leitura eu sinto que tem um vácuo, se eu não correr atrás pra superar isso, passar horas de noite lendo, trocar uma festa, como muitas vezes eu troquei antes no tempo da graduação, pra poder ler, pra poder entender melhor pra poder interpretar. Pra no outro dia tá na aula e o professor fazer uma pergunta e eu saber o que ele tá falando, entendeu? Procurar entender o que ele tá falando, então se eu não correr atrás, isso vai deixar vai ser prejudicial pra mim. Então eu vejo a dificuldade que eu tive foi assim. Ah, tem que correr atrás sabe? (Kadija, Ciências Sociais).

Por estar há muito tempo afastada dos estudos, pois concluíra o Ensino Médio em 1991, e ter a partir daí iniciado a trabalhar formalmente, Idia (Ciências Sociais) percebeu que a distância entre a academia e o ensino médio, foi estrondosa, desconhecia a temática abordada atualmente no Ensino Médio, tendo inclusive dificuldade em pronunciar os nomes de teóricos como Marx, Max Weber, Emile Durkheim. No início do curso não conseguia diferenciar marxistas ou weberianos, e por isso foi muito cobrada:

Eu tive um professor, no primeiro semestre (...) que me deu nota zero na primeira prova que eu fiz (...), porque eu não tinha um raciocínio lógico, essa foi uma dificuldade. (...) Eu agora não vou comentar o nome, porque agora, não faz mais diferença, mas ele me disse: - Idia, tu não tens condições de estar aqui na Federal. Eu disse:- Por que eu tirei zero? Porque eu acompanhava as aulas e coloquei na prova o que ele comentava, ou o que eu

entendia do que ele dizia. E ele me disse: - tu não tens raciocínio lógico. Tua prova não tem lógica. E eu até pensei em desistir do curso no primeiro semestre. Mas eu tenho outra professora, (...), que é minha orientadora. E ela me disse: - Supera, a criatura. A gente tem que superar as adversidades. Mostra pra ele que tu tens condições. Que tu és possuidora de raciocínio lógico. Se tu chegaste aqui, na Universidade, prestaste vestibular e passaste em todas as outras disciplinas do primeiro semestre, é porque tu tens condições. Tenha coragem, luta! E foi o que eu fiz (Idia).

Na narrativa de Idia é possível identificar a atuação dos dois tipos de professores:

empática, que a estimulou a não desistir e enfrentar as dificuldades inerentes ao reinício dos

estudos e o professor inconformado, que após o fracasso da estudante na primeira prova, classificou-a como não detentora de pensamento lógico, sem qualquer análise mais aprofundada. O que leva um professor afirmar à aluna negra, de idade superior a 40 anos, que o lugar dela não é na Federal, por ela não ter raciocínio lógico? Sou forçada a afirmar que é o racismo que faz isso; é o fato de o negro ocupar espaços que até então eram interditos para ele. Os campis das universidades federais foram até bem pouco tempo ocupados por 97% de estudantes brancos. Suponho também que a presença de mulheres negras, maduras, estudando num curso noturno, tenha causado estranhamento para o tal professor.

Agotime (Enfermagem) relata que logo no início do curso teve oportunidade de pensar a função do enfermeiro, a partir da conversa com uma profissional que atuava em um hospital. Foi um momento em que o encanto da profissão sonhado pelo calouro cedeu lugar às reais possibilidades e desafios do profissional da enfermagem.

(...) quando a gente entra, a gente (...) aprende que se a gente não se dobra, vai ser demitido. Vão passar por cima de ti. Tu não vai conseguir emprego, a gente já vem com esse pensamento, que tem que baixar a cabeça e dizer sim. Trabalha, porque se não trabalhar, vai ter alguém no teu lugar pra ocupar tua vaga. Na primeira semana de aula, meu grupo foi sorteado para fazer um trabalho, fomos estudar como funciona um hospital público, com a gestão privada - era na Casa de Saúde. Aí nós fomos até lá, fomos conversar com a enfermeira. No primeiro semestre isso. A enfermeira disse: “eu não tenho escolha, eu tenho que vir aqui e fazer tudo que tem pra fazer. Se eu não quiser fazer, tem uns quantos ali na porta que vão estar aqui, querendo ocupar o meu lugar. A gente aprende essa submissão do Enfermeiro desde o começo. Então tu já começas a enxergar o mercado de trabalho como um lugar ruim. Na própria graduação, tu já começas a enxergar o ambiente de trabalho como um ambiente hostil. E é isso que não sei se é, não sei, mas na minha turma, muitos colegas que gostavam da assistência, acabaram desistindo. Não vai. Aí fica na pesquisa só. O que o Marx falava da alienação do trabalho, tem que produzir. É tem que produzir sem questionar (Agotime, Enfermagem).

O cotidiano do curso, as experiências de estágio, os desafios do mercado de trabalho apontando para a possibilidade do futuro profissional da enfermagem decidir escolher pela pesquisa ou pela assistência corroboraram para que Agotime optasse atuar diretamente com pacientes em situação de internação.

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