A gestão dos custos em uma empresa diz respeito não apenas à obtenção de controle sobre a mesma, mas também à necessidade de influenciar a tomada de decisão dos gestores,
sobretudo em decisões como, por exemplo, sobre que produtos devem ser mantidos na linha de produção; quais produtos representam maior margem de contribuição, quais apresentam menor margem, mas maior representatividade de mercado, entre outros.
A expressão custos pode ser interpretada de diferentes maneiras, conforme o contexto em que surge. Por exemplo: um consumidor que acaba de adquirir um bem por R$ 100,00 sabe que esse bem o custou os R$ 100,00. Porém, o mesmo bem para a empresa que o produziu, pode ser desdobrado e possui algumas especificidades.
Portanto os custos, de um modo geral, podem ser definidos como medidas monetárias, com as quais a empresa deve arcar a fim de atingir seus objetivos (BRUNI; FAMÁ, 2004).
Não são raras às vezes em que a nomenclatura custos se confunde com gastos, despesas, investimentos, entre outros. Por esse motivo, torna-se interessante conceituar alguns elementos, para que se possa entender com mais clareza o que, de fato, são os custos da empresa.
A conceituação desses diversos elementos se dará com base em Martins (2008, p. 24- 26) que define:
Gasto: compra de um produto ou serviço qualquer, que gera sacrifício financeiro para a entidade (desembolso), sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro). O conceito de gasto é bastante amplo, sendo aplicado em todos os bens e serviços adquiridos, por exemplo: gasto com compra de matéria-prima, gastos com mão de obra, gastos com honorários. O gasto implica em desembolso;
Desembolso: é o pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço. Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada.
Investimento: é o gasto ativado em função da sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s) [...] podem ser de diversas naturezas e de períodos d avaliação variados: a matéria-prima é um gasto contabilizado temporariamente como investimento circulante; a máquina um investimento permanente.
Custo: é o gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.
Despesa: bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receita, por exemplo, a comissão de vendedor.
Perda: bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária, por exemplo, obsoletismo de estoques.
Bruni; Famá (2004, p. 25) afirmam que os custos de uma empresa “representam os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens e serviços. Portanto estão associados aos produtos ou serviços produzidos pela entidade”. Corroboram com essa afirmação Passarelli; Bomfim (2004, p. 31) ao conceituar como custos os “gastos diretamente relacionados com a produção dos bens e serviços destinados, pela empresa, à comercialização”.
Para a presente dissertação torna-se interessante conhecer os conceitos e componentes de alguns custos que foram utilizados para realizar o custeio por absorção, até a chegada ao lucro líquido da empresa, com base nos produtos a serem avaliados.
Um deles é o custo da mão de obra, que pode ser direta ou indireta. Conforme Martins (2008) o custo da mão de obra direta existe a partir da possibilidade de conhecer o valor da mão de obra aplicada no produto, via medição; já a mão de obra indireta existirá caso haja algum tipo de rateio ou estimativa de valor a ser usado em cada produto.
Para Maher (2001, p. 638) o custo da mão de obra direta é calculado mediante a multiplicação de uma taxa padrão (salários mais benefícios recebidos pelos empregados) por uma quantidade padrão de mão de obra aplicada na fabricação de cada produto.
Os custos também apresentam classificações, quanto a sua identificação e quanto ao volume de produção. Essas diferentes classificações serão explicadas para que se possa ter melhor entendimento acerca do assunto. Quanto a sua identificação, os custos podem ser diretos e indiretos. Os custos diretos são aqueles, que conforme Bruni; Famá (2004, p. 31) “são diretamente incluídos no cálculo dos produtos”, ou seja, os de fácil e objetiva mensuração.
Já os custos indiretos são aqueles que não podem ser alocados de forma objetiva nos produtos ou serviços e, portanto, necessitam de alguma espécie de rateio para serem atribuídos aos produtos. Para Martins (2008) os custos indiretos não oferecem condições de uma medida objetiva, e sua tentativa de alocação deve ser realizada de forma estimada. É o caso dos custos administrativos indiretos, tendo como exemplos: fretes, pró-labore, combustíveis e, geralmente, o caso da água e energia elétrica que, ainda conforme Martins (2008, p. 49) “o custo da energia elétrica, pode ser relevante, mas não são tratados como diretos, já que para tanto seria necessária a existência de um sistema de mensuração do quanto é aplicado em cada produto”.
Esses conceitos e explicações tornam-se importantes para a elaboração do cálculo do custeio por absorção da IAC em questão. O custeio por absorção, de acordo com Leone (2000, p. 242), “é aquele que faz debitar ao custo dos produtos todos os custos da área de fabricação, sejam esses definidos como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou operação”. Ou ainda para Maher (2001, p. 360) o custeio por absorção “é um sistema de contabilização de custos no qual tanto os custos fixos como os custos variáveis de produção são considerados custo do produto”.
No custeio de absorção são alocados todos os custos do setor da produção, como os salários, encargos, energia e matéria prima, ou seja, “o custeio por absorção consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados” (MARTINS, 2008, p. 37).
Depois de elaborado o custeio por absorção, a margem de contribuição pode ser apurada, ou seja, “a diferença entre o preço de venda e o custo variável do produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa, de sobra entre a sua receita e o custo que de fato provocou e que lhe pode ser imputado sem erro” (MARTINS 2008, p. 179). Maher (2001, p. 82) corrobora, ao enfatizar que a margem de contribuição é o “preço de venda menos os custos e despesas variáveis”, ou, ainda a diferença entre receitas e custos variáveis. Leone (2000, p.40) afirma que “se denomina margem de contribuição por que é o valor que sobra do preço de venda, que contribui para a cobertura dos custos indiretos fixos e periódicos”.
Ainda para Maher (2001, p. 433) a margem de contribuição (Preço – Custo variável) X Quantidade produzida é a quantia com que as unidades vendidas contribuem para (1) cobrir os custos fixos e (2) gerar lucro operacional.Portanto, para determinar o lucro operacional, basta diminuir os custos fixos da respectiva margem de contribuição.
3 AS CONTRIBUIÇÕES DA FUNÇÃO GERENCIAL PRODUÇÃO