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Influence du transfert hydrique sur une couche de mortier

Présentation du manuscrit

2. Etat des connaissances

2.3. Caractérisations mécaniques des mortiers

2.3.1.3. Déformations du mortier au jeune âge

2.3.1.3.4. Influence du transfert hydrique sur une couche de mortier

Autora: Juliana Camargo Zani – Universidade de São Paulo Orientadora: Raquel Santana Santos

Ainda sobre o dialeto do Estado de São Paulo, Juliana Camargo Zani, realiza dissertação na USP, investigando o alçamento das vogais médio-baixas no falar da cidade de São Paulo. Neste trabalho a autora analisa quais os contextos permitem ou bloqueiam o processo de alçamento das pretônicas médias. Reitera que não pretende fazer uma análise de base sociolinguística e, sim, fonológica, mesmo conduzindo o trabalho de acordo com os parâmetros da pesquisa sociolinguística. Zani utiliza como base teórica os estudos da Geometria de Traços, Fonologia Lexical e Teoria da Sílaba.

Pretende observar os contextos nos quais o sistema vocálico oral, tal como proposto em Câmara Jr. (1987), não se aplica. Para esse autor, há três processos de neutralização do sistema vocálico oral do português do Brasil: sete vogais para cinco vogais, cinco vogais para quatro e quatro para três. De acordo com a teoria da geometria de traços, adotada pela autora, ocorrem apenas dois tipos de neutralização: no sistema pretônico e no postônico final. Cita como exemplo os casos em que as vogais tônicas passam a átonas e sofrem alteração, como em caf[e] → caf[e]zinho ou caf[i]zinho, tratados pela autora como “desarmonia e harmonia vocálica”.

Na análise em que a vogal médio-baixa passa de posição tônica para posição átona, a autora levantou três hipóteses sobre o que influenciaria o alçamento ou não das vogais médio-baixas. A primeira hipótese seria a influência do traço de altura e ponto de articulação da vogal média seguinte, a segunda a influência de um tipo de morfema e por fim, a terceira hipótese, seria de que o processo é favorecido pelo tipo de estrutura silábica resultante da

derivação. Para testar suas hipóteses e explicar o fenômeno a autora utiliza três teorias fonológicas: geometria de traços, fonologia lexical prosódica e a teoria da sílaba, além de levar em conta os estudos de Lee (1995), Mateus e D´Andrade (2000) e Wetzels (1991, 1992, 1995). Após discussão sobre que nomenclatura utilizar para falar dos processos fonológicos, a autora decide pelos termos “assimilação e dissimilação” e para o resultado obtido, opta em denominar de neutralização. O estudo é realizado a partir de um experimento de leitura de palavras gravadas em laboratórios por 20 informantes, com idade em torno de 23 anos e meio, nível universitário e naturais da cidade de São Paulo. Para testar a primeira e segunda hipótese foram selecionadas palavras oxítonas e paroxítonas, substantivos simples, que servem de raiz para formação de substantivos derivados. E para a terceira hipótese, palavras oxítonas, paroxítonas, não derivadas, cujas sílabas com a vogal médio-baixa fosse CV e CVC. Desta forma o corpus foi composto de oito palavras oxítonas não derivadas, quatro com sílaba leve (CV) e pesada (CVC), oito paroxítonas, quatro com sílaba leve e quatro com sílaba pesada. Foram apresentadas 136 palavras para os informantes, totalizando 4.560 dados para a análise. Os resultados não mostraram muita diferença entre alçar ou bloquear a elevação das vogais. A autora conclui que houve uma tendência maior para o alçamento nos contextos em que ocorrem a vogal /a/, /e/ e /o/ na raiz e bloqueio para contextos com /u/ e /i/. As hipóteses levantadas no estudo não foram, de fato, confirmadas. Algumas foram confirmadas apenas parcialmente, como a influência da vogal seguinte e a estrutura da sílaba. Percebe-se através da análise estatística realizada na pesquisa, que a vogal influencia no alçamento e no bloqueio das vogais médias, mas isso não se dá, nem por harmonia, nem por desarmonia e nem mesmo pelo ponto de articulação e traço [aberto].

Para encerrar a descrição das pesquisas sobre a região sudeste, passo a comentar a única pesquisa encontrada no estado do Espírito Santo. Trata-se da dissertação de mestrado de Gianni Fontis Celia, concluída na Unicamp no ano de 2004.

4.3.2.3 Espírito Santo

O dialeto do Espírito Santo também foi muito pouco explorado em relação ao sistema pretônico. A dissertação de 2004, orientada pela Profa. Bernadete Abaurre, comentada a seguir, é a única citada na maioria dos trabalhos acadêmicos analisados. Encontrei, já no final

da escrita desta tese, a dissertação de mestrado de ShileyVieira, defendida em 201034 na Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do Prof. Felício Wessling Margotti. Este trabalho não será comentado por não ter sido analisado adequadamente.

4.3.2.4 Dissertação: As vogais médias pretônicas na fala culta de Nova Venécia – ES. 2004. Autora: Gianni Fontis Celia - Universidade Estadual de Campinas, São Paulo. Orientadora: Maria Bernadete Marques Abaurre

A pesquisa investiga a realização das vogais médias pretônicas no dialeto falado na cidade de Nova Venécia, localizada a 240km de Vitória, capital do estado. A investigação foi realizada a partir da fala de 9 informantes do gênero feminino, com o terceiro grau completo e divididos em 3 faixas etárias (25 a 35 anos, 36 a 55, de 56 anos em diante). A opção por um único gênero, o feminino, se deu, segundo a autora (p.46), devido ao número reduzido de informantes, composto em sua maioria, por mulheres. A autora pondera que a presença de algum informante masculino, poderia interferir nos resultados e não iria ser relevante. Foi utilizado um corpus compreendido por 2.950 realizações de vogais pretônicas (alteamento/ abaixamento), sendo 1.714 de /e/ e 1.236 de /o/, observadas em relação a oito fatores linguísticos (nasalidade, tipo de tônica, distância, pretônica seguinte, atonicidade, consoante precedente, consoante seguinte, estrutura silábica) e um fator extralinguístico (faixa etária). Os dados foram submetidos ao modelo estatístico de regressão logística, implementado pelo programa Goldvarb através da análise de regressão gradual Step-Up/Step- Down. Sua pesquisa, de cunho variacionista, investigou o abaixamento e alteamento, constatando que, neste dialeto, as vogais médias pretônicas podem variar entre realizações médias [e, o], alteadas [i, u] ou abaixadas [D, N], e que tal variação se dá por um processo de assimilação do traço de altura da vogal da sílaba seguinte, independentemente da sua tonicidade. Outros fatores apresentados nas pesquisas já citadas, como vogal seguinte, nasalidade, atonicidade e a estrutura da sílaba, mostraram-se relevantes para o alteamento das médias pretônicas no dialeto estudado.

O abaixamento das médias segue os mesmos padrões da elevação. O principal fator favorecedor para que as vogais pretônicas se tornem baixas é a presença de [a], [e] ou [N] na sílaba seguinte. A consoante labiodental favorece o abaixamento de /e/ em posição

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precedente, enquanto a alveolar e a bilabial influenciam a variação, quando em posição seguinte à pretônica. O abaixamento de /o/ é favorecido pelas consoantes seguintes alveolar, palatal e labiodental. A autora conclui que a ocorrência de vogais baixas em posição pretônica, no dialeto de Nova Venécia não é tão marcante como na região norte, mas pode se configurar, como uma característica de transição entre os dialetos do sul e do norte do Brasil, pois encontrou percentuais altos para o abaixamento: 16% para [D] e 23% para [N] (p.61), mostrando, inclusive, que, a média posterior parece ser mais propensa à variação do que a anterior. Resultados muitos similares aos apresentados em Silva (1989) para o dialeto de Salvador.

4.3.3 Considerações sobre os dialetos da região Sudeste

As pesquisas até aqui apresentadas têm abordado mais o alçamento vocálico em relação ao outro fenômeno peculiar às vogais médias pretônicas que é o abaixamento. Percebe-se que este fenômeno começa a ser investigado em Minas Gerais, na década de 90, com a pesquisa de Castro sobre o dialeto de Juiz de Fora, região mineira que, em tese, de acordo com os estudos de Nascentes (1953) e Zágari (1977) não seria propícia para a ocorrência de tal fenômeno. Posteriormente, já na década de 2000, outras pesquisas surgem investigando o abaixamento ou abertura das vogais médias (Celia, 2004; Guimarães, 2006; Alves, 2008; Almeida,2008 e Dias, 2008). As pesquisas da região sudeste, que até então tinham o processo de elevação das vogais médias como objeto de pesquisa, passam, de maneira ainda tímida a investigar o abaixamento, verificando que este fenômeno segue o mesmo padrão do alçamento.

As pesquisas sobre o dialeto carioca mostram o abaixamento, ao se deparar com situações de contato dialetal, tendo em vista a quantidade de imigrantes nordestinos na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, no estado de Minas Gerais e Espírito Santo, onde constata-se a presença desse tipo de variação vocálica, não se discute questões relacionadas ao contato dialetal, e sim, uma “tendência” às vogais médias se realizarem como baixas em algumas regiões do estado.