3. LES NOMS DEVERBAUX DANS LA THEORIE SYNTAXIQUE DE LA
3.2. Architecture grammaticale des nominalisations
3.2.2. Influence du patron sur les propriétés de la nominalisation : le rôle de
O processo de análise, utilizado neste trabalho, consistiu em “extrair sentido dos dados de texto e imagem” (Creswell, 2007, p.194), enquanto opção para o estudo dos significados produzidos pelas relações dentro dos contextos de vida. As visões que os participantes apresentaram sobre a internação estavam pautadas em suas experiências diante do fenômeno, conferindo-lhes significados. Esses significados são variados e múltiplos, e
construídos social e historicamente, pois são edificados a partir da interação com outras pessoas e instituições (Creswell, 2007).
Orientando-se pelo pressuposto de Vigotski, que apresenta as categorias enquanto entidades “processuais, abertas e situando o fenômeno que definem em suas relações com outros” (González-Rey, 2002, p.41), foram criadas seis grandes áreas temáticas buscando-se abarcar os sentidos e significados dados pelos sujeitos ao vivenciado. Partiu-se, então, da perspectiva dos próprios participantes para, posteriormente, buscar entender e explicar estes temas (Creswell, 2007).
Cada entrevista se torna importante por ser única, por seus sujeitos serem diferentes; pautando-se neste pressuposto buscou-se extrair as temáticas que se apresentavam mais carregadas de emoção e que expressavam os significados e sentidos atribuídos pelos adolescentes à internação (Arpini, 2003).
Contudo, ao analisar os dados, os pesquisadores reconstroem representações, podendo inferir sobre a expressão dos contextos que envolvem os sujeitos pesquisados, já que os textos são repletos de “eventos, valores, regras e normas, entretenimento e traços do conflito ou argumento”; além de ter influência de “preconceitos, opiniões, atitudes e estereótipos das pessoas” (Bauer, 2002, p.192).
O objetivo do pesquisador, portanto, neste modelo de análise, foi dar sentido aos dados, interpretando os significados que estes sujeitos tiveram para com a internação, reconhecendo que sua formação e sua própria experiência pessoal, cultural e histórica, diante do fenômeno, moldaram sua interpretação, e que esta análise perpassou vieses, valores e interesses pessoais em relação ao tema, que tornou o pesquisador inseparável da pesquisa (Creswell, 2007).
Outro ponto fundamental colocado pela teoria que embasou esta pesquisa é a diferença entre a explicação e a descrição, já que “a mera descrição não revela as relações dinâmico-causais reais subjacentes ao fenômeno” (Vigotski, 1978/2003, p.82). Para alcançar o sentido de determinada situação ou fala, devemos buscar além das aparências, nas entrelinhas do discurso, as motivações que levam o sujeito a utilizar estas ou aquelas palavras, a se expressar desta ou daquela forma, ou seja, faz-se necessário buscar um subtexto que é construído durante a história de vida do sujeito e que pode permitir a compreensão do significado subjacente à palavra, seus aspectos afetivo-volitivos geradores, condições nas quais esta expressão emergiu (Barros, 2009; Bock et al., 2011; Ozella, 2003).
Segundo Pereira (2003), a “realidade é uma construção social baseada nas vivências individuais e coletivas dos indivíduos que a constituíram” (p.279) e a narrativa busca
(re)construir esta realidade, partindo do pressuposto de que “a relação entre pensamento e palavra é um processo contínuo de ir e vir, em que o pensamento não se expressa simplesmente em palavras, mas que existe através dela” (Vigotski, 1986/1995, p.93, tradução livre da autora); assim, uma investigação que utiliza da palavra deve começar pela busca da história que antecede estes pensamentos antes de ser formulado em palavras.
Após a transcrição das entrevistas foram realizadas leituras exaustivas, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o material, facilitando a apreensão dos dados. Esta leitura possibilitou conhecer, de forma mais profunda, as temáticas trazidas pelos adolescentes pesquisados, quando estes falavam sobre as fotografias. Ao expressarem suas experiências e seus sentimentos diante das fotos, estes adolescentes possibilitaram o acesso aos sentidos e significados dados à internação.
A análise, então, partiu de uma leitura mais sistematizada das entrevistas, obtendo-se um sentido geral das informações, que permitiu a construção das temáticas e suas categorias, referentes aos sentidos e significados dados pelos adolescentes à medida socioeducativa de internação, incluindo seus sentimentos em relação a esta medida ser punitiva e/ou socioeducativa. Destacando-se, aqui, a importância da fala dos participantes a respeito das fotografias, desde que, de acordo com Melleiro e Gualda (2005), as imagens não falam por si mesmas, sendo necessário que se fale sobre elas para que a interpretação seja, de fato, alcançada. Assim, segundo estas autoras, não se pode ater apenas ao conteúdo da imagem, mas se deve considerar o processo de atribuição de significados produzidos pelos sujeitos (Melleiro & Gualda, 2005a). Além disso, considerar os autores das fotografias é “importante na medida em que os dados serão analisados de acordo com as características de cada autor ou em relação ao grupo ao qual ele pertence” (Neiva-Silva & Koller, 2002, p.248).
Umas das premissas da teoria vigotskiana é que o que deve ser analisado é o processo e não o objeto. Vigotski (1978/2003) critica a análise psicológica que trata os processos como objetos estáveis e simplesmente os separa em elementos componentes. Assim, fez-se necessária uma análise do processo, que “requer uma exposição dinâmica dos principais pontos constituintes da história dos processos” (Vigotski, 1978/2003, p.81), portanto, uma análise de toda a construção social e histórica da vida de cada um dos adolescentes no que diz respeito ao seu envolvimento com a criminalidade e com a privação de liberdade. Dessa forma, considerou-se que não apenas “todo fenômeno tem sua história, como essa história é caracterizada por mudanças qualitativas e quantitativas” (p.8).
As unidades de textos foram reduzidas desenvolvendo-se um sistema de áreas temáticas, de modo que todos os textos pudessem ser categorizados dentro destes temas. As
áreas temáticas apresentaram subdivisões em categorias (anexo B), de forma a facilitar a compreensão e a interpretação dos significados e sentidos dados pelos adolescentes à internação. Este processo de categorização foi criado a partir dos dados coletados e buscou refletir os objetivos da pesquisa. As imagens foram usadas de acordo com os sentidos e significados dados pelos adolescentes, ocorrendo que imagens semelhantes apresentaram diferentes sentidos e significados e, portanto, puderam pertencer a diferentes temas e categorias, demonstrando o caráter de multiplicidade e, muitas vezes, de dicotomia, dos sentidos e significados dados às imagens representativas da internação.