O desenvolvimento de um projecto, nomeadamente nas sessões de Área de Projecto, subentende que se passe por várias etapas até chegar ao momento final, a avaliação. Essas etapas são as seguintes14:
9 Sensibilização e discussão dos objectivos de funcionamento da Área de Projecto junto dos alunos;
9 Caracterização da turma em três aspectos fundamentais: sócio-afectivos, aprendizagens anteriores e interesses;
9 Selecção do(s) problema(s) ou tema(s) a tratar após apresentação da caracterização dos alunos ao Conselho de Turma;
9 Planeamento do trabalho, que poderá incluir a divisão em sub-temas, a formação dos grupos, divisão de tarefas, materiais, etc.;
9 Execução do trabalho;
9 Apresentação pública do trabalho;
9 Avaliação das actividades desenvolvidas através do registo de conclusões e sínteses.
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Nas referências bibliográficas são apontados alguns exemplos das etapas de um projecto que só diferem em pormenores. Estas etapas aqui apontadas são as seguidas na Instituição de Ensino onde o estudo foi realizado, e foram cedidas aos professores de Área de Projecto, no início do ano lectivo 2003/2004 pela Coordenadora desta área.
Depois da fase de sensibilização dos alunos, que diz respeito aos primeiros contactos a estabelecer no âmbito da Área de Projecto, procede-se à caracterização da turma, segundo três aspectos: o campo sócio-afectivo, as aprendizagens anteriores e as concepções e interesses.
Posteriormente a esta caracterização, há que definir o tema ou o problema a tratar ao longo do ano. O tema poderá ser escolhido pelos alunos e negociado com os professores, e poderá ser apresentado pelos professores e negociado com os alunos, ou descoberto em conjunto. Os professores e os alunos poderão ainda ter em conta o tema geral da escola, motor do Plano Anual de Actividades, sem que isso prejudique a motivação e a diversidade de escolha de temas em cada turma ou de problemas com que a escola se tenha debatido e que necessitem de intervenção (Leite e Santos, 1990).
Passa-se, então, à próxima fase, com a formação dos grupos de trabalho. Tradicionalmente, um grupo é definido como um conjunto de pessoas que interagem, têm consciência umas das outras e percepcionam-se como um grupo. O grupo, nesta metodologia de trabalho, responde às mesmas necessidades psicossociais de todos os outros grupos, nomeadamente, a necessidade de aceitação, a de reforçar o sentido de identidade e a auto-estima, a de produzir e testar realidades sociais e a necessidade de reduzir a ansiedade, a insegurança e o sentimento de impotência (Schein, 1982, em Castro e Ricardo, 1993).
É essencial que os alunos saibam as regras do trabalho de grupo, saibam o que é um grupo e como funciona. A aceitação no grupo é fundamental, daí que as regras devam ser definidas e interiorizadas por todos. É necessário que os alunos entendam que todas as opiniões são importantes e que qualquer trabalho individual é fundamental para a equipa. Não existe trabalho de grupo sem a cooperação e responsabilidade de todos (Felizardo, 2002).
Quando se formam os grupos de trabalho, parte-se do princípio que os seus membros se mantêm até ao final do projecto. No entanto, a característica das idades, a falta de hábitos de trabalhar em grupo e mesmo o tipo de projecto, podem contribuir para o aparecimento de obstáculos, rejeições e momentos de tensão. Se
os houver, eles deverão ser trabalhados pelo grupo com o apoio do professor até à sua resolução. Aprender a trabalhar em grupo contribui para a formação pessoal e social dos alunos. Em casos muito difíceis, poderão introduzir-se alterações na composição inicial dos grupos, com aceitação de todas as partes (Leite e Santos, 1990).
Uma outra questão a ter em conta e que é muito importante no sucesso do trabalho em grupo é, de acordo com Felizardo (2002), que todos os alunos tenham a possibilidade de experimentar diversas tarefas ao longo do ano. Por vezes, verifica- se a situação de serem sempre os mesmos alunos a executarem os trabalhos para que estão mais vocacionados como desenhar, ser porta-voz ou escrever os textos. O professor deve conseguir gerir essas situações, para que todos colaborem e não “cristalizem” as tarefas.
Depois de identificar os problemas parcelares, os grupos passarão à elaboração de um plano de acção para o desenvolvimento dos trabalhos. Depois de escolhido o tema/problema geral a tratar, passa-se a uma fase de escolha de sub- temas ou problemas parcelares. Este trabalho poderá ser feito em assembleia de turma ou nos pequenos grupos, culminando num plenário para devolver ao grande grupo as conclusões. A escolha deverá ter como preocupação a necessária articulação entre tema/campo de problemas e sub-temas/problemas parcelares, complementaridade entre os diferentes problemas parcelares a atribuir a cada grupo, adequação aos conteúdos disciplinares, ao tempo de que dispõem e a outros recursos e condições disponíveis (Leite e Santos, 1992).
Depois de definidos os diversos sub-temas a tratar, cada grupo dará início à planificação do seu trabalho, que, segundo Minerva (2002), passa pelos seguintes estádios:
9 definição dos objectivos gerais;
9 identificação dos meios de resolução do problema (recursos) e das restrições/barreiras existentes;
9 divisão de tarefas;
9 preparação do trabalho de campo;
9 gestão do tempo – estabelecimento de uma calendarização para as diferentes actividades.
De acordo com, Leite e Santos (2002), os professores têm um papel muito marcante nesta fase e o seu papel passa por:
9 dar sugestões, fazendo críticas construtivas, dando pareceres e informações;
9 fornecer instrumentos de trabalho já elaborados e adaptados;
9 destacar atitudes e comportamentos a ter durante a pesquisa no terreno; 9 fazer a supervisão.
Segue-se, então, a fase da execução dos trabalhos. Consoante a sua planificação, cada grupo dará início à implementação do trabalho na sala de aula. Os grupos terão, então, de recolher os dados necessários à elaboração dos seus trabalhos, através de uma pesquisa bibliográfica, entrevistas, consulta de bases de dados, fotografias, e muitos outros recursos.
A execução do projecto e realização dos produtos nele previstos, que naturalmente devem assumir formas diversas consoante a natureza do próprio projecto, é a fase que permite a aquisição e a integração dos saberes e saberes fazer adequados ao trabalho a desenvolver. Incluirá as observações, pesquisas, experiências e a utilização dos equipamentos e instrumentos que se mostrem necessários à aquisição desses conhecimentos e competências e que são decorrentes da realização dos produtos previstos, dependendo, portanto, do projecto concreto em execução.
O professor responsável pela turma deve ter presente a necessidade de orientar os alunos em relação aos recursos disponíveis para os seus projectos e de os ajudar na busca de informação pertinente e adequada. Nesta fase, e para além
dos saberes e saberes fazer a adquirir, tanto no domínio de conhecimento do tema do projecto como no domínio das tecnologias de informação a utilizar, os professores orientarão os alunos, facilitando as aprendizagens e as interacções entre os membros dos grupos, e deverão recolher, analisar e utilizar informação relativa à dinâmica do trabalho de grupo, nomeadamente a organização e divisão de tarefas, e à responsabilização individual, por exemplo a persistência e autonomia com que os alunos realizam as tarefas que lhes competem.
Assume especial relevo, nesta fase, a identificação pelos alunos dos problemas que se forem colocando à execução do projecto e a apresentação de propostas de superação adequadas (DES, 2000).
O tratamento dos dados recolhidos é um momento de grande relevância; a escrita tal como o desenho, organizam o pensamento e a capacidade de comunicar.
Leite e Santos (2002) afirmam que o trabalho em sala, ou seja, na escola, na sala/turma, na biblioteca, ou em outros locais, tem que ganhar força e entusiasmo como contributo para o desenvolvimento cognitivo, pessoal, social das crianças e dos jovens alunos. O investimento dos professores é determinante para a qualidade dos projectos. Estes terão que criar ambientes de aprendizagem de modo a integrar todos os alunos sem excepção, terão de coordenar os trabalhos, apoiar o investimento/motivação, organizar todo o processo, tratar do apoio logístico sem deixar resvalar todo o processo para a desmobilização.
Depois dos trabalhos realizados segue-se para a sua apresentação e divulgação.
Na divulgação dos resultados, os alunos darão a conhecer, aos seus pares, à comunidade educativa e/ou à comunidade em geral, o resultado do seu trabalho, dando significado à produção realizada. É importante determinar, previamente, junto de quem se vão divulgar os resultados do trabalho e de que forma. A forma pela qual o podem fazer é muito diversificada: relatórios, cartazes, boletins informativos, vídeos, diaporamas, jornais, brochuras, exposição oral, dramatização, etc. (Minerva, 2002).
A última fase de todo este processo é a avaliação, apesar de esta decorrer ao longo de todo o percurso, com a finalidade de fazer o ponto da situação e, se necessário, reformular os trabalhos.
No processo de avaliação interessa mais o processo subjacente ao desenvolvimento dos projectos do que propriamente o produto conseguido, e nela deverão estar envolvidos todos os intervenientes do processo. Cabe aqui realçar o papel que a auto-avaliação do projecto, feita pelos alunos, pode desempenhar e que os ajudará a reflectir sobre o seu próprio processo de aprendizagem e a constatar os processos realizados (Minerva, 2002).
De facto, e de acordo com Leite e Santos, o tipo de avaliação que mais se evidencia no trabalho de projecto é a auto-avaliação, como processo de ajuda ao próprio sujeito, para a sua realização pessoal. É uma avaliação que motiva, melhora a iniciativa pessoal e a competência ao nível da equipa. Deverá fazer-se uma reflexão sobre os saberes, sobre as experiências vividas, sobre as diferentes etapas do projecto, obtendo-se feedback (Leite e Santos, 2002).
Os professores destacarão momentos para a avaliação do projecto, que será apoiada por fichas elaboradas para tal.
Esta componente de formação será objecto de análise, nas suas diversas modalidades, e de classificação pelo professor responsável, de acordo com as competências visadas, os objectivos propostos e a globalidade do trabalho realizado pelos alunos. Deverá ser incentivada a auto-avaliação do aluno, assim como utilizada a avaliação formativa que tomará por base o acompanhamento sistemático e contínuo da elaboração e execução dos projectos, a fim de permitir ao aluno corrigir e/ou aprofundar o seu próprio trabalho. Para além da observação através de registos próprios, a utilização de elementos como relatórios, dossiers ou portfólios pode constituir um instrumento relevante para o trabalho do professor. A avaliação sumativa, que se traduzirá por uma classificação no final de cada semestre, permitirá efectuar um balanço do trabalho e das aprendizagens realizadas. Em particular no final do ano lectivo será levada em conta a apresentação do produto realizado. A partir das orientações do Conselho Pedagógico da escola, os critérios de avaliação e
classificação deverão ser clarificados pelo professor e debatidos com os alunos (DES, 2000).
Será relevante que as avaliações, quer de conteúdos de aprendizagens, quer da formação pessoal/social dos alunos, entrem na avaliação final de cada aluno em todas as disciplinas. De contrário, perder-se-á o valor formativo da Área de Projecto e poderá suscitar desmobilização dos alunos ao constatarem que o seu investimento não foi considerado nas avaliações finais quantitativas (Leite e Santos, 1992).