1. Une sculpture interactive aux caractéristiques inédites
5.1. Objets
5.2.1. Influence des objets de simulation virtuelle sur les pratiques
Vários autores, entre eles Lakoff & Johnson (1999. p. 128, 139-69) já discutiram a dependência conceitual entre o domínio temporal e nossa conceitualização do espaço no pensamento ocidental. Esses autores em particular discutem essa relação em termos de metáforas conceituais destacando a ligação entre o tempo e o movimento. Segundo eles, ao contrário do que se entende por tempo na Física – uma noção que precede o movimento 42 – , na cognição, o conceito de movimento se forma na experiência física sensório-motora e, portanto, é um esquema imagético básico. Essa condição permite que outros conceitos se estruturem a partir dele, inclusive a passagem do tempo.
No que se denomina a metáfora da “orientação espacial” (LAKOFF & JOHNSON, 1999. p. 142-4), tempos são considerados objetos, e a passagem do tempo é associada a um TRAJETO. Como consequência, são frequentes os mapeamentos de propriedades desse esquema imagético para a conceitualização do tempo. Assim, um ponto inicial é mapeado para o primeiro instante de um período de tempo; um ponto final do trajeto, para o último instante desse período; e uma sequência de pontos que formam a
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Do original: “Perhaps one of the most striking differences in preposition use between BVP and the standard is the use of the preposition em 'in' and its variants (ĩ, ni, no, na) with verbs of movement (…) once again a convergence of factors might have influenced the preference for this type of pattern in the use of prepositions in Brazil.” (MELLO, 1996. p. 180) (Tradução livre; negrito no original.)
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região interior do trajeto, para o próprio intervalo de tempo, desconsiderados o primeiro e o último instantes (SMITH, 1994).
Enquanto certas preposições e locuções prepositivas (por exemplo, através de do português e over do inglês) evocam toda a extensão do trajeto, incluindo suas extremidades, a preposição em, por sua vez, salienta o interior dessa região como um todo, ou algum ponto dessa região.
6.2.1. Localização no interior de um intervalo de tempo
Os enunciados abaixo representam casos em que todo o interior da região é focalizado indistintamente.
(124) Queremos o nosso bonde restaurado com as características técnicas que sempre funcionaram em seus 11 anos de existência (JB – 21.06.2008) (125) Trabalhei nesses 15 anos de pesquisa sem parar.xxiv
Nesses exemplos, os processos se desenrolam durante todo o período de tempo – “11 anos” e “nesses 15 anos” –, um fenômeno comparável à noção topológica de ‘inclusão’ (SMITH, 1994). Do mesmo modo que no domínio espacial, a região representada por cada um desses intervalos de tempo pode ser conceitualizada como um CONTENTOR aberto ou fechado, ou ainda, uma massa difusa, não delimitada.
Nos dois casos, a construção com em evoca uma região temporal delimitada, ao longo da qual atividades durativas ocorrem. No domínio espacial, o mesmo esquema está presente no exemplo a seguir, no qual o trajetor nitrogênio ocupa todo o espaço dentro do recipiente selado que o contêm.
(126) ... ele foi mantido em nitrogênio em um ambiente isolado pelas duas ou três últimas décadas. (Estado de Minas – 06.08.2008)
Poder-se-ia distinguir, ainda, com marcos temporais, a natureza pontual de uma ação ou acontecimento, no sentido de este não se desenvolver ao longo do período de tempo. Essas situações ou eventos têm duração limitada e, conceitualmente, não apresentam uma duração interna. De acordo com as categorias aspectuais propostas por Vendler (1967), classificam-se como “pontuais”.
Embora o marco seja conceitualizado como possuindo limites inicial e final e uma duração interna como nos exemplos da categoria acima, o trajetor difere daqueles exemplos porque ocupa apenas um ponto dentro desse tempo. A falência do banco, o surgimento de um tufão e o lançamento do programa pelo governo são eventos que não ocupam toda a duração dos períodos de tempo nos exemplos abaixo.
(127) Trata-se do quinto banco a falir neste ano no país. (Estadão – 24.07.2008) (128) A espetacular obra de engenharia (...) foi projetada para resistir a todos os
tipos de tufões, já que se encontra em uma região propícia ao surgimento deste fenômeno no verão (hemisfério norte). (Estadão – 01.05.2008)
(129) “Está difícil lançar o PAC nesses tempos, porque estamos entrando em época de campanha”, disse Lula. (Estadão – 28.04.2008)
Essa é uma distinção sutil, que pode não ser detectada pelo falante leigo, visto que o significado das construções também deriva de uma noção espacial de ‘inclusão’. E como
se discutiu nas seções 3.1 e 3.5, a preposição em não marca explicitamente os diferentes tipos de inclusão espacial descritos. Cenas espaciais como a do exemplo (130) evocam um esquema imagético de um CONTENTOR, com um marco delimitado (o carro), uma região interior e uma região exterior. Os objetos encontrados (o trajetor) não ocupam toda essa região. Acredita-se que tais características sejam mapeadas para o domínio temporal.
(130) Havia cinco frascos de lança-perfume no carro dirigido por Lombardi (Estadão – 24.06.2008)
6.2.2. Localização em um marco pontual no tempo
Diferentemente das situações descritas acima, a ocorrência de certos processos considerados pontuais coincide com um ponto delimitado no tempo. O significado dessas construções temporais compartilha um esquema imagético com cenas espaciais construídas de maneira semelhante à ‘localização pontual no espaço’, com um marco sem extensão linear (ver seção 6.1.5). A evidência de que se trata de um fenômeno da conceitualização – a cognição folha de látex – está no fato de, objetivamente, o período de um dia, representado em (131) e (132), ter uma duração muito menor que um ano, que aparece em (133).
(131) O helicóptero foi entregue ao Governo do Estado no dia 1º de outubro do
ano passado. (Estadão – 24.06.2008)
(133) ‘Resolvi começar ‘do começo’ regravando Farinha do Desprezo, faixa que abriu meu primeiro LP, em 1973.’ (Estadão – 25.06.2008)
6.2.3. Localização no final de um intervalo de tempo
Um terceiro caso de localização no tempo repete propriedades de cenas espaciais, cuja expressão inclui construções com a preposição em. Por processo metonímico, é possível que apenas o final da região representada pelo marco temporal esteja realmente em destaque, e não o período todo.
Assim, no exemplo (134), embora a delegada deva passar os próximos 10 dias trabalhando na investigação, a conclusão propriamente dita ocupará apenas o final desse prazo. O mesmo se pode dizer a respeito do exemplo (135), porque o enunciado evoca apenas certo ponto do movimento vertical, que ocorre ao final de alguns poucos segundos. Como esses, no exemplo (136), o período de quinze dias que Kaká aguarda para voltar a jogar também é construído metaforicamente como um região delimitada, da qual a preposição em salienta apenas um limite final, isto é, o final da duração 43.
(134) [A delegada] pretende concluir o inquérito em 10 dias. (Estado de Minas – 05.08.2008)
(135) Em poucos segundos você já está a uns cinco metros do chão. (Estadão –
25.06.2008)
43 Agradeço à Profa. Margarida Salomão (UFJF) sua contribuição para a explicação desses exemplos. Ela lembra que, na língua portuguesa, é a preposição até que evoca a meta de um TRAJETO temporal e não a preposição em.
(136) O meio-campista Kaká, do Milan, afirmou que se prepara para voltar aos gramados em 15 dias. (Estadão – 21.06.2009)
Como nos demais casos analisados, o significado dessa categoria resulta da semântica distribuída pelo contexto, no qual se vê sempre um verbo com aspecto de curta duração (concluir, estar=chegar, voltar=chegar de volta), inserido em uma moldura que inclui um tempo anterior de preparação visando a uma conclusão (um processo perfilado pelos verbos acima). A existência na língua da construção em até reforça essa ideia, visto que somente com a presença do advérbio de inclusão, pode-se obter uma interpretação de ‘em qualquer ponto do período’: [A delegada] pretende concluir o inquérito em até 10 dias.