I.2. généralités sur la corrosion de fer et moyens de protection
I.2.5. Effet de divers paramètres sur la corrosion
I.2.5.5. Influence de l’oxygène
Para o exame de qualificação, realizamos um estudo piloto a partir das considerações de Marconi e Lakatos (2003) acerca da possibilidade de proporcionar estimativa dos resultados, alteração das hipóteses, modificação das variáveis, como também a relação entre as mesmas, e, desta maneira, oferecer maior segurança e precisão para o desenvolvimento da pesquisa.
Nesse quadro, fizemos uso do piloto para melhor delinear o caminho metodológico e realizar uma aproximação com o espaço investigado a partir de um dos instrumentos escolhidos no projeto de pesquisa, o questionário. A escolha pelo questionário para estudo piloto considerou suas caraterísticas primordiais, tais como: uso do tempo, garantia do anonimato, fácil manejo, padronização e uniformidade dos dados. Seguindo a definição de Marconi e Lakatos (2003) como sendo o questionário um instrumento constituído por uma série ordenada de perguntas a serem respondidas sem a presença do entrevistador, passou a ser um instrumento mais adequado à natureza do estudo piloto.
Os questionários foram organizados em duas partes: a primeira, contendo perguntas fechadas com vistas a traçar um perfil do formador ou formando; a segunda, constando de perguntas abertas explorando as motivações para ser formador na ACIDES; características e conhecimentos necessários para atuar como formador no ensino policial; elementos imprescindíveis na observação de mudanças para atuar no ensino policial da ACIDES.
De pronto, identificamos limites deste instrumento no sentido de que a caracterização de saberes mobilizados por formadores exigiria maior proximidade deste pesquisador com os dados pesquisados, o que tende a consolidar a necessidade de se realizar a observação complementada com a entrevista.
Resultaram desse estudo, aliado às contribuições dos examinadores na fase de qualificação do projeto de pesquisa, alguns redirecionamentos a seguir detalhados que nos possibilitaram fazer melhores escolhas com vista a uma maior objetividade nos procedimentos a serem utilizados na recolha dos dados, no caso, em especial alguns itens que foram acrescentados no roteiro de observação da prática formativa do formador no ensino policial da ACIDES e na entrevista realizada em caráter complementar, conforme sugerido pela banca e acatado no âmbito da orientação dessa pesquisa.
No mencionado estudo piloto trabalhamos com 10 (dez) formadores que atuaram no curso destinado à formação de Soldados PM (CFSd PM/2015) e no curso destinado à formação de Sargentos PM (CFS PM/2015), já que no primeiro semestre de 2015 não havia nenhum curso destinado à formação de Oficiais PM (CFO/PM) em andamento, de forma que consideramos uma amostra de características semelhantes pois atuaram na formação de praças da PMPE. Para analisarmos os dados do piloto utilizamos a análise de conteúdo segundo Bardin (2004), na qual procuramos mapear e categorizar as temáticas.
Evidentemente, o contato com o campo também reforçou que é preciso manter a vigilância para não cair em armadilhas epistemológicas, pois, como alerta o próprio Bourdieu (2011), quando a pesquisa tem por objeto o próprio universo no qual ela se realiza, as aquisições que ela assegura podem ser imediatamente reinvestidas no trabalho científico a título de instrumentos do conhecimento reflexivo das condições e dos limites sociais desse trabalho que é uma das principais armas da vigilância epistemológica.
No que tange aos dados recolhidos através dos questionários, sem a presença efetiva do pesquisador, estes revelaram aspectos importantes, mas com pouca profundidade, o que nos vez reelaborar algumas questões em face às respostas pelos participantes, servindo também para ratificar a necessidade precípua da observação da prática formativa complementada pela entrevista junto ao formador, com o propósito de dar mais profundidade ao estudo e apreender com mais consistência o objeto de pesquisa desta tese, inclusive por considerar que os saberes mobilizados pelos formadores relacionam-se com os espaços de formação acadêmica, de exercício da função docente (Campi de Ensino da ACIDES) e de relação docente-discente ao longo dos cursos de formação. A seguir iremos
especificar alguns resultados do estudo piloto a fim de deixarmos mais claras essas questões.
Quanto ao perfil dos formadores, constatamos que esses formadores atuantes na formação de praças no âmbito do ensino policial da ACIDES tendem a corresponder àqueles que têm maior tempo de serviço no âmbito da SDS. Em sua maioria possuíam mais de 15 (quinze) anos de serviço, ou seja, dotados de experiência profissional no âmbito da SDS. Em termos de formação, a maioria absoluta deles era especialista na área, com pós-graduação (lato sensu) concluída, mas apenas um deles com especialização na área de educação; um dos formadores, dentre esses que atuaram nos cursos de formação de praças, é titulado por pós-graduação (stricto sensu), em nível de mestrado.
Em termos de experiência na atividade de docência, o estudo piloto revelou experiências em diversos níveis de ensino. Entretanto, como era de se esperar, a concentração maior deu-se no campo do ensino técnico-profissional, com a representatividade de 09 (nove) dentre os 10 (dez) formadores participantes, dos quais 06 (seis) deles acumulam experiência na docência por mais de cinco anos. Ao compararmos com o perfil dos formadores que lecionam no CFO, podemos notar que aqueles com mais experiência no ensino policial da ACIDES ministram aulas na formação de Oficiais PM.
A partir das respostas das questões abertas, constatamos que os formadores participantes do piloto apresentaram como elementos motivadores para ser formador da ACIDES motivações pessoais, no que se refere a uma remuneração extra recebida pela atividade formativa ou por prazer pessoal em atuar na formação policial. Mas também havia, entre formadores, motivações profissionais, como a oportunidade de contribuir para formação profissional e atualizar seus conhecimentos.
Em termos das características atinentes ao formador para atuar no ensino policial, eles acreditam no caráter exemplar de conduta e na experiência como os elementos característicos mais marcantes, trazendo elementos mais ligados à figura do formador como instrutor. Algumas respostas apontaram para outras características que sinalizaram rupturas com esse perfil, saindo um pouco da realidade da instrução militar, como conhecimento e vivência na estrutura de ensino policial e experiência na docência não policial para estar preparado em sala de aula.
No que tange aos conhecimentos necessários para atuar como formador, os dados corroboraram o reconhecimento do saber disciplinar e da experiência profissional policial, mas também acenaram para o conhecimento didático- pedagógico e a experiência docente, ratificando estudos anteriormente realizados (PEREIRA, B., 2013), por revelar que os formadores que atuam na formação policial reconhecem a necessidade de dominar um corpo de conhecimento para exercer seu papel de docente no ensino policial.
Na parte dos elementos imprescindíveis para sua atuação como formador no ensino policial, elegeram o conhecimento da matéria e a interação formador- formando como primordiais, emergindo ocasionalmente o conhecimento de natureza curricular e disciplinar. Os formadores indicaram, em termos de mudanças percebidas em sua atuação como formador no âmbito do ensino policial, um conjunto de respostas que vale a pena postar uma síntese:
Quadro 5 - Respostas de formadores acerca das mudanças observadas no ensino policial
Formador Mudanças observadas em termos da sua atuação no Ensino Policial F1
F6 F9
Priorização do aprendizado/ensino. Melhoria da didática na sala de aula.
Aprimoramento do ensino e das experiências com outros instrutores. F2
F8 Amadurecimento pela experiência (conhecimento adquirido). Com mais experiência e conhecimento, as aulas vão melhorando. F3
F5 F10
Melhoria do ensino e nível elevado no ingresso. Efetividade na presença em sala e seleção docente. Mudança de Paradigma nos Campos de Formação. F4
F7 Maior interação com aluno e entre os próprios instrutores. Maior integração e melhoria do perfil do aluno.
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
Diante desse quadro, verificamos elementos nas falas dos formadores que indicam uma mudança de foco em relação à tradição da instrução militar, voltando- se mais para o ensino e a aprendizagem do formando, a valorização da experiência docente, o contexto do ensino policial e o reforço constante da preocupação com a relação formador-formando.
Esses elementos sinalizados na análise de dados do estudo piloto foram importantes, pois possibilitaram inclusões nos roteiros de observação, em especial em relação às estratégias de ensino e à interação formando-formador, e no roteiro
da entrevista semiestruturada, questões ligadas à outra atividade docente, à influência das mudanças no contexto do seu trabalho formativo e à preparação para atuar como formador no Ensino Policial.
Desta forma, ficou evidenciada nas respostas dos formadores participantes do estudo piloto a sinalização para valorização de elementos comuns à tradição da instrução militar, mas também outros elementos distintos com vistas à melhoria do ensino envolvendo as interações entre formandos e formadores e a busca por conhecimentos didático-pedagógicos para melhorar sua prática formativa. Isso ratifica a necessidade de observar a prática do formador no ensino policial da ACIDES para analisar saberes mobilizados por eles, expressados diante das tensões entre o habitus da tradição da instrução militar e as exigências postas pelo ensino policial da ACIDES, na sua relação com a função docente.
Desta forma, fortaleceu a pertinência da questão que nos move nesta pesquisa, no sentido de responder: no contexto da afirmação do paradigma preventivo e educativo, presente nas políticas de segurança pública, que saberes vêm sendo mobilizados por formadores da ACIDES no âmbito da correlação de forças entre o habitus da instrução militar e a configuração da docência no ensino policial?
Feito isso, concluímos as considerações sobre o estudo piloto ressaltando que ele permitiu constatar alguns elementos presentes no espaço investigado, como o fato do perfil dos formadores que atuaram no CFO/PM ser mais experiente, tanto em tempo de serviço quanto em tempo de docência no ensino policial da ACIDES, ao compararmos com a formação de praças (objeto deste estudo piloto). Isso indica uma valorização ainda maior da experiência profissional e da experiência no ensino policial, quando tratamos da formação de Oficiais PM, fato muito comum na tradição da instrução militar.
Além disso, o estudo também ratificou a necessidade da observação do exercício da função docente no ensino policial na ACIDES, a partir de seus formadores em sala de aula, uma vez que ele, o trabalho docente, é a expressão concreta dos saberes docentes na sua dimensão de totalidade, o que justifica e ao mesmo tempo exige a entrada nos espaços de formação da ACIDES. E contribuiu no sentido de incluir ou reelaborar algumas questões ligadas à relação formando- formador, às outras experiências docentes, às estratégias, às mudanças observadas
e à preparação para atuar como formador no ensino policial da ACIDES.
Nesse quadro, o desenho proposto no percurso metodológico apresentado anteriormente foi ressignificado à luz deste estudo piloto, complementado pelas considerações do exame de qualificação, em especial no que se refere à entrevista assumir um papel de complementariedade da observação.
6 CONCEPÇÕES E REQUISITOS PARA ATUAR COMO FORMADOR NO ENSINO