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Influence du dosage en ciment

Chapitre II : Influence de certains facteurs sur les caractéristiques du béton

II.4. Influence du dosage en ciment

5.1 – Conclusões

Este trabalho teve como objetivo analisar a concentração de sedimentos em suspensão e determinar o transporte de sedimentos em suspensão que ocorre na Praia da Saúde, Costa da Caparica, no âmbito do Projeto BRISA.

Foram colocados equipamentos nesta praia, para registar as componentes longitudinal e transversal da velocidade do escoamento, as concentrações de sedimentos em suspensão e as pressões ao longo de dois dias, que foram posteriormente divididos em três períodos de maré. Com estes dados, foi possível fazer uma estimativa do transporte sedimentar em suspensão que ocorreu durante aquele tempo.

Dos diversos equipamentos instalados na praia foram utilizados os registos efetuados pelos instalados na estrutura “H4”, nomeadamente, dois OBS, um ECM e um sensor de pressão. O clima de agitação marítima registado durante o tempo de campanha foi de baixa intensidade, o que se revelou benéfico para o funcionamento dos equipamentos. Foram também consideradas amostras de areia para avaliar as características granulométricas dos sedimentos locais e um levantamento batimétrico, realizado no dia 11 de Maio de 2010.

Os dados registados pelos OBS demonstraram que a concentração de sedimentos decresce com a aproximação da superfície, indicando um maior volume de sedimentos em movimento junto ao fundo. As concentrações registadas pelo OBS Inferior têm uma grande amplitude de valores ao longo do tempo nas três situações de maré. Apesar de existir uma grande dispersão de valores, as concentrações médias das três marés são muito próximas, com uma média de 9,40g/l entre si.

No OBS Inferior, na Maré 1 a média das concentrações registadas é de 8,47g/l, com um máximo de 66,68g/l, na Maré 2 a média das concentrações registadas é de 9,74g/l, com máximo de 81,60g/l e a Maré 3 a média das concentrações registadas é de 9,92g/l, com máximo de 67,08g/l. Masselink e Puleo (2006), num trabalho de campo, registaram concentrações de 100g/l junto ao fundo, no caso em estudo os valores máximos de concentração aproximam-se dessa ordem de grandeza.

No OBS Superior os valores de concentração registados apresentam uma dispersão muito menor do que os registados pelo OBS Inferior. As concentrações nas três marés têm uma média de 2,01g/l, sendo que na Maré 1 a média das concentrações

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registadas é de 1,89g/l, com um máximo de 66,16g/l, na Maré 2 a média das concentrações registadas é de 2,12g/l, com máximo de 18,25g/l e a Maré 3 a média das concentrações registadas é de 2,03g/l, com máximo de 21,11g/l.

A velocidade longitudinal, que corresponde à corrente de deriva, apresentou uma pequena amplitude de valores ao longo dos ciclos de maré analisados, com uma média de 23,75cm/seg, no sentido Noroeste-Sudeste.

Na velocidade transversal o movimento oscilatório das ondas (o avanço e recuo) é notório que, apesar da larga amplitude de valores, a média é próxima de zero, 2,41 cm/seg no sentido Oeste-Este.

O cálculo do transporte sedimentar foi efetuado seguindo-se duas abordagens matemáticas diferentes, sendo uma mais simplista e teoricamente mais inconsistente, a qual considera a concentração e a velocidade constantes ao longo da altura da coluna de água (secção 4.1) e a outra, de acordo com os pressupostos físicos acima descritos, implementando a sua variação ao longo da altura da coluna de água (secção 4.2). Em ambos os processos de cálculo, o transporte sedimentar transversal e longitudinal apresentou uma regularidade de valores, não havendo uma grande amplitude de valores, com resultados muito próximos das suas médias.

De acordo com o processo de cálculo da secção 4.1, o transporte transversal de sedimentos para as três marés em análise apresentou um valor líquido médio de 473,95kg/m no sentido Oeste-Este, sendo que para cada 0,1 segundos, a Maré 1 apresentou um transporte sedimentar médio de 0,0021kg/m no sentido Este-Oeste, a Maré 2 um transporte sedimentar médio de 0,0107kg/m no sentido Oeste-Este e a Maré 3 um transporte sedimentar médio de 0,0071kg/m no sentido Oeste-Este.

O transporte longitudinal durante os ciclos de maré analisados foi dominante no sentido Noroeste-Sudeste, com um valor líquido médio de 6082,63kg/m. Para valores a cada 0,1 segundos, a Maré 1 apresentou um transporte sedimentar médio de 0,0508kg/m, a Maré 2 um transporte sedimentar médio de 0,0509kg/m e a Maré 3 um transporte sedimentar médio de 0,0808kg/m, no sentido Noroeste-Sudeste.

O transporte transversal calculado na secção 4.2 apresentou um valor líquido médio de 2640,98kg/m no sentido Oeste-Este, sendo que a Maré 1 apresentou um transporte sedimentar médio de 0,0184kg/m no sentido Este-Oeste, a Maré 2 um transporte sedimentar médio de 0,0635kg/m no sentido Oeste-Este e a Maré 3 um transporte sedimentar médio de 0,0448kg/m no sentido Oeste-Este.

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O transporte longitudinal, calculado na secção 4.2, durante os ciclos de maré analisados foi dominante no sentido Noroeste-Sudeste, com um valor líquido médio de 23533,98kg/m. A Maré 1 apresentou um transporte sedimentar médio de 0,1718kg/m, a Maré 2 um transporte sedimentar médio de 0,1536kg/m e a Maré 3 um transporte sedimentar médio de 0,3916kg/m, no sentido Noroeste-Sudeste.

Os resultados do transporte sedimentar determinado pelo processo descrito na secção 4.2 são de grandeza superior, mas os sentidos de movimentação não se alteraram. Para a direção transversal, os valores calculados na secção 4.2 são, em média, seis vezes superiores aos calculados na secção 4.1, para a direção longitudinal os valores calculados na secção 4.2 são, em média, quatro vezes superiores aos calculados na secção 4.1.

Os valores médios gerais do transporte sedimentar apontam para uma movimentação de sedimentos maioritária no sentido Oeste-Este, para a direção transversal, e Noroeste-Sudeste na direção longitudinal.

5.2 – Desenvolvimentos futuros

Como desenvolvimento futuro seria de interesse fazer o cálculo do transporte sedimentar aplicando as formulações numéricas propostas por autores, para comparar com a metodologia de cálculo adotada neste trabalho, permitindo uma verificação da adequabilidade de formulações numéricas às condições encontradas no campo.

Seria de interesse fazer um trabalho de campo para uma avaliação do comportamento da praia em condições de agitação marítima distinta, o que permitiria aumentar o conhecimento sobre o transporte sedimentar. Também a análise ao longo de um ciclo completo de maré, não apenas em situação de preia-mar como neste trabalho, em situação de marés-vivas e de marés mortas, apesar das dificuldades de realizar um trabalho de campo nessas condições, poderia contribuir para uma maior compreensão da relação entre a agitação e o transporte sedimentar.

Ao mesmo tempo seria importante realizar monitorizações em outros locais para fazer uma comparação de comportamentos entre vários locais.

Com os resultados das monitorizações e determinação do transporte sedimentar seria possível realizar um mapa do comportamento sedimentar na costa portuguesa e assim, conhecer melhor a dinâmica sedimentar. Esse conhecimento seria uma mais-valia na realização de obras costeiras ou de prevenção/contenção da erosão costeira.

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