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The influence of domain-specific and generic knowledge on the learning process in

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Optics 97: The influence of domain-specific and generic knowledge on the learning process in

Sem a satisfação, isto é, sem o pagamento, espontâneo, daquilo que é devido ao Ser Supremo, o homem jamais poderá ascender àquela bem aventurança eterna a qual estava primariamente destinado. “ Assim, pois, todo o que peca deve devolver

a Deus a honra que lhe roubou e essa é a satisfação que todo pecador deve dar a Deus.”65

Um outro problema emerge no cerne da discussão: aquilo que o homem deve apresentar como cumprimento da satisfação requerida, tem que ser maior do que a ofensa praticada, levando-se em conta a dignidade da pessoa ofendida , isto é, algo de superrogatório. No seu entendimento de satisfação, Anselmo faz uso de um princípio legal de sua época, de acordo com o qual a importância e a magnitude da ofensa dependem, proporcionalmente, da importância do ofendido, assim como a magnitude de uma honra depende da importância de quem a presta. Se, por exemplo, alguém ofende ao rei; a proporção desta transgressão não é mensurada com base na pessoa do transgressor, mas com base na dignidade de quem sofre a ofensa, no caso o rei; do outro modo, se alguém presta honra, a eficácia desta não será qualificada com base na dignidade de quem a recebe, mas na dignidade da pessoa que presta a honra.

Mas esta constatação enseja uma nova questão: “Diga-me, então, com o que pagarás a Deus pelo teu pecado?”66

O que o homem pode e deve fazer para restituir a honra que roubou do Criador, e que represente algo que sobrepuja a ofensa, levando-se em conta a Pessoa de Deus? Teoricamente, como compreende Boso, com a absoluta obediência, com a humildade, com a contrição de coração, agindo com misericórdia e caridade para com o próximo e, ainda, com a continência dos

63“Nihil ergo senat deus iustius quam suae dignitatis honorem.” CDH I, 13, 71, 19.

64A Soteriologia ( do grego Σοτεριος [soterios]: salvação) é a parte da Dogmática que estuda os métodos e meios

de salvação do homem.

65“Sic ergo debet omnis qui peccat, honorem deo quem rapuit soluere; et haec est satisfactio, quam omnis

peccator deo debet facere.” CDH I, 11, 68, 29ss.

desejos carnais.67 Entretanto todo esse rol de atos bons são, evidentemente, caminho para a visão beatífica, eles não devem ser realizados apenas quando há pecados, mas na determinação de uma vida de retidão e fidelidade a Deus. O cumprimento destes atos, na perspectiva de Anselmo, se caracteriza como estrito cumprimento do dever da criatura racional humana para com o Ser Supremo, pois foi trazida a existência, mormente, com o fim de praticá-los. Enfim, o cumprimento destas obrigações nada arroga de extraordinário e serão insuficientes para proceder à devida satisfação. O problema do homem se agrava, visto que a natureza pecaminosa faz parte de sua experiência cotidiana. Na origem de sua criação o homem foi concebido justo no paraíso, mas ao cair daquele maravilhoso estado, deixando-se persuadir pelo demônio, perdeu aquela retidão originária, a liberdade plena, isto é, o poder de não pecar. Esta capacidade, desde a queda, não faz mais parte de sua dura realidade. Para tanto o homem deveria ser capaz de vencer o demônio, mas isto é impossível, visto que agora é escravo do pecado, e um homem pecador não poderia justificar a outro.68 A constatação é inevitável: Não há nada que o homem possa fazer ou oferecer para pagar a devida satisfação. Anselmo demonstra, com esses argumentos, que é impossível, sob o ponto de vista da razão, que o homem possa se justificar diante da requerida justiça divina.

A investigação tomará novos rumos, Anselmo se propõe a investigar se Deus, posta a impossibilidade do homem de se auto justificar, não poderia usar de sua misericórdia, simplesmente, perdoando o homem sem a necessidade de satisfação. Para o Arcebispo de Cantuária, se Deus usa a sua misericórdia desta maneira ela assume um caráter débil, uma vez que perdoar os pecados deste modo será o mesmo que não punir.69 Com isto, sugere o autor, que a justiça de Deus ficaria compurscada, uma vez que os pecados fossem absolvidos sem a devida compensação. A injustiça produzida pelos pecados teria o mesmo estatuto moral que a justiça, pecadores e não pecadores teriam igual valor, isto na concepção de Anselmo traria desordem e toda a beleza e a harmonia do universo estariam comprometidas.

Se Deus estabeleceu que os homens eleitos deveriam substituir os anjos caídos, como Ele poderia permitir que os homens pudessem dar entrada naquela

67“Paenitentiam, cor contritum et humiliatum, abstinentias et multimodos labores corporis, et misericordiam

dandi et dimittendi, et oboedientiam.” CDH I, 20, 86, 25-26.

68CDH I, 23, 91, 24-26.

sublime morada celestial, no mesmo estado daqueles anjos que caíram, aos quais os homens irão substituir?70 Segue-se um absurdum. Destarte, enquanto o homem não saldar devidamente a sua dívida não poderá ter acesso à bem aventurança futura:

Portanto, considere estabelecido que, sem satisfação, isto é, sem pagamento voluntário da dívida, Deus não poderia nem deixar o pecado impune, nem o pecador alcançar a bem aventurança, ou aquele que tinha antes de pecar. Sem isso a humanidade não ficaria restabelecida antes do pecado.71

Na visão do Arcebispo de Cantuária não há, ainda, incoerência em conceber que o homem tenha o dever de fazer aquilo que efetivamente ele não pode. Esta impossibilidade não é atribuída a alguma necessidade estranha ou exterior ao próprio homem. A impossibilidade de não poder pagar a dívida subjaz na própria vontade do gênero humano. Anselmo recorre a uma ilustração para clarificar seu argumento: imaginemos certo senhor que determina que um servo seu cumpra uma tarefa em sua propriedade, mas antes, este senhor adverte aquele servo a respeito de um fosso existente no local, de modo que, se o servo cair no fosso ficará impossibilitado de sair e, com isto, de cumprir a sua tarefa. Se o servo, mesmo depois de advertido se lançar deliberadamente dentro do fosso, será culpado por não cumprir a tarefa. Do mesmo modo o homem foi advertido, estando ainda no paraíso, quanto aos perigos da desobediência, mas mesmo assim, por sua própria vontade, se lançou dentro do fosso do pecado e da morte, impossibilitando-se, de uma vez por todas, de cumprir a tarefa para qual foi criado. O homem é culpado duplamente: primeiro por fazer o que não era permitido; segundo, que por meio da desobediência, criou uma impossibilidade de fazer o que deveria.72

Este é o tenebroso quadro em que se encontra a humanidade na afirmação de Boso: “Assim é. Como, pois, se salvará o homem se não satisfaz o que deve ou com

que cara nos atrevemos a afirmar que Deus, cuja misericórdia sobrepuja toda inteligência humana, não pode exercitar esta misericórdia?”73

Anselmo logra êxito

por demonstrar, somente pela via da razão, a impossibilidade da auto-salvação do

70 CDH I, 19, 84, 19-20.

71“Tene igitur certissime quia sine satisfactione, id est sine debiti solutione spontanea, nec deus potest peccatum

impunitum dimittere, nec peccator ad beatitudinem, uel talem qualem habebat, antequam peccaret, peruenire. Non enim hoc modo repararetur homo, uel talis qualis fuerat ante peccatum.” CDH I,19, 85, 26-30.

72

Nimis est uerum. Nam iniustus est, quia non reddit, et iniustus est, quia reddere nequit.” CDH I, 24, 92,21-26.

73

“Quomodo ergo saluus erit homo, si ipse nec soluit quod debet,nec saluari, si non soluit, debet? Aut qua fronte asseremus deum in misericordia diuitem supra intellectum humanum, hanc misericordiam facere non posse?” CDH I, 25, 94, 26-28.

homem, enquanto prepara o caminho para a sua Cristologia74. “Isto é o que deves

perguntar àqueles que afirmam que Cristo não é necessário para a salvação do homem, para que nos digam como o homem pode-se salvar sem Cristo.”75