• Aucun résultat trouvé

des poutres sandwiches

4.5.1 Influence de la distance entre appuis

Na literatura, existem vários trabalhos sobre a genericidade. Tanto quanto sabemos, nas últimas décadas, este assunto tem sido amplamente trabalhado por Carlson, por Krifka e por Krifka e outros.

Em linhas gerais, uma frase genérica tem sido definida da seguinte maneira:

"a generic sentence, is any sentence expressing a generalization and (...) the opposing category consists of episodic sentences, sentences which relate specific occurrences.” (Carlson 1995:1)37

36 Pesa igualmente a favor desta opção o facto de tomarmos como variáveis de pesquisa os tempos verbais

presente do indicativo e futuro do conjuntivo. E, como se sabe, o presente do indicativo favorece a leitura ou a interpretação genérica das frases e o conjuntivo não.

37 Note-se que Carlson 1988, defendia, na mesma linha, que uma frase genérica expressa uma regularidade,

por exemplo, a generalização: o sol nasce no leste. A respeito de eventos que relatam um acontecimento particular, frases episódicas, das quais se inferem generalizações ao ocorrerem com certa regularidade, Carlson (2005) admite que sejam designadas também por iterativas que, segundo Payne (1997), citado por si, consistem na repetição de um acontecimento pontual, isto é, que acontece várias vezes em sucessão.

Em Carlson (2005), consideram-se frases genéricas a classe de frases episódicas em que ocorre uma pluralidade de eventos, as chamadas frases habituais, como (35b-c):

(35) a. Mary and George ate oatmeal for breakfast. (Carlson 2005:1) b. Mary eats oatmeal for breakfast.

c. Every day last week, Mary ate lunch at a restaurant. (Carlson 2005:2)

Por sua vez, Lopes (1992:1) considera que “frases genéricas expressam um estado de coisas habitual ou uma regularidade inferida a partir de situações ou estados episódicos”.38 Na mesma perspectiva, Müller (2000) assume que frases genéricas são frases que exprimem regularidades ou leis gerais. Elas expressam generalizações sobre entidades, eventos ou estados.

De acordo com Krifka (2004:1), é consensualmente assumido na literatura sobre a genericidade que existem dois tipos de frases genéricas: as frases caracterizadoras (characterizing statements), que expressam generalizações sobre um conjunto de entidades (cf. (36)),39 e as frases de referência a tipo (ou espécie) (kind reference), que envolvem referência a uma entidade que denota uma espécie ou tipo (cf. (37)).40

Entretanto, a diferença entre uma frase iterativa e genérica (ou habitual), dado que todas têm em comum a noção de repetição de eventos, é a seguinte: “iteratives expressly state repetition of events, whereas generics and habituals designate generalizations over repeated events” (Carlson 2005). O autor acrescenta que frases iterativas são não estativas e as genéricas e habituais são estativas.

38 Sublinhado nosso.

39 Para Oliveira (2003a:145), frases caracterizadoras correspondem a um tipo de frases genéricas (que

usualmente surgem no presente). Ao caracterizarem um indivíduo, um conjunto de indivíduos ou uma espécie, essas frases são estativas, na medida em que são construídas na base de um certo número de ocorrências de um evento (ou regularidades), permitindo atribuir propriedades: O João fuma./ Um leão pesa mais de 100 quilos.

40

A respeito destes dois tipos de genericidade, note-se, nos seguintes termos, as designações e definições de Müller (2003:4): “Recent literature on generics (see Krifka et al. 1995) highlights the existence of two distinct phenomena: (i) kind-referring expressions – expressions that directly denote kinds, such as the DP the telephone in (14), and (ii) generically quantified sentences – sentences under the scope of a covert generic quantifier, such as sentence (15).

(14) Graham Bell invented the telephone. ‘Graham Bell invented the kind telephone’ (15) Graham Bell sleeps after lunch.

‘Usually, if s is an after lunch situation, Graham Bell sleeps in s’”

Ainda sobre este assunto, Krifka (2004:1) refere: “there are mixed cases, characterizing statements about the specimens of kinds:

The potato contains vitamin C.

(36) A potato contains vitamin C. (Krifka 2004:1) ‘For all/typical x: if x is a potato, x contains vitamin C.’

(37) The potato was first cultivated in South America. (Krifka 2004:1) ‘The kind tuber tuberosum was first cultivated in South America.’

Esta tem sido a perspectiva de análise de Krifka em alguns dos seus trabalhos sobre a genericidade (cf. Krifka et al. 1995, Gerstner & Krifka 1993), nos quais se centra mais na análise do tipo de referência desencadeado por NPs sujeitos, como nas frases genéricas em (38), cujos NPs sujeitos não se referem a um objecto particular ou a elementos particulares de uma espécie.

(38) a. The lion is a ferocious beast. (Gerstner & Krifka 1993:966) (singular definite generic NP)

b. A lion is a ferocious beast. (singular indefinite generic NP) c. The lions are ferocious beasts.

(plural definite generic NP)

d. Lions are ferocious beasts. (bare plural generic NP) e. Gold is precious.

(bare singular generic NP)

Já Carlson (1995, 2005) se centra na genericidade como efeito da repetição ou regularidade de um evento episódico. Neste trabalho, assumiremos, pela natureza dos nossos dados ─ frases condicionais e temporais que permitem, através do uso de presente do indicativo, inferir a leitura de eventos iterativos ou habituais ─ essa perspectiva, segundo

a qual uma frase genérica ou habitual expressa generalização, regularidade ou repetição de eventos (cf. Carlson 2005).41

A ideia central que norteia a proposta de Carlson (2005) é a de que as frases genéricas ou habituais se caracterizam por ser estativas, derivadas de frases não estativas, e, como estativas, elas observam a propriedade de sub-intervalo de tempo, na acepção de Dowty (1979). A partir daqui, defende-se que se a frase habitual é verdadeira num determinado período de tempo, a mesma frase (genérica ou habitual) é também verdadeira em qualquer dos intervalos desse período de tempo, ainda que não seja em todos os sub- intervalos.42

Considera-se ainda que as genéricas e habituais têm, na proposta de Dahl (1975), a componente intensional de sentido. Esta intensionalidade pode ser observada, em parte, por serem frases não acidentais (nonaccidental). This is the notion that the varying events

generalized over are a part of larger generalization, and not some happenstance (Pelletier

& Schubert, 1989), citado por Carlson (2005:2)). Relacionado com a propriedade anterior está o princípio de que os genéricos e habituais têm a propriedade de tolerar excepções. Por exemplo, na frase genérica: pássaros voam, há excepções na medida em que há pássaros que não voam tais como os pinguins e as avestruzes.

Estas são algumas propriedades que caracterizam as frases genéricas, em geral, e as genéricas habituais, em particular, às quais acrescentamos, para terminar esta breve apresentação da genericidade, o pressuposto de que elas são compatíveis com

41

Carlson (2005) adverte que se tem aplicado às frases genéricas e habituais os termos ‘customary’, ‘usitative’, ‘nomic’ e ‘frequentitive’ e que o termo “genérico” é predominante na literatura semântica e o termo “habitual” aparece mais na literatura descritiva. Acrescenta ainda que, em alguns trabalhos, se reserva o termo “genérico” para frases habituais com sintagmas nominais sujeitos com interpretação genérica em vez de uma referência específica.

42

Recorde-se que para Lopes & Santos (1993) o que valida uma frase genérica é a noção de intervalo de tempo aberto, ilimitado, em que a situação nelas descrita é verdadeira em todos os sub-intervalos desse intervalo ilimitado. Porém, Carlson (1995) admite que uma frase genérica pode ser verdadeira ou falsa e que existem dois modelos para concluir se ela é verdadeira ou é falsa: a visão indutiva, em que a base da generalização é a observação de um conjunto de ocorrências, e a visão de regras e regulamentos, em que a base da generalização são as regras (de actividades, de jogos, etc.) ou leis observadas ou existentes no mundo. Ainda a respeito desses modelos de interpretação de uma frase genérica, Greenberg (2002), apud Müller (2004:352), propõe: um cenário indutivo, em que o falante é levado a uma generalização por testemunhar um padrão que se repete e um cenário preditivo, referente a casos em que o falante expressa uma generalização baseando-se em conhecimento socialmente partilhado.

quantificadores como geralmente, usualmente, normalmente, habitualmente, regularmente,

sempre.43

Em suma, a noção de genericidade relevante para a descrição dos nossos dados é a de que as frases genéricas expressam ou descrevem eventos, situações ou atitudes tidos como regulares, frequentes ou habituais.44