CHAPITRE V : ROLE DES DEFAUTS SUR LES PROPRIETES
V.2. INFLUENCE DES DEFAUTS EOR SUR L’ACTIVATION DU BORE
A perspectiva da pós-modernidade volta-se para os aspectos relacionados aos efeitos perceptivos e expressivos da tecnologia de informação. Os novos movimentos
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Por sistemas peritos (expert systems) Giddens (1991) refere-se “aos sistemas de excelência técnica ou competência profissional que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que vivemos hoje.” (p.35) Para esse autor, assim como as ‘fichas simbólicas’, os sistemas peritos “removem as relações sociais das imediações do contexto.” (p.36)
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Por ‘fichas simbólicas’ Giddens (1991) quer significar meios de intercâmbio que podem ser postos em circulação sem ter em vista as características específicas dos indivíduos ou grupos que lidam com eles em qualquer conjuntura particular.” (p.30)
sociais, apresentados como exemplo do aspecto mais geral da pós-modernidade, caracterizam-se pela interação, ou tensão, entre o global e o local, sendo o interesse pelas particularidades de local, localidade, ‘herança’ e história compreendido como complementar à tendência do capitalismo, em sua fase global, de comprimir e unificar o espaço. Como considera Kumar (1997), “a criação de um espaço global abstrato, homogêneo, gera um impulso contrário para a localização, a diferenciação e a diversidade” (p196/197).
Nesse sentido, destaca que a ‘globalização’ não significa apenas padronização e dependência, uma vez que a sua expressão em lugares particulares demanda recursos e culturas próprios, os quais geram as suas especificidades.
Autor alinhado com essa vertente, Lyotard (1989) associa o ‘pós-moderno’ com a incredulidade em relação às metanarrativas como efeito das ciências. Esse autor destaca que o saber teria mudado de estatuto em fins dos anos 1950, concomitantemente com a entrada das sociedades na chamada ‘era pós-industrial’ e da cultura na era ‘pós-moderna’, quando passaram a incidir sobre a linguagem as ciências e as técnicas de ponta:
a fonologia e as teorias linguísticas, os problemas de comunicação e a cibernética, as álgebras modernas e a informática, os computadores e as suas linguagens, os problemas de tradução das linguagens e a investigação das compatibilidades entre linguagens-máquinas, os problemas do armazenamento em memória e os bancos de dados, a telemática do aperfeiçoamento de terminais ‘inteligentes’, a paradoxologia...” (LYOTARD, 1989, p.16).
Como destaca esse autor, essas transformações tecnológicas afetam o saber nas suas principais funções como a investigação e a transmissão do conhecimento. No que se refere à segunda função, “ao normalizar, miniaturizar e comercializar os aparelhos, se modificam já hoje as operações de aquisição, de classificação, de distribuição e de exploração dos conhecimentos” (...) O saber não pode passar pelos novos canais e tornar-se operacional senão quando o conhecimento puder ser traduzido em quantidades de informação” (p.17). Com isso, dois eixos interrelacionados orientariam
as mudanças relativas ao conhecimento e à informação na atualidade. O primeiro eixo é relativo ao fato de que, para serem produzidos, conhecimento e informação precisam ser justificados em termos de sua importância para a eficiência e a efetividade econômicas, caracterizando o predomínio de critérios de utilidade na sua produção. O segundo eixo reafirma que tanto informação como conhecimento tendem a ser tratados, cada vez mais, como mercadoria54. Como qualquer mercadoria, ambos vão se transformando em fenômenos negociáveis, sujeitos aos mecanismos de mercado e influenciados por critérios de eficiência e efetividade, definidos conforme regras mercantis.
No que se refere à informatização da sociedade, Lyotard (1989) aponta o risco de que ela se torne um instrumento de controle e regulação do sistema de mercado, regido unicamente pelo princípio da ‘performatividade’. Para que a mesma sirva como recurso para grupos de discussão preocupados com o que denomina de ‘metaprescritivos’, fornecendo-lhes informação para decisão, com conhecimento de causa, considera como necessário que haja “livre acesso às memórias e aos bancos de dados”, de sorte que os jogos de linguagem possam ser “jogos de informação completa”, que não cessarão “por esgotamento das possibilidades virtuais”, já que as posições serão constituídas por conhecimento, considerado como inesgotável.
Lyotard (1989) apresenta uma leitura crítica e desencantada em relação às conseqüências da informatização da sociedade e, coerente com sua argumentação acerca dos jogos de linguagem, aponta algumas saídas, que são dependentes, entretanto, de algumas condições. Mas o autor não aponta como conseguir tais condições. No entanto, não se pode negar a realidade do quadro que descreve, num
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Importa chamar atenção, neste ponto, que o tratamento da informação como mercadoria, como destacou N. Wiener – criador da cibernética - leva necessariamente a um impasse, uma vez que o valor da informação está ligado à sua capacidade de circulação e à sua transparência, sendo, portanto, prioritariamente não-mercantil. Outro aspecto diz respeito ao fato de que o processo de troca de mercadorias assenta-se sobre a circulação de valores abstratos, ao passo que a circulação de informações é, principalmente, um processo “vivo e ininterrupto”, pelo qual se observa o mundo exterior e se atua sobre ele. (Wiener, 1962 citado por LOJKINE, 1995).
contexto que tende a promover o isolamento – físico e comunicacional – dos indivíduos, na sociedade.
Até esse ponto, destacamos três perspectivas acerca das implicações das tecnologias de informação e comunicação para a mudança social, a saber, as ‘idéias da sociedade da informação’, a ‘perspectiva crítica’ e a ‘abordagem da pós-modernidade’. No caso das idéias da ‘sociedade da informação’, tudo se passa como se as tecnologias tivessem, per se, a capacidade de promover as mudanças. É uma perspectiva otimista, que advoga o ‘progresso’ como um bem a ser perseguido a qualquer preço. Já os autores que enfocam o advento das tecnologias de informação e comunicação de uma perspectiva crítica, o fazem com vistas a identificar o seu papel como resposta do capitalismo às suas crises cíclicas, ou a apontar contradições acirradas com a sua adoção, as quais possam levar à superação do capitalismo. Por fim, no caso das teorias da pós-modernidade, as tecnologias de informação e comunicação são também tratadas como se fossem autônomas. Entretanto, seus impactos são vistos de uma perspectiva negativa, na qual essas tecnologias são destacadas como recursos que tendem a tornar a sociedade uma ‘sociedade do espetáculo’, expressão que enfatiza a predominância das performances como elementos de valoração das atividades sociais.
Como iremos ver no próximo capítulo, as propostas institucionais para a ‘sociedade da informação’ (ou para a constituição da infra-estrutura de informação) não apenas utilizam argumentos que situam as tecnologias de informação e comunicação como motores das mudanças sociais, como também afirmam que, fora da adoção destas tecnologias como plataforma tecnológica para a economia, não há possibilidade de sobrevivência econômica dos países. Nesse sentido, são proposições identificadas com as ‘idéias da sociedade da informação’. Ademais, ao se referirem ao potencial das tecnologias de informação e comunicação para promover o crescimento e desenvolvimento econômicos, o fazem de uma forma que se assemelha a um discurso desenvolvimentista, já bastante desacreditado, que, entre as décadas de 1950 e 1960, serviu para justificar investimentos na mídia. Nesse sentido, as telecomunicações e as novas tecnologias computacionais são colocadas como os
‘novos’ pré-requisitos do desenvolvimento, justificando, assim, as iniciativas de implementação deliberada da ‘infra-estrutura de informação’.55
Portanto, como complemento da perspectiva de ‘sociedade da informação’ que tem nas tecnologias o motor das mudanças, encontramos, sobretudo tratando-se dos países periféricos, uma argumentação característica desse desenvolvimentismo, fundamentada na crença de ser possível ‘queimar etapas’ para superar as defasagens, em relação, evidentemente, ao processo de desenvolvimento ‘único’. Essa perspectiva vai significar, como veremos no terceiro capítulo, o estabelecimento de uma agenda comum para a constituição da infra-estrutura de informação, em relação à qual as redes de telecomunicações constituem o principal foco.
Assim, para complementar a compreensão da ideologia que dá sustentação aos argumentos que fundamentam tal agenda, apresentamos, a seguir, a abordagem de Mattelart (1994).
2.3 Comunicação, tecnologias de informação e desenvolvimento: a rota da