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Influence de la concentration en acide nitrique dans la phase aqueuse

5.2 Dépendance de la spéciation aux conditions expérimentales

5.2.1 Influence de la concentration en acide nitrique dans la phase aqueuse

Embora a recomendação de prevenção seja apontada como parte da investigação de acidentes, inclusive nos roteiros de investigação propostos na legislação brasileira, em nosso país, praticamente, não se evidencia referência a meios de elaboração de sugestões e/ou critérios de escolha de medidas preconizadas.

Barreiros (1989) cita Volpato, para quem “a política de prevenção de acidentes na maioria das empresas de mineração da região de Criciúma concentra-se nas práticas do trabalhador e transfere a ele a responsabilidade de evitar o risco de acidentes ao mesmo tempo em que lhe impinge regras e regulamentos disciplinares, exigindo do trabalhador atos de submissão e obediência”. De acordo com Barreiros (1996), a atribuição do trabalhador “resume-se em apontar ao supervisor as condições inadequadas ficando-lhe, entretanto, a obrigação de continuar executando suas atividades até que alguma providência seja tomada”.

Segundo Garcia (1996), no meio rural, “a hierarquia dos princípios de controle de riscos da engenharia e da higiene do trabalho é subvertida pelo enfoque simplista, pois as principais ações de segurança [...] propostas para o controle dos riscos se limitam a medidas centradas no indivíduo sujeito aos riscos, como atitudes, precauções e práticas a serem seguidas no trabalho, treinamentos e uso de equipamentos de proteção individual” (p.198).

Em seu estudo, para 125 acidentes investigados, Binder, Azevedo e Almeida (1997) encontraram 144 propostas de prevenção, sendo que “a maioria delas (cerca de 80%) situa-se no campo das estratégias comportamentais e mostra formulação

como conscientizar, orientar, insistir em maior atenção, disciplinar e insistir no uso de equipamento de proteção individual” (p. 111).

Os casos citados ilustram abordagens de comportamentos humanos que desconsideram opiniões como as manifestadas por Feggetter (1982), Sulzer-Azaroff (1982, 1987) e Hoyos e Zimolong (1988), para quem a seleção de técnicas efetivas de modificação de comportamentos depende da descoberta de seus antecedentes e de suas conseqüências. Feggeter (1982) propõe check-list para investigação de fatores humanos em acidentes da aviação e sugere sua utilização em outros tipos de acidentes. Sulzer-Azaroff (1987) propõe a técnica ABC (Antecedent, behaviour, Consequent) para pesquisar tais comportamentos e auxiliar na formulação de sugestões a serem adotadas pela empresa.

Assim, enquanto na literatura internacional multiplicam-se publicações apresentando o acidente do trabalho como fenômeno complexo e pluricausal, em investigações conduzidas no âmbito de empresas brasileiras, ele continua sendo apresentado como fenômeno simples e paucicausal. As práticas de prevenção levadas a cabo, em nosso meio, desconhecem o surgimento de tipologia de acidentes e de sistematização de métodos de análise “a priori” e “a posteriori” de acidentes (Carter e Corlett 1984; De Nève 1975; Dumaine 1985; Johnson 1973 e 1975; Monteau 1974 e 1979; Nolter e Johnson 1987; Monteau e Favaro 1990).

De forma semelhante, a prevenção de acidentes parece permanecer centrada em recomendações de mudanças do comportamento do acidentado, quando, na literatura internacional, surgem estudos incorporando contribuições da ergonomia, engenharia, engenharia de sistemas, sociologia, etc., apontando-se a responsabilidade das gerências em matéria de organização da segurança e das ações de prevenção de acidentes (Booth 1981; Hale e Glendon 1987a) e a necessidade de integração das políticas de segurança às políticas gerenciais das empresas (Pham 1989; Simard 1989; Simard e Marchand 1994; Hoffman e col. 1995; Monteau s/d).

a) explicita-se a necessidade de priorização da correção de situações de risco presentes, de maneira permanente, nos ambientes de trabalho, ou seja, eliminação de situações em que a segurança depende, exclusivamente, do desempenho do trabalhador na execução da tarefa (Wigglesworth 1976; Haddon Jr e Baker 1981; Baker e col. 1982);

b) evidencia-se, em países desenvolvidos, o esgotamento do potencial preventivo de medidas ditas técnicas e/ou tradicionais como proteção mecânica de máquinas e partes móveis de sistemas técnicos, organização, limpeza e melhorias do arranjo físico e disposição de peças e materiais em locais de trabalho, etc. (Wigglesworth 1972, 1976);

c) estabelecem-se critérios para a seleção de medidas de prevenção (Haddon Jr e Baker 1981; Baker e col. 1982; Gielen 1992);

d) difunde-se a noção de estratégias de prevenção com seus diferentes níveis de aplicação (Haddon Jr 1968, 1980; Waller 1987; Langley 1988; Brown 1990);

e) aponta-se a contribuição da organização e das relações sociais do trabalho na gênese dos acidentes (Nichols 1975; Dwyer e Raftery 1991);

f) ganha impulso e maior difusão o estudo da prevenção em sistemas sócio- técnicos de grande complexidade. Segundo Perrow, nesses sistemas, surgiriam acidentes inevitáveis, baseados em interação de falhas que, isoladamente, são consideradas banais (Perrow 1984; Monteau e Favaro 1990);

g) conformam-se duas grandes correntes de estudos acerca da segurança no trabalho. Uma delas dá ênfase ao estudo de aspectos cognitivos e da

(con)fiabilidade no trabalho, com atenção especial no tema do erro humano,

abordado como intrínseco ao processo de produção (Rasmussen e col. 1987; Kirwan 1992 a, b; Amalberti 1996). A outra enfatiza a gestão de segurança, apontando fatores organizacionais cuja superação exige abordagem que integre as funções de segurança, produção e manutenção (Monteau e Pham 1988; Monteau 1992). A

associação de contribuições dessas duas correntes foi defendida por autores como Leplat e Rasmussen (1987) e Goguelin (1996).

Como a redução dos erros humanos é abordada na literatura que trata da prevenção de acidentes? Para Reason, a redução de erros poderia se dar: 1) pela supressão de condições associadas ao seu desencadeamento, consideradas erros latentes ou condições em potencial para a sua ocorrência; 2) pela introdução de próteses cognitivas que ajudem o operador em seus pontos “fracos”; 3) incorporando, no sistema sócio-técnico, defesas voltadas para a recuperação dos erros já ocorridos. Entre os tipos de defesas, ele cita o envolvimento de coletivos de trabalho, regulamentações, procedimentos, organização, gestão e, enfim, da técnica. Na visão desse autor, é o empilhamento de todas essas defesas (“placas”) que confere, às vezes, ao sistema seu desempenho e seu nível de segurança global (Amalberti 1996, p. 220).

A noção de compromisso cognitivo proposta por Amalberti (1996) leva à formulação de crítica às abordagens de segurança centradas, exclusivamente, sobre os erros. Uma ação “sobre a detecção e a recuperação dos erros não seria suficiente para permitir ao operador o restabelecimento de seu equilíbrio cognitivo” (p. 44). A prevenção deve basear-se na descrição daquilo que serve de fundamento a esse compromisso cognitivo, à representação da situação e sua manutenção dentro de valores pertinentes para o sucesso da tarefa e a segurança do sistema. Para Amalberti, os objetivos da prevenção devem ser: a) não privar o operador de suas defesas naturais e não contrariá-las; b) deixar o operador regular seu compromisso, deixando- lhe o controle da situação e dos riscos a correr (“de la prise de risque”); c) favorecer a visibilidade de suas próprias ações e das ações do sistema, para que ele regule os riscos que corre e suas defesas eficazmente e de modo coerente (p. 222).

Baumecker (2000) concorda com essa abordagem, ressaltando que a prevenção passa a exigir que “busquemos compreender na normalidade em que consistem esses compromissos” (p. 109).

Kouabenan (1999d) destaca a importância de se levar em consideração a explicação causal “ingênua” do indivíduo comum, particularmente do próprio acidentado. Ele aponta o fato de a explicação “acerca do que se passou” representar uma necessidade das pessoas e acrescenta que a lógica da causalidade vista pela vítima “vem de suas experiências, de suas crenças, de suas percepções, de seu desejo de justiça, mas sobretudo de seu desejo legítimo de se crer com o domínio de seu mundo” (“Maître de son monde”) (p. 239-240). Por fim, o autor afirma que o interesse da investigação das explicações ingênuas residiria justamente no fato de que

[...] essas crenças ingênuas (serem) frequentemente erradas ou enviezadas por estes valores e por interesses diversos [que poderiam] induzir comportamentos nefastos à segurança. [...] (Esse) viés do indivíduo pode ser fonte de infiabilidade [...] por favorecer comportamentos perigosos. [...] ao mesmo tempo, o conhecimento desse viés tem apreciável valor diagnóstico. Nós mostramos como os métodos especializados podem aproveitar esses conhecimentos ingênuos para aumentar a confiabilidade dos dados em que se baseiam as suas análises [e] para consolidar a credibilidade de medidas de segurança que daí decorrem.

Nós pensamos que as mensagens de prevenção melhorariam em eficácia e perspicácia `se integrassem os viezes defensivos mais comuns” (Kouabenan 1999d, p. 240).

É possível que a insuficiente difusão desses novos conhecimentos, em nosso país, esteja contribuindo para a proliferação de sugestões de medidas de prevenção centradas na mudança de comportamentos dos acidentados, sem questionar seu potencial preventivo. Tampouco foram efetuados, entre nós, estudos para avaliar o impacto de medidas de prevenção adotadas. Como exceção, merecem citação as publicações de Cohn e col. (1985) e Hirano e col. (1990), questionando a fragilidade técnica e as conseqüências político-ideológicas - como a “produção da consciência culposa“ - dessa maneira de abordar os acidentes do trabalho.

Uma questão que incomodaria investigadores preocupados com as práticas de atribuição de culpa é: O que deve ser feito, quando a investigação revela ‘erros humanos’? Para o CCOHS (1998), toda vez que houver constatação desse tipo de fato, ele deve ser apontado, lembrando-se que a intenção é corrigir a situação e não

punir um indivíduo. Deixar de apontar a falha diminui a qualidade da investigação e poderia facilitar a sua participação em futuros acidentes.

Comentando as conclusões da investigação, o CCOHS (1998) é explícito: “Nunca8 faça recomendações disciplinares a uma pessoa ou pessoas que podem ter cometido uma falta. Isso poderia não somente ir contra o propósito real da investigação, mas poria em risco as chances do livre fluxo de informações em investigações futuras”.

Na mesma publicação, sugere-se a utilização de recomendações específicas de correção dos problemas identificados, evitando-se redações que apenas apontam o problema a ser corrigido (CCOHS 1998).

1.13 Estimulando o medo e atribuindo culpa: a prevenção de