PARTIE I. Analyse et modélisation du fraisage 5 axes à l'échelle locale….55
4. CHAPITRE ETUDE EXPERIMENTALE DES CONFIGURATIONS DE
4.3. Influence des angles de dépinçage sur l’usure de l’outil
O processo de edição e a contratação de tradutores pelas casas editoras depende com frequência, e naturalmente, da avaliação do trabalho de tradução e dos parâmetros usados para aferir esse mesmo trabalho. Para uma casa editora esse processo de aferição permite garantir que os profissionais mais capazes de responderem aos requisitos impostos poderão exercer funções como seus tradutores. Normalmente, e como parte integrante do processo de selecção do tradutor, a casa editora propõe ao candidato a tradutor um teste que lhe permite perceber e avaliar as suas competências e áreas preferenciais de intervenção. Contudo, o processo de avaliação também é desenvolvido após a contratação, já sobre o trabalho realizado, e permite corrigir o texto e expurgá-lo de erros. Depois, poderá servir para verificar qual a viabilidade da posterior contratação do mesmo tradutor
para outras traduções, num processo que se procura conhecer mais aprofundadamente em capítulos posteriores neste mesmo estudo.
Antes de embarcarmos numa análise mais aprofundada sobre os conceitos de qualidade e avaliação, seguiremos numa curta viagem pelos caminhos da avaliação da qualidade na tradução, recuando um pouco no tempo e analisando algumas das posições mais importantes defendidas por vários investigadores ou profissionais da tradução, em diversos momentos da história desta área de estudos, sobre a questão da avaliação e controlo de qualidade.
Quando James S. Holmes (1972/2000: 182) incluiu a tarefa de avaliação da qualidade da tradução na área dos “Estudos de Tradução Aplicados”, em particular na subárea da “Crítica de Tradução”, referiu-se igualmente à forte necessidade de reduzir aquilo que seria o “elemento intuitivo a um nível mais aceitável”. Ou seja, tentou enfrentar definitivamente a importância da apreciação objectiva, pondo de parte as práticas genericamente arbitrárias e subjectivas de abordagem das traduções. Mas Holmes fez ainda mais, pois abriu integralmente a porta à interpenetração que os conhecimentos obtidos em outras áreas de investigação – teórica, descritiva, ou aplicada – deveriam exercer sobre a crítica, leia-se avaliação, da tradução e mutuamente entre si (1972/2000: 183).
Foi precisamente sobre esta interdependência e capacidade mútua de influência no âmbito dos Estudos de Tradução que viriam a investir diversos autores, procurando afincadamente encontrar interligações entre os mais variados campos como forma de explicação e tentando desenvolver um maior aprofundamento de conhecimentos sobre a avaliação da qualidade na tradução.
Tendo em conta o papel marcante e particular que uma autora, em particular, viria a desempenhar sobre esta área de avaliação da qualidade, não pode deixar de se referenciar a apreciação genérica proposta por Juliane House, de uma forma sumária mas bastante abrangente, e publicada nessa obra fundamental que é Encyclopedia of Translation Studies, editada por Mona Baker (1998: 197-200).
Com efeito, e segundo Juliane House (1998: 197), a avaliação da qualidade na tradução, ao longo dos tempos, partiu da assunção de uma teoria de tradução individualizada, cuja perspectiva implicava desde logo diferentes conceitos de tradução e, portanto, diferentes formas de avaliação. É significativo notar que, para Juliane House, as abordagens enunciadas evoluem frequentemente a partir da importância conferida à apreciação e à comparação estabelecida entre texto de partida e texto de chegada. Mas
também se nota que tal perspectiva se desenvolve a partir da percepção das características dos textos que têm as pessoas que intervêm sobre esses mesmos textos, ou ainda que tal perspectiva resulta sobretudo das impressões registadas pelas pessoas que recepcionam tais textos.
No primeiro grupo de impressões, Juliane House catalogou e incluiu as perspectivas eminentemente subjectivas e intuitivas, seguidoras da alegada, e clássica, “fidelidade ao texto original”. São opiniões comuns, frequentemente registadas ao longo dos anos, e, segundo House, de tal modo individualizadas que se revelam inadequadas para estipular princípios gerais capazes de aferir a qualidade da tradução. Conforme afirma House:
Proponents of this approach tend to see the quality of a translation as dependent on the translator and his/her personal knowledge, intuitions and artistic competence. (1998: 197)
Num segundo agrupamento, House englobou a avaliação da tradução tal como ela seria determinada pela resposta dos leitores aos estímulos fornecidos pelo texto (1998: 197), com destaque para a perspectiva enunciada por Eugene Nida e já referida anteriormente no âmbito desta investigação (Capítulo 2). Neste caso, Juliane House também encarava tal abordagem como insatisfatória, porque não tinha um padrão de comparação, perante o qual poderiam ser avaliados os resultados comportamentais. Tal como afirma House:
This approach is also reductionist in that the overall quality of a translation is made dependent on measures of, for example, intelligibility and informativeness. Further, what is missing here is a norm against which the results of any behavioural test is to be judged. (1998: 198)
Finalmente, e num grupo bastante mais alargado e de mais difícil catalogação, devido à sua grande diversidade e à pluralidade de metodologias propostas, Juliane House listou as abordagens assentes no próprio texto, que, segundo ela, poderiam ser provenientes de modelos linguísticos, da literatura comparada ou de carácter funcionalista (1998: 198- 9).
No âmbito desta categoria, as perspectivas linguísticas tiveram como expoente mais importante, para Juliane House, o trabalho de Katharina Reiss sobre a tipologia de texto.
Ainda assim, House salientou que a abordagem de Katharina Reiss não era capaz de determinar de forma adequada as funções da linguagem presentes no texto e também não poderia servir para pronunciar com exactidão o tipo de texto correspondente, o que originaria problemas de catalogação e consequente metodologia de trabalho. Além disso, House criticou a abordagem de Reiss pela sua impossibilidade de permitir uma análise exacta do texto de partida.
No que diz respeito às perspectivas baseadas na literatura comparada, a qualidade da tradução seria avaliada, segundo Juliane House, de acordo com a função da tradução no sistema literário da língua de chegada. O nome mais importante nesta área de análise seria naturalmente o de Gideon Toury e as suas perspectivas (também já abordadas no âmbito do Capítulo 2 desta investigação). Assim, e mais uma vez de acordo com Juliane House, o texto de partida teria pouca importância e seria sobretudo o sistema literário da cultura de chegada que determinaria o modo como deveria ser analisada a qualidade da tradução. Esta posição implicava que o texto traduzido fosse avaliado sem qualquer referência ao texto de partida e que as soluções encontradas pressupusessem unidades de partida e de chegada inter-relacionadas. Contudo, também aqui House questionava quais os critérios que deveriam ser usados para a avaliação da tradução.
Por fim, e no que concerne às abordagens funcionalistas, House salientou o carácter extremamente significativo dos contributos conjuntos de Katharina Reiss e Hans Vermeer (1998: 198-9), segundo os quais o critério supremo para a avaliação da qualidade do texto traduzido seria o objectivo (skopos) do texto traduzido. Apesar de tudo, mais uma vez, House reforçou a crítica de que também nestas abordagens o texto de partida tinha uma importância secundária, sendo mesmo encarado, segundo ela, como uma simples “fonte de informação” – “that the translator may change as s/he sees fit” (1998: 199).
Deve assinalar-se que, em 2000, com a publicação de Translation Criticism –
Potentials and Limitations, Katharina Reiss procurou responder de maneira útil e objectiva
às críticas recebidas, nomeadamente as apontadas por Juliane House sobre a avaliação de qualidade na tradução, e sustentou a necessidade de utilizar padrões diferentes para escrutinar tipos de texto diferentes, o que proporcionaria seguramente indicadores importantes para a avaliação de uma tradução (Reiss 2000: xii).
Em primeiro lugar, Reiss salientou que seria fundamental estabelecer sempre uma comparação entre texto traduzido e texto original, pois só assim seria possível efectuar-se uma avaliação pormenorizada da tradução (Reiss 2000: 15). De seguida, Reiss estipulou a
necessidade prioritária de definir concretamente o tipo de texto a analisar, em função de parâmetros relacionados com os respectivos conteúdo e forma, mas também em função dos respectivos componentes linguísticos, semânticos, lexicais, gramaticais e estilísticos, pois tal factor influenciaria a escolha que o tradutor deveria fazer de um método de tradução adequado (Reiss 2000: 17-66). Contudo, Reiss afirmou ainda que uma abordagem rígida aos métodos de tradução não seria objectiva nem prática, devendo ser completamente adaptável ao tipo de texto em causa e conservando as características essenciais do mesmo (Reiss 2000: 24).
Além disso, Katharina Reiss realçou também que, para que o crítico avaliador pudesse formular um juízo de valor objectivo sobre o texto traduzido, precisaria de ter acesso a dados provenientes de uma categoria pragmática (Reiss 2000: 66-87) que permitisse analisar convenientemente a importância de algumas características extra- -linguísticas do texto traduzido, nomeadamente: contexto, tema, tempo, local, público- alvo, emissor e implicações afectivas.
Com tudo isto Katarina Reiss pretendia demonstrar que a avaliação/crítica de um texto traduzido só poderia ser devidamente concretizada se o texto fosse analisado à luz de critérios pertinentes ao tipo de texto pretendido e ajustados aos padrões da função especial ou do público-alvo a que se dirigia. Segundo a autora, as influências e condições subjectivas influenciariam os géneros de tradução aplicados e, também, a crítica de tradução, que apenas poderia ser verdadeira e assumir um carácter objectivo se tivesse em consideração essas condições subjectivas (Reiss 2000: 114).
De todo o conjunto de apreciações analisadas resultava claro para Juliane House que a tradução não poderia ser, de todo, desligada do texto de partida e estaria intimamente ligada aos pressupostos e às condições que determinam a recepção nos sistemas linguístico e cultural de chegada (House 1997: 199). E foi precisamente a partir daí que esta autora avançou para uma proposta de modelo “funcional-pragmático” destinado à avaliação da qualidade da tradução.
O elemento fundamental do modelo de Juliane House (1997: 199) assenta no princípio de que o texto traduzido deve ter uma função – em termos de ideias e de componentes funcionais interpessoais – que seja equivalente à do texto original. Ou seja, House adopta uma perspectiva bastante semelhante à de Eugene Nida com o seu princípio do efeito equivalente, complementada pelas ideias de Katharina Reiss e Hans Vermeer.
Além disso, e segundo Juliane House, o tradutor deve servir-se de meios pragmáticos equivalentes para conseguir alcançar tal função para o texto traduzido. De maneira a conseguir pôr em funcionamento tal modelo, a autora sustenta que se deve analisar o original segundo diversas dimensões situacionais e determinar os respectivos correspondentes linguísticos. Estes darão origem a um perfil do texto original, o qual determinará a função do texto traduzido.
Para Juliane House esse será então o padrão segundo o qual deve ser avaliado o texto traduzido, que é classificado de acordo com as categorias de “tradução aberta” – “an overt translation is one in which the addressees of the translation text are quite „overtly‟ not being directly addressed” (1997: 66) – ou de “tradução encoberta” – “is a translation which enjoys the status of an original source text in the target culture” (1997: 69). Ora, esta distinção binária é controversa e pouco clara, não só por causa da terminologia usada e respectivas definições tautológicas, mas também porque faz lembrar a diferenciação clássica e vaga entre “tradução livre” e “tradução literal”.
Deste modo, o modelo de análise de registo de Juliane House, que assentava fortemente na gramática funcional sistémica de Halliday, e que foi concebido para comparar um par de línguas (alemão-inglês) em torno de variáveis situacionais, de género, de função e de ordem linguística, e que permitiria identificar tanto o método de tradução usado como os erros de tradução detectados demonstrou conter também falhas significativas.
Com efeito, a análise proposta e, sobretudo, a determinação clara das intenções do autor e das funções do texto de partida, presentes no modelo de Juliane House para a avaliação da qualidade de uma tradução, são questionáveis e até mesmo impossíveis de alcançar, na sequência, aliás, do que já fora sublinhado por Ernst-August Gutt, em
Translation and Relevance (1991: 46-52). Ainda assim, este mesmo modelo viria a
proporcionar os alicerces fundamentais que possibilitariam a revelação de algumas considerações significativas para o processo de trabalho dos tradutores e avaliadores da tradução.
Carol Maier, em Evaluation and Translation (2000: 137-145), procurou adoptar antes uma perspectiva com mais exactidão, analisando os conceitos de “qualidade” e “avaliação”, tantas vezes usados de maneira algo indiferente por diversos investigadores e académicos. Assim, e a propósito da noção de “qualidade”, Maier (2000: 139) assinalou
aquele que, na sua opinião, teria sido o primeiro momento significativo e de surgimento efectivo deste conceito aplicado na área da tradução, e que remontava a 1959.
Nesse ano, pouco antes do Congresso da Federação Internacional de Tradutores (FIT), terá sido enviado um questionário a todos os participantes no Congresso, em que se indagava sobre a percepção individual que cada um teria sobre o conceito de “qualidade” para a tradução literária. Maier referencia depois, tal como Juliane House também o fizera a propósito do mesmo assunto (House 1997: 1-2), o carácter vago e subjectivo das respostas obtidas. Além disso, Maier realça o facto de as noções apresentadas se limitarem a abordar a questão da tradução literária, deixando sem resposta eventuais percepções diferenciadas que os tradutores teriam sobre a área da tradução técnica. Este facto sugere, aliás, a Maier uma acertada posição crítica quando afirma:
The fact that the questionnaire pertained solely to literary translation suggests a perception both that the role of quality was different, more central to the work of literary that to that of non-literary translators, and that the two types of translation could be separated neatly. (2000: 139)
A abordagem de Carol Maier sobre a noção de “Qualidade” conclui depois que grande parte da discussão sobre o conceito de “qualidade” ocorre no contexto da “avaliação”, pelo que não poderá ser uma ideia definida em termos relativos e individualizados, e implica necessariamente uma medição e um juízo de carácter pessoal.
Também Carol Maier faz referência à importância da obra de Katharina Reiss para a avaliação da qualidade na tradução e à necessidade que esta autora estipulava de se estabelecer uma comparação qualitativa entre texto traduzido e texto original, mostrando- -se ainda preocupada com a igualdade de valor entre “original” e respectiva “versão” (2000: 141-142). Contudo, Maier aproveita para analisar e criticar a diferenciação existente entre os termos usados pelos diversos autores (função, intenção, objectivo, razão, Skopos) e o facto de quase todos usarem procedimentos e princípios diferenciados, dando assim conta da diversidade de opiniões e métodos. Maier reconhece, no entanto, que o texto original raramente é omitido em todas essas perspectivas, embora a sua presença seja frequentemente discutida e o respectivo grau de importância também seja visto de forma diferenciada.
Por fim, Carol Maier analisa sucintamente as opiniões expressas a propósito do conceito de “valor igual” e, sobretudo, a noção de “valor”, tal como foram enunciadas por
diversos autores. De entre os nomes citados por Maier, poderão citar-se alguns dos mais destacados, como Edwin Gentzler ou Lawrence Venuti. Contudo, apesar da diversidade de posições individuais de cada um deles, nota-se que Carol Maier terá passado por algumas dificuldades para os catalogar e, acima de tudo, para caracterizar as suas posições. Na verdade, é de salientar que os conceitos sobre a avaliação da qualidade na tradução enunciados por estes autores são eminentemente virados para a tradução literária e, por vezes, vagos no que diz respeito aos eventuais parâmetros a adoptar para a avaliação de um texto traduzido. Mais do que isso, assentam num cepticismo teoricamente determinado quanto à possibilidade de se concretizar a avaliação de traduções à luz de critérios minimamente estáveis de “qualidade”.
A propósito dessas posições algo vagas e passageiras, Edwin Gentzler, por exemplo, aborda, em Contemporary Translation Theories, a noção de “avaliação da tradução” (1993: 41-42), referindo-se sobretudo ao carácter prático da disciplina da Tradução e aos aspectos subjectivos de apreciação dos textos, tal como eram praticados pelos académicos nas universidades norte-americanas em workshops de tradução. Lawrence Venuti, por seu turno, em The Translator’s Invisibility nem sequer parece dedicar uma atenção específica ao tema da avaliação de qualidade da tradução, desdobrando-se em análises sobre tópicos mais genéricos como seja a necessidade de fluência imposta por agentes externos (1995: 81).
Em contrapartida com as posições anteriores, Andrew Chesterman manifesta, em
Memes of Translation (1997), uma atitude muito mais incisiva e esclarecedora procurando
alinhavar algumas ideias fundamentais sobre as matérias de avaliação da qualidade da tradução. Além disso, Chesterman procura mesmo definir o conceito de qualidade quando afirma:
In one sense it can mean „nature, characteristics‟, and in this sense assessment is purely descriptive: a statement is made to the effect that a given translation is of such-and-such a type, that it has such-and-such features, that it has such-and-such an effect on the target culture or on intercultural relations more generally, etc. (…) There is a shift to the second sense of “quality” as an evaluative term, not just a descriptive one.
In this evaluative sense of “quality”, assessment is made in terms of how good or bad the translation is, whether it conforms to required standards, particular values, etc. (1997: 118-9)
Mas, conforme se afirmou anteriormente, Chesterman não se fica por aqui e avança no sentido de analisar o processo individual de eliminação de erros que deve ocorrer no processo de trabalho individual do tradutor (1997: 121). Assim, e no decurso da execução do trabalho, segundo Chesterman, o próprio tradutor procede à eliminação de alternativas, apreciando e revendo o texto, e processa um texto final que considera adequado aos propósitos que lhe terão sido comunicados e encomendados. Deste movo, vai avançando gradualmente até ao momento em que circunstâncias externas, normalmente o prazo-limite imposto, o obrigam a entregar a tradução terminada. Por fim, o texto é sujeito ao escrutínio final de quem tem a incumbência de o avaliar e, eventualmente, editar e corrigir.
Numa primeira instância, a perspectiva adoptada por Chesterman serve-se da noção de erro funcional enunciada por Christiane Nord, segundo a qual a incapacidade de cumprir determinados requisitos, como sejam as instruções recebidas do cliente e, portanto, frustrando as suas expectativas, implicam que não terá respeitado uma norma ou padrão estabelecido (Chesterman 1997: 121). Aliás, Chesterman propõe mesmo uma definição para erro que segue, em grande medida, o conceito de Nord, quando afirma: “let us say that an error is anything in the form of the translated text that triggers a critical reaction in a reader” (1997: 121). Contudo, é também uma noção demasiado geral e relativa, no sentido de não absoluta, o que o leva a concluir: “… like translations themselves, evaluative assessments too are ultimately not final or absolute but relative to particular people and places and times” (1997: 122).
Enquanto Gideon Toury procurou, e conseguiu, concentrar-se numa classificação descritiva das normas, de maneira a identificar padrões recorrentes para o exercício da tradução, Chesterman propôs antes um novo conjunto de normas (ver capítulo 2) que, além da sua noção mais prescritiva, estavam claramente associadas a uma classificação de tipos de avaliação diferenciados, tal como ele os percepcionava. Assim, e segundo Chesterman, a avaliação de uma tradução poderia subdividir-se em cinco modalidades diferentes, de acordo com cinco perspectivas diversas sobre a apreciação que é feita sobre o texto traduzido (1997: 145). Além disso, Chesterman identifica os autores cujas obras e propostas mais estariam associadas a cada uma destas modalidades de avaliação.
A avaliação retrospectiva deste autor (Chesterman 1997: 123-128) está associada à norma de relação – a qual é de carácter linguístico e estipula que o tradutor deve agir de maneira a estabelecer e manter uma relação apropriada de semelhança relevante entre o texto de partida e o texto de chegada (1997: 69). É uma avaliação subjectiva, pois baseia-se nas opiniões e expectativas dos leitores para o texto de chegada. Mas é também intersubjectiva pois tais expectativas e requisitos são reconhecidos como tal em qualquer sociedade e, portanto, pré-existentes. Não é, contudo, uma avaliação objectiva, pois não respeita um padrão absoluto que todas as traduções deveriam seguir. Assenta sobretudo na noção de “equivalência” e foi muito influente sobretudo para Juliane House, cujas propostas avaliativas derivam desse conceito.
Já a avaliação prospectiva de Chesterman (1997: 128-133), que está associada à norma de comunicação – a qual é de carácter social e em que o perito em comunicação, o