RESULTATS ET ANALYSES
II. CLASSIFICATION DES TUMEURS ADIPEUSES BENIGNES
3. Indications du traitement
Utilizar os princípios de uma pesquisa qualitativa em Educação Patrimonial passa a ser uma importante forma de estudar, pesquisar e construir conhecimento. Assim como já expressei anteriormente, elejo a modalidade da pesquisa Narrativa e os Estudos Culturais da pesquisa qualitativa para construirmos este trabalho. Porém, considerando o relacionamento investigativo que devo ter com a comunidade e a minha meta de formar cidadãos críticos sobre sua realidade, além da responsabilidade que assumi de dar um retorno à comunidade dos resultados desta pesquisa, assumo a perspectiva fenomenológica (FLICK, 2004) para análise dos dados.
Considero que, voltada para a experiência, a reflexão fenomenológica inclui a possibilidade de olhar as coisas como elas se manifestam. Permite uma melhor visão do mundo, pois este se abre para o homem e, ao se abrir para o homem, o mundo se desvela, é o fenômeno. A fenomenologia, assim, tem como princípio que o que fundamenta todas as ciências é uma volta ao mundo da experiência, ao mundo vivido. Essa postura rompe de modo definitivo com o modelo técnico positivista: antes da realidade objetiva há um sujeito conhecedor, antes da objetividade há o horizonte do mundo e antes do sujeito, da teoria do conhecimento, há uma vida operante (MARTINS ET AL. 1990).
À fenomenologia coube mostrar outro caminho de opção além da ciência dita positiva, voltar ao mundo da vida, humanizar a ciência, buscar um sentido para as coisas. É preciso mais que conhecer a coisa em si, é preciso conhecê-la em si mesmo. Está interessada naquilo que é factível. Não pretende dar um caminho aos fatos, mas desvelar os caminhos dos fatos, o seu acontecer. (2002 p.846)
Os estudos culturais, associados aos estudos científicos da Fenomenologia, têm sido também uma tônica em programas de pós-graduação. Estudiosos participam de grupos de estudos desde 1990 e discutem uma nova proposta curricular para cursos de licenciatura e programas de extensão. (FISCHMANN, 2000).
As pesquisas neste campo enfocam as relações de poder entre culturas, nações, povos, etnias, orientações sexuais, gêneros, movimentos sociais, ambientalistas e anticolonialistas, que originaram manifestações científicas e, junto com estas, o surgimento de um vasto campo de estudos informais, que são importantes nas discussões em política educacional.
Qualquer política educacional e qualquer programa pedagógico que tenham por objetivo formar minimamente sujeitos críticos — capazes de compreender as relações entre a Ciência e a vida humana (seus benefícios, seus riscos, seus jogos políticos e de poder) e nelas intervir —, e sujeitos alfabetizados cientificamente — capazes de tirar algum proveito dos avanços do conhecimento científico e da tecnologia —, terá de incluir em suas agendas os aportes que o campo dos Estudos Culturais da Ciência têm propiciado. Isso não implica, é claro, substituir o Ensino de Ciências pelo ensino de temas e questões desse novo campo. (FISCHMANN, 2000 p.116- 117)
Nos Estados Unidos, a partir dos anos 60, os estudos culturais passam a conceber a cultura como inserida num sistema político maior, a hegemonia burguesa, e a se politizar e se ligar aos movimentos civis e ao movimento feminista. Este período se caracteriza também pelo auge das concepções estruturalistas e pelas primeiras abordagens pós-estruturalistas (FISCHMANN, 2000). No campo das Ciências, esses estudos refletem e produzem os sentimentos profundos do emocional, tais como sentimentos de patriotismo, elitismo, racismo, sexismo, anti-racismo e assim por diante. Ou seja, são conectados necessariamente aos aspectos subjetivos, como aponta Wortmann (2001 p.7-8).
Surgem novas tendências para a construção cultural do conhecimento e da pesquisa em ciências. Desta vez o enfoque aborda a diversidade social, cultural e ambiental em todas as suas dimensões, e suas produções procuram estabelecer relações do ponto de vista histórico, filosófico, sociológico, antropológico e crítico da ciência.
Numa primeira aproximação, define Estudos Culturais da ciência: “um conjunto de investigações sobre as práticas através das quais o conhecimento científico é articulado e mantido em contextos culturais específicos, bem como é transferido e se estende para outros contextos. (ROUSE, 1996) citado por (WORTMANN, 2001 p.35)
Na ação educativa e científica culturalmente desenvolvida, há possibilidades de projetarmos uma racionalidade mais ampla e dinâmica. E com isso, ganhando a capacidade de captar a diversidade do real nas representações de mundo, de homem e de natureza que criamos, entenderemos, mesmo que parcialmente, a complexidade das diversas culturas que nos cercam, aumentando assim o nosso poder de transformar o mundo. É por isso que os Estudos Culturais, como campo de construção de conhecimentos científicos, são distintos das diversas disciplinas acadêmicas discutidas nos currículos:
O que distingue os estudos culturais de disciplinas acadêmicas tradicionais é seu envolvimento explicitamente político. As análises feitas nos Estudos Culturais não pretendem nunca ser neutras ou imparciais... Os Estudos Culturais pretendem que suas análises funcionem como uma intervenção na vida política e social. (SILVA, 2002 p.134).
Os Estudos Culturais da Ciência e Educação possibilitam um entendimento melhor do mundo e de seus problemas sociais, políticos e econômicos. Através deles (dos Estudos Culturais) podemos discutir acerca da redistribuição da riqueza e equalização de poder entre os homens. Isso requer conhecimento sobre o controle, sobre a história, o que nos permite, como educadores, buscar novas possibilidades de desenvolver um trabalho na escola voltado à educação ambiental e educação patrimonial.
Se pensarmos numa estratégia educativa, a partir dos museus, haveremos de notar que nesses espaços temos muito a descobrir, desvelar e criar. Nos fragmentos da história neles expostos o educador pode tirar proveito para reunir esses fragmentos e desafiar a escola a oferecer caminhos alternativos para articular as trajetórias históricas.
Neste sentido, o resgate da memória de um povo, sua cultura e o desenvolvimento técnico-científico são um convite à reflexão, por exemplo, do ensino de ciências, de geografia, de história etc. Esse novo modo de olhar pode levar os alunos a pensar sobre quais concepções de ciências estão impressas nos fragmentos de um museu. Onde podem ser identificados os preconceitos sociais? Qual empirismo está claro no decorrer das exposições tecnológicas?
sendo, por isso, um deleite para quem os lê. Mas também nos levam à meditação e valorização dos atos dos antepassados, podendo servir de exemplo para a vida presente, e de ilustrações para quem os conhece. E conhecer é integrar-se e aumentar o amor ao assunto ou objeto conhecido (SOEIRO, 1991 p.9)
De maneira a compreender as concepções das ciências ao longo do tempo, podemos recorrer à Educação Patrimonial e aos estudos culturais como ferramentas para o ensino de ciências, sem deixar de perceber que na educação há uma tendência para se desenvolver o processo de ensino e de aprendizagem com base num currículo formal, no cotidiano, na imagem que o sujeito faz do que aprende e vive. Na psicologia cognitiva, esses elementos estão presentes de tal sorte que há interação entre sujeito e o objeto e entre os próprios sujeitos. Logo, as implicações desta nova metodologia estão diretamente relacionadas àquelas citadas por Amaral (1998):
Flexibilidade curricular, interdisciplinaridade e desenvolvimento de uma visão sistêmica do ambiente;
Formação de uma imagem da ciência como atividade humana historicamente determinada;
Articulação entre o senso comum e conhecimento científico;
Respeito ao conhecimento prévio e às estruturas cognitivas dos estudantes;
Incorporação do cotidiano ao processo de ensino e de aprendizagem. Não raro nos deparamos com uma visão de dominação das ciências sobre o homem. No entanto, se fizermos um exercício histórico (de Educação Patrimonial e Estudos Culturais) na sala de aula, a partir das exposições em museus, dos movimentos cotidianos e nas discussões em grupos, poderemos “estabelecer uma visão mais crítica sobre as mudanças que o conhecimento e as tecnologias exercem na sociedade, buscando compreender como os interesses políticos, econômicos e sociais influenciam no desenvolvimento científico”. Poderemos também inferir que “a sociedade busca hoje uma maior participação popular nas decisões que envolvem as relações entre ciência, tecnologia e sociedade” (GONÇALVES, SILVA E SILVA, 2005).
4.6. A metodologia da Educação Patrimonial na perspectiva dos Temas Transversais