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Indications d’ordre orthodontique

3. Indications et contre-indications de l’avulsion des dents de sagesse

3.1.4. Indications d’ordre orthodontique

Conforme ressaltamos anteriormente, é na luta pela reforma agrária que se incrusta a luta pelo o direito do acesso à educação, mas o MST vai além quando expressa que tipo de educação quer para sua base, e que considera necessária seja para as escolas dos assentamentos e acampamentos, seja para os demais processos de educação não formal desencadeados pela organização.

Nesse sentido, essa ampliação da concepção de direito procura ir além: “não apenas ter acesso à escola, mas ter o direito de constituí-la como parte de sua

54 identidade: fazer de cada escola conquistada uma escola do MST” (CALDART, 2000. p. 160) . A matriz desta intencionalidade pedagógica que procuraremos descrever brevemente nos ajudará a compreender os diferentes aspectos formativos/educacionais que ocorrem dentro do Movimento.

A este respeito Caldart (2000) coloca que no primeiro período em que se inicia a elaboração da proposta de educação do MST, esta fora construída a partir da própria experiência que vinha se desenvolvendo a partir da própria prática dos educadores, elementos da teoria pedagógica trazida pelos professores e pedagogos envolvidos com aquela prática e, obviamente, pelos próprios objetivos, princípios do Movimento. A autora ainda expõe que a teoria pedagógica que embasou o início da educação na organização esteve alicerçada nos

estudos de Paulo Freire e também de alguns pensadores e pedagogos socialistas: Krupskaia, Pistrak, Makarenko e José Marti, sendo que estes dois últimos já eram estudados há mais tempo dentro do MST, pelas contribuições que traziam de outros setores de atuação do Movimento. O grande desafio era juntar essas fontes, tendo a realidade como base e o método proposto como guia da sistematização pretendida. A marca do processo coletivo foi a garantia de um equilíbrio entre a influência das fontes (...) (CALDART, 2000, p. 262).

Nota-se que as duas matrizes pedagógicas que influenciam a discussão da educação no MST são alicerçadas na pedagogia socialista e na educação popular expressa na Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire. Em sua análise, Araújo (2007, 177) ainda acrescenta que nesse bojo, além dessas duas vertentes no desenvolvimento do referido processo, acaba sendo forjada a própria pedagogia do MST.

Considerando a educação um processo fundamental dentro da luta pela terra e pela emancipação dos trabalhadores, o MST elabora em 1996 no seu Caderno de Educação n. 8 os “Princípios Filosóficos e Pedagógicos da Educação no MST”. Neste período a organização já havia acumulado uma grande experiência em diversas áreas de atuação do Setor de Educação13, desde a educação infantil e as

55 cirandas infantis à escola itinerante nos acampamentos, da atuação na educação de jovens e adultos às primeiras escolas públicas nos assentamentos. No mesmo período (1998) acontece também o primeiro curso Superior de Pedagogia da Terra.

Este amadurecimento não está relacionado apenas à ampliação da ação educacional do MST, ele fica evidente na elaboração teórica do referido caderno. Segundo este documento,

Os Princípios filosóficos dizem respeito a nossa visão de mundo,

nossas concepções mais gerais em relação à pessoa humana, à sociedade, e ao que entendemos que seja educação. Remetem aos objetivos mais estratégicos do trabalho educativo do MST. [...] Os

princípios pedagógicos são jeito de fazer e de pensar a educação,

para concretizar os próprios princípios filosóficos. Dizem dos elementos que são essenciais e gerais na nossa proposta de educação, incluindo especialmente a reflexão metodológica dos processos educativos, chamando a atenção de que podem haver práticas diferenciadas a partir dos mesmos princípios pedagógicos e filosóficos. (MST, 1996, p. 4 grifos nossos)

Os princípios filosóficos da educação do MST apontam que ela deve estar voltada para a:

a) transformação social;

b) aberta para o mundo, aberta para o novo; c) para o trabalho e a cooperação;

d) voltada para as várias dimensões da pessoa humana;

e) como um processo permanente de formação/transformação humana

A prática destes cinco princípios enunciados seria justamente determinada pela sua junção com as bases e princípios pedagógicos, a saber:

relação permanente entre a prática e a teoria;

combinação metodológica entre processos de ensino e de capacitação; a realidade como base da produção do conhecimento;

conteúdos formativos socialmente úteis; educação para o trabalho e pelo trabalho; gestão democrática;

56 atitude e habilidades de pesquisa;

auto-organização dos estudantes;

criação de coletivos pedagógicos e formação permanente dos educadores; vínculo orgânico entre processos educativos e processos políticos;

vínculo orgânico entre processos educativos e processos produtivos; vínculo orgânico entre educação e cultura; gestão democrática; combinação entre processos pedagógicos coletivos e individuais;

Esses princípios filosóficos e pedagógicos, as matrizes educacionais mencionadas que compõem o arcabouço da educação no MST são orientadoras de sua prática na busca de uma formação ampla, vinculada aos interesses da classe trabalhadora. “Trata-se de uma educação que não esconde o seu compromisso em desenvolver a consciência de classe e consciência revolucionária” (MST, 1996: 6). Portanto, vinculada a práxis social ao trabalho e à cooperação na busca de uma formação humanista, procura considerar a dimensão onilateral da vida dos sujeitos.

Estes elementos apontados, segundo Dalmagro (2010: 214-215), compõem uma pedagogia que não é nova, mas também não é igual a nenhuma outra proposta. Ainda segundo a autora, o MST não segue nenhuma pedagogia, mas produz sínteses próprias da pedagogia que tem como referência. Essas sínteses produzidas no âmbito do MST se caracterizam como a Pedagogia do Movimento.