• Aucun résultat trouvé

Indicateurs de qualité de service qui évaluent les délais de traitement

B. Indicateurs de qualité de service des programmes budgétaires au sens de la LOLF

2/ Indicateurs de qualité de service qui évaluent les délais de traitement

da Índia a viver em Portugal. Fontes próximas da Índia estimam que a comu- nidade indiana e os indianos em Portugal seriam aproximadamente 70 000, incluindo sete mil com passaportes indianos.

Segundo o Serviço de Estrangeiros em 2005 havia somente 1 623 india- nos com autorização para viver e trabalhar em Portugal e 3 353 com autori- zação para residir até 2010 como pessoas que podem viver no país e traba- lhar, mas não podem ir para a União Europeia. Estes estão sobretudo concentrados na área de Lisboa.

Existem quatro comunidades de origem indiana (hindu, ismaelita, mu- çulmana e goesa) instaladas em Portugal (Malheiros, 1996). Diferenciam-se pelas suas características culturais e religiosas, mas há outras variáveis (e.g., demográficas, económicas) que evidenciam a especificidade de cada comunidade. A comunidade católica goesa diferencia-se claramente de to- das as outras pelo nível de instrução e pelas actividades económicas. Efecti- vamente, cerca de 25% dos seus membros possuem um diploma de estudos superiores ou estão inscritos num estabelecimento de ensino superior, fenó- meno que se reflecte ao nível da actividade profissional em que existe uma forte especialização no sector da administração e nas profissões liberais. Pelo contrário, as outras comunidades indianas apresentam um nível de ins- trução mais baixo e uma forte especialização no comércio, mais evidente nos ismaelitas que nos muçulmanos. Esta comunidade está bem integrada no país e tem uma baixa taxa de delinquência juvenil e de insucesso escolar (Pinto, 2004)

Objectivos

Neste artigo propomo-nos responder a três questões: 1) Até que ponto os jovens oriundos de famílias imigrantes indianas residentes em Portugal estão bem adaptados? O género influenciará o seu nível de adaptação? Em que medida estes jovens residentes em Portugal estão bem adaptados em compa- ração com os nacionais?

A migração suscitou muitas vezes debates a propósito da relação entre aculturação e saúde e, em particular, saúde mental (Alarcão e Miranda San- tos, 1970; Neto, 2002a; Sam et al., 2008; Schmitz, 2001; Simões et al., 1991). Aparece muitas vezes na literatura científica que os migrantes expe- rienciam mais frequentemente doença mental que a população da sociedade

Investigação recente aponta para o facto das crianças oriundas de famílias imigrantes apresentarem geralmente níveis satisfatórios de adaptação psicológi- ca e sociocultural. Quando se comparam crianças oriundas de famílias imi- grantes com os colegas nacionais, essas crianças têm geralmente uma saúde melhor, envolvem-se menos em comportamentos negativos, obtêm melhores re- sultados escolares e evidenciam bem-estar psicológico (Fuligni, 1998). Efectiva- mente a investigação actual na América do Norte, e em particular, nos Estados Unidos, aponta na direcção de que apesar dos imigrantes terem condições so- cio-económicas mais fracas, a sua adaptação no princípio pode ser tão boa, e por vezes melhor, que a dos colegas nacionais (Hayes-Bautista, 2004).

Em Portugal também já se dispõe de investigação que vai nesse sentido. Consideremos, por exemplo, três indicadores de bem-estar subjectivo: satisfa- ção com a vida, felicidade e solidão.

Numa investigação foram abordados os correlatos da satisfação com a vida em jovens de origem portuguesa vivendo em França (Neto, 1995). Os re- sultados evidenciaram uma vasta rede de variáveis demográficas e psicosso- ciais associadas à satisfação com a vida. Todavia não apareceram diferenças significativas no nível de satisfação experienciada por estes jovens adolescen- tes, residindo em França e por jovens portugueses residindo em Portugal sem experiência migratória. Nesta mesma via, também não se encontraram dife- renças estatisticamente significativas entre jovens portugueses a viver na Suíça e jovens portugueses sem experiência migratória ao nível da satisfação com a vida (Neto e Barros, 2007). Num outro trabalho também não emergiram dife- renças significativas na satisfação com a vida entre jovens regressados ao norte de Portugal com os seus pais e jovens portugueses que nunca emigra- ram (Neto e Ruiz, 1998).

No que se refere à felicidade Conceição Pinto (2004) mostrou que jovens indianos a residir em Portugal sentiam-se mais felizes que jovens portugueses que nunca haviam passado por um processo migratório.

Num estudo comparou-se o nível de solidão de jovens portugueses que nunca emigraram e de jovens de origem portuguesa residindo em França (Ne- to, 1999). Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas na so- lidão entre estas duas amostras de jovens. Num outro estudo (Neto e Ruiz, 1998) também não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre o nível de solidão de jovens de origem portuguesa vindos a viver para o norte de Portugal com jovens que nunca emigraram. Todavia os jovens ligados à emigração mais atingidos pela solidão eram aqueles que apresentavam

cepcionavam serem reconhecidos como migrantes e aqueles que perspectiva- vam regressar a França.

Mais recentemente foi examinado o nível de adaptação de jovens timoren- ses e de jovens oriundos de famílias imigrantes dos PALOP residentes em Portu- gal (Neto, 2007, 2008). O quadro global dos indicadores de adaptação que emergiu, à excepção da satisfação com a vida, foi de uma adaptação mais po- sitiva dos timorenses que dos jovens nacionais. Este quadro global de resultados foi tanto mais surpreendente quanto se tem encontrado que o stress de acultura- ção é maior em populações cuja migração não foi voluntária, como é o caso de refugiados, que em populações que emigraram voluntariamente. Do mesmo mo- do o estudo levado a cabo junto de 543 jovens provenientes dos cinco países africanos com a língua oficial portuguesa (angolanos, cabo-verdianos, guineen- ses, moçambicanos e são-tomenses) também apontaram que esses jovens esta- vam bem adaptados quando comparados com colegas nacionais.

Estes estudos sobre a adaptação psicológica convergem em apontar que jo- vens multiétnicos não se encontram forçosamente em desvantagem psicológica pelo facto de estarem na encruzilhada de culturas. Se globalmente estes resulta- dos permitem questionar a existência de uma relação determinista entre migra- ção e saúde mental, de nenhum modo questionam haver factores associados à mobilidade geográfica que podem fazer oscilar a saúde mental dos sujeitos. As investigações que acabamos de referir também evidenciaram factores associa- dos à migração que são susceptíveis de provocar mal-estar psicossocial.

Tendo em conta a revisão da literatura efectuada levantamos três hipóte- ses.

Hipótese 1: Espera-se encontrar um nível de adaptação psicológica e so- ciocultural satisfatório nos jovens oriundos de famílias imigrantes indianas a residir em Portugal.

Hipótese 2: Espera-se que os rapazes de origem indiana manifestem mais problemas comportamentais que as raparigas.

Hipótese 3: Em comparação com os jovens nacionais espera-se encontrar um nível de adaptação psicológica e sociocultural nos jovens de origem india- na semelhante.

Método