Définition des indicateurs de pressions
2. Elément de qualité : Invertébrés benthiques de substrats meubles
2.3. Proposition d’indicateurs de pression
2.4.1. Indicateur : Apports en matières organiques Définition des classes et attribution des notes
Este trabalho se baseou na avaliação do comportamento hidromecânico de um subleito ferroviário, exposto às diferentes condições climáticas do local onde o mesmo foi utilizado, objetivando-se um melhor entendimento sobre a interação via-clima. Com relação ao comportamento hidráulico, foi desenvolvido um modelo numérico de infiltração utilizando-se o software SEEP/W, com o intuito de se simular um trecho experimental de uma via permanente, o qual foi devidamente instrumentado com sensores no subleito para o monitoramento dos dados de sucção. Para a caracterização mecânica, foram realizados ensaios de módulo de resiliência com o material de campo em diferentes condições de saturação, simulando situações reais de campo.
Com relação ao modelo numérico, observou-se que a infiltração de água proveniente de eventos chuvosos, atuante diretamente no subleito em condição não saturada, depende da taxa de precipitação do local onde a via foi construída, do coeficiente de permeabilidade, da função de condutividade hidráulica e da curva característica. A frente de umidade, ocorrente no perfil da via em decorrência da infiltração de água, tende a manter, nas proximidades do topo de subleito, com maiores valores de grau de saturação, o qual decresce em função da profundidade. Além disso, o perfil de umidade tende a entrar em equilíbrio com o clima ao longo das estações do ano. A média de umidade do subleito tende a variar em maior quantidade, nas adjacências da via ou zona desprotegida, onde está mais exposta às ações climáticas. Os resultados enfatizaram a importância não somente da precipitação, mas também do fenômeno de evaporação, mesmo possuindo baixos valores ao longo do ano. Por fim, o nível freático demonstrou importância quanto aos valores de sucção e umidade do subleito ferroviário, podendo provocar problemas estruturais, caso não existam sistemas de drenagem superficial, subsuperficial e profundo adequados.
O inverno (estação seca) foi analisado, considerando-se a influência de eventos chuvosos, mesmo não sendo predominantes nesse período. Concluiu-se que após um intenso período de secagem, o qual elevou a sucção do solo ao seu maior nível ao longo do ano, chuvas repentinas (intensas e/ou duradouras) podem ocorrer e
alterar bruscamente a condição de saturação do subleito, principalmente quando o solo utilizado é muito sensível às variações climáticas, como o desta pesquisa. Além disso, verificou-se que os pontos localizados abaixo da via, tendem a se manter com valores elevados de sucção, quando comparados aos pontos mais expostos (fora da via), mostrando a importância do sublastro como camada protetora. Apesar disso, o sublastro granular não demonstrou ser eficiente a longo prazo, permitindo um elevado índice de infiltração de água no subleito em eventos de chuva, quando o mesmo atinge a sua saturação. Por fim, observou-se que uma camada protetora sobre o subleito também torna-se prejudicial ao mesmo, pois ao impedir a água retida de evaporar-se durante os períodos de estiagem, também mantêm elevado o seu grau de saturação e baixo o valor de sucção, podendo provocar deformações permanentes, perda de geometria e, consequentemente, aumentar os custos com manutenções.
O verão (estação úmida) também foi abordado, a fim de se analisar o comportamento hidráulico da via no período de chuvas mais intensas. Observou-se que, após a condição inicial do subleito (umidade ótima), o seu grau de saturação começa a se elevar até alcançar elevados níveis de saturação (baixos valores de sucção). Assim como durante o inverno, tal redução é mais perceptível nos pontos do subleito localizados nas adjacências da via, em decorrência da ausência das camadas de proteção. Ressalta-se que, apesar da existência de um sublastro granular, o solo de subleito sob a via alcança níveis de umidade bastante elevados. Cardoso et al. (2012) relata que tal incremento de umidade é responsável pelo acúmulo de deformação permanente ao longo do ano. Desse modo, sugere-se uma camada menos porosa e mais extensa (transversalmente), a fim de que, o solo aplicado seja resiliente aos eventos climáticos. Por fim, é importante destacar-se que a umidade ótima do solo de subleito compactado durante o verão é reduzida bruscamente em um curto espaço tempo, diferentemente do inverno, o qual mantém umidades próximas à sua condição ótima por mais tempo.
O modelo desenvolvido demonstrou ser uma ferramenta confiável para se simular infiltração não saturada em um perfil de via permanente ferroviária em função das características geotécnicas e climáticas. Foi possível, analisarem-se os perfis de sucção e umidade na estrutura da via férrea, assim como o balanço hídrico na sua
superfície, em cada estação do ano, com base em dados climáticos locais, podendo ser importante a sua consideração, no processo de seleção de materiais e na previsão de seu comportamento hidráulico, antes da sua aplicação em campo.
Referente ao monitoramento de campo, verificou-se que os pontos localizados nas adjacências da via, apresentaram maiores variações de sucção, assim como evidenciou o modelo numérico, devido a maior exposição ao clima. Picos de sucção foram observados no inverno, assim como apresentado pelo modelo, mostrando o possível efeito positivo do período de estiagem, no comportamento hidromecânico do subleito. Além disso, observou-se que é imprescindível uma inclinação e execução adequadas do subleito da via (terraplenagem), dificultando possíveis acúmulos de água sob o mesmo e facilitando a sua drenagem. O sublastro granular apresentou-se saturado nas três últimas medições, enquanto que o subleito, se mostrou não saturado no mesmo ponto de análise. Isso mostra o potencial de retenção e drenagem da camada de sublastro, caso a mesma possua inclinação e execução adequadas. A partir do material de subleito coletado para caracterização física e hidráulica em laboratório, foi possível calibrarem-se as três últimas leituras de sucção de campo com a curva característica do solo de laboratório, obtida através do mesmo tipo de sensor utilizado em ambos.
Diante dos dados de sucção e umidade obtidos através do modelo numérico e do monitoramento de campo, foram realizados ensaios de caracterização mecânica do material de subleito estudado. Os ensaios de módulo de resiliência mostraram que, é determinante analisarem-se as possíveis condições de saturação (secagem e umedecimento) de campo provocadas pelo clima, antes de se analisar o solo em laboratório e de selecioná-lo no processo de dimensionamento e/ou planejamento de manutenções, com base na sua umidade ótima. Analisar o material sempre em sua condição ótima, mascara a verdadeira condição na qual o material pode ser submetido. Desse modo, verificou-se que o material de solo utilizado como subleito nessa via, possui elevada deformabilidade (baixos valores de sucção) nas suas condições reais de campo, pois o seu tipo e o clima local, não permitem que o mesmo, saia de uma condição de elevado grau de saturação (comportamento mecânico precário), para condições mais secas (comportamento mecânico tolerável).