13.14 « Répondre à ce sujet» ou « Répondre »
Chapitre 37 Annexes
37.3 Index des illustrations Index des illustrations
( 1 9 3 9 )
Talvez o fi lme mais famoso de toda a história do cinema, e ganhador de nove Oscars. Coisa difícil de entender num fi lme sem happy end, uma história de amor no meio da sangrenta Guerra Civil Americana que termina com o galã dizendo para a mocinha: “Dane-se!”. Talvez seu sucesso venha disso mesmo, poucos fi lmes exploraram tão a fundo as diferenças das personalidades de duas pessoas que se amam, no caso Rhett Butler (Clark Gable) e Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). Após levar o fora de seu amado, Scarlett senta-se na escadaria de sua destruída mansão, e chorosa diz a frase fi nal: “Amanhã é outro dia”. O roteiro de Sidney Howard explora muito bem os confl itos da novela de Margareth Mitchell. Os três bons diretores que passaram pelo fi lme, Victor Fleming, George Cukor, Sam Wood deixaram suas marcas. A direção de arte de William Cameron Menzies jogando com o contraste de luz e cor entre os interiores e os exteriores bem explorados pela fotografi a em technicolor dá o clima das cenas e cria algumas das mais belas imagens do cinema. A tomada em grua partindo do close de Scarlett até mostrá-la, do alto, entre centenas de soldados feridos é comovente e inesquecível. Apesar disso, Chaplin dizia: “Com apenas alguns closes de poucos corpos, Griffi th conseguiu o mesmo efeito em O nascimento de uma nação”.
E O VENTO levou (Gone with the wind). [Filme] Direção ofi cial de Victor Fleming. Roteiro de Sidney Howard. Fotografi a de Ernest Haller, Ray Rennahan. Direção de arte de William Cameron Menzies dirigiu partes com King Vidor. Música de Max Steiner. Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Hattie McDaniel. USA, 1939 (222 min), color., son. Disponível em vídeo.
13 XAVIER, Valêncio. E o vento levou – 1939. Gazeta do Povo. Curitiba, 24 ago. 1995.
1 0 0
a n o s e m
100
filmes
47
Livros do bom cinema
14Dois importantes livros de cinema saídos recentemente. O crítico, roteirista, montador e também romancista, Inácio Araújo publica Cinema – o mundo em movimento, na coleção História em aberto, da Scipione. O escritor paraguaio. Augusto Roa Bastos publica Mis refl exiones sobre el guión cinematográfi co y el guión de Hijo de hombre, publicado pela Cine- mateca do Paraguai. Para os não familiarizados com termos técnicos em espanhol, guión é roteiro.
Com conhecimento profundo do assunto, Inácio Araújo dá uma visão didática da história e técnica do cinema, aberta tanto para os leigos quanto para os estudiosos ou profi ssionais. Faz isso graças a seu estilo acessível, e seu conhecimento do fazer cinematográfi co: roteirizou, dirigiu e montou alguns curtas, foi montador de Curitiba, uma experiência de planejamento urbano, de Sylvio Back. Passa seus conhecimentos de maneira que qualquer pessoa possa entender, seja leigo ou não; a parte sobre roteiro, direção e fotografi a é exemplar. Raras vezes vemos alguém explicar assuntos tão complexos de maneira tão incisiva, e tão simples.
Acreditamos que alguns erros no livro sejam devidos mais à editoração do que a Inácio Araújo: a foto creditada a O grande roubo do trem, de Edwin S. Porter, é de outro fi lme. Na legenda da foto de Belezas em revista, o ano de produção desse musical clássico de Busby Berkeley está marcado como 1923, ano que o cinema ainda não aprendera a falar.
Na parte onde Inácio Araújo classifi ca os gêneros cinematográfi cos há uma defi nição de documentário, no mínimo discutível: “cinema de
14 XAVIER, Valêncio. Livros do bom cinema. Gazeta do Povo. Curitiba, 28 ago. 1995.
não fi cção, que capta aspectos da realidade. Desde o aparecimento da televisão, um gênero superado”. Eu citaria pelo menos dois documentários marcantes da história do cinema realizados recentemente: Conterrâneos velhos de guerra, de Vladimir Carvalho e Lições da escuridão, de Werner Herzog. Nem por isso deixe de ler Cinema, o mundo em movimento, de Inácio Araújo, ele sabe o que faz.
Augusto Roa Bastos, “Don Augusto”, é um dos maiores escritores contemporâneos.
Durante seu exílio na Argentina foi professor de roteiro na escola de cinema da Universidad Nacional de La Plata. Um de seus alunos, Alfredo Oroz radicou-se no Brasil, e entre outros, fez os premiados roteiros de A hora da estrela e O corpo.
Roa Bastos roteirizou vários fi lmes dos “anos dourados” da indústria cinematográfi ca argentina. Ente eles o clássico Hijo de hombre que, para distribuição fora da Argentina, levou o título de Choferes del Chaco, e foi premiado em vários festivais. Dirigido por um dos grandes diretores do cinema argentino, Lucas Demare, Choferes del Chaco mostra a odisseia de um comboio de caminhões-tanques na sua vã tentativa de levar água para os soldados paraguaios na Guerra do Chaco.
Pela sua construção dramática e icônica, Choferes del Chaco, é um dos maiores fi lmes de guerra de todos os tempos, digno de fi gurar ao lado de um Apocalypse now. Daí a importância desta edição com o roteiro do fi lme, e as refl exões de Roa Bastos sobre o papel do roteirista. O livro reproduz ainda o texto de uma palestra que a pesquisadora Silvia Oroz fez em Curitiba quando da exibição de Choferes del Chaco, no projeto Cineamericanidad.
A edição do livro de Roa Bastos se deve à Cinemateca Paraguaia por iniciativa de Hugo Gamarra, seu diretor. Os interessados podem escrever à Fundacion Cinemateca Y Archivo Visual del Paraguay e solicitar o livro. O endereço é Cinemateca del Paraguay, Eduardo V. Haedo 341, edifício Juan de Salazar, 6o piso, Asunción – Paraguay.
Há um grave senão no livro, na fi lmografi a de Augusto Roa Bastos não consta a data de realização dos fi lmes. Erro desculpável pelo brilho desta iniciativa pioneira da Cinemateca Paraguaia.
1 0 0
a n o s e m
100
filmes
Intolerância
15( 1 9 1 6 )
Em Intolerância, Griffi th conta paralela e simultaneamente quatro histórias: a crucifi cação de Cristo, a queda da Babilônia vista pelo amor de uma camponesa pelo rei Baltazar, o massacre dos huguenotes com a tentativa frustrada de um católico salvar sua noiva protestante e, na época moderna, a luta da esposa para salvar da forca seu marido falsamente acusado de ter matado um policial durante uma greve. A complexa montagem alternada de quatro histórias fl uindo primeiro lenta, depois rapidamente – com pausas criadoras de suspense – ao desenlace fi nal mostra o completo domínio da narrativa cinematográfi ca por Griffi th: corte de primeiros planos para planos gerais, cortes antes da ação terminar, movimentos de câmera dinamizando a ação, a ação de uma história interagindo nas outras – quando a história moderna aproxima-se do fi nal as outras já terminaram tragicamente, aumentando o suspense: a esposa salvará o marido? Nunca antes um fi lme ousara tanto, e Intolerância infl uenciará todo o desenvolvimento posterior da narrativa cinematográfi ca, e dará as coordenadas para o surgimento da montagem do cinema soviético. Acostumado com narrativas curtas com começo, meio e fi m no mesmo espaço-tempo, o público da época não entendeu as três horas de inventividade do fi lme, e Intolerância foi um fracasso de bilheteria.
INTOLERÂNCIA (Intolerance). [Filme] Direção e roteiro de David Wark Griffi th. Fotografi a de Billy Bitzer, Karl Brown. Montagem de James Smith, David Wark Griffi th. Elenco: Mae Marsh, Robert Harron, Howard Gaye, Constance Talmadge, Lilian Gish (a mulher que embala o berço). USA, 1916. Versão inicial oito horas, versão comercial 205 min P&B, mudo. Disponível em vídeo.
51