3. Corrections to RFC 4960
3.22. Increase of partial_bytes_acked in Congestion Avoidance . 32
Considerando que foi identificada a moderação da confiança para percepção de eventos de risco cujo controle não era obrigatório, infere-se que a lógica prevista na literatura se confirma (LEWIS; WEIGERT, 1985; DAS; TENG, 1998; CHILES; MCMAKIN, 1996; BROMILEY; HARRIS, 2006; JU et al., 2011; PERNOT; ROODHOOFT, 2014; CAPPALDO; GIANNOCARO, 2015).
Tendo em vista que a confiança também foi identificada como antecedente da percepção de risco, pode-se sugerir que na percepção dos indivíduos estudados a confiança possa ser vista pelos respondentes como uma redutora do comportamento oportunista. Considerando a confiança percebida como redutora do risco e do comportamento oportunista, reforçam-se dois aspectos postulados pela Teoria dos Custos de Transação (WILLIAMSON, 1985; HOBBS, 1996). Contudo, faz-se relevante destacar que, embora haja embasamento teórico para este raciocínio, a condição de oportunismo não foi diretamente testada.
Destaca-se, ainda que a confiança mostrou-se notadamente com maior poder antecedente que moderador, uma constatação relevante e que deve ser investigada futuramente.
Entretanto, se considerados os dados históricos do nível de risco (NR), é admissível sugerir outro aspecto desta relação: a possibilidade de que a confiança não tenha o impacto redutor do risco como a percepção dos indivíduos sugere. Análises post hoc foram realizadas considerando a confiança como antecedente do nível de risco e indicaram que há uma relação significativa e positiva entre confiança e nível de risco (ao invés do teoricamente postulado: mais confiança, menor risco), o que serve como um indicador relevante e que deve ser considerado para futuras pesquisas. Nesta lógica, a confiança não teria sido historicamente eficaz na redução do oportunismo nestes cenários. Avaliando os resultados anteriormente discutidos, em que a confiança reduz a percepção de risco, uma possível interpretação é que a percepção do risco, distorcida pela confiança - como sugerido por Renn e Rohrmann (2000) e Kjærnes (2006) - gere a adoção de práticas ineficazes para a mitigação dos riscos, causando um resultado final que aumenta o risco. Assim, a confiança teria efeito negativo, aumentando os riscos da transação, como sugerido por trabalhos anteriores (ZAHEER; MCEVILY; PERRONE, 1998; ANDERSON; JAPP, 2005; TONOYAN, 2005; GARGIULO; ERTUG, 2006; MOLINA-MORALES; MARTÍNEZ-FERNÁNDEZ; TORLO, 2011; VILLENA; REVILLA; CHOI, 2011; SKINNER; DIETZ; WEIBEL, 2014; SÖDERBERG; SALLIS; ERIKSSON, 2014). Entretanto, esta perspectiva carece de estudos futuros para que possa ser
melhor entendida, a partir do aprofundamento das decisões e práticas do produtor, bem como coletas em diferentes momentos para estabelecer comparação, dados estes que não estão disponíveis nesta pesquisa.
Ainda sobre a confiança, a possível - ainda que não diretamente testada - influência do controle governamental como seu substituto reforça os estudos anteriores que discutem o tema ainda que tangencialmente (ANANIA; NISTICÒ, 2004; VAN KLEEF et al., 2007; SPINK; MOYER, 2011; ZHANG; LIN; LIU, 2016; ARUOMA, 2016; SEBATA; NEELIAH; AUMJAUD, 2016), também enriquecendo a discussão, embora tenha-se - assim como nos estudos referidos - apenas levantado menções iniciais a respeito, que carecem de estudos posteriores para melhor entendimento.
No que se refere à teoria contingencial, os resultados sugerem que um contingente externo - a legislação e as práticas normativas a ela relacionadas - possam justificar práticas de controle interno à cadeia. Conforme Donaldson (2001), os contingentes externos são superiores aos internos e a estrutura organizacional deve se adaptar a eles. No fenômeno estudado, é pertinente dizer que há indícios de que os limitadores legais poderiam alterar a dinâmica de controle de segurança do leite na cadeia de suprimentos, fazendo com que o mesmo não seja nivelado pela confiança ou processo decisório, como previsto na literatura (DAS; TENG, 1998) mas por um aspecto externo e não controlável pelas organizações pertencentes à cadeia.
Há ainda outras contribuições fundamentadas, as quais foram inicialmente discutidas na introdução desta pesquisa. Primeiramente, retoma-se Ho et al. (2015) quanto à carência de estudos que estabeleçam o foco no monitoramento e como o mesmo contribui para a gestão dos riscos. Nesta pesquisa, não só discutiu-se o controle formal, como foi mencionada sua relação com os fatores legais externos à cadeia. No mesmo sentido, comprovou-se o impacto do controle formal na percepção de risco, contribuindo, mesmo que de forma muito restrita, para o entendimento do impacto do controle na gestão de riscos.
Contribui-se também para os estudos que relacionam confiança e controle na cadeia de suprimentos (LAVASTRE; GUNASEKARAN; SPALANZANI, 2014; CROSNO; DAHLSTROM; MANOLIS, 2015), bem como para a lacuna de estudos relacionados à confiança e sua relação com o risco em cadeias de suprimentos (LAEEQUDDIN et al., 2010).
Em paralelo, contribuiu-se com Sodhi e Tang (2012), Heckmann, Comes e Nickel (2015) e Piotrowicz e Cuthbertson (2015) através da condução de um estudo acerca da gestão de riscos em cadeias de suprimentos em um contexto específico: um país em
desenvolvimento, um ambiente com alta incidência de riscos e controles governamentais parciais.
A análise de contexto realizada neste estudo converge para a contribuição ao trabalho de Chang, Ellinger e Blackhurst (2015) - que menciona a demanda por os estudos de cadeias de suprimentos que abordem fatores específicos de ambiente - e com a necessidade de estudar as especificidades da percepção de risco (RENN; ROHRMANN, 2000; KJÆRNES, 2006).
No mesmo sentido, contribuiu-se ainda com o trabalho de Viklund (2003), que propôs a ampliação de estudos com modelos que explorassem a relação da confiança como preditora da percepção de risco a partir de diferentes contextos e recortes culturais. É possível, contudo, que na mesma cadeia produtiva, os resultados pudessem ser diferentes se considerados os demais elos, espaço que se abre para estudos futuros.
No que se refere aos estudos de gestão de riscos de segurança de alimentos em cadeias de suprimentos, como discutido na introdução, o volume de trabalhos é ainda bastante restrito, de forma que estudos como este podem dar suporte real à prática e assim contribuir para a redução dos graves riscos de segurança de alimentos (ROTH et al., 2008; AKKERMAN; FARAHANI; GRUNOW, 2010; MARUCHECK et al., 2011; VLAJIC; VAN DER VORST; HAIJEMA, 2012; HO et al., 2015; SEPTIANI et al., 2016; AL-BUSAIDI; JUKES; BOSE, 2017). A percepção de riscos, que, como visto, ainda é foco de um volume restrito de trabalhos, analisada sob a perspectiva da segurança de alimentos com um olhar interno à cadeia (oposto à discussão predominante de percepção de risco do consumidor) como realizado neste trabalho visou trazer subsídios para o entendimento dos comportamentos dos produtores nas condições que antecedem e sucedem os eventos de risco e, por sua vez, contribuir para a reflexão acerca das ações de mitigação.
A partir de um modelo quantitativo originalmente proposto, apresenta-se uma nova abordagem para a compreensão das relações na cadeia de suprimentos, compreendendo eventos específicos de risco de segurança de alimentos. Embora não seja possível atestar plenamente que esta abordagem de fato ainda não foi trabalhada, o levantamento nas bases de dados conforme descrito no Capítulo 1 não evidenciou pesquisas semelhantes, ao mesmo tempo que apontou volumes restritos de publicações sobre os temas próximos. Entende-se, desta forma, que se está contribuindo com um modelo novo que pode servir de base para análises e decisões posteriores no que se refere à gestão dos riscos de segurança de alimentos, alinhado ao recomendado por Akkerman, Farahani e Grunow (2010) e Septiani et al. (2016).
Finalmente, contribui-se com o entendimento do tema no contexto brasileiro, que apresenta hoje volume restrito de publicações e demanda mais pesquisas que possam dar
suporte a decisões e proposições práticas pertinentes ao contexto local (BLOS et al., 2009; FUNO et al., 2011; CARRER; SOUZA FILHO; VINHOLIS, 2014; GEHANI, 2014; KLEIN et al., 2014; BATISTA; KORZENOWSKI; SCAVARDA, 2015; CERYNO; SCAVARDA; KLINGEBIEL, 2015; CONNELLY; LAMBERT; THEKDI, 2015; PIOTROWICZ; CUTHBERTSON, 2015).