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Inclusive social development

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CHAPTER VI SAFEGUARDING INTANGIBLE CULTURAL HERITAGE AND SUSTAINABLE DEVELOPMENT AT THE NATIONAL LEVEL

VI.1 Inclusive social development

Entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2017, o meu contato com a escritora Maria Valéria Rezende se deu quase que diariamente via Messenger, o canal de conversas do Facebook. Neste subtítulo, tem-se formatada a edição das perguntas que remeti à escritora. Enviei o questionário, ela foi respondendo perguntas, me passando várias linhas já escritas sobre seu fazer literário em e-mails enviados para a imprensa ou amigos, bem como sugerindo links de textos publicados sobre sua poética.Nas respostas que enviou, esclarece “querelas” que se repetem sobre ela como vírus ao longo dos anos e acabam sendo tomadas como verdades, mas não são. A primeira delas diz respeito à sua formação em língua francesa, relacionada a um exílio, que nunca aconteceu.

Um erro dezenas de vezes repetido é que fui exilada e então fiz o curso superior de Língua e Literatura francesa na Universidade de Nancy, na França. É verdade que tenho esse diploma, mas eu obtive sem sair de Santos: fazia-se o exame escrito na Aliança Francesa, e se houvesse estudantes aprovados, vinham os professores de lá para fazer os exames orais (não sei se ainda é assim). Passei em ambos, com 16 ou 17 anos e obtive o diploma. Com ele, restava a gente fazer as matérias de Didática geral, Didática Especial de Francês e Administração Escolar, numa faculdade brasileira, que a gente obtinha a licenciatura. Como logo em seguida fiz Pedagogia, nem fui até o fim do processo de licenciatura em Francês no Brasil.

Uma coisa que não me representa é dizer que fui "exilada"... saí várias vezes do país, e tive que ficar uns tempos fora, mas sempre construindo um modo de voltar e nunca me assumi como “exilada”. E "exilado" é aquele que se diz tal, mesmo que nem fosse preciso... Nunca me exilei. Outra coisa que aparece por aí é que morei em Angola, onde nunca botei os pés (é uma pena!). Creio que escrevi alguma coisa à mão, referindo-me à Argélia, onde de fato passei uns meses em 72, mas como minha letra é péssima, leram Angola e assim ficou e se repete como vírus... (rsrsrs) (REZENDE, 2017)

A falsa morada em Angola é encontrada em vários jornais de circulação nacional, às vezes encontram-se as duas informações errôneas atreladas: "Foi viver em lugares como Angola, Cuba, Timor e França, onde se formou em literatura francesa pela Universidade de Nancy e fez mestrado em sociologia - antes disso, já era pedagoga formada pela PUC”. (UOL SP, 2015).

Ela também procurou responder a uma pergunta muito recorrente: de onde saem os livros:

(…) de um imenso depósito que tem na cabeça, de peças de vários puzzles todas misturadas, que foram nos entrando pelos cinco sentidos através da vida, com todos os tipos de sensações que você tem, que vem de fora do mundo que vem de dentro de seu estômago, do rim, do enjoo que você sentiu, da tontura, de tudo que a gente já viu e já viveu. Eu tenho certeza: minha cabeça nasceu vazia. Tudo que tem lá dentro, entrou. Só que aquilo que você foi absorvendo do mundo e no mundo eu me incluo a mim mesma... (REZENDE, 2017)

Perguntei se em suas andanças por sua vocação como freira e ao trabalhar com educação de adultos, chegou a conhecer algum 'Rosálio' de fato, ou alguém que a inspirasse para criar este personagem. Se para a Irene, houve alguma inspiração direta? A isso, ela respondeu:

Todos os meus personagens são criados a partir de uma espécie de síntese de gente que vi, ouvi, toquei, pelo mundo afora, e especialmente com quem convivi numa troca educativa, para mim e para eles. É assim que se criaram meu Rosálio, minha Irene e os demais... Muita gente se espanta e até se escandaliza de que escreva sobre prostitutas... quase todos os meus livros têm alguma prostituta. Não se lembram de que, até a pouco tempo atrás, principalmente no caso das protitutas muito pobres que se encontram nas pontas de rua de qualquer cidade do país, as únicas mulheres que costumavam entrar nos bordéis, não sendo prostitutas nem cafetinas, éramos nós, as freiras, para tentar dar a mão a elas, pobres e oprimidas, necessitadas de todo tipo de ajuda, como qualquer outra pessoa a quem nos propomos a servir. Então, minha Irene também é uma síntese e um resgate de muitas delas que conheci e conheço. (REZENDE, 2017)

Aquilo que lia nos romances ia se confirmando: alguns de seus personagens vivem em lugares pelos quais a autora mesma esteve. Perguntei por escrito também como ela se situa no mundo como pessoa e como escritora?

Eu não sou um Eu centro do mundo, eu sou um pedaço do mundo, que é afetado o tempo todo também pelo mundo. Eu não sou uma pessoa de jeito nenhum introspectiva. Eu jamais poderia fazer auto-ficção assim como muita gente diz que faz, que fica escarafunchando os seus sentimentos mais profundos e não sei o quê. Isso eu jamais seria capaz de fazer: ficar me examinando, sendo um psicanalista de mim própria. Eu não sou desse jeito, não sei fazer isso. Não digo que é bom, nem que é ruim. Então, pra mim, escrever uma história, um conto, um romance mais ainda… vamos dizer que, ao invés de ser um puzzle de quinhentas peças, um romance é um puzzle de muitas mil. É ficar catando aqueles pedaços de quebra- cabeça e tentar montar alguma coisa, porque eu sei que eles são ou podem vir a ser parte de uma imagem que faz uma certa unidade e um sentido. (REZENDE, 2017)

Encarando a vida com todo esse bom humor e participando ativamente do fomento à leitura e cultura com outros escritores paraibanos, uma de suas empreitadas mais recentes é 11

o encontro “Mulherio das Letras 2017” , que está para acontecer de 12 a 15 de outubro de 12

2017 em João Pessoa, na Paraíba. A página do grupo fechado foi criada em meados de março e somou quase 3.000 participantes em um mês. No encontro se sonha juntar centenas de mulheres das letras (autoras, pesquisadoras, editoras, tradutoras, agentes, professoras, jornalistas, livreiras…). Sobre "Uma primeira proposta para o Mulherio das Letras”, Maria Valéria Rezende postou:

Queridas manas das letras,

Há alguns meses que, em conversas entrelaçadas em becos, bares e calçadas, em pracinhas físicas ou virtuais, começou a surgir entre muitas de nós a ideia de juntar todo o Mulherio das Letras para ampliar e intensificar nossas conversas, discutirmos entre nós as questões que nos interessam, sem curador que nos imponha tema, sem “mesa” com estrelas e cachê, sem monopólio de microfone, e onde nós não sejamos a costumeira “cota”, mas sejamos a maioria absoluta, decidamos e levemos adiante coletivamente o que bem entendermos. A idéia não é a de fazer mais um “evento literário”, nem “festa”, nem “feira”, nem “festival” como os que se multiplicam pelo país há alguns anos, e passam a repetir-se em anos sucessivos. A idéia é mesmo de um grande encontro, e veremos o que sai dele.

Estamos propondo a cidade de João Pessoa, o extremo oriental do país, onde o sol nasce primeiro, para sediar esse encontro. (REZENDE, 2017)

Tive a satisfação de ser adicionada ao grupo fechado de Facebook “Mulherio das Letras 2017" pela escritora

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Maria Valéria Rezende no começo de abril de 2017 e assim pude adicionar mulheres da nossa universidade também.

Maria Valéria Rezende, em 14 de abril de 2017, às 12h03, compartilhou no grupo fechado do Facebook o link

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do vídeo de divulgação do Mulherio das Letras 2017, com este status: "Artes da Ivone Benedetti!!! Veja até o fim... anúncio especial!!!" Para assistir em https://youtu.be/w5zU8Q3XwCk (YOUTUBE, Contrastes, 2017)

Tudo isto demonstra que a autora Maria Valéria Rezende tem uma personalidade ativa na construção cultural planetária e que o faz por dedicação primordial à cultura do país, às manifestações do diverso (literatura afro e feita por mulheres maduras) e toda tessitura da dita literatura minorizante.

No grupo do Mulherio já saíram algumas tiradas do cotidiano de escritora: "Gente, vou ter de desligar por três dias esta "tentação do diabo", que é esta pracinha... estou com muito trabalho atrasado... mas boto tudo em dia e volto! O Mulherio está andando e rápido!” (REZENDE, 11 abril 2017, às 17h33).

A mulher Maria Valéria Rezende dá força e exemplo às demais para que participem e sejam cada vez mais ativas. Há uma legião a acompanhando de muito boa vontade. Gente que vem a conhecendo por meio da vida, mas também da literatura.

Com a pesquisa, de uma semana para outra novas informações emergiam e com elas, algumas dúvidas que deixavam pontos soltos. Percebi que haveria uma colaboração se pudéssemos diretamente conversar, foi quando combinamos o telefonema no domingo 5 de fevereiro de 2017. Um momento muito agradável dotado de uma conversa extensa e reveladora na qual pude clarear mais dados sobre a autora. Esta entrevista pode ser lida no Apêndice.

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