A- Radiographie du thorax 1 Indications
3- Incidence latérale gauche
Aluno 6: - Eu acho que tá mudando, acho que a gente tá tendo um pouco
mais de responsabilidade, mais interesse em aprender, porque o
conhecimento é bom pra nós, então a gente tem que se interessar um pouco mais pra aprender, não só aqui mas também em casa buscar mais do que o professor ensina na sala de aula isso eles falam todo dia, eles falam pra gente estudar mais, se interessar mais que é sempre bom.
Pesquisador: - Você acha que isso é geral? Não é só sua opinião? Mais
alunos estão mais comprometidos depois do projeto do que antes?
Aluno 6: - Com certeza, eu estou, a maioria tá, quem foi acho que tá mais
comprometido sim.
Pesquisador: - E os alunos que não foram às visitas?
Aluno 6: - Olha! Mas os professores falam bastante, eles falam pra gente
estudar fazer lição; acho que os que não foram também, acho que estão melhor.
Essas falas nos dão evidências de que está melhorando a participação na proposta de educação que a escola traz e que a esperança na educação e na formação também está presente nesses alunos, que sentem o envolvimento da maioria dos demais alunos. Cabe à escola não perder esse interesse para continuar envolvendo-os no processo contínuo de sua educação.
Tanto o sonho, quanto a esperança na educação evidentes nos relatos acima nos remetem para a constatação de que a relação com o conhecimento escolar formal mudou ao longo desse ano não se trata aqui de um discurso do sujeito coletivo, mas da opinião de alguns alunos das duas escolas, o sentimento de que essas mudanças estão ocorrendo em muitos dos entrevistados nos deixam a expectativa de verificar essas mudanças nas representações sociais. Os professores
também nos falam disso, como no depoimento da professora Rosileide de língua portuguesa:
Pesquisador: Como que você olha o comportamento deles, o
comportamento mudou, assim o respeito à atitude de fazer as lições?
Professora: Sim, mudaram com certeza, não todos por que a gente não
consegue atingir cem por cento mesmo, mas uma grande parte, sim... Eles têm mais interesse, eles querem aprender...
Pesquisador: Tem algum aluno que se destaca pela forma como mudou de
comportamento?
Professora: Olha o Raniel da 8ªB, ele era bastante tímido, era bem... Bem
reservadinho e depois que teve esse contato com o professor de ir lá de fazer a gincana, ele nossa! Ele desabrochou, melhorou assim oralmente.
Pesquisador: Ele já era bom aluno?
Professora: Já era eu encaro como melhor ainda, na verdade todos os que
foram dentro da sua medida eles deram uma crescida, todos...
Ela narra o aumento do interesse de seus alunos em aprender, e fala do aluno Raniel que está menos tímido ao longo do último ano, evidentemente se temos uma mudança coletiva é devido à mudanças individuais, e é muito interessante que as ações ocorridas durante este ano colaboraram para o amadurecimento desses alunos.
A perspectiva de pensar a educação para alunos dessas camadas da população que possuem um histórico de exclusão ou que estão a mercê de um cenário excludente, limitando seu potencial como alunos e como futuros cidadãos e a oportunidade de acompanhá-los nessa jornada de imersão nos espaços de cultura e de ciência na Universidade nos fez pensar, o quanto a educação promovida através da parceria Escola-Universidade poderia promover a mudança na vida desses meninos e meninas e na sua comunidade.
Com isso, ao longo de nossa pesquisa nos interessamos especialmente por algumas iniciativas de estudos da educação, de pessoas que estariam excluídas da cultura e dos centros de produção cientifica, por exemplo, Barton, 1998 o trabalho preocupa-se com o ensino de ciências para crianças sem teto e em, Barton&Yang,
2000 no estudo de caso do morador de rua Miguel em ambos os trabalhos ocupa-se das representações de ciência dessas pessoas.
Em especial os trabalhos: De Wilder, (2009) que trata de uma proposta educativa para musealização dos espaços escolares, elaborada com eixo na história da arte que enfatiza a autoestima, a percepção do mundo natural e cultural e as varias linguagens artísticas, através de uma ação cultural realizada com alunos de escola municipal de São Paulo, para alunos com vistas em formar seus professores. E de Falcão (2008) por trabalhar com estudantes de ensino público, por sua preocupação social e de educação em especial a preocupação com o ensino de ciências.
Pode parecer utopia, que desejemos que os jovens e crianças das escolas participantes do projeto Vivendo a USP modifiquem-se para se tornarem alunos melhores, mas é sem dúvida de utopia que se alimenta a verdadeira educação, não aquela que está fora do alcance, mas sim aquela que se constrói na história partilhada por homens e mulheres fértil de vida e de futuro.
“Nunca falo da utopia como uma impossibilidade que, às vezes, pode dar certo. Menos ainda, jamais falo da utopia como refugio dos que não atuam ou [como] inalcançável pronúncia de quem apenas devaneia. Falo de utopia, pelo contrário, como necessidade fundamental do ser humano. Faz parte de sua natureza, histórica e socialmente constituindo-se, que homens e mulheres não prescindam, em condições normais, do sonho e da utopia.” (Freire, 2001, p85)
A professora Gabriela de história nos traz um relato de como seus alunos estão tomando parte de seu projeto de ensino:
Pesquisador: Pensando nessa ação do projeto USP se comparar o ano
passado com esse ano você percebe alguma diferença?
Professora: Eu percebo que eles estão mais unidos, porque antes era uma
coisa muito separada, por série as quintas, as sextas, as sétimas e as oitavas, Hoje em dia não, eles estão mais unidos mais misturados. Tenho um grupinho de um projeto aqui de manhã, eu tenho alunos de sextas, sétimas e oitavas, e
eles se relacionam muito bem e sabe quando saímos se relacionam bem não tem aquilo de um excluir o outro, por que ele é da oitava, sinto um certo respeito.
Pesquisador: E por que você acha que isso tá ocorrendo? Professora: É a convivência mesmo.
Pesquisador: E você acha que eles estão gostando mais da escola? Professora: Ah! Sim, com certeza, porque você tem que mandá-los sair,
sabe, acabou. O meu projeto o horário de início é dez e meia e nove horas já tem alunos aqui na escola, esperando e termina meio dia. E eles ficam. Não professora, só mais um pouquinho. E se deixar eles ficam até uma e meia, sabe por que, por que é uma coisa divertida... aqui se tornou um espaço gostoso.
Os alunos se respeitando mais e melhor já é uma grande consequência, eles gostando da escola e das ações de educação que recebem no ambiente escolar são desdobramentos muito especiais de tudo que ocorreu neste ano. A Emef Jd. da Conquista atende alunos dessa região; que é carente de lazer, de cultura, de segurança, saúde, etc; assim sabemos que as consequências relatadas não são devidas apenas à participação da escola no projeto Novos Talentos, mas sim resultado do trabalho de educação que os professores realizaram ao longo do ano.
A nossa pesquisa acompanha possíveis mudanças nas representações sociais dos alunos nas escolas parceiras especialmente em sua relação com o conhecimento e, portanto, no seu comportamento como aluno. E embora saibamos que as mudanças profundas são difíceis, especialmente para alunos da periferia que em muito não têm esperança e não percebem futuro na educação, é justamente isso que condiciona sua atuação, cria o desinteresse, o descaso, o desamor.
Vemos que os dados de nossa pesquisa evidenciam algumas mudanças de postura dos alunos das escolas parceiras, da Universidade de São Paulo ao longo do ultimo ano, em que ocorreu o projeto Novos Talentos, por isso vemos um resgate da esperança e da confiança na escola.
A educação é sem duvida a chave da mudança para que os alunos resgatem- se como cidadãos, como sujeitos do processo que torna o ato de aprender-ensinar um ato curioso, um ato criativo interessado engajado no qual, alunos e professores se reconhecem e reconstroem o conhecimento, desvelando e revelando as verdades
e não às escondendo, esse é o verdadeiro sentido da educação progressista como defende Freire, 2001.
Nesse sentido é preciso ressaltar o papel fundamental das escolas parceiras da Universidade, pois os momentos de imersão nos espaços de cultura ocorrem durante algumas horas e as crianças e jovens, voltam para suas comunidades e para o espaço escolar que continua a educá-los. Foi notório que as crianças e jovens motivaram-se e muito com o conhecimento e com o ambiente na USP e que as ações do projeto Vivendo semearam sonhos, como podemos perceber nas respostas dos alunos em entrevistas ao pesquisador em julho de 2012, que os questionava sobre o projeto:
Pesquisador: - E você acha que esse projeto mudou alguma coisa aqui na
escola? Nos fazeres ou nos comportamentos?
Aluno11: - Pra mim mudou. Nesse ano a minha sala veio com uma visão
diferente, percebi isso desde o começo do ano, depois de julho o pessoal ficou meio balançado com o que viveu na USP, com o que viu e começou a pensar na sua profissão, no que ia fazer, no que queria seguir. Nesse ano quando a gente começou a estudar a sala já estava formada de um jeito diferente, ainda reclamam da gente, mas as pessoas estão se empenhando mais, tão buscando mais saber, muitas meninas, muitos meninos que decidiram fazer cursinho, mesmo estudando aqui, sabendo que aqui o pessoal tá puxando, tá forçando a gente. Também vi uma diferença no comportamento, muitos alunos que levavam tudo na brincadeira, empurravam com a barriga, tornaram-se pessoas sérias, tenho exemplos de pessoas que não tinham nada no caderno, não respondiam nenhuma pergunta, não faziam nada em sala, e que hoje o professor usa ele como exemplo, o professor busca saber o que ele colocou, eu mesmo peço ajuda pro aluno que antes eu nem conversava, nem dava bola, então mudou muito...
O aluno destaca que o projeto despertou o sonho de estudar na Universidade de São Paulo, destaco em sua fala: “deixei de falar eu posso conseguir um dia,
mudei pra, “eu posso conseguir agora”. Uma declaração de esperança, um sonho
que parece mais ao alcance da mão que antes. Uma qualidade do projeto que ele nos alerta é a ação dos monitores, alunos da USP que acompanharam os grupos de
alunos durante as visitas, contato que permitiu a eles conhecer um pouco da vivência de um aluno da universidade e, com isso, perceber que é possível a quem se dedique. Segue outro relato:
Pesquisador: Você vê alguma mudança que você atribui ao projeto da USP
na escola, seja nos fazeres dos alunos, nos comportamentos.
Aluno1 da ETEC: Ah! Eu acho que sim, por que eu acho que depois do
projeto a gente ficou com esse pensamento, de que a gente podia mesmo passar na USP, que era muito bom aquela escola, a gente viveu a experiência da USP, então acho que, por exemplo, a frequência deve ter aumentado, a gente fica pensando se eu faltar vai ser um dia a menos, vai ser uma matéria a menos que possivelmente vai cair no vestibular, então eu acho que a freqüência deve ter aumentado, por que eu mesmo senti o pessoal mais vivo, mais interessado nas aulas, o pessoal não esta faltando muito, um interesse geral, pelo menos na minha classe o interesse geral floresceu.
O aluno destaca a mudança de comportamento dos alunos, o aumento na frequência, o interesse nas aulas que floresceu, tudo por conta da possibilidade que vislumbram de ingressar na Universidade. É realmente fantástico que para alunos da periferia o projeto tenha propiciado sonhar com uma carreira universitária, com o ingresso na USP, mais ainda influenciasse os comportamentos em seus estudos na educação formal. É importante ressaltar que as entrevistas foram realizadas em julho de 2012, um ano após as visitas aos espaços de cultura da USP, o que nos leva a concluir que a mudança de comportamento na relação aos estudos foi significativa, a ponto de ele perceber.
Pesquisador: Você acha que esse projeto da USP mudou alguma coisa
nos alunos?