A. FEATURES OF POLICY RELATED TO MERCHANDISE TRADE
3. Import duties and other measures applying to imports
Fonte: Acervo da autora.
Coulon (2008. p. 111) afirma que, “[...] quando os estudantes estão implicados em outras atividades, além dos estudos propriamente ditos, essa é uma condição fundamental para que se sintam à vontade e determinados a seguir o ensino universitário”. Mas nem todos os atores envolvidos na formação dos graduandos reconhecem os diversos fatores e oportunidades formativas que podem e precisam ser vivenciados pelo jovem. Em depoimento, um dos participantes que enfrentava dificuldades em determinada matéria declarou que o professor atribuiu o baixo rendimento ao fato do estudante dar mais valor ao coral do que aos estudos e que a música não ia dar um diploma de licenciado.
O exposto nos revela a necessidade e importância da amplitude de visão dos formadores para o processo formativo dos jovens na graduação. Consideramos que posturas docentes como a acima explicitada precisam ser refletidas e podem ser colocadas de forma a gerar uma experiência, por exemplo, em prol do aprendizado da organização do tempo na vida do jovem acadêmico e não uma hierarquização dos conhecimentos e vivências proporcionadas ao longo da formação profissional.
Também aqui merece destaque as sociabilidades digitais que serão abarcadas quando das análises sobre a dimensão da linguagem.
Passaremos, agora, para uma análise, de embasamento sócio-histórico, da condição estudantil. Inicialmente, discutiremos, em largas passadas, sobre como os sujeitos (crianças e jovens) foram escolarizados, assumindo, assim, o ofício de aluno (Educação Básica) e estudante (Educação Superior). Na sequência, enfocaremos aspectos sobre os estudantes que participaram da pesquisa.
3.1.3 A condição estudantil: de criança/jovem a aluno/estudante – os sujeitos que foram escolarizados
Segundo Sacristán (2005), a infância e boa parte da juventude hoje têm um papel vinculado: a de serem escolares, segmentos do tempo da vida que correspondem ao tempo de ser aluno/estudante. Para compreendermos a categoria aluno, é necessário analisar a gênese desse papel social, e essa encontra-se a partir do ser criança. Ao tratar da sociologia da infância, Sirota (2001) afirma que a sociologia do ofício de aluno é, ao mesmo tempo, uma sociologia do trabalho escolar e da organização educativa. Segundo seus estudos, é preciso também entender como se constrói o ofício de criança e jovem, investigando as múltiplas situações nas quais esses atores se constituem como tais.
A partir das leituras sobre a categoria sociológica aluno, o que podemos verificar é um caminhar do ser menor (entendido aqui como os não adultos) para o ser aluno. Ao se inserir no espaço escolar, a criança e o jovem se transformam em aprendizes formais. É preciso, assim, um olhar com uma fundamentação histórico-sociológica, reveladora da construção social do aluno.
A singularidade de um conjunto de direitos reservado à criança possui marcos históricos. Um desses direitos, o da escolarização, mais tarde estendido aos jovens, remete-nos a refletir, suscintamente, sobre o foco deste tópico: como o sujeito criança (e depois jovem) se torna um sujeito aluno/estudante ou como o sujeito aluno/estudante emerge no bojo do sujeito criança/jovem?
Para tanto, compreendemos a infância e a juventude como um fenômeno histórico, sociocultural, sendo os estudos de Ariès, Levi e Schimitt referências representativas para as análises sobre infância e juventude, respectivamente.
Conforme Sacristán (2005), ao longo da história a posição dominante foi a de que o menor era o não adulto a ser guiado e dominado por seus mais velhos, um ser frágil e incompleto, que pode e deve ser educado e que, por ser um ser influenciável, as marcas que nele se imprimissem para sempre perdurariam. Essa era a crença na maleabilidade da natureza humana e na possibilidade de sua melhora. O valor dado pelo Iluminismo ao conhecimento e à cultura para o progresso dos indivíduos foi um dos fatores de influência para a escolarização da criança e do jovem. A infância e – mais tarde – a juventude assumem, assim, o significado de preparação para a vida adulta, sendo os períodos de intervenção por parte das agências educativas.
Ainda segundo Sacristàn (2005), vale lembrar que, inicialmente, a escolarização foi uma prática apenas das elites. Nem todas as crianças e jovens foram ao colégio. O processo educacional nos colégios não incluía, inicialmente, as crianças do gênero feminino. Era comum que meninas de 12 e 13 anos já estivessem casadas e comportando-se como adultas, o que demonstra que as faixas etárias demarcadoras de infância e juventude foram se modificando ao longo do tempo, a partir da influência de diversos fatores. Além disso, os filhos dos não nobres também não frequentaram o colégio. Ao contrário, a estrutura em que a criança, após os 7 anos, realizava atividades no mundo dos adultos persistia, seja ao se possibilitar que as crianças fossem aprendizes de mestres, seja ao se possibilitar que ingressassem nos exércitos. A possibilidade de prolongamento da infância, tornando-se mocidade/juventude por meio da escolarização não se estendeu a todos/as, inicialmente.
Vale ressaltar que o sentimento de infância/juventude que não existia e foi construído historicamente, apresentando diferentes significados conforme os seus destinatários. São desigualdades nas vivências das infâncias/juventudes, cujas marcas se fazem presentes no mundo atual. Basta pensarmos nos milhares de crianças e jovens em todo o mundo, sobretudo as das classes menos favorecidas e nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, para as quais os direitos garantidos à infância e juventude ainda não foram cumpridos, entre eles o da escolarização. A infância e a juventude são, assim, tomadas como “fases” da vida oportunas para inserção na escola, associando criança/jovem e aluno/estudante.
A categoria aluno/estudante, historicamente, faz parte da condição de infância, estendida à juventude. A infância e a juventude são objetivamente heterogêneas porque existem infâncias/juventudes socialmente diferentes e desiguais; assim também o é a condição e situação do ser aluno/estudante. Sobre essa reflexão, afirma Sacristán:
Não existe infância, mas sujeitos que a experimentam em algumas coordenadas e circunstâncias [...] a condição de aluno é vivida a partir de diferentes maneiras de viver “as infâncias reais”; e o inverso, diferentes formas de viver a escolarização farão com que a infância também seja diferente (2005, p. 22).
A assertiva acima também pode ser utilizada para refletirmos sobre a relação entre ser jovem e ser estudante acadêmico, enunciando em que a condição de estudante é vivenciada a partir de diferentes modos de viver “juventudes reais”. Também, diversas formas de viver a academia farão com que a juventude seja diferente.
Ao escolarizar a criança e, posteriormente, o jovem, produz-se o aluno/estudante, e para ambos, num mesmo ser, impõem-se tempos, espaços, regras, atividades de formação institucionalizadas que incidiram diretamente sobre a formação das subjetividades infantil e juvenil. O resgate de estudos sobre o aluno e sobre o processo de escolarização se apresenta como interessante chave de análise, pois nos possibilita elucidar, por exemplo, a relação/influências entre ser aluno na Educação Básica e ser estudante no ES.
3.1.4 Conhecendo a condição estudantil acadêmica: quem são os estudantes?
De acordo com levantamento do estado da arte sobre estudos da juventude na pós- graduação brasileira, que abrangeu teses e dissertações produzidas no período de 1999- 2006, nas áreas de educação, ciências sociais e serviço social, foram identificados 149 trabalhos sobre o tema “jovens universitários”, 10,42% da base total. Carrano (2009, p. 181) foi o autor que analisou o conjunto da obra sobre os jovens universitários e, segundo ele, prevalece “[...] a análise da vida estudantil a partir do ponto de vista institucional e da condição unilateral de estudante ou aluno, em desconsideração de outras variáveis existenciais e biográficas dos jovens alunos”. Afirma o referido autor que:
[...] apesar da existência de estudos sobre o tema, ainda sabemos muito pouco sobre as trajetórias escolares e biográficas dos estudantes universitários, o fenômeno da mobilidade social e sobre como se dão as condições de experimentação da vida universitária após o ingresso (CARRANO, 2009, p. 181).
Sobre o subtema “acesso e condições de permanência no ensino superior”, foram identificados 26 trabalhos. Os trabalhos foram desenvolvidos em torno da ampliação do acesso ao ensino nos últimos 15 anos. A tabela a seguir compila as informações acima expostas, possibilitando um melhor panorama dos resultados:
Tabela 14 – Situação dos estudos sobre jovens universitários no total do estado da arte sobre juventude
na pós-graduação Brasileira (teses e dissertações produzidas no período de 1999 – 2006)
CATEGORIA TEMA SUB-TEMA
Juventude Jovens Universitários
Acesso e condições de permanência no Ensino Superior
1.427 149 26 *
Legenda: *Vários resultados desses estudos, foram utilizados na presente produção Fonte: Elaborada pela autora.
Dado relevante que foi verificado pelo autor é que nenhum trabalho enfoca a expansão e interiorização da universidade pública no Brasil ou a vivência do Ensino Superior em outros espaços que não o tradicional ambiente da Universidade. Sposito, nesse contexto, alerta que:
A predominância de investigações sobre a vida de jovens em grandes metrópoles leva a induzir a generalizações apressadas sobre a juventude brasileira, se não forem levadas em conta as condições de vida das pequenas e médias cidades e das zonas rurais (2009, p. 24).
Carrano reforça que é necessário buscar
[...] perceber como sente, pensa e age o jovem estudante em sua condição de sujeito cultural e político que participa, estrutura e sofre as determinações da vida universitária, trazendo para ela as disposições e orientações absorvidas em outros momentos de seu percurso pessoal e social (2009).
Como delimitação, para este trabalho, estamos compreendendo a condição estudantil como sendo o conjunto de forças materiais, práticas e significados culturais relacionados ao fato de ser estudante universitário (GAVIRIA, 2006; 2008).
São alguns dos elementos/aspectos/indicadores importantes para apreensão e análise da condição estudantil: origem social – potencial indicador de diferenças (BOURDIEU; PASSERÓN, 1969), incluindo cidade de origem, renda familiar e per capita, ocupação e instrução dos pais; ocupação do estudante; etapas da vida diz respeito à idade com elemento que demarca diferenças; usos do tempo; espaço universitário; relação com os estudos; ofício de estudante (COULON, 2008); custos com os estudos; relação com o meio estudantil e relações com o meio ambiente de estudo (PAIVANDI, 2014).
Interessante observar que alguns desses elementos já foram apresentados no tópico anterior, ao analisarmos a condição juvenil, por exemplo, a renda familiar. Esse fato é apenas um demonstrativo sobre como as duas condições (juvenil e estudantil) estão entrelaçadas e manifestam influência uma sobre a outra. Nesses casos, não repetiremos aqui os resultados já
apresentados; adentraremos em outros elementos, a fim de compor um quadro mais amplo de caracterização dos nossos sujeitos.
Também vale ressaltar que outros elementos como os usos do tempo e aspectos sobre o espaço universitário serão analisados no próximo capítulo, de forma mais minuciosa. Percebe- se, assim, que a escolha da divisão do trabalho, em capítulos e tópicos como aqui se apresenta, configura-se como a forma, dentre muitas, que foi considerada a que melhor atendia aos objetivos da pesquisa, nesse momento, tratando de uma organização no formato escrito. No entanto, estamos cientes de que todos os elementos, aqui separados para efeito de análise, estão compondo o fenômeno articuladamente, interpenetrando-se numa complexa configuração.
Para a caracterização da condição estudantil, trazemos aqui, então, resultados sobre a escolaridade básica dos sujeitos participantes, bem como o nível de escolaridade dos pais. Mais além, temos dados sobre a ocupação dos pais; o ingresso no IFRN; preocupações e dificuldades no ofício de estudante do ES; relação da família com os estudos e as situações mais marcantes na graduação.
No próximo tópico, voltamos o olhar para a categoria que abarca os sujeitos desta investigação: os/as jovens acadêmicos.
Quanto à escolaridade dos pais ou responsáveis, verificamos um maior percentual de indivíduos com o Ensino Fundamental apenas, em média 39%. Chama atenção, infelizmente, um expressivo quantitativo de pessoas analfabetas ou semianalfabetas, uma média entre 21 a 28%. Quando se analisa os que possuem o nível superior de ensino, as taxas caem significativamente, sendo maior entre as mulheres com 12,1% e, apenas, 1,8% para os homens.
Tabela 15 – Escolaridade do pai
Superior 1,8%
Ensino Médio 31,6%
Ensino Fundamental 38,6% analfabeto/semianalfabeto 28,1%
Total 100%
Fonte: Elaborada pela autora. Tabela 16 – Escolaridade da mãe
Pós-graduação 1,7% Superior 12,1% Ensino Médio 25% Ensino Fundamental 39,7% Analfabeto/semianalfabeto 21,6% Total 100%
Fonte: Elaborada pela autora.
Os dados nos levam a refletir que os jovens estudantes concretizam em suas famílias, em relação aos seus pais ou responsáveis, uma nova configuração de patamar de
escolaridade, sendo, possivelmente, em muitos casos, a primeira geração em suas famílias a vivenciar o ES. Nesse sentido, a experiência desse nível de ensino é algo novo entre os familiares.
Em relação ao perfil geral dos participantes, os achados de nossa pesquisa corroboram o que foi encontrado por Teixeira e Coulon ao investigarem sobre a interiorização do ES público e afiliação:
Nos referimos aos jovens que tem escassa e fragmentada familiaridade e informação sobre a vida acadêmica; aqueles que vêm de meios sociais em que a formação universitária não aparece como “caminho natural” e nos quais as possibilidades de troca de experiências universitárias mostram-se limitadas (2015, p. 212).
As ocupações dos pais ou responsáveis pelos estudantes (agricultores, aposentados, desempregados, motoristas, pedreiros, vendedor entre os pais) e um expressivo índice de mulheres/mães sendo donas de casa (outras ocupações: agricultoras, aposentadas, domésticas, professoras) também nos fornecem dados que demonstram os fatores relacionados à baixa escolaridade e à baixa renda familiar. Constata-se que a configuração familiar dos jovens estudantes acadêmicos do IFRN, Campus Ipanguaçu, é de famílias populares.
Tabela 17 – Principais ocupações do pai/responsável
Agricultor 12,7% Aposentado 9,8% Desempregado 6,9% Motorista 5,9% Pedreiro 6,9% Vendedor 4,9%
Fonte: Elaborada pela autora.
Tabela 18 – Principais ocupações das mães
Agricultora 4,7% Aposentada 10,4% Do lar 5,7% Doméstica 11,5% dona de casa 26,8% Professora 8,5%
Fonte: Elaborada pela autora.
Em observância aos dados relacionados à escolaridade e ocupação dos pais, podemos pensar que, apesar do forte apoio recebido no seio familiar para se cursar o ES, há uma lacuna, que pode gerar, até mesmo, certo distanciamento na relação entre estudantes e pais. Como são pessoas com escolaridade, em sua maioria, do nível fundamental, e ocupações distantes do
universo acadêmico, poderá haver dificuldades no que diz respeito à partilha ou troca mais aprofundada de alguns aspectos que envolvem a vida acadêmica dos filhos, uma vez que os responsáveis desconhecem como se processam as ações nesse nível de escolarização, ao contrário daqueles graduandos, cujos pais possuem nível superior e conseguem estabelecer um diálogo mais próximo de algumas demandas e exigências da vida acadêmica. Os dados do questionário à variável relação família e graduação indicam que 40% dos responsáveis apoiam os estudos dos jovens, mas não conseguem conversar ou auxiliar mais diretamente.
Não estamos aqui desmerecendo a atuação dos pais que não possuem o nível superior de ensino; pelo contrário, consideramos que toda participação e apoio na vida do jovem estudante é fundamental e importante. Estamos, apenas, inferindo sobre a questão ao situarmos o contexto no qual estão inseridos os jovens e suas famílias.
Verificamos que a maior parte dos jovens estudantes tem o apoio da família para os estudos, mais de 90%, sendo que pouco mais da metade (50,4%) apoiam os estudos, incentivam e auxiliam os jovens. Em média, 40% apoiam os estudos, mas não conseguem conversar ou auxiliar diretamente, sobretudo devido a baixa escolaridade. Esse dado nos retoma ao resultado já apresentado sobre o nível de escolarização dos pais ou responsáveis, no qual verificamos que a maior parte dos sujeitos são a primeira geração na família que está passando pela experiência de estudos no nível superior. Trata-se, portanto, de uma cultura diferenciada que esses sujeitos estão a incorporar, que seus antecessores não tiveram acesso, o que explica o fato já mencionado de que os pais apoiam os filhos, mas não conseguem conversar ou auxiliar diretamente nos estudos.
Tabela 19 – Relação família/estudos
Apoiam meus estudos, conversam, incentivam e auxiliam 50,4% Apoiam meus estudos, mas não conseguem conversar ou me auxiliar
Diretamente nos estudos
40%
Apoiam meus estudos e me cobram muito 4,3%
Não me apoiam 0,9%
São indiferentes 0,9%
Outra situação 3,5%
Total 100%
Fonte: Elaborada pela autora.
O trecho a seguir, extraído de uma das entrevistas, ilustra a situação acima descrita:
P: Você falou que os seus pais apoiam os seus estudos, conversam, incentivam e o auxiliam? A sua família, então, tem uma relação boa com o fato de você estar no Ensino Superior?
E: Sim. Porque minha família, assim, da parte do meu pai, ninguém nunca chegou até o Ensino Superior. Eles me incentivam muito, dizem que eu vou conseguir, que eu estudo muito. Eles têm muita expectativa. Eles têm muito
orgulho de mim. De eu estudar no IF, no ES. Mas eles não têm muito conhecimento, sabe? Eles não entendem nem direito o que eu estudo, mas dizem pra todo mundo que vou ser professora, e isso é muito importante (risos). Eu vou ser a primeira da família que vai se formar no ES. Se Deus quiser! (M/20/LI/3p)
A fala acima é ilustrativa do significado que estudar no IFRN e estar cursando o ES tem para muitos dos jovens estudantes pesquisados no que se refere à relação família/estudos. O IFRN é uma instituição de muita visibilidade e reconhecimento social e o ES, uma conquista, oportunidade a ser agarrada e percorrida de forma acirrada. Imbuídos dos sentidos de orgulho, relevância, valorização, é que sujeito e familiares se mobilizam, com diversas estratégias, de forma a tentar garantir que essa etapa de escolarização se conclua na vida dos jovens. Cursar o ES, para esse grupo, não se trata de um percurso normal da escolarização que se amplia aos jovens, mas é o inusitado, o surpreendente, motivo e sentido de admiração e digno dos esforços para a concretização. Cursar o ES significa, para muitos, a expectativa da ascensão social, ainda que essa possibilidade, nos dias atuais, não seja uma garantia, conforme nos explica Teixeira e Coulon:
A importância e valorização atribuída à formação universitária indica a identificação da educação como fator de mobilidade e ascensão social, tanto mais valorizado e mesmo via única para aqueles que são originários das camadas populares [...] É certo que maior escolaridade tende a possibilitar acesso a empregos melhores, entretanto a relação direta entre esses dois fatores mostra-se consideravelmente fluida na sociedade contemporânea, ainda que mantenha sua força na perspectiva do senso comum (2015, p. 222- 223).
Diante desse cenário é que podemos afirmar que, em geral, não há divergência no que se refere ao apoio da família quanto aos estudos dos jovens. O prosseguimento da escolaridade para o ES é apoiado de diversas formas pelos familiares, sobretudo com o apoio financeiro, na medida das possibilidades de cada família. A família não se opõe ao fato de o ES assumir centralidade no cotidiano dos muitos jovens participantes, pois cursar esse nível de ensino traz um sentimento de orgulho e admiração, além de se enxergar no ES a possibilidade e sentido de melhoria de vida. Assim é que o novo processo estruturante que vai se instituindo não entra em conflito com a família, ao menos não tão diretamente, uma vez que o alcance futuro que se deseja é visto como algo bem maior e melhor! A fala a seguir é representativa de muitas famílias:
Era o sonho da minha mãe, ver uma filha estudando aqui porque, desde que foi... de que chegou aqui ela dizia: “Ai, será que eu vou ter o gosto de ter uma filha formada aqui no Instituto Federal” e tal, aí, eu fiz até uma surpresa pra ela. Depois que eu fiz a matrícula, disse a ela que estava matriculada
[risos], aí ela adorou o “IF”, foi assim, um presente, na hora certa na minha vida! (M/20/LI/2p)
A família cumpre relevante papel no que se refere ao apoio dos jovens em relação aos estudos. Teixeira (2013) e Zago (2000) concordam, em suas investigações sobre as práticas de escolarização das famílias populares, que esse é um dos principais fatores de prolongamento da vida escolar dos filhos, atuando como núcleo de apoio (objetivo e subjetivo) e incentivo.
Sobre a escolarização básica dos participantes, os dados dos questionários demonstram que a maior parte, 60 estudantes (75,9%), cursou todo o Ensino Fundamental em escolas da rede pública de ensino.
Tabela 20 – Ensino Fundamental cursado pelos participantes Todo em escola pública 75,9%
Maior parte em escola pública 6,3% Todo em escola particular 12,7% Maior parte em escola particular 5,1%
Total 100%
Fonte: Elaborada pela autora.
Os dados aumentam para o Ensino Médio, no qual 99 jovens participantes (85,3%) frequentaram todo o Ensino Médio em escolas públicas.
Tabela 21 – Ensino Médio cursado pelos participantes Todo em escola pública 85,3%
Maior parte em escola pública 1,7% Todo em escola particular 10,3% Maior parte em escola particular 2,6%
Total 100%
Fonte: Elaborada pela autora.
A análise sociológica nos possibilita afirmar que os sujeitos se tornam