Chapitre 7. Conclusions générales et perspectives
7.1.2. Apports et originalité du travail réalisé
7.1.2.7. Impliquer la probe dans l’anticipation de futures innovations
Belk (1988) em seu artigo, sugere que "nós somos aquilo que possuímos" e que este conceito é muito básico e forte nas pesquisas de comportamento de consumidor. Além disso, define este construto como uma contribuição importante e positiva para a identidade individual.
De acordo com esta abordagem, foi possível perceber nos diversos discursos das entrevistas, características que indicam que, também na relação do homem com seus animais de estimação, é possível identificar a extensão da identidade do dono.
"Adoro ficar falando dela, até na mesa do bar fico contando suas histórias... adoro exibir ela, todos os meus amigos falam que ela é o máximo. Fico feliz por ela estar sendo elogiada, admirada, querida por todos... quando falam mal dela é como se tivessem me agredindo, fico revoltada". (mulher 45 anos).
"Se a minha cachorra fosse um objeto, seria um objeto de arte, uma escultura que todos pudessem apreciar".(mulher 45 anos).
"Gosto de exibi-las pra todo mundo, o veterinário adora elas,... tiro muita foto também, tenho um quadro cheio de fotos delas desde pequenas e tenho uma tatuagem de cada uma nos braços". (homem, 42 anos).
"Gosto de exibir ele, todo mundo gosta do pêlo dele, elogia, diz que brilha. Eu cuido né, gosto de ouvir elogios".(mulher, 46 anos).
"O Cósimo faz muito sucesso porque ele é muito diferente... e a Taia era maravilhosa. Dá um orgulho danado!" (homem, 35 anos).
O ser humano por si só é egocêntrico e egoísta, uma vez que se acha possuidor de quase tudo aquilo que o rodeia. O uso do pronome possessivo para designar parentes, amigos é um indicador desse comportamento ("minha mãe, meu filho, meu cachorro...").
Desta forma, o fato de outras pessoas admirarem o seu animal, de o elogiarem, faz com que o dono sinta-se o responsável por aquele feito, como se o elogio estivesse sendo dirigido
diretamente a ele. É a sua capacidade e habilidade de cuidar que possibilitou ao seu animal estar belo, saudável e adorável, admirado por todos, como se fosse uma peça rara, um objeto de arte. Ou mais do que isso, por ser o seu animal extensão de sua identidade, porque não dizer que o dono sente-se o belo e o admirado?
De todos os relatos, o mais impressionante com relação a este aspecto, foi o da entrevistada cega que revelou à pesquisadora quatro álbuns de fotografias do Gem desde quando ela o adquiriu até os dias atuais. Fotos em diversos momentos importantes de suas vidas, cada qual com uma legenda e seguindo uma ordem cronológica estabelecida pela entrevistada.
"O Gem é o 'Cão Herói Brasil' da Pedrigree, ele tem as patas gravadas na calçada da fama em Washington, as fotos estão aqui neste álbum que você vai ver depois.".
O orgulho que a entrevistada apresentava ao contar os fatos importantes pelos quais o Gem havia passado era enorme, ao mesmo tempo ela sabia dizer exatamente onde estava cada foto apesar de ser cega e não poder ver nenhuma delas. Este comportamento denota exatamente quão forte é a relação existente entre a respondente e seu cão-guia, na verdade seu animal de estimação, e como esta relação caracteriza a extensão dela própria.
"O Gem pra mim é a extensão do meu corpo... é a minha razão de viver.".
Além desta perspectiva de admiração por parte de terceiros, foi possível identificar similaridades nos relatos que levam a um outro aspecto importante da extensão do ser. Quando existe uma relação de dependência e quando esta parece de alguma forma ameaçada e acaba
por decepcionar o dono do animal. É como se o filho deixasse de ser criança e começasse e ter a sua própria vida independente dos pais, ou quando um filho diz que vai morar sozinho. É um sentimento que pode representar a perda de parte do próprio indivíduo, como se o que se tem sob o seu domínio de repente começasse a fugir de seu controle.
Entrevistador - "Quando você traz o presente da Laila pra casa, você espera alguma reação dela? Você comprou um presente que escolheu com o maior cuidado e carinho e dá pra ela e ela simplesmente ignora, isso te incomoda?".
Entrevistado - "Não,... não muito. Me incomoda assim, eu gostaria que ela brincasse mais né, mas ela não é de brincar... me sinto um pouco frustrada porque às vezes me parece que ela tá ficando velha mais cedo, gostaria que ela fosse mais criança, brincasse com as coisas, ela é muito adulta".(mulher 45 anos).
No relato acima se percebe que a entrevistada tem dificuldade em aceitar que sua cadela não é mais uma "criança" e que por isso tem vontades independentes das suas. Esta constatação a deixa frustrada por perceber que já não é tão necessária para o animal.
Entrevistado - "Outro dia eu fiquei decepcionada, foi com o brinquedo que eu comprei pra ele há pouco tempo, ele não gostou".
Entrevistador - "E por que você se decepcionou?".
Entrevistado - "Porque eu compro brinquedo pra ele gostar. E esse eu escolhi porque era diferente e ele não gostou! Era todo diferente e ele acabou ficando com medo. Eu sempre crio uma expectativa de que ele vai gostar do que eu dou". (mulher, 72 anos).
Já neste caso, tem-se a certeza de que se vai acertar na escolha do presente por imaginar que o animal é o próprio dono e como tal gosta das mesmas coisas.
"Quando viajamos deixamos eles num hotelzinho que tem até Internet. Aí a gente acessa todos os dias pra ver o que tá acontecendo com cada um. Tudo controlado! Não perdemos eles de vista". (mulher, 29 anos e homem, 35 anos).
Para este casal a necessidade de regular seus animais é tanta que eles criam uma situação de controle em tempo integral, mesmo estando ausentes.
É importante sinalizar que para todos os entrevistados, esta relação de dependência não é consciente, pelo contrário, é vista como um sentimento de amor muito grande.