Em geral, a prática é mais complexa de que a imagem mental que se cria ao ler descrições teóricas. Não poderia ser diferente com o MES. Foi o que se viu já na fase inicial, de implementação de projetos-piloto no oeste paranaense e no
cursos a distância, projetos colaborativos, entre outras formas de apoio virtual. De acordo com uma apresentação da DEA/MMA, em novembro de 2006 já havia pelo menos 60 CEs no país, alcançando 368 municípios. Desses, 22 obtiveram financiamento do FNMA e 18 se apoiaram em outras fontes, tais como o Programa de Revitalização do São Francisco, o Programa Pantanal, a Agenda 21 e recursos nos ministérios das Cidades e da Justiça. Todos eles estruturaram-se em comunicação direta com a DEA/MMA, recebendo assessoria especializada, a distância ou presencial, materiais impressos do Órgão Gestor, e divulgação institucional nos boletins institucionais. A meta da DEA/MMA era chegar a 300 Coletivos.104
Pantanal Mato-grossense. Somados, eles atenderiam mais de 100 municípios. Basta este dado para entender a complexidade e a riqueza da proposta, que embute a construção participativa das propostas.
No Paraná, tudo começou com um termo de adesão assinado pela Itaipu Binacional, em maio de 2004. Responsável pela geração de um terço da energia consumida no Sul, Sudeste e Centro Oeste do país e 95% da consumida no vizinho Paraguai, a empresa sabia que o mau uso do solo – seja pela contaminação causada por despejo de dejetos agrícolas e esgotos urbanos, ou pela erosão facilitada com o desmatamento – comprometia a qualidade e quantidade da água disponível. Sem água, não há hidrelétricas. Não há vida.
No ano anterior, a binacional lançara o ambicioso programa Cultivando Água Boa, composto por mais de 70 projetos e subprojetos em 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná III. EA era essencial em todos. Motivou a distribuição de uma cartilha sobre métodos orgânicos para agricultoras/es, uma multiplicidade de atividades nas escolas da região, a capacitação de catadoras/ es de lixo, para que se entendessem como guardiãs/ões do meio ambiente, e outras ações para habitante das cidades.
Para deslanchar a adesão ao MES, durante todo o ano de 2005, uma equipe visitou instituições públicas e privadas de 34 municípios da região. Na medida em que o município aderia ao programa, iniciava-se o processo de compartilhamento de responsabilidade entre os atores sociais em prol da educação, e na formulação e implementação de políticas públicas.
A mesma equipe conseguiu aprovar um projeto no edital FNMA 05/2005103, para a constituição de um Coletivo Educador para Territórios Sustentáveis na região, com três núcleos. Animou a construção do Projeto Político Pedagógico e dos diagnósticos participativos desse coletivo e seus núcleos. Com mais de um milhão de moradoras/es, a região chegou a 43 instituições envolvidas no processo, além das 34 prefeituras dos municípios envolvidos.
Só em 2006, começaria a almejada formação de educadoras/es ambientais. Entre 1,2 mil candidatas/os, das mais variadas procedências, foram selecionadas
dividir em oito núcleos os 81 municípios pantaneiros. Em cada núcleo criar-se- ia um CE. A próxima meta seria formar 800 multiplicadoras/es (PAP3), que formariam, por sua vez, 16 mil educadoras/es ambientais populares (PAP 4).
Interpretado como um dos meios para enraizar a EA nas diferentes regiões do país, o processo não parou por aí. Em 2005, a DEA/MMA levou o debate para 64 municípios da bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no interior paulista. No ano seguinte, a ação MES motivaria dois seminários regionais em Minas Gerais, para representantes de 26 municípios da Região do Alto Paranaíba. Já em 2007, dois seminários atenderiam 14 municípios em Goiás. Eram sementes de processos que podem ter resultados no curto-médio prazo, mas cuja dimensão só se pode avaliar no horizonte do longo prazo.
Vale adiantar que, também em 2007, a equipe da DEA/MMA faria uma avaliação prospectiva do MES, indicando dois caminhos para sua sustentabilidade no longo prazo. Um deles seria a própria conexão entre o MES e os processos formativos dos CEs, como estratégia antenada na proposição de materializar o processo educacional no âmbito dos respectivos territórios. O segundo seria a conexão com outros programas e projetos das diferentes esferas do governo e da sociedade, oferecendo parâmetros, referenciais e estímulos para cada município e/ou parceira/o incrementar cada um dos processos formativos sincrônicos mencionados no MES, de acordo com suas possibilidades.
Notas
100 Disponível em: http://www.mma.gov.br/ea.
101 A publicação “Programa Nacional de Formação de Educadoras(es) Ambientais”, do Órgão Gestor da PNEA (série Documentos Técnicos nº 8), é uma das que explica o programa e a metodologia. Pode ser baixada em: http://www.mma.gov.br/ea.
102 Além do livro de Rodrigues, disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/ educamb/_arquivos/mes_livro.pdf , há o texto “O passo a passo para a ação Municípios Educadores Sustentáveis”(Série Documentos Técnicos, nº 14, 2007), acessível em http:// www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/dt_14.pdf e a cartilha “Municípios Educadores Sustentáveis” (http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/ mes_cartilha.pdf),lançados pelo OG-PNEA, bem como a pá-gina: http://www.mma.gov. br/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=20&idMenu=1139.
103 O Edital 05/2005 – Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis, lançado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, graças a uma parceria de quatro Ministérios: MEC, MMA, Ministério da Integração Nacional e Ministério do Desenvolvimento Agrário. 104 “Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis”, apresentação.