(BENTH) BRENAN
Andréa C. Baptistel(1); Júlio C. A. Nóbrega(2); Fatima M. S. Moreira (3); Rafaela S. A. Nóbrega(4); Adênio L. A. Júnior(5).
(1)
Mestre em Fitotecnia; Departamento de Engenharias, Campus Professora Cinobelina Elvas da Universidade Federal do Piauí (CPCE/UFPI), Email [email protected], Rod. Municipal Bom Jesus – Viana, Planalto Novo Horizonte, CEP 64.900-000, Bom
Jesus, PI; (2) Professor do Departamento de Engenharias, CPCE/UFPI, Rod. Municipal Bom Jesus – Viana, Planalto Novo Horizonte, CEP
64.900-000, Bom Jesus, PI; (3) Professora do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras, CEP 37.200-000, Lavras,
MG; (4) Professora do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, MG, CEP 44380-000,
Cruz das Almas, BA; (5) Estudante de Engenharia Florestal; Departamento de Engenharias, CPCE/UFPI, Rod. Municipal Bom Jesus – Viana,
Planalto Novo Horizonte, CEP 64.900 -000, Bom Jesus, PI.
Resumo – Dentre a biodiversidade existente na
Mesorregião da Chapada das Mangabeiras, no Sul do Piauí, encontra-se Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan regionalmente conhecida como Angico Preto. Com potencial para ser utilizada em projetos de: paisagismo, reflorestamento, plantio comercial e recuperação de áreas degradadas. O objetivo d este trabalho foi avaliar o efeito da calagem, fosfatagem e aplicação do isoflavonóide formononetina sobre características morfológicas da parte aérea das mudas de Anadenanthera macrocarpa. Foi utilizado como substrato o Latossolo Amarelo distrófico, coletado a uma profundidade de 90 a 180 cm e submetid o aos seguintes tratamentos: duas doses de calcário
dolomítico (0 e 1,61g Kg-1), cinco doses de adubo
fosfatado misto (0, 200, 400, 600 e 800 mg dm-3) e
duas doses de formononetina (0 e 1,0 g). O delineamento utilizado foi o inteiramente casualisado cujo esquema fatorial foi 2x5x2 totalizando 20 tratamentos e 10 repetições. Os resultados obtidos demonstram que os maiores valores para: altura, diâmetro, área foliar e massa seca da parte aérea foram
obtidos até a dose de 471 mg dm-3 de P no tratamento
sem calcário e presença de formononetina. Para o número de folhas a dose mais significativa foi de 329
mg dm-3 de P, com calcário e ausência de
formononetina.
Palavras-chave: Angico Preto, crescimento, substrato,
interação fósforo micorrizas .
INTRODUÇÃO
Atualmente tem se tornado imprescindível para projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas à qualidade das mudas de espécies nativas locais. Fato que segundo Carneiro (1995) tem contribui
para a diminuição dos custos de fertilidade e maior taxa de sobrevivência em campo. Portanto, vários estudos estão sendo realizados com o proposito de promover o aumento do crescimento e a qualidade das mudas, principalmente sobre a especificidade nutricional e o substrato usado. Entre os substratos têm-se utilizado com mais frequência amostras de subsolos, por serem isentos de microrganismos patogênicos e sementes (COSTA FILHO et al., 2013). Porém, não atendem as necessidades nutricionais das plantas por serem ácidos e com baixa fertilidade, características pertencentes às classes dos Latossolos, normalmente os mais utilizados na região de Cerrados (FURTINI NETO et al., 1999).
Sabe-se que entre os macronutrientes requeridos pelas plantas, o fósforo (P) é o mais demandado para a manutenção do desenvolvimento, principalmente em fase inicial de mudas. Contudo, para que o P seja disponibilizado as plantas em solos ácidos faz-se necessário a correção do mesmo com aplicação do calcário (MACEDO & TEIXEIRA, 2012) evitando com isso sua perda por processos de adsorção e, ou precipitação.
Além das condições edáficas, outro fator que contribui para a sobrevivência das mudas após plantio definitivo é a capacidade da mesma em manter associações simbiônticas com os fungos micorrizicos arbusculares (FMAs) que pode ser estimulada pelo uso de produtos sintéticos como a aplicação do isoflavonóide formononetina (MOREIRA & SIQUEIRA, 2006).
Dentre a biodiversidade encontrada na Mesorregião da Chapada das Mangabeiras, no Sul do Piauí, encontra-se a
Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan com potencial
para ser utilizada em projetos de paisagismo,
reflorestamento, plantio comercial e recuperação de áreas degradadas. Poucos são os estudos desenvolvidos na região com esta espécie apesar de sua importância ambiental e sociocultural.
NATIVAS 2014 – SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO DE SEMENTES E MUDAS
- Resumo Expandido - O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito dacalagem, fosfatagem e isoflavonóide formononetina sobre as características morfológicas da parte aérea das mudas de Anadenanthera macrocarpa.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado no período de
dezembro de 2012 a março de 2013, em viveiro com sombrite a 50% pertencente a Universidade Federal do
Piauí - Campus Professora Cinobelina Elvas
(CPCE/UFPI) no município de Bom Jesus/PI, com coordenadas geográficas: latitude 14º41’25” sul, longitude 9º20’55” oeste e altitude de 275 m, precipitação pluviométricas anuais em média de 900 mm e temperatura entre 18°C a 40°C (AGUIAR & GOMES, 2004).
As sementes foram adquiridas de árvores matrizes de ocorrência espontânea encontradas na região e submetidas a teste de germinação conforme sugerido por Tucci et al. (2007). O solo utilizado na produção de mudas foi o Latossolo Amarelo coletado a uma profundidade de 90 a 180 cm de uma área não cultivada e peneirado com peneiras de 4 mm. O
delineamento utilizado foi o Delineamento
Inteiramente Casualis ado com arranjo fatorial 2x5x2 totalizando 20 tratamentos sendo: duas doses de
calcário dolomítico PRNT 91% (0 e 1,61g Kg-1), cinco
doses de adubo fosfatado misto (0, 200, 400, 600 e 800
mg dm-3) e duas doses de formononetina (0 e 1,0 g)
com 10 repetições. As variáveis analisadas foram: diâmetro do colo (D), altura da planta (H), massa seca da parte aérea (MSPA), área foliar (AF) e o número de folias (NF).
Os resultados encontrados para cada variável foram submetidos ao teste de média Tukey (p<0,01 e p<0,05) e quando significativa para os tratamentos com P, foi realizado regressão através do programa SISVAR 5.3 (FERREIRA, 2010).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para as variáveis : D, H, NF, AF e MSPA foi verificado efeito com interação tripla, tendo somente para H ocorrido interação dupla entre o calcário e P e; P e isoflavonóide formononetina (Tabela 01).
Para H das plantas, o maior valor observado foi de 34 cm no tratamento sem calcário na dose de 461 mg
dm-3 de P com efeito significativo do isoflavonóide
formononetina (Figura 1A). Já para o D, o valor máximo apresentado foi de 3,0 mm no tratamento sem calcário e presença de isoflavonóide formononetina na
dose 465 mg dm-3 (Figura 1B). Os resultados obtidos
estão dentro dos padrões estabelecidos p or Gonçalves et al. (2000) cujo valores para H estão entre 20 e 35 cm e D entre 2 e 10 mm.
Figura 01: Ação dos tratamentos: SCSI- sem calcário e isoflavonóide,
SCCI- sem calcário e com isoflavonóide CCSI- com calcário e sem isoflavonóide e CCCI- com calcário e isoflavonóide. Sendo (A) interação dupla entre calcário e fósforo sobre a variável altura; e (B) interação tripla (Calcário x P x Isoflavonóide) no diâmetro .
Ação do P sobre a H e D de espécies vegetais também foi verificado por Costa Filho (2010) estudando Mimosa
caesalpiniifolia Benth e Astronium fraxinifolium Schott;
Tucci et al. (2010) com Ochroma lagopus sw; Rodrigues (2011) em Mimosa caesalpiniifolia Benth e Macedo e Teixeira (2012) em Eugenia stipitata McVaugh, os quais verificaram respostas significativas para crescimento das mudas quando submetidas a tratamentos com calcário e doses de P. Segundo Malavolta (1981), o efeito positivo do P está vinculado aos benefícios promovido pelo nutriente principalmente na fase inicial do desenvolvimento de mudas, por exercer funções com ação direta sobre a
estrutura morfológica e metabólica das espécies vegetais. Para o NF e AF a melhor resposta foi adquirida na dose
de 329 mg dm-3 de P no tratamento com calcário e ausência
de isoflavonóide formononetina e 471 mg dm-3 no
tratamento sem calcário e presença de isoflavonóide formononetina (Figura 2A e 2B). Nestas doses o NF obtido
foi de 12 e 249 cm2 de AF planta-1. Tucci et al. (2007) ao
avaliarem a produção de mudas de Swietenia macrophylla King sob efeito de doses do corretivo e Costa Filho et al. (2013) com mudas de Mimosa caesalpiniifolia Benth, também constataram o efeito da calagem e adubação
Tabela 01: Resumo da análise de variância da parte
aérea das mudas de Anadenanthera macrocarpa, submetida à calagem, fosfatagem e isoflavonóide formononetina em Latossolo Amarelo distrófico.
FV cm H
D Mm
NF
planta-1 cmAF 2 plantaMSPA g -1
C 1,62ns 4,17** 6,71** 0,00ns 38,54* P 22,06* 11,37* 33,98* 67,12* 50,72* I 1,61ns 4,01** 8,42* 2,44ns 4,06** C x P 3,69* 0,94ns 11,06* 0,69ns 12,90* C x I 1,51ns 0,27ns 34,50* 7,43* 12,22* P x I 2,62** 5,68* 13,78* 5,26* 42,99* C x P x I 0,82ns 2,71** 13,12* 4,47* 10,61* CV% 24,53 2 1,67 17,89 24,45 28,11
Resultados significativos a *1 e **5% e ns não significativo. FV: fator
de variação, C: calcário, P: fósforo, I: isoflavonóide formononetina; interações duplas: C x P: calcário e fósforo, C x I: calcário e isoflavonóide formononetina, P x I: fósforo e isoflavonóide formononetina; interação tripla: C x P x I: calcário, fósforo e isoflavonóide formononetina, H: altura, NF: número de folhas, AF: área foliar, D: diâmetro e MSPA: massa seca da parte aérea.
A
NATIVAS 2014 – SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO DE SEMENTES E MUDAS
- Resumo Expandido - fosfatada sobre o aumento do NF e AF. A MSPAapresentou valor de 4,0 g planta-1 na dose de 466 mg
dm-3 de P no tratamento sem calcário e presença de
isoflavonóide formononetina (Figura 2C).
Figura 02: Número de folhas (A), área foliar (B) e massa seca
da parte aérea (C). Resultados significativo a *1% e ns não
significativo pelo teste de T uckey.
Foi observado ainda que as doses de P que
beneficiaram os valores máximos de H, D e MSPA
foram até a dose de 465 mg dm-3, valor abaixo do
encontrado (540 mg dm-3) por Lima et al. (2008) em
pesquisa com a Euterpe edulis Martius.
A não significância da aplicação do calcário na
MSPA indica que as quantidades originais de Ca2+ (0,4
cmol dm-3) e Mg2+ (0,15 cmol dm-3) encontrados no
solo foram suficientes para propiciar o
desenvolvimento inicial das mudas, demonstrando também a sua tolerância a solos naturalmente ácidos. Gomes et al. (2004) ao avaliarem a espécie
Anadenanthera colubrina e Costa Filho (2010) a
espécie Mimosa caesalpiniifolia, também observaram melhores resultados com as espécies em solo sem aplicação de calcário.
CONCLUSÕES
1. Os melhores resultados para altura, diâmetro, área foliar e massa seca da parte aérea foram obtidos
até a dose de 471 mg dm-3 de P no tratamento sem
calcário e presença de isoflavonóide formononetina. 2. Para o número de folhas , a dose mais
significativa foi de 329 mg dm-3 do tratamento com
calcário e ausência de isoflavonóide formononetina.
AGRADECIMENTOS
Ao CNPq por financiar o projeto ¨Biofertilizante formononetina (isoflavonóide) como estimulante de micorrização em soja e milho para aumento de produtividade associada ao uso de fertilizantes minerais ¨ (Edital 69/2009) e a CAPES pela bolsa de estudo.
REFERÊNCIAS
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Geológico do Brasil, 2004.
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