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IMPLICATIONS FOR MATERIALS DESIGN

a rethink of the National

10.4 IMPLICATIONS FOR MATERIALS DESIGN

A discussão anterior leva à constatação de que o trabalho do educador/cuidador em instituições que abrigam crianças e adolescentes pode tanto promover quanto prejudicar o desenvolvimento de sua clientela. Segundo Bazon e Biasoli-Alves (2000), apesar do papel importante que o educador desempenha, faltam-lhe oportunidades de formação e de reciclagem, e ele precisa sentir-se guiado em suas ações cotidianas de modo a dar um sentido a elas e compreender o impacto que podem ter.

Citando uma pesquisa realizada por Bazon (1995) com educadores de crianças e adolescentes no Canadá, Bazon e Biasoli-Alves (2000) analisam que, embora demonstrem competência com o tempo de experiência, esses profissionais revelam certo desalento. Isso se deve à percepção de que pouco podem fazer frente às problemáticas com as quais se deparam, o que, consequentemente, leva ao surgimento de fadiga e do sentimento de impotência. Verificou-se também um desequilíbrio entre as demandas profissionais e as necessidades pessoais desses educadores, que se queixavam de falta de acompanhamento ou supervisão regular de seu trabalho. Em decorrência dessa falta, acabavam por criar uma espécie de “distância emocional” que ajudava a evitar o desgaste e o sentimento de impotência.

A necessidade de treinamento de cuidadores profissionais de crianças e adolescentes afastados de suas famílias é exposta em pesquisas internacionais, como as de Weissman (2004), que realizou uma revisão de estudos da área e encontrou, na maioria deles, a necessidade de treinamento para funcionários de entidades de abrigo ou para pais de famílias substitutas (foster care), modalidade comum de abrigamento em países europeus, nos Estados Unidos e no Canadá. O foco de necessidade de treinamento verificado foi o de desenvolvimento de habilidades parentais adequadas.

Weissman (2004) apresenta uma pesquisa que mostrou a eficácia do acompanhamento de mães substitutas com quadros de depressão influenciando suas práticas educativas e os resultados positivos alcançados por estas após passarem por um período de treinamento. O autor descreve outro estudo com funcionárias de uma agência de cuidados para crianças vitimizadas na Inglaterra que foram capacitadas sobre cuidados básicos com as crianças e sobre a importância de estabelecerem interações positivas com elas. A avaliação dessas funcionárias, depois da capacitação, mostrou um aumento de 30% nas interações positivas com as crianças, como: sorriso, afago, brincadeiras com as crianças ou solicitude.

Já Lipscombe, Moyers e Farmer (2004) identificaram a necessidade de aperfeiçoamento de pais substitutos ao observarem o comportamento dos adolescentes que cuidavam em relação à qualidade dos cuidados parentais. Além da observação, os autores entrevistaram os pais substitutos (67% casados, 22% mulheres solteiras e 10% homens solteiros) pedindo que descrevessem um dia da rotina deles com os adolescentes. Concluíram que havia uma dificuldade geral entre os cuidadores para supervisionar o comportamento dos adolescentes, bem como estabelecer regras e fazê- las cumprir. Em consequência, a prática parental mais utilizada era a disciplina coercitiva, com agressões verbais excessivas, o que gerava um aumento do comportamento agressivo dos adolescentes e outros tipos de problemas, como o uso de drogas. Outro ponto levantado foi o fato das crianças menores, abrigadas ou filhas biológicas que conviviam na mesma casa, imitarem o comportamento agressivo dos adolescentes. Uma pesquisa realizada em Cardiff, Escócia, por Pithouse, Hill-Tout e Lowe (2002) avaliou a rotina de 106 cuidadores por meio de questionários e observação e concluiu que havia um número elevado de casos de crianças com comportamento desafiador opositivo e, ainda, que os cuidadores não apresentavam habilidades necessárias para o manejo destes comportamentos.

Golding (2004) apresenta um estudo que demonstrou a fragilidade dos procedimentos educativos utilizados por cuidadores de crianças abrigadas, além de uma avaliação de um serviço de aconselhamento e

suporte psicológico a esses cuidadores. A pesquisa foi realizada num Centro de Atendimento à Infância em Massachussets (EUA), no qual os serviços oferecidos eram aconselhamento e treinamento com o objetivo de melhorar as habilidades educativas dos cuidadores. Os resultados mostraram que aqueles que participaram do programa ficaram satisfeitos com o trabalho e melhoraram o nível de interação positiva com as crianças, bem como diminuíram as interações punitivas com as mesmas. Sellick e Connoly (2002) avaliaram Agências de Cuidado à Infância Vitimizada e entidades de abrigamento e gestão de famílias substitutas na Inglaterra e na Escócia, e concluíram que pelo menos metade dos cuidadores não tinha experiência prévia no cuidado de crianças e adolescentes, tampouco passou por programas de intervenção sobre práticas educativas, sendo que a grande maioria dos entrevistados relatou que sua maior necessidade era a de reciclagem e de treino para o manejo do comportamento infantil.

Schofield e Beek (2005), em um estudo longitudinal realizado no Reino Unido com crianças abrigadas em famílias substitutas, analisaram a dinâmica de organização das famílias e do desenvolvimento infantil e elaboraram um quadro com quatro pontos fundamentais a serem desenvolvidos nas famílias substitutas ou nos abrigos em geral: proporcionar um ambiente confiável e disponível; promover um ambiente de troca e relações afetivas saudáveis; contribuir para o desenvolvimento da autoestima e da autonomia da criança e do adolescente; e favorecer que a criança ou o adolescente abrigado sinta-se como um membro da família.

No contexto brasileiro, Sartorelli (2004) ressalta a importância de se conhecer as condições que caracterizam o trabalho desempenhado em unidades de abrigo, o que contribui para a compreensão dos comportamentos dos profissionais em relação ao atendimento das crianças e/ou adolescentes. A autora salienta que deve existir uma interdependência de condutas profissionais em relação aos resultados desejados pela instituição, ou seja, atendimento adequado e melhora nas condições de vida da população atendida. Em uma pesquisa realizada em um abrigo no Estado de Santa Catarina, concluiu que os profissionais precisam adquirir clareza a respeito de como e por que devem executar as atividades que lhes compete. Além disso, aponta a necessidade de novas investigações sobre as características das condições de vida de crianças e jovens que vivem em unidades de abrigo, de modo a identificar, entre outras coisas, os comportamentos mais apropriados para um gerenciamento eficaz e que devem fazer parte do repertório dos agentes institucionais.

Complementando, Cavalcante, Magalhães e Pontes (2007a) destacam que a análise do abrigo como contexto de desenvolvimento infantil requer a identificação e a percepção da dinâmica de funcionamento de sistemas distintos, mas interligados: o ambiente físico e social (estruturas, espaços, equipamentos, rotinas, dinâmicas), bem como as crenças, valores e padrões de comportamento dos profissionais, tais como os cuidadores habituais, os técnicos e outros que venham a interagir com a criança.

Investigações como essas contribuiriam para a capacitação e a instrumentalização das instituições de acolhimento, como as seguintes ações sugeridas por Yunes, Miranda e Cuello. (2004): a) programa lúdico de atividades para os abrigados junto com os funcionários, incentivando os cuidadores a desenvolver brincadeiras infantis; b) encontros entre profissionais de diferentes abrigos, a fim de criar um espaço de troca de experiência e melhorar a comunicação interinstitucional; e c) capacitação profissional dos cuidadores, levando ao aprendizado sobre desenvolvimento infantil e práticas educativas adequadas, assim como à reflexão da vivência das crianças que estão abrigadas e da importância do trabalho institucional, de modo a valorizar a atuação do cuidador.

Finalmente, sabendo-se do importante papel de educadores/cuidadores de entidades de acolhimento, destaca-se a necessidade de uma política de recursos humanos que envolva capacitação permanente, incentivos e valorização, incluindo uma remuneração adequada desses profissionais (BRASIL, 2007; SILVA, 2004). A formação continuada desses profissionais, assim, deve buscar consciência social em prol do bem-estar da população atendida, considerando-se que o trabalho institucional traz repercussões diretamente relacionadas ao desenvolvimento das crianças e adolescentes abrigados e deve se constituir, de fato, em contexto de proteção.

3.2.7 O Luto, o Estresse e as Estratégias de Enfrentamento:

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