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L’implication des personnes âgées dans les accidents urbains

3 Les victimes piétons âgés

3.2 L’implication des personnes âgées dans les accidents urbains

Há três modos, na minha opinião, pelos quais é possível obter lucros com dinheiro, além de seu uso natural. O primeiro é a ar- te da troca, a guarda ou movimentação do dinheiro; o segundo é a usura; e o terceiro é a alteração do dinheiro. O primeiro é vil, o segundo é mau e o terceiro é pior ainda.”98

Richard Cantillon, cidadão inglês, escrevendo quase 400 anos depois, resumiu claramente o efeito que tem sobre os pre- ços a desvalorização da moeda: “A história de todos os tempos mostra que, quando os príncipes desvalorizaram seu dinheiro, conservando-lhe porém o valor nominal, todas as matérias- primas e produtos manufaturados tiveram seus preços aumenta- dos proporcionalmente ao menor valor da moeda.”99

O leitor provavelmente conhece o nome de Copérnico como sendo o grande cientista que primeiro formulou, em 1530, a teo- ria de que a Terra gira em torno do Sol. Mas Copérnico foi tam- bém um estudioso das questões do dinheiro. Advogava a modi- ficação do sistema monetário do seu país, a Polônia. Percebia que muitas moedas diferentes constituíam um obstáculo ao co- mércio, e por isso defendia a adoção de um sistema monetário unificado, ao invés de se permitir que qualquer baronete fundis- se suas próprias moedas. E, acima de tudo, defendia a estabili- zação do dinheiro: “Por inúmeras que sejam as desgraças que habitualmente levam à decadência os reinados, principados e repúblicas, as quatro principais são, na minha opinião, as lutas, as pestes, a terra estéril e a deterioração do dinheiro.” 100

Algumas das principais razões da oposição desses estudio- sos à desvalorização do dinheiro foram assim resumidas por Oresme: “Ë escandaloso e desonroso para um príncipe permitir que o dinheiro do seu reino não tenha valor fixo, flutuando dia a dia... ...Em conseqüência dessas alterações, as pessoas ficam freqüentemente sem saber quanto vale uma moeda de ouro ou prata, de forma que têm de discutir tanto sobre o seu dinheiro como sobre seus salários, o que é contrário à natureza. E o que devia ser tido como certo se torna incerto e confuso. O total de ouro e prata de um reino decresce em conseqüência de tais alte-

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Monroe, pp. 92, 95.

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Cantillon, Essai sur Ia Nature du Commerce en Générat, 1755.

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Traictie de La premiére Invention das Monnoies de NicoIe Oresme et Traité de la Monnote de Copernic, publicados e anotados por M. L. Wolowaki, p. 49. Guillaumin, Paris, 1864.

rações e reduções e, apesar das precauções, são levados para lu- gares onde têm maior valor... ...Assim, a oferta do material para o dinheiro decresce nos países em que a desvalorização é pratica- da... ...Em conseqüência das alterações e reduções deixam de vir mercadorias dos países estrangeiros com suas boas mercadorias, para os países onde sabem que o dinheiro é mau. Além disso, no próprio país onde essas modificações ocorrem, o intercâmbio de mercadorias é de tal forma perturbado que mercadores e artesãos não sabem como negociar entre si.” 101

Os conselheiros do rei muito se preocupavam com os efei- tos da desvalorização da moeda. Desejavam o desenvolvimento do comércio e não queriam que o suprimento já inadequado do metal se reduzisse ainda mais através da exportação do ouro e prata a outros países, por mercadores e banqueiros. Enquanto o pobre é geralmente vítima das flutuações nos preços, porque es- tá sempre tão atarefado em seu trabalho que não tem tempo ou meios de se proteger, os entendidos, os negociadores de dinhei- ro, cuidam de sua riqueza e até mesmo lucram nessas ocasiões. Em alguns países elaboraram-se freqüentemente leis de proibi- ção à exportação do ouro e prata, tão necessários eram, na épo- ca, ao desenvolvimento do comércio. Em 1477, instituiu-se a seguinte lei na Inglaterra: “E considerando o estatuto elaborado no ano segundo de... o falecido Rei Henrique VI, ordena-se, en- tre outras coisas, que nem ouro nem prata sejam transportados para fora deste reino... ...Contrariando esse Estatuto e Lei, e di- versas outras leis sobre o mesmo... ...dinheiro de ouro e prata, as vasilhas e bandejas de ouro e prata desta terra, que como mer- cadorias são levadas para fora deste Reino, para grande empobrecimento do dito Reino, e até a destruição final do Tesouro do mesmo Reino, se pronto remédio não for adotado: Ordena-se, pela autoridade acima mencionada, que nenhuma pessoa leve ou faça levar para fora deste Reino qualquer forma de dinheiro da Moeda deste Reino, nem da Moeda de qualquer outro Reino, Terra ou Senhoria, nem qualquer bandeja, vasilha, barra ou jóia de ouro... ...ou prata, sem a licença do Rei.”102

Os reis não só tentaram, por todos os meios, reter todo ouro e prata existentes no país, mas também aumentar sua quantidade, concedendo privilégios especiais aos mineiros: “Todo e qualquer

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Monroe, op. cit., pp. 97-98.

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mineiro, mestre ou operário, que trabalhem continuamente nas minas já abertas ou para abrir ainda em nosso Reino... têm nos- sa permissão, à sua própria custa, e não de outro modo, de abrir minas e nelas trabalhar livremente, sem impostos, e ninguém os perturbará, molestará ou intervirá em seus assuntos, em qual- quer hipótese, nem os senhores espirituais ou temporais, nem mercadores, nem nossos próprios funcionários, que dizem ter direitos nas mencionadas minas.”103

Nessa época, quando o ouro e prata eram tão necessários à expansão do comércio, essa mesma expansão levou à descober- ta de grandes jazidas desses metais que, por sua vez, conduzi- ram a uma expansão ainda maior do comércio. Hoje, com a nossa perspectiva de 4OO anos, podemos apreciar o valor exato da descoberta de Colombo; mas, para o povo do século XV, Co- lombo, que não tivera êxito em sua viagem às Índias, represen- tava um fracasso. Foi somente no século XVI, com o afluxo da prata das minas do México e do Peru para a Espanha, que se deu a essa descoberta seu devido valor.

Se as mercadorias forem transportadas por milhares de qui- lômetros através de montanhas e desertos, sobre camelos, cava- los e mulas; se parte do caminho forem carregadas nas costas de homens; se ao longo de toda a rota houver perigo constante de ataque de tribos cruéis; se pela via marítima houver perigo das tempestades destruidoras e dos piratas assassinos; se aqui e ali, por qualquer via, os diferentes governos exigirem elevados im- postos de portagem; se no último porto a tocar as mercadorias forem vendidas a um grupo de mercadores que tenham o mono- pólio do comércio naquele terminal e, assim, possam acrescer de um proveitoso lucro o já então elevado preço — claro está que o custo dessas mercadorias será exorbitante. E foi o que a- conteceu às mercadorias muito procuradas do Oriente, no sécu- lo XV. Quando as especiarias orientais, pedras preciosas, dro- gas, perfumes e peles chegavam a esses portos, onde os barcos venezianos os aguardavam para . embarcá-los, já custavam um dinheirão; depois que os venezianos as revendiam aos mercado- res das cidades do Sul da Alemanha, que eram os principais dis- tribuidores através da Europa, seus preços ascendiam a cifras astronômicas.

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Mercadores de outros países não se conformavam em ver os lucros enormes do comércio com o Oriente ficarem apenas nas mãos dos venezianos — desejavam deles participar. Sabiam que podiam ganhar muito dinheiro com as mercadorias orientais, mas não conseguiam romper o monopólio de Veneza. O Medi- terrâneo oriental era um lago veneziano e nada havia que pudes- sem fazer contra — ali.

Mas podiam tentar atingir as Índias por outra rota não contro- lada por Veneza. Agora que a bússola, a princípio usada pelos marinheiros italianos, no século XII, fora montada na rosa-dos- ventos; agora que se tornara possível determinar a latitude pelo uso do astrolábio; agora que os marujos italianos haviam come- çado a traçar cartas baseadas em observações locais, em vez de contar apenas com as feitas de imaginação ou fundamentadas em boatos; agora finalmente não era mais necessário seguir nas pro- ximidades da costa. Talvez se os homens fossem bastante ousa- dos, poder-se-ia encontrar um novo caminho para o Oriente, o guardião do tesouro em especiarias, ouro e pedras preciosas.

Navios se fizeram mar, adentro, bravamente, em todas as di- reções. A viagem de Colombo rumo ao Ocidente foi apenas uma do sem-número de viagens semelhantes que se empreende- ram. Outros marinheiros ousados desviaram sua rota em direção norte, ao Mar Ártico, na esperança de encontrar uma via, por aí. Outros ainda se fizeram ao mar, pelo sul, ao longo da costa da África. Finalmente, em 1497, Vasco da Gama, por essa rota do sul, circunavegou o continente africano e, em 1498, ancorou no porto de Calecute, India. Descobrira-se o caminho marítimo pa- ra as Índias.

Significava esse acontecimento que a busca nas demais di- reções fora paralisada? Nem por sombra. Colombo tentou mui- tas vezes — fez outras viagens, num esforço para ultrapassar a barreira em que se constituíra o continente americano. Outros, pela via ocidental, se defrontaram com a mesma barreira, nave- gavam rumo norte, ainda outros navegavam rumo sul, procu- rando... procurando... E muitos anos depois, em 1609, Henry Hudson ainda procurava um caminho para o Oriente.

E agiam muito bem. Havia muito dinheiro — enorme quantidade — numa rota para o Oriente. Na primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, os lucros atingiram a 6.000%! Pouco surpreende que os outros navios tenham empreendido a mesma perigosa e lucrativa viagem. O comércio se intensifi-

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cou aos saltos. Se Veneza comprava 420 mil libras de pimenta por ano ao sultão do Egito, agora um único navio, em sua via- gem de regresso a Portugal, transportava um carregamento de 200 mil libras! Não mais importava que a antiga rota para o O- riente tivesse sido conquistada pelos turcos; não mais importava que os venezianos cobrassem preços exorbitantes; o caminho para o Oriente, via Cabo da Boa Esperança, tornou os mercado- res independentes da benevolência com que os turcos os trata- vam e rompeu o monopólio veneziano.

Modificou-se, então, a direção das correntes de comércio. Se anteriormente a posição geográfica de Veneza e das cidades do Sul da Alemanha lhes proporcionava vantagens sobre os demais países situados mais a oeste, agora eram esse países da costa atlântica que contavam com vantagens. Veneza e as cida- des que a ela se ligavam comercialmente passam, então, a ficar de fora da principal via de comércio. O que antes constituía es- trada principal agora não é senão um atalho. O Atlântico tor- nou-se a nova rota mais importante, e Portugal, Espanha, Ho- landa, Inglaterra e França ascenderam à eminência comercial.

Por boas razões é este período da História chamado “Revolu- ção Comercial”. O comércio que, como já vimos, crescia paulati- namente, passou a dar passos gigantescos. Não só o velho mundo da Europa e regiões da Ásia se abriram aos comerciantes empre- endedores, mas também os novos mundos da América e África. Não mais se limitava o comércio aos rios e mares bloqueados por terras, como o Mediterrâneo e o Báltico. Se, anteriormente, o termo “comércio internacional” queria apenas dizer comércio eu- ropeu com uma parte da Ásia, agora a expressão se aplicava a uma área muito mais extensa, abrangendo quatro continentes, tendo rotas marítimas como estradas. As descobertas iniciaram um período de expansão sem par, em toda a vida econômica da Europa ocidental. A expansão dos mercados constituiu sempre um dos incentivos mais fortes à atividade econômica. A expansão dos mercados, nessa época, foi maior do que nunca. Novas regi- ões com que comerciar, novos mercados para os produtos de to- dos os países, novas mercadorias a trazer de volta — tudo apre- sentava um caráter de contaminação e estímulo e anunciou um período de intensa atividade comercial, de descobertas posterio- res, exploração e expansão.

Formaram-se companhias de mercadores a fim de aproveitar as perigosas, mas emocionantes — e altamente lucrativas — opor-

tunidades. Basta conhecer o nome de uma das primitivas e mais famosas das novas companhias: “Mistério e Companhia dos A- ventureiros Mercadores para a descoberta de regiões, domínios, ilhas e lugares desconhecidos”. Ora, isto por si só dá o que pen- sar. Mas tal nome não conta nem mesmo a metade da história. Por que, uma vez realizada a “descoberta”, fortalezas tinham de ser erguidas, guarnições de homens estabelecidas no “posto”, ar- ranjos efetuados com os nativos, levar-se a cabo o comércio, des- cobrirem-se métodos de manter afastados os estranhos, isto para não falar dos preparativos longos e dispendiosos, como comprar ou construir navios, engajar tripulação e fornecer alimentação e equipamento durante a jornada, incerta e perigosa.

Tudo isso custava dinheiro — e muito dinheiro. Custava muito mais dinheiro do que era possível alguém ter, sozinho, ou desejar arriscá-lo em tão perigosa aventura.

A organização tradicional das associações que se haviam criado para negociar com as velhas rotas de comércio não se adaptava às novas condições. O comércio a uma distância con- siderável, em terras desconhecidas, com povos estranhos, e sob condições pouco familiares, necessitava um novo tipo de asso- ciação — e, como sempre acontece, surgiu esse novo tipo, para atender às necessidades.

O que uma, ou duas, ou três pessoas, separadamente, não podiam realizar, muitas, unidas num único órgão, agindo como um todo, sob uma única direção, podiam. A sociedade por ações foi a resposta dada pelos mercadores nos séculos XVI e XVII ao problema de como levantar os enormes capitais necessários a tão vastos empreendimentos como o comércio com a América, África e Ásia. A primeira sociedade por ações inglesa foi a dos Aventureiros Mercadores. Contava com 240 acionistas que en- traram, cada um, com 25 libras — soma de certa importância, na época. Era pela venda de ações a muitas pessoas que se mo- bilizava o considerável capital necessário às grandes expedições comerciais, marítimas e colonizadoras. Essas companhias por ações foram as precursoras de nossas grandes empresas de ho- je. Então, como agora, qualquer pessoa — com capital — po- dia tornar-.se sócia de uma sociedade anônima, comprando ações. Mesmo as expedições de corsários foram organizadas em bases de sociedade por ações. Em uma das expedições de Drake contra os espanhóis, a própria Rainha Elisabete possuía ações, em troca do empréstimo de alguns navios. Os lucros, a-

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penas nessa expedição, se elevaram a 4.700%, dos quais a boa Rainha Bess recebeu cerca de 250 mil libras, como sua cota!104

Que a participação secreta da Rainha nessas expedições de pilhagem não era assim tão secreta o demonstra uma Carta de Fugger, de Sevilha, datada de 7 de dezembro de 1569: “E a par- te mais aborrecida deste caso está em que este Hawkins não po- deria aprontar uma frota tão numerosa e bem equipada sem o auxílio e consentimento secreto da Rainha. Isso contraria o a- cordo para o qual o Rei enviou um emissário especial à Rainha da Inglaterra. Ë natureza e costume dessa Nação faltar ao pro- metido, e assim a Rainha finge que tudo foi feito sem seu co- nhecimento e desejo.” 105

Os nomes de alguma dessas companhias organizadas nos sé- culos XVI e XVI mostram onde realizaram suas empresas de comércio ou de colonização, ou ambas. Havia sete companhias das “índias Orientais”, sendo as mais famosas as britânica e ho- landesa; havia quatro companhias das “índias Ocidentais”, orga- nizadas na Holanda, França, Suécia e Dinamarca; companhias do “Levante” e companhias “Africanas” também eram popula- res; e de interesse particular para nós, na América, eram as com- panhias “Plymouth” e “Virginia”, organizadas na Inglaterra.

Fácil é adivinhar que qualquer companhia criada com o ob- jetivo de levar a cabo essas aventuras dispendiosas e arriscadas estava certa de receber, de seu governo, todas as vantagens co- merciais possíveis. Uma das mais importantes, sem dúvida, era o direito a um monopólio do comércio. A companhia não dese- java a intromissão de comerciantes estrangeiros em seu territó- rio. Acreditou-se, durante algum tempo, que a grande expansão do comércio fora, em grande parte, provocada pelo ousado pio- neirismo dessas companhias comerciais. Hoje, muitos historia- dores duvidam disso. Argumentam que a existência de tantos mercadores fora das companhias, que tentavam penetrar no co- mércio, é prova de que, se não houvesse esses monopólios, o volume do comércio podia ter sido ainda maior.

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Cf. W. R. Scott, The Constitution and Finance of English, Scottish and Irish Joint Stock Companies to 1720, 3 vols., vol. 1, p. 81. Cam- bridge, 1910-1912.

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The Fugger News Letter. Compilação de V. Von Klarwill. Tradu- zido por P. de Chary, 1.ª série, 1924; 2ª série, 1926; 2ª série, nº. II. Bodley Head, Londres.

De qualquer forma, sabemos que as companhias se lança- ram aos negócios, principalmente visando lucros para seus a- cionistas. Quando eles podiam ser obtidos pelo aumento da produção e maiores vendas, elas o faziam; quando os lucros se conseguiam através da limitação da produção, elas também o faziam. Os programas de “colonização” da Agricultural Ad- justment Agency, dos E. U. A., parecem velharia à luz do que se segue: Os holandeses “pagavam pensões de cerca de 3.300 libras aos dirigentes nativos, a fim de exterminar o cravo-da- índia e a noz-moscada nas demais ilhas, e concentravam seu cultivo em Amboyna, onde eles próprios podiam manter o con- trole. No que se relaciona ao comércio com a Índia Oriental, não se mostravam ansiosos por desenvolvê-lo, preferindo man- tê-lo dentro de certos limites que lhes asseguravam um elevado índice de lucro”. 106

Apesar do fato de que, neste exemplo, o “elevado índice de lucro” era obtido pela restrição, e não pelo desenvolvimento da produção, de modo geral registravam-se lucros altos no desen- volvimento do comércio. Essa foi a época áurea do comércio, quando se fizeram fortunas — o capital acumulado — que for- mariam o alicerce para a grande expansão industrial dos séculos XVII e XVIII.

Os livros de História discorrem longamente sobre as ambi- ções, conquistas e guerras deste ou daquele grande rei. É um er- ro a ênfase que dão a tais fatos. As páginas que consagram à história desses reis deveriam antes ser dedicadas aos poderes verdadeiros que se escondiam atrás dos tronos — os ricos mer- cadores e financistas da época. Constituíam o poder atrás do trono, porque os reis, a cada passo, necessitavam de sua ajuda financeira. Durante os duzentos anos dos séculos XVI e XVII as guerras foram quase contínuas. E alguém tinha que pagá-las. Com efeito, eram financiadas pelos que tinham dinheiro — mercadores e banqueiros.

Foi um pequeno banqueiro alemão, Jacob Fugger, chefe da grande casa bancária de Fugger, quem decidiu a questão de a quem caberia usar a coroa do Sagrado Império Romano: se Car- los V da Espanha ou Francisco I da França. A coroa custou a Carlos 850 mil florins, dos quais 543 mil foram emprestados por Fugger. Podemos fazer uma idéia do quanto era influente

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Jacob Fugger, o homem por trás dos bastidores, pelo tom de uma carta que escreveu a Carlos quando este atrasou o paga- mento da dívida. E apenas devido ao tremendo poder que lhe provinha de sua fortuna, teve Fugger a audácia de escrever tal carta: “... Além disso; adiantamos aos emissários de Vossa Ma- jestade uma grande quantia, parte da qual nós mesmos tivemos que levantar, através de amigos. É bem sabido que Vossa Ma- jestade Imperial não teria obtido a coroa do Império Romano sem a minha ajuda, e posso prová-lo com os documentos que me foram entregues pelas próprias mãos dos enviados de Vossa Majestade. Neste negócio, não dei importância à questão de meus próprios lucros. [Não acredita nisso!] Porque, tivesse eu deixado a Casa da Áustria e me decidido em favor da França, muito mais teria obtido em dinheiro e propriedades, tal como, então, me ofereceram. Quão graves desvantagens teriam, nesse .caso, resultado para Vossa Majestade e a Casa da Áustria, bem o sabe Vossa Real Inteligência.” 107

Pouca coisa de importância se passou no século XVI, sem