Priority 5: be prepared and ready to act
4. Mainstreaming of disaster risk reduction into development frameworks in Nigeria
4.5 Implementation of disaster risk reduction initiatives as part of
A relação geopolítica global deve ser entendida pela disputa entre países em torno do hard power e soft power. A capacidade de um país assegurar para si o acesso a riquezas ou pelo menos distorcer a sua distribuição pelo mundo é chamada de hard power. Nesse campo a China vem obtendo avanços significativos, tendo em vista a capacidade do país de aumentar a sua participação no comércio mundial e de se inserir nas cadeias de valor.
A internacionalização do RMB faz parte da estratégia de ganho de soft power, pois a disseminação do uso da moeda de um país o permite influenciar as instituições de governança global. Para que uma moeda seja considerada divisa, é preciso que ela seja aceita pelos países como veículo de apoio às trocas comerciais, sendo fundamental que o país possua uma conta de capital liberalizada que possibilite uma grande liquidez de ativos financeiros e da moeda para fora das fronteiras.
Um indicador do projeto está no aumento da participação da China no próprio FMI, cujo objetivo é reduzir a influência dos EUA na instituição. Segundo FMI (2017), a China é o terceiro maior possuidor de cotas do mundo, e o maior entre os países em desenvolvimento. Atualmente, os EUA possuem 82.994,20, Japão 30.820,50 e a China 30.482,90 cotas no fundo.
Segundo Michel Aglietta (2011), a China não tem o interesse de tornar o RMB hegemônico, substituindo o dólar, mas criar uma hegemonia do RMB regionalmente localizada na Ásia. A possibilidade, de acordo com o autor, surgiu com a crise de 2008 e a consequente redução,
ainda que temporária, da liquidez do dólar. Restou aos países a certeza da necessidade de reduzir a influência do dólar.
Outro indicador do esforço de internacionalização da economia está na criação em 2014 dos bancos de desenvolvimento internacionais Asian Infraestruture Investment Bank (AIIB), composto inicialmente por 21 países da Ásia e New Development Bank (NDB), o banco dos BRICS, sendo que ambos a China é o país controlador. Segundo os anúncios de criação, ambos tem um aporte inicial e 100 bilhões de dólares que serão destinados principalmente a projetos de infraestrutura dos países participantes.
Até o momento, o movimento de internacionalização do setor bancário chinês foi baseado principalmente na entrada de capital estrangeiro em participação minoritária dos grandes bancos públicos chineses, sendo ainda bastante incipiente o investimento dos bancos chineses em outras praças financeiras.
Hong Kong atua com papel importante nesse estágio ainda de abertura intermediária do mercado bancário chinês, pois as atividades financeiras são menos regulamentadas do que na China, fazendo de Hong Kong um grande centro financeiro de saída de capitais para a economia chinesa. A estratégia chinesa consiste na criação de um mercado em Hong Kong baseado no RMB.
O governo vem estimulando os bancos a emprestarem em RMB na praça financeira de Hong Kong, ao mesmo tempo em que controla as ações de arbitragem sobre o valor do RMB em Hong Kong (offshore) e em Xangai (inshore). O desenvolvimento do mercado financeiro dual visa atender às contradições de uma estratégia que, ao mesmo tempo, busca internacionalizar a moeda, ganhando influência sobre os outros países, e manter a estabilidade financeira interna.
Segundo Aglietta (2011) a contradição presente no PCC/Estado está na disputa de influência entre o Ministério do Comércio, cuja preocupação maior está na estabilidade econômica com crescimento e manutenção do emprego, e o PBOC, cuja preocupação está em remover os controles de capital (como o controle da taxa de juros sobre empréstimos) para reduzir as distorções que esses controles causam no fluxo de ativos financeiros.
De acordo com os dados mais recentes, as relações financeiras ainda estão limitadas principalmente a relação com as unidades administrativas e países próximos. Na relação das 8 maiores conexões financeiras com a China, apenas França e Reino Unido são exceção.
O total de créditos e dívidas do setor bancário chinês com Hong Kong é significativamente maior que todos os demais, como pode ser percebido pelo Gráfico 3.4. De fato, Hong Kong é uma unidade administrativa com papel fundamental no processo controlado de internacionalização da economia chinesa, sendo o porto principal de entrada para o capital externo e também a principal praça de captação de recursos externos das empresas chinesas.
Gráfico 3.4 – Créditos e dívidas do setor bancário com estrangeiros. Milhões de Dólares
Fonte: BIS (2017) Statist Explorer, Country Tables A6 Residence of counterparty.
Analisando a evolução recente do total de ativos em relação às obrigações internacionais, conforme dados do International Financial Statistic para a liquidez internacional do sistema bancário chinês, exibidos no gráfico 3.5 abaixo, pode ser percebido que as instituições bancárias chinesas continuam bastante líquidas. A taxa de passivo total por ativo total chegou ao máximo em 2014 com 68%, tendo decrescido desde então até alcançar o valor de 25% em 2016.
Fonte: FMI (2017).
Segundo Deos (2015), o movimento de entrada de capital estrangeiro no setor bancário ainda está bastante limitado. De relevo, apenas os investimentos de grandes bancos de países desenvolvidos nas ofertas iniciais de ações dos grandes bancos comercias, movimento esse que refluiu após a retirada de capital no período da crise em 2008. Segundo Deos (2015, p. 411), em 2010 apenas 1,83% dos ativos do setor bancário era de bancos estrangeiros.
Em relação ao movimento de saída de capital, segundo Deos (2015), ainda é baixa a participação dos bancos no capital internacional, com exceção de Hong Kong. Um dos motivos seria que apenas desde 2006 que existe na China a regulamentação das atividades de saída de capital. De fato, a internacionalização da economia chinesa permanece fundamentalmente um fenômeno do setor produtivo.