Numa rápida introdução justificamos porque denominamos o taylorismo/fordismo e o toyotismo como sendo processos de organização do trabalho.
3.3.4.1 Introdução
Alguns estudiosos do mundo do trabalho tratam o binômio taylorista/fordista, e após o toyotismo como sendo: processos produtivos, técnicas de organização do trabalho, métodos de trabalho, sistemas de trabalho, organização do trabalho, modelos de produção e
52 Doutorando em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde
desenvolve a tese: De Hegel a Marx e a uma Revitalização do Marxismo Hoje Tornada
padrão de acumulação53.
Após os estudos a que nos referimos no item anterior, denominaremos as técnicas de trabalho como sendo: Processos de
Organização do Trabalho, (grifo nosso) e neste espaço a ênfase será
dada aos processos de organização denominados: taylorismo/fordismo e o toyotismo, bem como ao imbricamento destes processos de organização do trabalho.
Mas, por quais motivos que se usa a denominação de Processos de organização do Trabalho, para referir-se ao taylorismo/fordismo e ao toyotismo? Justificaremos:
Na subseção anterior discutiu-se o que se entende por: processos de produção, processos de trabalho e processos produtivos. E, a partir desses debates, entendemos por bem não nominar o taylorismo/fordismo e o toyotismo com as categorias: processo produtivo, processo de trabalho, técnicas de organização do trabalho, métodos de trabalho, sistemas de trabalho, organização do trabalho, modelos de produção ou outra expressão. Isto por que:
a) Primeiro: queremos utilizar a categoria processo, e isto pelos motivos de: a) Marx, ao se referir à esfera da produção e também à esfera da circulação, utiliza a categoria processo, falando de: processo de produção, processo de trabalho, processo produtivo, processo de circulação, e outros. Autores marxistas, principalmente Antunes (em quem mais nos baseamos, também utilizam a categoria processo. b) toda nossa dissertação tem a pretensão de ser um trabalho mais sociológico, voltado ao mundo do trabalho a partir da ótica dos trabalhadores, e não pela ótica do capital. Assim, as expressões: métodos, técnicas, sistema, parecem ser mais utilizados pela ótica empresarial, e por vezes, pelos operadores do direito. Portanto, a opção ideológica nossa é pela expressão ‘processo’.
53 Nossa análise desta denominação de alguns autores vem baseada nas obras de Ricardo
Antunes, mais especificamente nas obras: Os Sentidos do Trabalho - Ensaio sobre a afirmação e negação do trabalho- São Paulo, Editora Boitempo, 6.ed. 2002; e Adeus ao Trabalho - Ensaio sobre a metamorfose e a centralidade do mundo do trabalho, São Paulo, Editora Cortez, 4.ed. 1997. Mas, além das obras de Antunes (obras estas que mais estudamos e com as quais concordamos), outros autores ainda poderiam ser citados, tais como: a) Eunice de Oliveira: Toyotismo no Brasil- (desencantamento da fábrica, envolvimento e resistência), São Paulo, editora Expressão Popular, 2004; b) Luciano Vasapollo: O trabalho atípico e a precariedade, São Paulo, Editora Expressão Popular, 2005; c) Geraldo Augusto Pinto: A organização do trabalho no século 20, São Paulo, Editora Expressão popular, 2007; d) Luzia Margareth Rago e Eduardo F.P.Moreira: O que é Taylorismo- Editora Brasiliense, 1984, e por último: e) Antônio David Cattani: Processo de trabalho e novas tecnologias, Porto Alegre, Editora da Universidade/UFRS, 1995.
b) Segundo: trata-se, efetivamente, de um processo: é o processo pelo qual e através do trabalho se realiza a transformação da matéria prima em produtos, que, na esfera da circulação, serão mercadorias. E não é qualquer processo, mas um processo que, ao usar a capacidade de trabalho-força de trabalho assalariada, transforma essa força de trabalho em trabalho objetivado que autovaloriza o capital, para que, na esfera da circulação, esta autovalorização valorize este, transformando x capital em mais x capital. Ou seja, criando o produto do capital que, no modo de produção capitalista, é mais capital.
c) Terceiro: embora este processo de organização do trabalho tenha como objetivo a extração de mais-valia, que pertence ao processo de produção, não se pode denominar o taylorismo/fordismo e o toyotismo, como processo de produção, visto que este processo é o processo de trabalho mais a autovalorização do capital (que ocorre dentro do processo de trabalho pela extração de mais-valia), mas que vai efetuar-se na esfera de circulação, quando este sobretrabalho, adicionado
à mercadoria, será transformado em mais capital. E, o
taylorismo/fordismo e o toyotismo pertencem à esfera do processo de trabalho, não vão além desta esfera, embora tenham como objetivo a criação de mais-valia.
d) Quarto: se não podemos denominar o fenômeno taylorista/fordista e o toyotismo de processos de produção, também não o denominaremos de processo de trabalho pelo fato do processo de trabalho, de acordo com o Dicionário do Pensamento Marxista, (2001, p. 299), é constituído por três elementos, quais sejam:
[...] a) primeiro o trabalho em si, uma atividade produtiva, com um objetivo; b) segundo, o/os objeto/os sobre os quais o trabalho é realizado; c) e terceiro, os meios que facilitam o processo de trabalho. Os objetos sobre os quais o trabalho é realizado, em geral criado por um processo de trabalho anterior, são chamados de matérias- primas. Os meios de trabalho incluem tanto os elementos que são precondições essenciais para o funcionamento do processo de trabalho, embora com ele se relacionem indiretamente (canais, estradas, etc.) como os elementos através dos qual o trabalho se exerce sobre seu objeto, como as ferramentas.
Ora, dos três elementos que constituem o processo de trabalho, o taylorismo/fordismo e o toyotismo apenas organizam o primeiro, que é o trabalho em si. Os mesmos não estão organizando os meios de trabalho,
nem os objetos sobre os quais o trabalho é realizado, embora com eles - objetos e meios - interagem.
e) Quinto: se dissemos anteriormente que a categoria processos produtivos seria utilizada como sinônimo de processo de trabalho ou processo de produção, pelo motivo exposto na subseção anterior, não usaremos também a expressão processos produtivos para designar o taylorismo/fordismo e o toyotismo.
Em síntese: a) denominaremos o binômio taylorista/fordista e o toyotismo por processo; b) ao denominarmos como processos, estamos abandonando as categorias: técnicas de organização do trabalho, métodos de trabalho, sistemas de trabalho, organização do trabalho, pelos motivos já expostos; c) ao denominá-los como processo, não utilizaremos como sendo: processo de produção, processo de trabalho e processo produtivo.
Portanto, o taylorismo/fordismo e o toyotismo são processos de organização do trabalho utilizados no século XX e neste, com o objetivo de extração cada vez maior de mais-valia, para a autovalorização e valorização do capital, essência do modo de produção capitalista54.
3.3.4.2 O processo de organização do trabalho: taylorismo-fordismo
Para entender o processo de organização do trabalho taylorismo/fordismo, é necessário analisar de que forma este foi introduzido no modo de produção capitalista, e quais os processos de trabalho que existiam nos modos de produção anteriores ao mesmo, compreendendo-se que no início do modo de produção capitalista a forma de organização do trabalho era diferente, mas evoluiu até chegar a esse processo.
O modo de produção capitalista, nascido dentro das entranhas do modo de produção feudal, tinha como premissas a propriedade privada e o trabalho assalariado. O trabalho é o sujeito desta propriedade privada e não qualquer trabalho, mas sim o trabalho assalariado. Neste modo de produção, o trabalho, sujeito da propriedade privada, é alijado desta propriedade não sendo seu dono; e esta propriedade privada, que deve a
54 É processo porque a palavra processo, segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no
Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2ª edição, Rio de Janeiro, editora Nova Fronteira, 1986, p. 1395, significa: 3. maneira pela qual se realiza uma operação, segundo determinadas normas; método, técnica; processo manual; processo mecânico. E, sendo processo, é o processo que organiza o trabalho ao longodo século XX e neste.
sua existência ao trabalho, pertence ao capitalista, ou seja, “a apropriação do trabalho não pago é a forma básica do modo de produção capitalista e da exploração do trabalhador que aí ocorre” (ENGELS, 1983, p. 408).
Nos primórdios do modo de produção capitalista, no período denominado de capitalismo imaturo (ainda não maduro), os processos de organização do trabalho ainda não haviam subsumido o trabalho ao capital, sendo que, na maturidade do capitalismo é que vamos encontrar a subsunção real do trabalho ao capital.
Isto porque o processo de trabalho do modo de produção capitalista foi a forma de organização da produção, “[...] na qual os meios de produção se opõem e se tornam hostis ao trabalhador, como se eles próprios exigissem o aumento da exploração do trabalho e do desemprego”. (ROMERO, 2005, p. 20). Neste modo de produção os meios de produção não mais pertencem ao trabalhador, mas sim ao capitalista. A produção é coletiva, mas o produto desta produção é tomado de forma individual.
Para se entender o processo de organização do trabalho e o processo de trabalho no modo de produção capitalista é necessário ter-se presente como estes processos organizaram-se ao longo da história, fazendo, portanto, um retrospecto de antes da industrialização e após esta para entender de que forma se deu a apropriação do saber operário pelo capital, assim como a divisão do trabalho.
Na fase pré-industrial do modo de produção capitalista a cooperação simples e a manufatura já eram formas de extração de sobre- trabalho. E vale relembrar que a cooperação simples não é uma invenção burguesa, visto que a mesma esteve presente ao longo de outros modos de produção55. Mas, no modo de produção capitalista esta forma de processo de organização do trabalho utilizada pelo capital, significou uma revolução no modo de produção da vida material e no modo de reprodução da vida social. “O capital fundara um novo padrão de acumulação, ou melhor, fundara um novo tipo de exploração e dominação do trabalho”. (ROMERO, 2005, p. 72-3). Na cooperação simples, no modo de produção capitalista os meios de produção foram expropriados dos trabalhadores, sendo que estes, nesta etapa do capitalismo, não passaram por nenhuma revolução tecnológica, mas tão somente por uma mudança de forma. Nesta etapa histórica, os meios de
55 Para discutir-se a formação dos processos produtivos no modo de produção capitalista,
estamos nos valendo essencialmente da obra de Daniel Romero, intitulada: Marx e a técnica: um estudo dos manuscritos de 1861-1863, São Paulo, Editora: Expressão Popular, 2005.
produção passam das mãos dos artesões56, para as mãos do capitalista, que emprega os artesões agrupados, explorando o trabalho destes. Antes, os meios de produção lhes pertenciam, agora pertencem ao capital, é o capitalista - o dono do capital - quem os emprega, quem lhes dá ordens e quem se apropria do sobre-trabalho. No entanto, na cooperação simples o operário ainda é dono do saber-fazer, ainda não foi o mesmo expropriado das condições subjetivas do processo de organização do trabalho, braços e mentes ainda andam juntos. O domínio do capitalista se deve ao controle de disponibilidade de matéria prima, propriedade dos meios de produção basicamente ferramentas e instalações e o controle da venda final do produto. Segundo Daniel Romero, a subsunção formal do trabalho dava-se pela expropriação das condições objetivas do trabalho, ou seja, dos meios de produção. E, de conformidade com o mesmo autor:
Já no interior do processo de produção se confrontam capitalista e trabalhador como personificações de trabalho e capital. Mas ainda assim, isso não dá ao capitalista o controle real do processo de trabalho. O capital apenas se apresenta no interior do processo de trabalho como proprietário dos meios de produção, os mesmos que eram usados pelo artesão anteriormente. Podemos falar de um capitalismo ainda imaturo, pois, [...] com a subsunção formal do trabalho ao capital, temos um capitalismo ainda incompletamente realizado, no qual foram colocadas algumas premissas para a sua realização: ou seja, o trabalho foi separado dos meios de produção, foi incluído num processo de trabalho que é tão somente meio para um processo de valorização. [...] o capital subsumiu a si o trabalho enquanto determinação econômica, mas ainda não subsumiu a si enquanto determinação material, ou seja, enquanto conjunto de meios de produção (ROMERO, 2005, p. 84).
Todavia, deve-se ter claro que o processo criador do modo de produção capitalista não pode ser outra coisa senão a separação do trabalhador da propriedade e das condições de seu trabalho. Ou seja, a criação do trabalhador assalariado. E, conseqüentemente, a exploração
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Na obra de Daniel Romero (2005), este utiliza a categoria dos artesãos para explicar a cooperação simples, e de como esta foi transformando-se na primeira forma de processo produtivo do modo de produção capitalista. Por isto, como estamos trabalhando com esta obra, também recorremos a esta categoria de artesões.
cada vez maior da mais-valia, visto que somente o trabalho humano é quem cria valor. E assim, a cooperação simples, da qual resumidamente tratou-se anteriormente, tinha as suas limitações, como a dificuldade que o capitalista tinha de aumentar dentro da cooperação simples a extração da mais valia e de ter um controle sobre o processo de trabalho, um controle sobre o operário.
Desta forma, sempre vinculada à base material, surge uma revolução no mundo do trabalho. E esta revolução está relacionada com a “cientificidade”, ao saber aplicado na produção, onde vai ser criado um segmento de trabalhadores técnico-científicos separados dos demais proletários, e estes trabalhadores técnico-científicos passam a vincular- se a um trabalho unicamente intelectual responsável pela gestão e organização do trabalho.
O trabalhador coletivo e o uso da maquinaria tornam isto possível e são redefinidas as relações de poder no interior do processo de trabalho dando ao capital mais controle sobre os trabalhadores e possibilitando-lhe maior exploração da força de trabalho.
Antes do trabalhador coletivo57 e do maquinismo, com a revolução industrial, houve, conforme Marx, um período transitório que foi denominado de manufatura.
Para Marx, a manufatura representou uma transformação na força de trabalho que criou uma nova forma de socialização do trabalho dentro e fora do processo de produção. É uma fase intermediária, apesar de seu longo tempo de duração-que desenvolveu as condições para a formação da grande indústria (ROMERO, 2005, p. 88).
Foi durante este período, denominado de manufatura, que aos poucos foram assentando-se as bases materiais para o desenvolvimento da grande indústria com a introdução da maquinaria. Neste período, iniciado em meados do século 16 e que vai até os fins do século 18, “[...] o produto final deixa de ser fruto da combinação de diversos ofícios autônomos, para se tornar fruto da totalidade de trabalhos parciais” (ROMERO, 2005, p. 90).
57 Trabalhador coletivo, conforme Romero (2005, p. 95), é: “o resultado do parcelamento das
tarefas em todos os níveis do processo de trabalho; são superados os diversos trabalhos individuais que aconteciam simultaneamente na época da cooperação simples, desenvolvendo-se uma especialização de atividades em que cada trabalhador fica responsável por apenas uma tarefa muito simples. Da interação, dentro da manufatura, desses diversos trabalhos parciais é que surge a figura do trabalhador coletivo, como unidade objetiva desses membros dispersos”.
Durante o processo da manufatura vai surgindo o trabalhador coletivo e, com o advento da revolução industrial e do uso em larga escala da maquinaria, a fragmentação do trabalho, o trabalho parcelado. No lugar do antigo artesão surge um trabalhador parcial, detalhista e unilateral, ligado por toda a sua vida a uma atividade simples e repetitiva. O capital, finalmente, apoderou-se do subjetivismo do trabalho e agora, o trabalhador, além de não ser mais o dono dos meios de produção, está completamente alienado/estranhado do trabalho, pois este foi expropriado do saber-fazer operário e do controle sobre o seu trabalho. Em definitivo, tem-se a maturidade do capitalismo.
Os processos de organização do trabalho surgidos das entranhas do modo de produção feudal podem ser tidos como a cooperação simples e a manufatura. Quando finalmente o capital apoderou-se do subjetivismo do trabalho, essa organização do trabalho passa a ser denominada pelo binômio taylorista/fordista e, posteriormente, como toyotismo. Isto demonstra que esses processos de organização do trabalho foram sendo modificados/re-estruturados ao longo dos séculos da existência do capitalismo, sempre tendo como objetivo a maior extração de mais-valia.
Com o desenvolvimento da maquinaria surge a grande indústria e, com a industrialização em grande escala, vai surgindo o processo de organização do trabalho que se denominou de taylorismo/fordismo. O mesmo surge na segunda década do século XX e baseava-se/baseia-se na produção em massa, no trabalho parcelar e fragmentado, “[...] na decomposição de tarefas, que reduzia a ação operária a um conjunto repetitivo de atividades, cuja somatória resultava no trabalho coletivo produtor de determinada mercadoria” (ANTUNES, 1999, p. 37).
O binômio era representado pela mescla da produção em série, denominada fordista, e pelo cronômetro taylorista. Frederick Winslow Taylor, norteamericano, nascido em 1856 e falecido em 1915, que ficou conhecido como o precursor da organização científica do trabalho. Publicou algumas obras e, talvez a mais importante tenha sido: Princípios de Administração Científica, publicado nos EUA em 1911, onde apresenta a teoria sobre a racionalização do processo de organização do trabalho, resultado de pesquisas e experiências realizadas ao longo de suas atividades. Outra obra importante do autor denomina-se Shop Management, publicada pela primeira vez como artigo em 1900 e em livro em 1910. Taylor iniciou como aprendiz numa pequena oficina da Filadélfia até chegar a engenheiro-chefe das Usinas Midvale Steel. O objeto principal de Taylor era o estudo da técnica do trabalho humano na produção. A divisão do trabalho nas fábricas em sua
época já era bem acentuada, mas para este, mesmo com o parcelamento do trabalho e a divisão de tarefas, ainda existiam acúmulo destas para um único operário, o que impedia o cumprimento das tarefas dos operários com rapidez e precisão. Havia, portanto, desperdício de tempo dentro da fábrica, em prejuízo do capital. Por isso, seu método, que ele pretendeu ser “científico”58, era o restabelecimento de uma divisão de responsabilidades e tarefas onde cada qual fizesse as atividades estritamente necessárias para a execução de uma determinada tarefa, cronometrando o tempo de execução desta para que cada vez fosse menor o tempo necessário para a realização de uma atividade (RAGO; MOREIRA, 1984). Além disso, Taylor “pensou a eliminação radical dos tempos mortos, as famosas porosidades do sistema produtivo. E o fez, na perspectiva de eliminar a capacidade operária de resistir, de lutar pela autonomia classista” (DIAS, 1996, p. 26).
Assegura Mészáros (2005, p.70) ao criticar o caráter alienador das políticas educacionais subordinadas à reprodução do capital, que os métodos tayloristas fazem parte das forças brutalizantes e alienantes que incidem sobre o trabalhador na moderna empresa capitalista, pois este sistema de gestão autoritário “revela o segredo de quão elevados devem ser os requisitos educacionais/intelectuais nas empresas capitalistas para que elas conduzam uma operação capitalista bem sucedida competitivamente”. E, prossegue, citando o indisfarçável cinismo de Taylor quando escreveu:
Um dos primeiros requisitos para que um homem seja apto a lidar com ferro fundido como ocupação regular é que ele seja tão estúpido e fleumático que mais se assemelhe, no seu quadro mental, a um boi. [...] O operário que é mais adequado para o carregamento de lingotes é incapaz de entender a real ciência que regula a execução desse trabalho. Ele é tão estúpido que a
palavra percentagem não tem qualquer
significado para ele.59
Já Henry Ford, americano, nascido em 1862 e que viveu até 1947, dono de uma empresa automobilística, tinha como idéia principal a
58 Método “científico” de Taylor: colocamos entre aspas a palavra científico, visto que para
alguns estudiosos o método taylorista nada tinha de cientificidade. Assim também é tratado por Luiza Rago e Eduardo Moreira na obra O que é o taylorismo, 6.ed., São Paulo, Brasiliense, 1984. Mas, nos limites deste trabalho não é possível um debate mais aprofundado sobre esta questão.
59 F.W. Taylor, Scientific management (Nova York, Harper & Row, 1947), p. 29. (ed. bras.:
padronização dos produtos com fabricação destes em escala imensa, pois, com uma escala imensa de produção os custos dos mesmos seriam reduzidos e deveriam ser contrabalanceados pelo aumento do consumo. E as experiências de Ford em termos de organização do trabalho objetivando a produção em massa, somente puderam ser assentadas em cima da plataforma da divisão técnica e minuciosa das funções e atividades entre numerosos agentes, o que foi o proposto por Taylor
(RAGO; MOREIRA, 1984). Assim, surge o binômio
taylorismo/fordismo que perdurou por quase todo o século anterior. É certo que, ao anunciar-se esta categoria de processo de organização do trabalho, não pode ser esquecido de que a mesma surge dentro de um determinado momento histórico do capitalismo mundial que exigia um tipo novo de trabalhador adaptado psicofisicamente à nova estrutura industrial (GRAMSCI, 1988, p. 382). Por isso é que, além da produção em série proposta por esta forma de produção, o