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O celular foi inventado baseado na transmissão por rádio. Morimoto (2009) atesta que o nome vem da maneira como as redes das operadoras estão organizadas (são utilizadas várias estações menores, que dividem a cidade em pequenas áreas, chamadas de células, cada uma com área entre 10 a 30 km²).

A primeira geração de celulares era simples e funcionava com sinal analógico. O seu sistema de identificação era facilmente reproduzido, o que levou ao problema da clonagem. Para resolvê-lo, pesquisas sobre novos sistemas digitais5 foram realizadas pelas operadoras que aceleraram o seu processo de adoção, principalmente o CDMA e o GSM, ainda muito utilizados atualmente.

A adoção desses sistemas resolveu o problema da clonagem e possibilitou o acesso móvel à web. Assim, os aparelhos foram evoluindo junto com as redes e se tornarem smartphones. Morimoto (2009, p.13) atesta que neste processo de evolução “(…) os celulares passaram a incorporar as funções de mais dispositivos, tornando-se progressivamente mais importantes”.

Atualmente, há classificações apresentadas pelos fabricantes de telefones celulares em decorrência desse processo de evolução: smartphones, feature phone e telefone celular. Em relação a elas, Morimoto (2009) afirma que:

[…] é um pouco complicado traçar uma linha divisória entre os telefones burros e os smartphones, já que muitos fabricantes gostam de chamar mesmo seus aparelhos mais simples de “smartphones”. Para alguns, qualquer aparelho que ofereça recursos mais avançados do que uma simples agenda de contatos pode ser considerado um smartphone, enquanto outros defendem que a denominação se aplica apenas a aparelhos com telas grandes e teclados QWERT. Entre os dois extremos, a designação mais popularmente aceita é que um smartphone é capaz de: a) Rodar um sistema operacional completo e permitir a instalação de

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Na história dos celulares, há diferentes tecnologias para a difusão das ondas eletromagnéticas, baseadas na compressão e na distribuição das informações. A primeira geração (1G) era analógica; a segunda geração (2G), que já era digital, passou a utilizar os sistemas GSM, CDMA e TDMA; depois, surgiu a segunda geração e meia (2,5G), e, entre os sistemas utilizados, estão o GPRS e EDGE; na terceira geração (3G) surgiram os sistemas UMTS e EVDO; na terceira geração e meia (3,5G), o HSDPA, HSPA e HSUPA. Atualmente, fora do Brasil já existem as redes 4G.

aplicativos nativos (e não apenas widgets ou aplicativos em java); b) Comunicar-se com o PC via USB e bluetooth; c) Conectar-se à web via GPRS, EDGE ou de preferência 3G; d) Rodar um navegador com bons recursos, oferecer um cliente de e-mail […]; e) Tocar MP3, exibir vídeos e rodar jogos. (MORIMOTO, 2009, p. 17-18)

Esse autor descreve um histórico das funções incorporadas aos celulares: agendas eletrônicas para armazenar telefones e contatos; os PDAs e os Palms que deram origem aos smartphones que usamos atualmente e que incluem agenda de compromissos, visualizadores de documentos e outras funções; conexão com a Internet; as câmeras digitais; as redes 3G; câmera frontal para videochamadas; gravador de som; mp3player para reproduzir áudio; os navegadores GPS; o seu uso como modem USB e modem bluetooth. (MORIMOTO, 2009, p.13-18)

Morimoto (2009) também ressalta que, além da convergência de funções, os celulares incorporaram a conexão à web, o que permitiu que eles oferecessem navegadores e clientes de e-mail.

As câmeras digitais são as próximas citadas por Morimoto (2009, p.15); elas “[…] deixam muito a desejar com relação à qualidade de imagem, devido, sobretudo, à baixa qualidade dos sensores e das lentes usadas […]”. Assim, mesmo que a resolução seja boa, a qualidade das lentes interfere nas imagens obtidas.

Apesar disso, as câmeras atendem a expectativa do público que quer apenas tirar fotos e não precisar carregar dois dispositivos eletrônicos separados. Recentemente, os celulares passaram a incorporar câmeras frontais destinadas a fazer chamadas de videoconferência.

Na sequência, Morimoto (2009) fala da incorporação do MP3. Ele justifica, dizendo que os aparelhos apresentam os circuitos necessários para processar e reproduzir áudio; seria subutilizar o celular se esta função não fosse incorporada.

Os navegadores GPS são os próximos que são descritos por esse autor:

Hoje em dia, você pode instalar um software de localização como o Google

Maps mesmo em aparelhos relativamente simples e conectá-lo via bluetooth

a um receptor GPS externo, obtendo assim uma boa solução para localização e navegação. Entretanto, com a queda nos custos dos componentes, cada vez mais modelos estão vindo com receptor GPS integrado e softwares de navegação com suporte a navegação assistida (como no caso dos aparelhos da Nokia com o Nokia Maps). Isso permite que você utilize o próprio smartphone para traçar rotas e se localizar no trânsito, sem precisar de um navegador GPS dedicado. (MORIMOTO, p.15)

Outra incorporação importante citada por Morimoto (2009) é o modem USB. Ele atesta que praticamente todos os smartphones atuais podem ser usados como modem, muitas vezes com uma configuração mais simples. Dessa maneira, quando as operadoras passarem a disponibilizar planos mais adequados, não haverá necessidade de carregar o celular e um modem USB separadamente.

Uma vantagem citada por esse autor é o bluetooth. “Encontrado em qualquer aparelho atual, destinado a trocar arquivos entre o smartphone e o PC, compartilhar o acesso à web e conectar acessórios, como fones e teclados.” (MORIMOTO, 2009, p. 95). Elimina a necessidade de utilizar fios elétricos e é bastante útil para quem utiliza um notebook para se conectar à Internet. O celular é pareado remotamente ao notebook e o usuário não precisa conectar o telefone via cabo ao notebook (ele pode permanecer no bolso). (MORIMOTO, 2009, p.16)

O acesso à Internet abre muitas possibilidades para explorar o telefone celular e suas funcionalidades como um recurso didático. Esta confirmação fica evidenciada na fala de Morimoto (2009, p.17) quando ele ressalta:

Isso está gerando uma pequena revolução em termos de comportamento, dando sequência às revoluções iniciadas pelos celulares e pela Internet. […] você passa a ter acesso contínuo a seus e-mails, pode ficar on-line no msn

messenger, Jabber e em redes sociais de forma ininterrupta e tem acesso

contínuo à web, o que permite que você faça pesquisas e encontre informações conforme precisar delas. Você pode fazer uma pesquisa rápida no Google para checar como se escreve corretamente uma palavra ou para descobrir o significado de algum termo, por exemplo. Coisas como verificar a previsão do tempo, ou matar alguma curiosidade imediata sobre algum assunto específico deixam de ser problema.

Esses fatos citados por Morimoto (2009) revelam algumas possibilidades de explorar as funcionalidades dos celulares como recursos didáticos para mediar práticas de ensino. Pela vinculação necessária à realidade é fundamental refletir sobre outras possibilidades. Berbel et al. (1999, p. 8), sinalizam que:

[...] todas as mediações de ensino precisam e necessitam de recursos tecno-operacionais, de instrumentos técnicos ou de tecnologias que, estimulem e ampliem o alcance dos nossos sentidos e de nossas ações, abastecendo nossa mente, fornecendo-lhe os elementos básicos para que se exerça então esta maravilhosa experiência do conhecimento que nos faz, ao mesmo tempo, possuidores de bens simbólicos já disponíveis em nossa cultura e sujeitos aptos a construir outros tantos […]

Nesse sentido, buscar o que vem de novo inerente ao recurso didático telefone celular para mediar práticas de ensino é essencial.