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Impact de la fermentation sur les polyphénols totaux des extraits de cacao

Chapitre I : Revue bibliographique

Chapitre 3. Résultats et discussions

3.2. Impact de la fermentation sur la composition chimique des extraits de cacao

3.2.1. Impact de la fermentation sur les polyphénols totaux des extraits de cacao

A crise financeira global que começou em 2007, pode ser classificada como um choque no sistema de saúde - isto é, uma ocorrência inesperada proveniente de fora do sistema de saúde que tem um grande efeito negativo sobre a disponibilidade de recursos do sistema de saúde, ou um eventual efeito positivo sobre a demanda por serviços de saúde. Choques econômicos apresentam três riscos que os formuladores de políticas de saúde precisam enfrentar. Em primeiro lugar, os sistemas de saúde necessitam de fontes previsíveis de receita com a qual possam programar os investimentos, determinar orçamentos e realizar a compra de bens e serviços, de modo que interrupções súbitas nos fluxos de receitas públicas pode tornar inviável manter os níveis necessários de recursos à saúde. Em segundo lugar, cortes nos gastos públicos em saúde feitas em resposta a um choque econômico, normalmente vêm em um momento em que os sistemas de saúde podem exigir mais, e não menos, os recursos, por exemplo, para lidar com os efeitos adversos                                                                                                                          

consequentes do aumento do desemprego frente a uma crise econômica. Em terceiro lugar, as medidas adotadas como resposta de um choque econômico podem desestabilizar ainda mais o sistema de saúde. Cortes arbitrários para serviços essenciais podem comprometer o acesso equitativo e universal ao sistema de saúde (THOMSON et al. 2012).

A crise teve consequências devastadoras para alguns países da Europa, particularmente aqueles com elevados níveis de dívida pré-existente ao ano de 2007 e déficits acumulados, e para estes países há dificuldades em sustentar o nível de despesa pública que mantinham. A incapacidade de obter crédito acessível, ou para gerar receita através dos impostos deixou alguns países com pouca opção a não ser cortar gastos públicos. Dentro da zona euro, a incapacidade nacional para formar política monetária independente também limita as opções políticas para combater a crise. Para a Grécia, Irlanda e Portugal, pacotes de resgate da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu têm submetido estes países a reformas do setor público como condicionalidade para o recebimento dos recursos, retirando a autonomia nacional em algumas áreas da política pública.

Giovanella e Stegmüller (2015) apontam para a redução, no ano de 2010, das despesas de saúde per-capita em termos reais, revertendo a tendência de aumento constante de 4,6% ao ano na década anterior.

Com o intuito de se verificar o impacto da mais recente crise do capital nos países da comunidade europeia, destacamos, com base em Giovanella e Stegmüller (2015) três países europeus com sistemas de saúde universais: Alemanha, Espanha e Reino Unido. Estes países conforme elucida Giovanella e Stegmüller (2015) se distinguem nos seus regimes e na organização de seu sistema de atenção à saúde. No entanto, apresentam elevado desenvolvimento econômico e social com sistemas de proteção social ampliado, universalidade da cobertura em saúde com esquemas de financiamento público e participação dos gastos públicos em saúde superiores a 75% dos gastos totais de saúde.

O exame das repercussões das reformas sobre a universalidade proposto por Giovanella e Stegmüller (2015) baseou-se no modelo de análise sugerido pela

Organização Mundial da Saúde WHO (2008)38 que inclui três dimensões para a universalidade. Sendo estes os parâmetros utilizados a título de comparações : (i) amplitude da cobertura populacional por esquema público (variações na população coberta e regras de inclusão); (ii) abrangência da cesta de serviços (mudanças no catálogo, medidas de racionamento, variação na oferta) e (iii) nível de cobertura por financiamento público (proporção dos gastos em saúde coberta publicamente, evolução de gastos públicos e mudanças no co-pagamento).

A Alemanha tem a sua proteção social à saúde garantida pelo Seguro Social de Doença, sendo este de afiliação compulsória, sendo as contribuições dos trabalhadores proporcionais aos seus salários e, atualmente este sistema cobre 89% da população. No Reino Unido. O National Health Service (NHS), criado desde 1948, oferece acesso universal com base na cidadania e seu financiamento é oriundo de recursos fiscais, garantindo a cobertura universal e gratuita de toda a população. A estrutura do NHS é tradicionalmente pública e centralizada. O NHS desde 2004 passou por processo de privatizações e descentralizações, sendo desta forma descentralizado entre os países do Reino Unido. A Espanha após longo período ditatorial, a constituição de 1978 definiu o direito universal à saúde e, em 1986, foi criado o Sistema Nacional de Salud (SNS), um serviço nacional de saúde de financiamento fiscal e acesso universal, descentralizado para as 17 Comunidades Autônomas, para detalhamentos quanto aos diferentes sistemas, conforme Tabela 7 (GIOVANELLA E STEGMÜLLER,2015).

O financiamento é predominantemente público nós três países, no entanto cada país apresenta suas características e particularidades quanto às fontes dos recursos. Na Alemanha, um Fundo de Saúde do Gesetzliche Krankenversicherung (GKV), criado em 2009, reúne as contribuições arrecadadas pelas Caixas de Doença e as redistribui segundo um estudo per-capita baseado em idade. A alocação entre setores assistenciais decorre de negociações entre caixas e entidades representativas dos prestadores por setor de atenção. Na Espanha, desde 2002, a responsabilidade pela atenção à saúde foi plenamente transferida para as Comunidades Autônomas (sistema estadual), e o financiamento da saúde passou a integrar as transferências gerais da União, sem vinculação, calculadas com base em critérios demográficos e serviços públicos. Na Inglaterra, as transferências para os                                                                                                                          

órgãos desconcentrados do NHS, responsáveis pela contratação de serviços (autoridades de saúde, posteriormente primary care trust, e desde 2013 clinical

comissioning groups, baseia-se em uma fórmula de para alocação equitativa de

recursos: per capita ajustado por fatores demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, conforme ilustrado na Tabela 6. (GIOVANELLA E STEGMÜLLER, 2015).

A Tabela 6, evidencia uma ligeira queda no gasto público em saúde com tendência à estagnação. Na Alemanha houve ligeira queda do gasto público em saúde percentual em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) sendo no ano de 2010, 8,6% e no ano de 2011, 8,4%. Este fenômeno, se repetiu nos demais países como exemplo a queda do gasto público na Espanha de 6,9% para 6,6%, no ano de 2011. E no Reino Unido de 8,0% no ano de 2010 para 7,8% no ano de 2011.

Tabela 6 - Características do financiamento dos sistemas nacionais de saúde da Alemanha, Espanha e Inglaterra.

Fonte: (GIOVANELLA E STEGMÜLLER, 2015).

O Seguro Social de Doença alemão não presta serviços diretamente, os serviços são contratados por meio de prestadores públicos ou privados organizados em entidades corporativas, sem regionalização ou territorialização da rede. Nos serviços nacionais de saúde da Inglaterra (unitário) e Espanha (descentralizado para estados), o predomínio é de prestadores próprios com tradição na organização

Características Alemanha Espanha Reino Unido/Inglaterra *

Gesetzliche Krankenversicherung (GKV) Seguro Social de Doença

Sistema Nacional de Salud (SNS) National Health Service (NHS)

Gasto público em saúde (% PIB) **,***

2005 8,0 5,6 6,7

2008 7,9 6,3 7,3

2010 8,6 6,9 8,0

2011 8,4 6,6 7,8

Gasto público em saúde (% do gasto total) **

2000 79,5 71,6 79,1

2005 76,6 71,0 80,9

2010 76,7 74,2 83,5

2011 76,5 73,0 82,8

Gasto público per capita em saúde US$ ppp ** 2000 2.130 1.101 1.446 2005 2.577 1.614 2.206 2008 3.037 2.169 2.593 2009 3.250 2.314 2.819 2010 3.331 2.267 2.857

Gasto total em saúde (% PIB) **,***

2000 10,4 7,2 7,0

2005 10,8 8,3 8,3

2010 11.6 9,6 9,6

Modelo de financiamento Contribuições sociais, proporcionais ao salário (15,5%) não relacionadas ao risco: 8,2% trabalhadores;

7,3% empregadores.

Recursos fiscais descentralizados para as CCAA (tributação progressiva).

Recursos fiscais (tributação progressiva). Principais fontes/agentes (2010) 24,28 ** Recursos fiscais 6,7 69,2 67,9 Contribuições seguro social 70,5 4,6 15,3 Seguros privados 9,6 5,7 2,9 Out of pocket 12,4 20,2 11,1 Copagamento no sistema público/seguro social

10 Euros por dia de internação hospitalar, máximo 28 dias; medicamentos, transporte sanitário

e outros meios entre 5 a 10 Euros; Carga máxima de 2% da renda

familiar e de 1% para doentes crônicos; próteses dentárias subsídios parciais; Isentos: crianças

até 18 anos e grávidas.

Até 2012: medicamentos, no valor de 40% do preço de venda e de 10% para algumas situações crônicas, com isenção para maiores de 65 anos.

Medicamentos, tratamentos e próteses dentárias. 50% da população estão isentas:

> 60 anos, crianças, grávidas, baixa renda.

territorial de redes de serviços regionalizada e hierarquizada, com atenção primária

forte e médicos generalistas (GIOVANELLA E STEGMÜLLER, 2015).

Peculiaridades no setor hospitalar diferenciam os países. Na Alemanha, as caixas estabelecem contratos com cada hospital e remuneram as internações de seus segurados com base em um sistema de pagamento prospectivo. A quase totalidade dos hospitais existentes na Alemanha é contratada pelo conjunto das caixas com oferta distribuída entre prestadores públicos (49%), filantrópicos (35%) e privados (17%). No setor hospitalar inglês, os estabelecimentos são predominantemente públicos (95%), ainda que gradualmente tenham assumido formas de gestão com maior autonomia (trusts), e os médicos são empregados como funcionários públicos. Na Espanha, 84% dos leitos em hospitais gerais são públicos, 81% das internações são financiadas pelo Sistema Nacional de Salud e, entre elas, 92% prestadas em hospitais públicos. Cada área de saúde, com população entre 200 mil habitantes, tem pelo menos um hospital geral responsável por internações, atenção especializada ambulatorial e serviço de urgências. A maioria dos hospitais permanece na administração pública direta sob contrato-

programa de gestão com o Serviço Regional de Saúde (GIOVANELLA E

STEGMÜLLER, 2015).

As reformas implementadas no sistema de saúde alemão, espanhol e inglês impactaram as três diferentes dimensões de universalidade, conforme parâmetros estipulados por WHO (2008). A Espanha efetuou mudanças de regras de inclusão, excluindo imigrantes ilegais e residentes sem qualquer inscrição na Previdência Social que resultarão em curto e médio prazo em redução na proporção da população, desta forma a primeira dimensão “amplitude da cobertura populacional por esquema público”, é afetada. A dimensão da universalidade “abrangência da cesta de serviços coberta” é tensionada e sofre restrições de distintas ordens nos três países. Mudanças no catálogo de serviços com exclusão explícita de serviços ocorrem na Espanha e na Inglaterra. consideram necessários. Nos três países, medidas implícitas de racionamento com priorização de ações tendem a se apresentar decorrentes dos cortes de recursos. Intensifica-se o controle para a entrada de novas ações no catálogo de serviços, fortalecendo-se o papel dos órgãos de regulação .

Giovanella e Stegmüller (2015) destacam o aumento dos tempos de espera para cirurgias eletivas na Espanha, por conta dos cortes efetuados este fenômeno também é previsto na Inglaterra. A Espanha sofre por redução da oferta de serviços de saúde por diminuição de pessoal e de investimentos. Novas formas de gestão de estabelecimentos públicos, iniciativas de parcerias público privadas para investimentos, privatização e terceirização da gestão de hospitais são tendências encontradas nos três países, que podem influenciar na disponibilidade de serviços.

A recente crise financeira internacional gerou pressões econômicas para que haja uma redução de gastos nos sistemas nacionais de saúde, e gerou oportunidades para países mais conservadores, ampliarem as suas medidas restritivas, intensificando a privatização e reduzindo o papel do Estado. Como tem feito a Inglaterra, o National Health System tem passado por uma enorme reforma

estrutural39, em que há uma tendência a privatização de hospitais públicos,

contratação de mão de obra terceirizada, prestação de serviços por empresas terceirizadas. Na Inglaterra, todos os hospitais públicos devem se transformar em

Foundation Trust com maior autonomia e possibilidade de captação recursos

privados (POLLOCK, 2005).

A Espanha fortemente impactada pelo aumento do déficit público tem adotado medidas de austeridade, e cortes no sistema de saúde, excluindo gastos com pessoal, aumentando os co-pagamentos e restringindo acesso ao sistema de saúde.

Posto neste capítulo, os condicionantes da crise europeia, e o impacto da crise europeia no sistema de saúde europeu, na próxima sessão dar-se-á a discussão do debate europeu sobre a taxação do capital financeiro, sendo esta uma eventual forma de se gerar recursos para financiar os enormes déficits públicos dos países europeus, diminuindo a pressão sobre a redução dos gastos com políticas sociais.