Treinador J
Procurar o melhor sítio (diferente de local melhores ondas). Qualidade de onda inferior mas superior rentabilidade.
Escolha de ondas mais longas e com rebentações mais fortes provocando maiores remadas.
Treinador L Adaptar treino quando condições não permitem. Closeout: realizar 1 manobra forte. Cutback (não há condições): uso do skate.
A nível do processo de treino há uma preocupação em avaliar as condições de prática, pois todos os treinadores consideram que a interferência do contexto está sempre a condicionar a aprendizagem das habilidades técnicas. Neste processo de avaliação o treinador tem que dominar bem a leitura de mar para criar as condições de prática adequadas ao nível de prática dos seus atletas. Os treinadores apresentam duas hipóteses de trabalho: a procura de um local adequado onde se consiga cumprir os objectivos da sessão ou, então, a adaptação do treino às condições apresentadas.
Claro que são tidas em consideração. Para já há dois aspectos, ou eu vou ter que adaptar a técnica ao mar que temos, ou então, eu quero mesmo trabalhar uma técnica e temos que procurar
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uma praia diferente. Mas não posso estar a inventar manobras quando elas não saem naquelas ondas.
Eu posso não querer interromper o meu trabalho técnico e felizmente aqui perto, entre o Estoril e Peniche eu tenho a onda certa para a técnica que tu quiseres. Isso para não interromper o trabalho técnico. (Treinador F, questão 14)
No surf, nós temos que procurar a técnica para as condições que estão. Nós é que temos que nos moldar às ondas, dependendo das condições que estão. Trabalhamos determinados manobras que se adequam mais aquele estilo de mar. Eu não posso ir treinar floaters para Pipeline, temos que nos adequar e temos que saber o que pedir aos miúdos consoante as condições. Temos que trabalhar muito assim, porque se nós tivéssemos uma máquina de ondas, então já poderíamos dizer que hoje vamos trabalhar assim, e amanhã vamos trabalhar assim. Mas estamos sempre condicionados. (Treinador B, questão 14)
(...)quando vamos olhar para as manobras, para o treino da técnica, propriamente dita, claro que existe ondas e tipos de condições que facilitam o treino. Se eu quiser que um atleta treine linhas, vou tentar levar o atleta para uma onda que não seja demasiado rápida, que o obrigue a fazer cut- backs, para ele aproveitar o potencial da onda. Se eu quiser que ele desenvolva a velocidade, irei leva-lo para uma onda mais rápida, onde inclusive, se ele não tiver velocidade, vai fechar uma secção e não vai conseguir progredir na onda. (Treinador C, questão 14)
Para os treinadores encontrarem o melhor local de prática terão que fazer uso da Internet e possuir veículos que façam o transporte dos atletas para esse local.
Devido ao forte condicionamento existente na aprendizagem das técnicas, o treinador terá que realizar um planeamento flexível e poderá utilizar a constante modificação do contexto de forma a atingir alguns objectivos no treino.
Esta interferência do contexto é um bocado imprevisível, pois nem todos os dias está off-shore, nos fundos de areia os picos estão em constante mutação. Neste aspecto poderá ser o treinador a modificar o contexto, por exemplo, pôr mais pressão sobre os atletas dentro de água, surfar em picos com mais gente, simular situação de competição, etc. (Treinador E, questão 14)
Alguns treinadores apresentaram, ainda, algumas condições específicas que poderiam ser encontradas, para o treino de determinadas técnicas. Assim para o treino do cut-back terá que ser realizado numa onda lenta e para o atleta adquirir velocidade terá que ser realizado numa onda rápida.
Os treinadores atribuíram grande importância ao local de treino no momento antecedente ao campeonato. Referiram que as condições de prática deveriam ser as mais
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90 idênticas possíveis, em termos de correntes, do tipo de pico e da direcção de onda (esquerda ou direita), ao local onde a prova se vai desenrolar.
São bastante as interferências do ambiente nas sessões de treino, por que o surf é um desporto que é praticado ao ar livre e estamos sempre dependentes das condições do mar. Para tal, temos que estar sempre prevenidos, pois a aula nem sempre se realiza da forma como foi inicialmente planeada. Temos que ter sempre planos alternativos. Se não podemos realizar de forma prática, executamos determinados exercícios. Existe também sempre a possibilidade de realizarmos a prática num outro local, onde contemple melhores condições. Para isso teremos que ter um transporte. (Treinador I, questão 14)
...depende muito do que é que ele esteja a desenvolver em termos técnicos e quando eu estou a fazer uma preparação especifica para uma prova, já tem a questão de procurar as condições de onda, quer em questões de força, da extensão existente, das correntes, o mais similar possível daquelas que irá encontrar na prova. Se possível metê-lo a treinar no próprio local onde a prova se irá desenrolar, ai sempre a adequação do meio. Hoje em dia com a Internet e se houver a possibilidade de se deslocar já temos a possibilidade de fazer uma selecção e ter alguma actualidade daquilo que queremos treinar com as condições que iremos ter. (Treinador H, questão 14)
4.4.8. O Treino da Condição Física
O treino, enquanto processo bio-pedagógico, visa assegurar e aperfeiçoar o desenvolvimento físico específico, determinado pelas exigências da modalidade praticada, pretendendo-se que o atleta seja capaz de executar todos os movimentos, especialmente aqueles que são exigidos pela modalidade. A condição física, apresenta- se como um dos factores que influenciam a aprendizagem das habilidades técnicas do surf. Pretende-se, assim, descrever de que forma é que os treinadores realizam o seu trabalho para facilitar o processo de aprendizagem dos seus atletas, assim como, que exercícios e tarefas propõem para a melhoria das capacidades físicas.
Com o quadro 28 pretende-se apresentar as ideias fortes das concepções dos treinadores referentes ao momento em que é realizado o treino da condição física e que formas são utilizadas para realizar este tipo de trabalho.
_____________________________________________________________________________________________Resultados Quadro 28 – O momento e as formas de trabalho da condição física.
Momento Formas
Treinador A Início do ano
Ginásio:
Exercícios de equilíbrio Andar sobre bancos suecos Utilizar paralelas
Conjugação do treino de equilíbrio/agilidade/técnica.
Treinador B Treinar fundamentalmente o equilíbrio
Treinador C Desde o início
Forma contínua e geral
Exercícios de forma lúdica (jovens)
Simulações de manobras tentando dificultar com um peso.
Treinador D
Trabalho físico e depois o técnico Peso do próprio corpo
Jogos (“Touch-rugby”) Salto ao eixo
Jogos de equilíbrio e força
Circuitos na areia onde há simulação dos gestos técnicos
Força: abdominais; lombares e flexões (15 de cada); pulos de canguru; flexões de pernas, corridas de carrinhos de mão.
Treinador E Início da época
Capacidades motoras (nível geral) Competições:
Gestos semelhantes à técnica Corridas
Remadas Natação
Força: circuitos com movimentos semelhantes Coordenação: utilização do skate.
Treinador F Início da época Força: no ginásio, membros inferiores Resistência. Treinador G Ginásio (capacidades motoras) Praia (capacidades motoras)
Situações semelhantes aos gestos técnicos
Treinador H
Exercícios gerais e depois exercícios específicos Condição física nas próprias tarefas
Aproveitamento das condições naturais: zonas com correntes, com pontões, rochas, etc.