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O Bullying não é um fenômeno novo, porém, vem ganhando notoriedade nas últimas décadas (FANTE, 2011), do qual a desatenção é atribuída à falta de informação e ao

desconhecimento de sua gravidade, resultando em sua naturalização. Mas, com o aumento das ocorrências e a gravidade de alguns ataques com reações extremistas resultando em tragédias, as investigações sobre o tema tem aumentado recentemente.

Segundo Rolim (2015), além de os estudos e pesquisas sobre Bullying serem recentes, o país ainda está longe de ter políticas públicas que produzam resultados efetivos na sua prevenção e o problema ainda é ignorado por governantes, bem como ainda há confusões conceituais importantes observadas em diversas falas e textos sobre o tema, principalmente nas diferentes mídias e nas redes sociais

Segundo Fante (2015), foi na década de 1990 que o Bullying passou a ser um conceito considerado no campo de estudos sobre violência, os primeiros ensaios surgiram na década de 1970, mas é tão antigo quanto a escola, que sem tradução para a língua portuguesa, ocorre entre pares e em sua maioria no ambiente escolar.

A definição do termo Bullying parece ser clara para Fante (2015), porém sua aplicabilidade apresenta divergências, que talvez ocorram pelo fato de os estudos serem recentes e da insuficiência de pesquisas aprofundadas sobre seus impactos ao longo do tempo. O termo Bullying é de origem inglesa, mas foi adotado em muitos países como forma de definir o desejo consciente e decidido de maltratar uma pessoa e colocá-la sob tensão com comportamentos agressivos que quando se repetem, ocorrem sem motivação evidente, se dão por intimidação entre pares e pelo desequilíbrio de poder com a incapacidade da vítima em se defender, trata-se de Bullying. O fenômeno está em expansão, tem forma peculiar, características bem definidas e não pode ser confundido com conflitos e brigas comuns, como também não ocorre somente no espaço escolar, apesar de ser o local da maioria das ocorrências. (FANTE, 2011; WILLIAMS E STELKO-PEREIRA, 2013; CAMARGO, 2015; FANTE, 2015; ROSA, 2015)

Williams e Stelko-Pereira (2013) ressaltam que é importante destacar que o Bullying só ocorre entre pares, ou seja, o(a) professor(a) não pratica Bullying com aluno(a), pai, ou mãe, não pratica Bullying com filho(a) e também não se configura quando há um caso isolado de violência, deve ser repetitivo.

O Bullying perpassa todas as gerações escolares, desde a educação infantil até a universidade, assim, como todas as escolas independentemente de classe social, gênero, raça e outros fatores, explica Camargo (2015), estando a agressividade presente em qualquer série, ciclo ou faixa etária, no entanto, na educação infantil é preciso conhecer as esferas da

agressividade para discernir o que é ou não é esperado para cada faixa etária, sexo e desenvolvimento cognitivo para que não se confunda com Bullying.

Os indicadores que demonstram os comportamentos dos envolvidos são expressivos, mas não basta apenas apresentá-los aos pais, ou responsáveis, esclarecem Brino, Floria e Menezes (2013) é preciso debater, ponderar e identificar exemplos de situações reais de seus contextos para que reflitam sobre a importância de reconhecer os sinais, mas que saibam o que fazer posteriormente, sendo encorajados a estabelecer diálogo com os(as) filhos(as), e, assim, propor meios alternativos de resolver os problemas e conflitos que não estejam ligados ao uso de violência, ressaltando que crianças e adolescentes se espelham nas relações e comportamentos que presenciam entre os adultos da família.

Há mitos comumente associados ao Bullying, destacam Williams e Stelko-Pereira (2013), que precisam ser desmistificados e discutidos, por exemplo, acreditar que seja natural do desenvolvimento de uma pessoa, que crianças e adolescentes devem resolver seus conflitos como acharem melhor, que Bullying é um jogo entre crianças, que as vítimas provocam os agressores como se merecessem sofrer e que o filho jamais será um agressor, entre outros.

Por vezes, o Bullying é considerado violência velada, explica Fante (2011), devido sua banalização como quando o consideram brincadeira própria da idade, mas isso o torna mais grave, visto que precisa ser debatido e trabalhado, pois é destrutivo e atinge milhares de alunos(as), devendo ser considerado tema preocupante e de grande relevância.

Ao buscar compreender o Bullying, Fante (2011) menciona que foram descobertas variadas formas de manifestações e descobriu-se também que muitas vítimas sofrem caladas por vergonha de se expor e por medo de represálias do(a) agressor(a) ficando presas a sentimentos destrutivos como o medo, insegurança, raiva, desejo de vingança, fobias sociais e até mesmo o desejo do suicídio.

É urgente para Fante (2011) a necessidade de conscientização da existência do Bullying, que deve envolver todos que participam do cotidiano da criança ou adolescente, da comunidade escolar ou extraescolar, que possibilitem o tratamento de suas manifestações e comportamentos que elevem a violência no ambiente da instituição.

Devido a escola ter se tornado palco para manifestações de violência, Fante (2011) explana que tem sido crescente o número de alunos(as) que passaram a se envolver com drogas ou porte de armas, ambos apreendidos em escolas, como provável busca de coragem ou meio de enfrentar os agressores. Portanto, não basta inibir a violência, é preciso promover

a educação para ação construtiva, em lugar de ação violenta, propiciando conhecimento e reflexão sobre o Bullying e suas consequências.

Somente assim, o(a) aluno(a) é desperto para sua consciência crítica e descobre seu poder transformador, explica Fante (2011), pois não há transformação sem conhecimento e ao compreender suas atitudes em relação aos outros, é possível modificá-las e desenvolver o sentido e compromisso, de responsabilidade e valores que contribuam para a formação de uma sociedade mais justa, solidária e menos violenta.

Iniciativas de combate à violência entre alunos(as), só são bem-sucedidas na perspectiva de Fante (2011) quando tem ciência que o Bullying ocorre em todas as escolas do mundo, independentemente de características culturais, econômicas e sociais, que é fonte geradora de inúmeras outras formas de violência. Em concordância, Camargo (2015) aponta que por ser violência velada, o Bullying torna-se de difícil identificação, mas para prevenir suas ocorrências deve-se aceitar que está presente em escolas do mundo todo, assim, é inverídico quando uma escola alega que não há ocorrências em seu ambiente, sobretudo se não desenvolve trabalhos para prevenção.

O Bullying é para Fante (2015), complexo, multifatorial, requer ações interdisciplinares e transdisciplinares, comprometimento individual, profissional, comunitário e governamental, pois ocorre e ecoa nas escolas de modo naturalizado, invisível e simbólico, sinalizando que as relações sociais precisam ser reavaliadas, bem como valores e exemplos transmitidos às crianças e adolescentes que se espelham na forma de resolução de conflitos praticadas pelos adultos com quem convivem.

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