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III - Relations avec la profession

Dans le document Td corrigé 2. L'école Estienne - HAL-SHS pdf (Page 165-174)

Sobre danças tradicionais de Mato Grosso, o livro intitulado “Cultura e dança em MT: Catira, Curussé, Folia de Reis, Siriri, Cururu, São Gonçalo, Rasqueado e Dança Cabocla na região de Cáceres”, de Beleni Saléte Grando (2005)40, fala de maneira detalhada, como são as danças

tradicionais de MT. Essas, majoritariamente, seguem as organizações de danças das matrizes africanas e indígenas.

Como “Dança Tradicional” a autora e seus acadêmicxs têm aquelas com um enorme potencial educativo da cultura, a qual fora passado de geração em geração, a fim de possibilitarem a compreensão do movimento humano como uma manifestação corpórea de homens, mulheres, crianças, jovens e idosos, de todas as classes e raças. A exemplo, a autora cita o movimento dos povos indígenas de Mato Grosso em sua luta pela terra, o povo mato-grossense “de hoje” vai e vem construindo sua(s) história(s) marcadas por lutas internas e coletivas que trazem suas raízes culturais, através da dança, como ingrediente necessário à conservação de sua história (GRANDO, 2005, p. 10).

40 GRANDO, Beleni Saléte. Cultura e dança em MT: Catira, Curussé, Folia de Reis, Siriri, Cururu, São Gonçalo, Rasqueado e Dança Cabocla na região de Cáceres. Cáceres: Unemat Editora, 2005. Disponível em:

http://www.entrelinhaseditora.com.br/uploads/produtopdf/Cultura-e-Danca-em-Mato-Grosso.pdf Acesso em 15 de marco de 2018.

Em outra produção da autora, Grando (2005), fala que a dança, na comunidade indígena pesquisada, do momento pleno de religiosidade e rito, que as danças, enquanto fato social total, expressam, na materialidade dos corpos pintados e ornamentados, com seus movimentos harmônicos e coletivos, a beleza, a força e a identidade do povo bororo.

Neste ritual, inúmeras danças são recriadas e transmitidas de forma tradicional – de mão em mão nos termos de Hasse (2002) –, os mais velhos ‘iniciam’ (integram à sociedade adulta) os jovens, com a ‘fabricação de seus corpos’, e os constitui como membro do seu grupo de idade, do clã, da ‘sua metade’, com uma identidade específica na sociedade bororo (GRANDO, 2005, p. 166).

A dança do Jure41, observada pelos registros da Missão da autora, desde 1995, tem sido uma prática corporal inserida em Meruri como estratégia de educação dos mais jovens. Ela é identificada como recurso intercultural (geralmente proposto e patrocinado pelos missionários por meio de festas religiosas, pela escola ou por projetos de valorização da cultura) capaz de preencher as lacunas provocadas pela ausência de rituais, por proporcionar aos jovens e às crianças, a educação que passa pelo corpo.

Essas danças se fazem necessário que destaquemos, pois o grupo que estamos dialogando, no âmbito do curso de EF, assim como da cidade à qual a pesquisadora está inserida, valoriza e desenvolve várias ações como festivais folclóricos e tradicionais da região. Desse modo, essas danças acabam sendo mais valorizadas, tendo mais prestígio e popularidade, deixando de lado, por exemplo, apresentações referentes ao que o grupo Filhos de Afrodite desenvolve.

A região e suas danças tradicionais impõem papéis bem diferentes a homens e mulheres, com traços da cultura indígena, como mencionado, mas também da cultura afro-brasileira. No cururu (em círculo), por exemplo, apenas homens podem cantar e dançar; no Siriri, mulheres são desafiadas por homens para suas danças, com bastantes movimentos rápidos de “touradas” e com os joelhos quase sempre flexionados. Já o Chorado, mais conhecido na região de Vila Bela da Santíssima Trindade/MT, caracteriza-se por se uma dança apenas realizada por mulheres (em círculos e fileiras), com garrafas em cima de suas cabeças, celebrando, religiosamente, vida e morte de seus ancestrais, não podendo ser dançada por homens.

41 Jure que expressa essa mediação intercultural como dança, significa sucuri (mas também arco-íris), e a dança com este nome tem uma coreografia que lembra o movimento circular da cobra, como é narrado no mito de origem dos rios Pobo Tawujodo, em que os movimentos da cobra criaram as curvas dos rios. No mito, “o sucuri” é responsável pelas curvas do rio – “Ele curvava, o rio se curvava, ele se endireitava e o rio se endireitava (GRANDO, 2005, p. 169).

Fotografia 5 – Dança do Chorado-MT

Fonte: Google imagens, (2019).

Fotografia 6 – Dança do Chorado-MT

Fonte: Google imagens, (2019).

Fonte: Google imagens, (2019).

Fotografia 8 – Siriri-MT

Fonte: Google imagens, (2019).

Fonte: Google imagens, (2019).

Fotografia 10 – Cururu-MT

Fonte: Google imagens, (2019).

Fonte: Google imagens, (2019).

Fotografia 124 – Rasqueado-MT

Fonte: Google imagens, (2019).

Para Andreoli (2010), a associação entre dança e falta de masculinidade, ou seja, a ligação entre práticas corporais e sexualidade, ou seja, homossexualidade, aparece muito fortemente na cultura brasileira, e, em especial, no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso. Esse espectro da homossexualidade não paira sobre as relações femininas com a dança, atentando para o fato, por exemplo, que em festas, bailes e/ou festivais, as mulheres dançarem juntas não desperta o mesmo “temor” ou constrangimento que o fato de homens dançarem juntos, desperta. Assim,

possivelmente, com o interesse de sustentar esse modelo hegemônico de construção de masculinidade e também de sexualidade, o modelo heterossexual masculino, que a sexualidade, na dança, é elemento de hierarquização e regulação de gênero.

A partir daí, surge a noção de que homens que se aproximam da dança não são “totalmente” homens. Na opinião de Andreoli (2010), essa noção está mais fortemente relacionada ao balé e às danças dele próximas (Dança Moderna, Jazz, Dança Contemporânea), do que, por exemplo, ao hip

hop, às danças tradicionalistas gaúchas ou de Mato Grosso, ou danças de salão, como já ditas.

Cabe ressaltar que danças tradicionais são danças de pares tidos como heterossexuais. Elas reforçariam a heterossexualidade. Já as danças artísticas/profissional, bem como, a dança moderna não são danças de pares. Nelas é que se exerce esse preconceito de que a dança feminiza o homem. As danças tradicionais (feitas por pessoas comuns, não profissionais e associadas ao lazer) são campos sociais completamente diferentes da dança artística (feita por profissionais da dança e associadas ao ofício de dançarinx).

A subversão é contextual, histórica e acima de tudo social. Não importa quão excitante seja o potencial ‘desestabilizador’ dos textos, corporais ou não, se aqueles textos são subversivos ou restauradores, ou dois ou nenhum dos dois é algo que não pode ser determinado abstraindo-se a prática social concreta” (Susan BORDO In Hooks, 2019).

A seguir, falarei mais diretamente sobre os corpos que foram racializados ao longo da história e como essas representações vêm tomando espaços na dança. Falarei mais diretamente sobre o Grupo de Dança Contemporânea Filhos de Afrodite, como se constituiu dentro de um curso de Educação Física que tem, na sua história, uma construção heteronormativa e colonialista, assim como, falarei desse grupo que teve sua construção em uma cidade que cultua e valoriza muito (senão apenas) as danças tradicionais como já elucidadas neste Capítulo II.

3 O ESPETÁCULO: CORPOS RACIALIZADOS NA DANÇA

“[...] E do mesmo modo a teoria racial, que ostensivamente busca manter as raças para sempre separadas, se transforma em expressões de formas clandestinas e furtiva do que se pode chamar de ‘desejo colonial’: uma obsessão velada e insistente de sexo transgressivo e inter-racial, hibridismo e miscigenação – a história, de falto, de South Pacific”.

(MISKOLCI, 2005).

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