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III - Un exemple plus copieux

Dans le document PY-MATH N° 24 (Page 66-71)

Munari foi um dos principais nomes associados à teoria e prática do design, tornando as suas abordagens sistémica e prática e as suas perspetivas quanto ao design intemporais e ainda hoje estudadas e respeitadas. Este insistia que o design deve ser belo, funcional e acessível - ideais que transportou para os seus livros e projetos. Apresentada em 1981 no seu livro "Das

coisas nascem coisas", este autor desenvolveu uma metodologia justificada pela noção de que

quando se sabe o que fazer - e como o fazer - projetar é uma tarefa fácil.

A sua metodologia foi baseada nas quatro regras do método cartesiano de Descartes: evi- dência, análise, síntese e enumeração. Seguindo o raciocínio deste método, primeiro dever-se-á comprovar a veracidade do conceito, explicitando e clarificando-o (comprovando se existem provas reais e indubitáveis acerca do conceito estudado). Após a desconstrução do conceito para que o mesmo seja verdadeiramente conhecido, o mesmo deve ser analisado, dividindo-se em partes simplificadas para uma melhor perceção das questões. No terceiro passo, é impor- tante que sintetizadamente se conduza a investigação para entendimento dos conceitos mais simples para os mais complexos, admitindo uma ordem entre eles mesmos (agrupando nova- mente as unidades estudadas e formando um todo). Por fim, deve ser realizada uma enumera- ção exaustiva das conclusões e princípios utilizados, de forma a que não sejam omitidos dados relevantes e que se mantenha a ordem de pensamento.

Em suma a ideia será: "não aceitar como verdadeiro nada, sem que se reconheça como tal,

dividir o problema em muitas partes para que mais facilmente [seja] resolvido, ordenar os pen- samentos e enumerar e rever tudo eliminando hipóteses de erro ou de omissão, estavam assim lançadas as bases para o método projetual" (Barbosa, p.42).

Fundamentalmente, os benefícios da aplicação da metodologia de Munari para a resolu- ção de problemas e para facilitar o processo de trabalho do designer, são: a racionalização do projeto (algo que exige que o designer reflita em cada passo da formulação da solução para um problema); a otimização dos materiais (sendo que são uma parte integrante do processo de trabalho e vão sendo escolhidos ao longo do desenvolvimento do trabalho e não no fim); o controlo da evolução de trabalho e a redução de custos (pois as probabilidades de errar são minimizadas pela metodologia).

E estes benefícios são encontrados através da aplicação das doze fases de trabalho defendi- das pelo autor para que se encontrem soluções para um problema:

1. Problema; 2. Definição do problema; 3. Componentes do problema; 4. Recolha de dados; 5. Análise de dados; 6. Criatividade; 7. Materiais e tecnologias; 8. Experimentação; 9. Modelo; 10. Verificação; 11. Desenho de construção; 12. Solução.

Na primeira fase é identificado o problema do design, que é resultado de uma necessidade, segundo Munari. É apenas na segunda fase - definição do problema - que o problema é esta- belecido como um todo, se determinam intenções e os limites dentro dos quais se pretende trabalhar. Para a fase seguinte (terceira), o problema é dividido por elementos que o compõem direta ou indiretamente, evidenciando problemas isolados inseridos no problema principal. Nesta etapa possibilita-se uma melhor compreensão - como uma vista panorâmica - de deta- lhes de elementos importantes do projeto (histórico da marca, público-alvo, pontos de venda, comunicação, posicionamento, concorrentes, etc.). A recolha e análise de dados é feita de forma organizada, procurando e agrupando referências que possam auxiliar no processo de geração de alternativas (fase seguinte) simultaneamente percebendo a ligação entre o problema e os seus sub-problemas e a forma como podem ser ultrapassados através do uso dos dados recolhi-

dos. Para a sexta fase - criatividade -, Munari aconselha a que se mantenha a criatividade dentro dos limites do problema, ao mesmo tempo que se constroem painéis semânticos (moodboards) que sintetizem os dados previamente recolhidos e analisados e os elementos que melhor re- presentem o cenário estabelecido a partir dos componentes do problema.

Na fase seguinte procuram-se detalhar os materiais e tecnologias que se encontram dispo- níveis ou que serão necessárias para a concretização do projeto (desde o software, a material para impressão ou para aplicação física, entre outros). A fase de experimentação permite que se explorem novas aplicações de materiais, de técnicas ou instrumentos, de forma digital ou física e se testem variações (escala, cores, padrões), materiais e técnicas, maximizando as alter- nativas para soluções ao problema. A nona fase - Modelo - continua a fase de experimentação, completando-a por tratar a materialização física daquilo que se pretende produzir, testando e questionando a sua eficácia relativamente ao problema (adequação ao posicionamento, ao tema, ao público-alvo, ao utilizador, às tendências).

O desenho de construção prepara com rigor, clareza e legibilidade (com anotações sobre a impressão, medidas e detalhes técnicos exatos) os desenhos para a solução - algo necessário para a realização física do protótipo final. Por fim, na última fase - e a partir dos desenhos de construção previamente executados -, materializam-se os resultados obtidos. Esta materializa- ção é considerada a solução do problema identificado na primeira fase da metodologia. A partir do protótipo podem ser feitas análises que permitam identificar possíveis melhorias a aplicar no projeto, antes do mesmo ser aplicado definitivamente.

Com este método procura-se não deixar nenhum problema (ainda que indireto ou de pequeno impacto) por resolver, procurando-se também encontrar uma solução fiel que vá de encontro às necessidades expostas. Estes doze processos detalhados permitem que se desen- volvam soluções adaptadas às medidas dos problemas, sendo este modelo aconselhável pela sua flexibilidade e facilidade de aplicação em áreas diversas (visto que este modelo pode ser aplicado tanto em áreas como o design ou arquitetura). Cada um dos passos mencionados promove a racionalidade do profissional e a fluidez de trabalho, que consequentemente produ- zem melhores e mais eficazes resultados.

Fig. 104 - Proposta de modelo

linear de gestão de projeto apresentado por Bruno Munari, "Das Coisas nascem Coisas". (Fonte: da autora, adaptado de Munari, 2008, p.55)

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