É necessário entender qual o rumo da disciplina de forma a que a EF seja um agente de mudança (Corbin, 2002). Desta forma, conduzimos um estudo na ESJGF para compreender qual a opinião dos pais e dos alunos do ensino secundário sobre os benefícios educacionais da EF, contribuindo para o desenvolvimento da disciplina. “O indivíduo socializa-se dentro e fora da instituição escolar e, por isso, a educação social deve efectuar-se em todos os contextos nos quais se desenvolve a vida do ser humano.” (Díaz, 2006), sendo portanto essencial conhecer e compreender o processo educativo em casa, ou seja, entender o que é transmitido em casa e o seu reflexo nas aulas (comportamentos nas aulas).
A investigação corrente, bem como o nosso estudo, centra-se na verificação dos benefícios e o modo como se expressam nas salas de aulas, sendo claro para os académicos que é necessário estudar este tema (Bailey, Amour, Kirk, Jess, Pickup & Sandford, 2009). É também necessário perceber as razões atribuidas a essa importância, qual a natureza e justificação das respostas (Bailey, et.al, 2009). Assim, considerámos importante questionar pais e alunos sobre o contributo da EF nas diferentes dimensões do desenvolvimento dos alunos: desenvolvimento social, psicológico, cognitivo e motor (Bailey, et.al, 2009) bem como o propósito central da disciplina que a torna relevante na perspetiva dos respondentes.
Os nossos resultados mostram que pais e alunos consideram que o principal propósito da disciplina de EF é a promoção de estilos de vida saudável, concordante com a primeira finalidade dos PNEF (2001: 6) “Na perspectiva da qualidade de vida, da saúde e do bem-estar”.
Numa das visitas inter-escolas, com a Escola Secundária de Linda-a-velha, esta primeira finalidade, está presente numa cultura de escola, numa cultura de grupo de EF. Considero positivo o foco grande nesta finalidade e a forma como transmitem e praticam para terem ferramentas diretas para o resto da vida.
Como escrito no Capítulo III, Seção V, Artigo 48º do Regulamente Interno do Agrupamento de Escolas de Benfica (2013: 8), referente às competênicas do diretor de turma, este tem de “Atender, semanalmente, os encarregados de educaçao e registar os contactos realizados;”. A par desta informação, aquando do acompanhamento da diretora de turma, em especial no atendimento aos pais, foram várias as conversas que estavam de acordo com os resultados obtidos. Ao transmitir informação sobre a disciplina, tentei ser capaz de (Carreiro da Costa, 2009): explicar
46 qual a importância da disciplina na formação dos seus educandos; envolver os pais nas atividades curriculares e nas extracurriculares para apoio à particicação dos filhos em prática de atividades física; Incentivarem os pais a quererem uma EF de qualidade; explicar aos pais que a EF está positivamente relacionada com o sucesso escolar. Também, tentei sempre reforçar os aspetos de cooperação, entreajuda, valores morais e o desenvolvimento harmonioso do aluno. Para uma mãe específica, o discurso dela era focado em manter o corpo magro, algo que sabemos que não deve ser o foco da EF (Corbin, 2002). Então, o foco do meu discurso foi em aspetos como o alcance de objetivos, que a aluna não tinha em muitas disciplinas, a satisfação pessoal de alcançar os objetivos. A resposta da mãe foi: “Se a disciplina for dar problemas no sucesso da minha filha, arranjo um atestado médico.” A preocupação com o desenvolvimento cognitivo dos filhos, o sucesso académico parece-me ser superior à preocupação de um desenvolvimento integral dos filhos.
Tendo o exemplo da escola visitada e do nosso contexto escolar, da resposta de uma mãe, considero importante focar junto da comunidade os benefícios que a EF pode ter ao nível da educação dos alunos. Assim, esta primeira finalidade não pode ser considerada como única. Como o especialista convidado para a participação e discussão do nosso estudo da área de investigação e inovação (área 2), mencionou: “A EF é um palco de emoções e vivências que mais nenhuma disciplina proporciona”.
Os resultados do nosso estudo, mostram que a comunidade escolar, perceciona que a EF é importante e tem benefícios a nível social, psicológico, cognitivo e motor. Apesar de considereram importante, foram poucos os pais que conseguiram sustentar a sua opinião com exemplos dos benefícios educacionais da EF a nivel psicológico e cognitivo.
A nível psicológico, pais e alunos identificaram o autoconhecimento como um dos benefícios educacionais da disciplina. Ainda, os alunos focam também o bem-estar e a motivação e os pais a autoestima, ambos, de acordo com os dados científicos encontrados previamente (Bailey, et al., 2009). A nível social, pais e alunos identificaram como principais benefícios educacionais o trabalho coletivo, a entreajuda e o respeito pelo adversário, sendo que estes tornam-se mais simples de compreender pela constante solicitação, como parte integrande dos objetivos gerais da disciplina, comuns a todas as áreas como vem expresso nos PNEF (2001:6):
“- Relacionando-se com cordialidade e respeito pelos seus companheiros, quer no papel de parceiros quer no de adversários;
47 - Aceitando o apoio dos companheiros nos esforços de
aperfeiçoamento próprio, bem como as opções do(s) outro(s) e as dificuldades reveladas por eles;
- Interessando-se e apoiando os esforços dos companheiros com oportunidade, promovendo a entreajuda para favorecer o aperfeiçoamento e satisfação própria e do(s) outro(s);
- Cooperando nas situações de aprendizagem e de organização, escolhendo as acções favoráveis ao êxito, segurança e bom ambiente relacional, na actividade da turma;”
A nível cognitivo, embora fossem muito poucos os pais e alunos a conseguirem dar exemplos dos benefícios educacionais da EF (cerca de 30%), os exemplos dados remetiam para a concentração e o raciocínio (através da leitura de jogo). Sabe-se que a prática de atividade física aumenta o fluxo sanguíneo cerebral, aumenta os níveis de alerta, estimula o desenvolvimento do cérebro (Shephard, 1997, citado por Bailey et al.,2009) e a concentração (Raviv & Low, 1990; Caterino & Polak 1999, citados por Bailey et al., 2009).
Por último, a nível motor os benefícios educacionais prendem-se com as habilidades motoras e as capacidades físicas estando em concordância com as principais finalidades dos PNEF (2001: 6):
“• Melhorar a aptidão física, elevando as capacidades físicas de modo harmonioso e adequado às necessidades de desenvolvimento do aluno.
• Promover a aprendizagem de conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades físicas. • Assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno, através da prática de: (…).”
Apesar de todos os benefícios educacionais mencionados por pais e filhos no nosso estudo, o propósito que estes consideram que a EF tem é o aspeto alarmante para o nosso dia-a-dia. Fora o que pais e filhos consideram como o principal propósito, os alunos no 11º ano consideram que a EF tem como segundo propósito a promoção de
48 descontração e divertimento, evidenciando o seu carácter lúdico. Surge assim a necessidade de diferenciar uma característica das aulas do propósito da disciplina, fazendo pais e alunos compreender que, apesar do clima de aula da EF ter um carácter mais descontraído comparativamente às restantes disciplinas, este não representa em si próprio um objetivo/propósito da disciplina, nem deve ser visto como tal. Reflete um pouco o que os professores de EF sentem durante as aulas com o 10º e com o 11º ano, onde muitas vezes ouvimos respostas como: “professor, não conta para nada”.
Como já foi referido neste relatório o grupo de EF, promove aulas de apoio a todos os alunos que os professores consideraram que necessitavam de mais tempo de prática para alcançar o sucesso. Aqui, é notória a diferença entre atitudes para a disciplina entre o terceiro ciclo e o secundário. Durante o terceiro ciclo, a assiduidade dos alunos é notória, sendo que estão empenhados em melhorar as suas competências. No secundário, a falta de assiduidade dos alunos que necessitam de alcançar o sucesso é recorrente. Assim, o que vem expresso no Decreto-Lei 139/2012 de 5 de julho, que regula a organização escolar, no seu capítulo III, secção III, artigo 28º, ponto 4, “Exceto quando o aluno pretenda prosseguir estudos nesta área, a classificação na disciplina de Educação Física é considerada para efeitos de conclusão do nível secundário de educação, mas não entra no apuramento da média final.”, veio dificultar e desvalorizar a EF por si só como grupo disciplinar e disciplina de importância no currículo do aluno.
Por último, tendo em atenção às palavras do especialista convidado referidas em cima, é necessário valorizar a EF pelo seu carácter eclético, pelo seu valor por si só e não em comparação com as outras disicplinas no currículo. Através do currículo eclético, os alunos têm mais hipóteses de alcançarem o seu potencial, onde os alunos gostam das aulas, têm um envolvimento positivo, e com constantes desafios (Evans, 1988).
O Programa do Desporto Escolar (2013 – 2017: 2), “visa aprofundar as condições para a prática desportiva regular em meio escolar, como estratégia de promoção do sucesso educativo e de estilos de vida saudáveis”, promovido através da atividade interna e externa de cada escola/agrupamento.
A participação em programas especiais como o megasprint, corta-mato e compalair, contribuiu para a dinamização da atividade externa do DE (Programa do Desporto Escolar, 2013-2017).
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Faz parte dos valores estratégicos deste programa, reforçar a componente de atividade interna e aumentar o número de participantes como a dinamização da atividade interna (Programa do Desporto Escolar, 2013-2017) bem como, ser da responsabilidade de cada departamento de EF. Neste âmbito, o departamento de EF agrupamento, no presente ano letivo organizou torneios de voleibol, badminton, futebol, andebol e basquetebol. Ainda, organizou no dia da escola, 20 de Novembro de 2013, o minichallenger que desafiava os alunos a realizar atividades físicas de forma diferente e recreativa e o IIIV Sarau gímnico. Tendo em conta que a minha capacidade de organização e construção de quadros competitivos de torneios nunca tinha sido desenvolvida, o envolvimento desde a preparação até à arrumação, permitiu-me entender melhor toda esta dinâmica de escola.
Faz parte da responsabilidade do professor responsável por um grupo-equipa preparar as competições (Programa do Desporto Escolar, 2013-2017). Foi me dada a oportunidade de encarar esta responsabilidade. A professora responsável pelo grupo- equipa, ao dar-me esta oportunidade tinha como objetivo principal melhorar a minha capacidade de liderança enquanto professora. A par desta situação, desempenhei a função de forma positiva e considero que o Desporto Escolar, deveria repensar em aspetos como alguns casos omissos existentes no regulamento (ex.: arbitragem).
Desenvolver esta função de organizadora do encontro final de voleibol iniciadas de nível II, contribuiu para terminar o ano letivo com uma aula dinâmica, com equipas com grupos de nível heterogéneo e homogéneo entre si de forma a tornar uma competição justa e equilibrada. O sentido de entreajuda e cooperação que foi muito trabalhado ao longo do ano, foi visível. Considerando eu que obtive sucesso das aprendizagens dos meus alunos.
A par da organização dos torneios, o fato de ter estado em contacto com as fichas de inscrição, com a mesa da organização, permitiu-me ver um fato interessante: a grande maioria dos alunos que participa nos torneios ao longo do ano são sempre os mesmos alunos. A investigação diz-nos que existe uma grande importância do sentimento de competência na participação dos jovens nas atividades físicas desportivas (Matos et al., 2002; Sallis et al., 2000; citado por Marques, 2010). É importante então proporcionar experiências positivas aos alunos que sentem insucesso e não adquirem muitas competências (Silverman, 2005). Só porque os alunos têm baixas competências, não significa que têm que desenvolver atitudes negativas sobre a EF (Silverman, 2005).
50 É necessário promover experiências positivas, para que os alunos desenvolvam atitudes positivas face à EF. Considero que o 1º ciclo, é um bom meio para desenvolver estes aspetos. O Programa de Expressão e Educação Físico-Motora (2004) do 1º ciclo, contempla nos seus princípios orientadores aspetos relevantes para um desnvolvimento harmonioso do aluno, tendo em conta que “os períodos críticos das qualidades físicas e das aprendizagens psicomotoras fundamentais situam-se até ao final do 1º ciclo”. Aquando da experiência do 1º ciclo que eu passei como tarefa integrante deste estágio pedagógico, a frequência de aulas ou sessões que proporcionam aprendizagens neste âmbito, eram muito reduzidas. Assim, tinha como objetivo ao planear a aula do 1º ano de escolaridade, transmitir aos alunos e à professora titular uma variedade de experiências motoras que é possível ser realizado em pouco tempo, de forma divertida. “A falta de actividade apropriada traduz-se em carências frequentemente irremediáveis. Por outro lado, o desenvolviemento físico da criança atinge estádios qualitativos que precedem o desenvolvimento cognitivo e social.” (Programa de Expressão e Educação Físico-Motora, 2004: 35).
Ainda, uma articulação vertical e horizontal do currículo é fundamental para proporcionar um crescimento e desenvolvimento do aluno harmonioso e eclético. O programa do 1º ciclo, cria “condições favoráveis so desenvolvimento social da criança, (…) inerentes às actividades (matérias) próprias da EF e aos respectivos processos de aprendizagem.” (Programa de Expressão e Educação Físico-Motora, 2004: 35).
Sabendo a importância destas experiências e vivências motoras durante o 1º ciclo, veio compreendido no Plano Anual de Atividades (2013/2014) do departamento de EF a realização de um percurso para o 1º ciclo com o intuíto de promover e envolver os alunos e professores do 1º ciclo na aprendizagem e lecionação da Educação Física. Este percurso foi uma possibilidade para os alunos experienciarem diferentes habilidades motoras num contexto escolar e material diferentes.
O percurso consistia na realização de várias habilidades motoras e jogos lúdicos, organizados por nós, núcleo de estágio com o apoio da coordenadora do departamento, coordenadora do 1º ciclo e da nossa orientadora de escola. Para o 1º e 2 ano, o percurso incidiu sobre o bloco 1 (perícias e manipulações) e o bloco 2 (deslocamentos e equilíbrios) do programa de expressão e educação físico-motora. O percurso do 3ºe 4 ano incidiu sobre o bloco 3 com objetivos respetivos à ginástica, nomeadamente a cambalhota à frente. Relativamente aos jogos (bloco 4), foram tidos em conta os objetivos traçados, tendo por isso selecionado jogos do currículo, ajustados às idades. Assim, em cada ano de escolaridade o jogo lúdico foi alterado.
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A atividade foi positiva para os alunos do 1º ciclo. Algumas das professoras das turmas, ficaram admiradas pela felicidade e empenho nas tarefas que alguns alunos realizavam. O entusiasmo das professoras de monodocência era positivo, mas o
feedback das mesmas foi no sentido de ser uma boa experiência para os alunos e que
para o próximo ano letivo era importante repetir e não em expressar vontade de trabalhar estas situações durante o seu tempo de espaço de aula. Era importante que estas incluissem no seu tempo de monodocência o currículo de expressão e educação físico motora, tendo em atenção:
“4. Interessava traçar um plano de «perspectiva» do
desenvolvimento das crianças, e foi isso que tentámos fazer num duplo sentido:
— Perspectiva de realização das potencialidades de adaptação oferecidas pela infância. Assim, procurámos explicitar os modos de actuação correspondentes às prioridades gerais de desenvolvimento multilateral e de estruturação do comportamento motor.
— Perspectiva de valorização pedagógica da expectativa das crianças de serem «já» capazes de tarefas mais ousadas e aliciantes, próximas dos feitos que os mais velhos exibem, brincando e descobrindo, nessas brincadeiras, novas capacidades e dificuldades a vencer.” (Programa de Expressão e Educação Físico- Motora, 2004: 37)
Atendendo à minha socialização antecipatória (Jardim & Onofre, 2009), o “choque” com esta realidade, como a não existência de aulas de expressão físico-motora ou mesmo ser considerado por muitos dos professores de monodocência, o programa de atividades de enriquecimento escolar uma espécia de substituição no currículo, foi deveras alarmante para um desenvolvimento da disciplina. A importância atribuída à disciplina de EF nos diferentes ciclos de ensino, pode ser afetado pela quantidade de experência motora e desenvolvimento motor que as crianças têm no 1º ciclo. Qual é o pai ou mãe que exige a não contabilização da classificação da disciplina para a média do ensino secundário ou de entrada no ensino superior de mantem ou valoriza a mesma? Assim, proporcionando expeirências positivas, desenvolve atitudes positivas sobre a disciplina. Ainda, um correto desenvolvimento motor, eclético, multilateral e harmonioso, permite aos alunos a base para o sucesso na disciplina de EF ao longo dos diferentes ciclos de escolaridade.
52 Nós, núcleo de estágio também queriamos proporcionar experiências aos nossos alunos, fora do contexto da sala de aula, que fossem ferramentas para serem individuos fisicamente ativos. Assim, proporcionamos uma visita de estudo com “objetivos de aprendizagem bem definidos, visando complementar os conhecimentos teórico-práticos previstos nos conteúdos programáticos das diferentes matérias de ensino e constituem uma das estratégias de ensino de maior relevância (…)” (Regulamento Interno do Agrupamento de Escolas de Benfica, 2013, Anexo V, ponto 5, referente à coordenação das visitas de estudo: 25). Proporcionamos então, um trilho em Sintra que articulava fatores culturais da região, atividade física e contacto com a natureza. Os alunos estiveram envolvidos na preparação da atividade. Uma turma com a preparação dos pontos turísticos por onde passamos, outra turma com as regras de segurança de um trilho e outra de uma reportagem da atividade. As duas primeiras tarefas, antecidam a atividade, fazendo com que os alunos cumprissem com sucesso. Já a terceira, como era posterior, os alunos não a cumpriram, servindo de aprendizagem para nós que sem avaliação ou obrigação, os alunos não cumprem.
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