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II/D OSAGES ELISA

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I/ Matériel et méthode

II/D OSAGES ELISA

Neste ponto apresenta-se, inicialmente, uma descrição da barragem de Pracana, propriamente dita, e dos respectivos órgãos de segurança e exploração, seguindo-se a apresentação dos aspectos fisiográficos e hidrológicos mais relevantes da bacia hidrográfica dominada pela barragem, uma breve descrição da geologia do local da barragem e da região abrangida pela albufeira.

O escalão de Pracana (figuras 4.4 e 4.5) situa-se no rio Ocreza, afluente da margem direita do rio Tejo, a cerca de 3,5 km da confluência, próximo da povoação de Envendos, dominando uma bacia hidrográfica com a área de 1412 km2. A construção do escalão decorreu entre 1948 e 1951, tendo-se

verificado o enchimento da albufeira no Inverno de 1950/51.

Fig. 4.4 - Barragem de Pracana. Vista de jusante. Fonte: EDP (2010).

Fig. 4.5 - Barragem de Pracana. Vista de montante. Fonte: EDP (2010).

O escalão, na sua configuração original, compreende fundamentalmente as seguintes estruturas:  Uma barragem de 12 contrafortes espaçados de 13 m, com altura máxima acima das

fundações de 65 m e 245,5 m de desenvolvimento ao nível do coroamento, situado à cota (115,00). Este é composto por uma faixa de rodagem com 5 m de largura, dispondo de guardas de protecção em betão, maciças em toda a sua extensão e com o topo à cota

aproximada (116,00). A guarda de montante apresenta orifícios na base para drenar o pavimento (figura 4.6);

Fig. 4.6 - Barragem de Pracana. Faixa de rodagem. Fonte: EDP (2010).

Fig. 4.7 - Barragem de Pracana. Central. Fonte: EDP (2010).

 Uma central pé de barragem equipada com dois grupos de 8 MW cada, sendo o caudal máximo turbinável por grupo igual a 16 m3/s (figura 4.7);

 Um descarregador de cheias em poço, localizado na margem direita, munido de uma comporta cilíndrica, e dimensionado para um caudal de 1650 m3/s para a cota de retenção

(112,50) (figuras 4.8 e 4.9);

Fig. 4.9 - Barragem de Pracana. Descarregador de cheias em poço. Vista da margem esquerda. Fonte: EDP (2010).

 Uma descarga de fundo que atravessa o corpo da barragem, com uma capacidade de vazão de 52 m3/s para o nível de pleno armazenamento da albufeira (114,00) e equipada com uma comporta plana a jusante e uma ensecadeira a montante.

Fig. 4.10 - Barragem de Pracana. Descarregador de cheias complementar. Vista de montante. Fonte: EDP (2010).

A capacidade total de armazenamento da albufeira correspondente ao NPA, Nível de Pleno Armazenamento, (114,00) é de aproximadamente 112 x 106 m3 e a superfície inundada de 550 ha. O,

Nível mínimo de Exploração (NmE), é de (97,00) com uma capacidade de armazenamento da albufeira de 43 x 106 m3, correspondendo assim um volume útil igual a 69 x 106 m3.

Em 1971 foram impostas as primeiras restrições ao pleno enchimento da albufeira de Pracana. Estas medidas foram ditadas por razões de segurança na sequência da interpretação dos dados de observação da barragem, em especial os relativos aos deslocamentos irreversíveis para jusante, que os contrafortes manifestavam. O crescente estado de fissuração do betão da barragem levou a que fossem feitas algumas obras de reparação na estiagem de 1972 e 1973, as quais, a curto prazo, se mostraram ineficazes para impedir as grandes infiltrações existentes. A análise dos elementos recolhidos e os estudos desenvolvidos a partir de 1977 permitiram um conhecimento mais profundo da barragem e do seu maciço de fundação, sendo formuladas algumas hipóteses sobre as causas de deterioração e as condições de segurança da barragem. Em face das conclusões obtidas, em Maio de 1980, foi tomada a decisão de proceder ao completo esvaziamento da albufeira, garantir a permanente derivação do rio e completar os estudos já iniciados, de forma a elaborar uma proposta de recuperação do aproveitamento, consubstanciada no projecto de remodelação de 1985. No que diz respeito à barragem, os trabalhos de reparação incluíam: tratamento da fundação, tratamento dos betões, contraventamento da alma dos contrafortes e impermeabilização do paramento de montante.

Perante a necessidade de realizar obras de reparação na barragem de Pracana, e tendo ainda em conta o facto de a construção do aproveitamento em causa datar de 1951, considerou-se importante e oportuno proceder à revisão do estudo das cheias e à reanálise da capacidade de vazão dos órgãos de descarga existentes.

Os estudos efectuados evidenciaram a necessidade de construir um descarregador de cheias complementar ao existente e dimensionado para um caudal de aproximadamente 860 m3/s para a cota

(114,00) (figuras 4.10 e 4.11). Julgou-se também conveniente encarar a hipótese de instalação de um 3º grupo, cuja potência se fixou em 25 MW, capaz de, por um lado permitir uma significativa redução dos importantes descarregamentos verificados, e por outro, levar a uma colocação de energia produtível no diagrama de cargas da Rede, a um nível compatível com o preconizado no dimensionamento de novos centros produtores hidroeléctricos. Após a conclusão das obras de remodelação, em 1992, os órgãos de segurança do escalão, passaram a incluir, para além do descarregador em poço e da descarga de fundo, já existentes, um descarregador frontal, destinado a reforçar a capacidade de vazão do poço e, como tal, designado como descarregador complementar. Na configuração actual, os circuitos hidráulicos dos grupos, independentes entre si, compreendem, uma tomada de água inserida no corpo da barragem, uma conduta forçada (com 2,20 m de diâmetro, no caso dos grupos 1 e 2, e 3,5 m, no caso do grupo 3), dotada a montante com uma válvula borboleta, a espiral da turbina e o difusor. O difusor do grupo 3 está dividido por um septo central que permite a instalação, na saída, de duas comportas ensecadeiras corrediças. A central é constituída por um edifício que resultou da ampliação da central antiga, e que engloba duas salas das máquinas, sala de comando, gabinetes e salas de serviços auxiliares. O piso principal da central (sala de comando) situa- se à cota (72,15). Na sala das máquinas mais antiga ficam localizados os dois grupos mais pequenos (1 e 2), equipados com turbinas Francis de eixo vertical e alternadores com potência individual de 9,68 MVA. O grupo 3, instalado na sala das máquinas mais recente, é constituído igualmente por uma turbina Francis de eixo vertical, associada a um alternador com 28,5 MVA de potência. O caudal máximo total turbinável pelos três grupos é de 83 m3/s. A queda bruta máxima é de 57 m, sendo a

A subestação, localizada na margem direita, está equipada com dois transformadores trifásicos: um com 20 MVA, servindo os grupos 1 e 2 e outro com 30 MVA, destinado ao grupo 3. A tensão de entrada é de 6,3 kV e a de saída é de 63 kV.

Relativamente às normas de exploração da albufeira, o primeiro órgão a manobrar, aquando da ocorrência de descarregamentos, é o descarregador de cheias complementar e é usado até caudais de 150 m3/s. Após o descarregador de cheias complementar ultrapassar este valor de caudal, abre-se o

descarregador de cheias em poço, sendo que o descarregador de cheias complementar só será usado para regulação em situações em que o descarregador de cheias em poço sozinho não dá resposta. A utilização do descarregador de cheias em poço após um determinado caudal permite cria uma almofada de água que amortece o impacto do jacto do descarregador de cheias complementar e desvia o mesmo jacto da colisão directa com as margens do vale a jusante, melhorando também a dissipação de energia. No que respeita à descarga de fundo, este órgão, dada a sua pequena capacidade de vazão, destina-se apenas ao esvaziamento da albufeira para cotas inferiores a (85,0). O esvaziamento acima desta cota deve ser realizado preferencialmente por turbinamento.

Após um processo de avaliação da segurança hidráulico-operacional da barragem de Pracana, (EDP, Gestão da Produção de Energia, S.A., 2007), que assentou na reanálise do projecto dos respectivos órgãos de segurança, foi concluído que durante os meses de período húmido (de 1 de Outubro a 30 de Abril), o Nível de Pleno Armazenamento, NPA, passaria a ser de (113,5) e fora deste período, seria mantido o actual NPA de (114,0). O caudal máximo descarregado, de 2500 m3/s, é compatível com o novo caudal de cheia de projecto à cota referida.

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