L’objet et l’outil, quoi et comment regarder ?
II CONSTRUCTION D’UNE BASE DE DONNEES ET D’UN OUTIL
Um dos objetivos da programa de mobilidade ERASMUS é “reforçar a interação entre cidadãos de diferentes Estados Membros com a visão de consolidar o conceito de Povo Europeu” de forma a “garantir o desenvolvimento dos graduados com experiência direta de cooperação intercomunidades, criando deste modo a base de apoio ao desenvolvimento dos sectores económico e social das comunidade” (Sigalas, 2010).
Na Declaração Solene da União, realizado pelo Concelho Europeu em 1983, foi declarado também que esta troca de estudantes terá como objetivo melhorar o nível de conhecimento cultural e histórico sobre outro país membro. Desta forma é pretendido que seja criada nos jovens europeus a ideia de viverem e trabalharem em conjunto de forma a alcançar um objetivo em comum. A Comissão tinha a esperança de, desta maneira, ser capaz de criar os fundamentos para a autossustentação do processo de integração Europeu (Sigalas, 2010).
A experiência de viver noutro país Europeu, adquirida durante o período de estudo fora do país de origem devido ao programa ERASMUS, é vista como um fator para que a cooperação entre jovens de países europeus diferentes ocorra sem hesitações no futuro. Para Fligstein, citado por Sigalas (2010), o aumento da interação entre Europeus, neste
caso concreto oriundo de uma experiência originada através do programa ERASMUS, faz com que exista uma identidade europeia comum a todos os europeus. A experiência de se viver noutro país e o convívio daí proveniente com indivíduos oriundos desse mesmo país e outros que também estejam em programa de mobilidade ERASMUS é influente para a criação de uma identidade europeia. Porém, o tipo de experiência, positiva ou negativa, terá uma influência maior na noção de identidade europeia do indivíduo. Uma má experiência durante um ERASMUS poderá influenciar negativamente a ideia que o indivíduo têm sobre a Europa. Porém, existem outros fatores que podem influenciar a ideia concebida pelo indivíduo sobre a Europa, tais como, os meios de comunicação social, os locais (outras localidades que não aquela onde a universidade está sediada) que este visita durante a sua estadia no país anfitrião, a própria escolha do país anfitrião (alguém que não goste de Francês não irá escolher um país cuja língua oficial seja a francesa), viagens que o indivíduo possa ter feito antes de integrar o programa ERASMUS ou o simples facto de ter conhecimentos de uma língua estrangeira. Ao escolher um determinado país, o indivíduo fica sujeito aos costumes e hábitos do mesmo, assim como, ao modo de ser dos seus habitantes. Contudo se tiver conhecimentos sobre a língua do país em que se encontra então terá mais probabilidade de se autoidentificar com a identidade do país em questão (Sigalas, 2010).
A suposição de que a conexão direta entre pessoas de nacionalidades diferentes com background cultural diferente nem sempre foi popular entre os membros da União Europeia. Porém, a mobilidade entre países é uma janela aberta para oportunidades entre países União da Europeia, não só devido a programas de mobilidade como o ERASMUS, mas também devido à abertura de fronteiras que facilita as viagens de país para país, facilitando deste modo a oportunidade de interagir com outros povos europeus. Esta facilidade de viajar e interagir com pessoas oriundas de outros países europeus permite desenvolver uma identidade comum, a identidade Europeia (Povo Europeu) (Sigalas, 2010). Esta identidade é considerada por Shore, citado por Sigalas (2010), como sendo um eufemismo para a divulgação da identidade e cultura Europeia através de estratégia política que se aproveita de símbolos nacionalistas como a bandeira, o hino e um passaporte comum, para promover uma identidade que toma a Europa como um todo (Sigalas, 2010).
por citado por Sigalas (2010), esta consiste no conjunto de identidades partilhadas pelos membros da União Europeia que resultará num suporte público diverso que garanta uma visibilidade e estabilidade longa. Esta é uma identidade social, ou seja, faz parte do autoconceito do indivíduo e têm por base o conhecimento que este possui sobre o seu grupo social, neste caso a Europa, tendo por base o significado emocional que o indivíduo têm sobre essa mesma pertença. A identidade europeia é muitas vezes confundida com o facto de se ser europeu. O “ser europeu” é referente ao local de nascimento do indivíduo, qualquer pessoa que nasça na europa pode ser considerada europeia. Contudo, isto não significa que esta pessoa se identifique com as posições político-sociais do seu local de origem. A identidade europeia só ocorre quando o indivíduo se revê na sociedade política europeia, dando-lhe desta forma valor e importância. Caso isto não ocorra, o indivíduo é apenas europeu, por ter nascido na Europa, e não possuí identidade europeia (Sigalas, 2010).
Existem várias definições para a noção de identidade europeia. Segundo Fligstein, citado por Sigalas (2010), se for indicada como sendo o único fator importante para que alguém possa se identificar como sendo europeu então apenas uma pequena minoria de indivíduos se irá identificar como sendo europeu. Contudo, de acordo com Fuchs e Alisse, citados por Sigalas (2010), se a autoidentidade de ser europeu for vista como sendo compatível com a noção de nacional (país de origem) de autoidentidade poder-se- á afirmar que a maioria dos indivíduos possuí uma identidade europeia. Apesar da existência da noção de identidade europeia não existe consenso sobre a sua existência, ou seja, se os Europeus consideram esta identidade como parte da sua. Uma das razões para esta falta de consenso é a carência de uma cultura distinta que seja capaz de unir os diferentes povos europeus. Contudo, se existir então deverá criar uma imagem positiva sobre a Europa, um sentido de proximidade entre os Europeus e uma maior confiança entre os Europeus e os não-europeus. Para Kohn, citado por Sigalas (2010), a existência de identidade europeia encontra-se também relacionada com o “apego” que os indivíduos têm perante o continente, ou seja, se sentem ligados à Europa da mesma forma que estão conectados ao seu país natal (Sigalas, 2010).
De acordo com Green, citado por Sigalas (2010), a identidade europeia encontra- se maioritariamente ligada aos jovens Europeus, principalmente, naqueles que frequentaram o programa ERASMUS visto que o facto de temporariamente terem vivido
noutro país europeu influenciou de forma positiva a sua noção de identidade europeia. Para Stroebe, citado por Sigalas (2010), esta vivência temporária noutro país faz com que, os estudantes tenham uma opinião tendenciosa que favorece o país onde estiveram a estudar. Este favorecimento pode ter apenas como base o facto de terem melhorado as suas capacidades linguísticas ou de terem adquirido conhecimentos sobre a cultura do país anfitrião (Sigalas, 2010).