Da primeira etapa da pesquisa participaram 56 professores de instituições públicas e privadas que atuam na Educação Superior. Acreditamos que a falta de disponibilidade de tempo e a sobrecarga de trabalho tenha influenciado na adesão à pesquisa, uma vez que, foram enviados e reenviados mais de 400 e-mails.
No que se refere ao gênero dos participantes, observamos certo equilíbrio. Acreditamos que o fato de termos trabalhado com licenciaturas diversas, do campo das ciências humanas e sociais, bem como das ciências exatas e da natureza, contribuiu para que este campo apresentasse esse resultado.
Gráfico n° 04 - Gênero dos participantes
Fonte: Mônica Sales (2017)
Consideramos importante destacar que por se tratar de cursos de licenciatura, há ainda uma predominância de mulheres atuando, dado o contexto histórico, social de construção da docência, contexto que vem se modificando, pois quanto mais se avança para o topo da escolarização, mais aumenta o número de professores.
Quanto à idade dos participantes, observamos que predomina a faixa etária entre 30 a 45 anos de idade, representando 55,4% dos docentes.
Gráfico n° 05 - Faixa de idade dos participantes
Fonte: Mônica Sales (2017)
Sobre a graduação do grupo participante, ficou evidenciado que predomina a formação em licenciatura, com 66,1% do grupo investigado, em relação a 33,9% dos bacharéis.
Gráfico n° 06 – Maior titulação dos participantes
Fonte: Mônica Sales (2017)
O gráfico nº 06, acima, mostra-nos a titulação dos participantes. Este dado é muito importante, se consideramos que o objetivo da LDBEN, 9394/96, art. 52, parágrafo II, é o de que pelo menos um terço do corpo docente das universidades tenha a titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. Cumpre esclarecer que o maior número de participantes desta fase da pesquisa atua em universidades públicas, 60,7% e 39,3% atuam em faculdades privadas. Logo, podemos inferir que o fato de haver maior número de mestres e doutores deve-se a sua vinculação institucional. Constatamos pelas respostas que apenas 10,7% do total de professores não possuem a titulação mínima exigida pela LDBEN para atuar na Educação Superior. Este pode ser um indício de avanço em termos de qualificação profissional para atuação nesse nível de ensino.
Lembramos que conforme (PNPG 2011-2020) tem sido notável o incremento da taxa de crescimento do número de titulados no mestrado e no doutorado por 100.000 habitantes. Enquanto em 2006 o total de titulados, mestres e doutores foi de 16,04% e 5,05% respectivamente, em 2009 os valores atingem 18,64% de mestres e 5,94% de doutores. A título de comparação, mostramos que o número de doutores titulados no Brasil em relação àquele encontrado em outros países está significativamente abaixo de 4 a 16 vezes daqueles encontrados na Suíça, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Austrália, e aproximam-se mais daqueles vistos em Portugal.
No que diz respeito à categoria funcional dos professores, como a maior participação se deu por professores de instituições públicas, foi possível observar a presença de um número maior de concursados 57,1%, em relação a 41,1% de professores contratados. Apenas uma professora assinalou a opção outros
especificando ser celetista; condição que se aplica a todos os professores contratados.
Gráfico n° 07 – Categoria funcional dos participantes
Fonte: Mônica Sales (2017)
Sobre o regime de trabalho dos professores, observamos que mais de 70% dos professores trabalham 40horas ou possuem dedicação exclusiva, 19,6% dos professores são horistas, ou seja, trabalham menos de 20h e apenas um professor não soube informar. Nesta questão, vale lembrar, a LDBEN 9394/96 quando no Art. 52, § III, estabelece que as universidades devam se caracterizar por “[...] um terço do corpo docente em regime de tempo integral”; o que nos parece ser um objetivo atingido ou buscado especialmente pelas universidades públicas investigadas.
Gráfico n° 08 – Regime de trabalho dos participantes
Fonte: Mônica Sales (2017)
Em relação ao tempo de serviço no magistério superior, observamos que o grupo de participantes possui tempos bastante variados, com profissionais em início de carreira e outros com bastante experiência. Este gráfico está bastante
equilibrado, em termos de tempo de exercício não havendo predomínio de um tempo sobre outro, como pode ser observado no gráfico n. 09, a seguir:
Gráfico n° 09 - Tempo de serviço dos participantes no magistério superior
Fonte: Mônica Sales (2017)
Sobre o nível de atuação, observamos que 58,9% dos professores atuam apenas na graduação. Os demais atuam simultaneamente na graduação e na pós- graduação, 41,1% do grupo, como podemos observar no Gráfico n.10. Dos 23 professores que atuam na pós-graduação, 13 deles atuam em cursos lato sensu e, são oriundos de instituições privadas. Os demais, 10 professores atuam em cursos
strictu sensu e são de instituições públicas. No que se refere à localização das
instituições, observamos que a maior parte dos professores vinculados a instituições do interior atua somente na graduação, enquanto que, a maioria dos professores vinculados a instituições da capital atuam simultaneamente na graduação e na pós- graduação. Cumpre esclarecer que, embora tenhamos um maior número de professores participantes oriundos de instituições públicas (mais de 60%), as instituições do interior são em maior número nesta pesquisa, tanto as públicas quanto as privadas. Logo, o contexto de produção das representações tem implicação direta nas atividades desenvolvidas pelos sujeitos, pois as instituições do interior são recentes e na maior parte das vezes ainda não possuem cursos de pós- graduação. O gráfico n. 10, abaixo, ilustra os dados discutidos.
Gráfico n° 10 - Atuação dos participantes em cursos de Graduação e Pós- graduação
Fonte: Mônica Sales (2017)
Este dado nos revela que menos da metade dos professores de instituições públicas está atuando em cursos de graduação e pós-graduação simultaneamente. Alguns afirmam a não existência de cursos deste nível nas instituições onde atuam o que é fato, dadas as disparidades regionais instaladas no campo e a inclusão de instituições recém chegadas ao interior nesta pesquisa. Todavia, inferimos também que os professores que não responderam aos e-mails enviados possam ser estes que se encontram em atividades na pós-graduação e que encontram-se mais atarefados.