10. IETF and the Outside World
10.2. Press Coverage of the IETF
A construção científica de alguns conceitos físicos, a partir das concepções prévias do discente, freqüentemente requer uma mudança na sua estrutura cognitiva e um considerável nível de abstração, segundo vários autores como já mencionamos. Uma vez que o movimento ocorre em variadas situações vividas no cotidiano e, também, no espaço exterior ao campo de gravidade terrestre, poderíamos dizer que esse é um dos casos.
Assim, os costumeiros problemas propostos nos livros didáticos, inclusive o que analisamos neste trabalho, aplicam as leis do movimento, válidas na ausência de meio material, quando para o aluno, no dia a dia, os movimentos aparecem na presença do ar, sobre a terra ou na água, que implicam no surgimento de forças contrárias ao deslocamento. Daí a dificuldade de compreensão das referidas leis e da construção conceitual, pois nos exercícios, sejam os retirado de livros, sejam os experimentais, várias interferências são desprezadas a fim de acomodar o que tais leis regem, criando-se situações idealizadas ao invés de lidarmos com o real.
Entendemos que as situações de aprendizagem baseadas numa teoria possam se tornar fatores preponderantes para enfrentar os problemas que interferem na construção de conceitos tais como analisados acima. Logo, esta compreendeu uma seqüência didática, que foi desenvolvida com uma turma da 8ª série e fundamentou- se na teoria de Gardner que recomenda termos como princípio básico um ensino voltado para o desenvolvimento das diferentes competências intelectuais dos ser
ALTO MÉDIO BAIXO Verbal-lingüística 15 60 25 Musical 33 52 15 Lógico-matemática 18 52 30 Espacial 4 73 25 Corporal-cinestésica 9 52 39 Interpessoal 36 64 0 Intrapessoal 58 36 6 Naturalista 21 36 43 15 33 18 4 9 36 58 21 60 5252 73 52 64 36 36 25 15 3 25 39 0 6 43 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%
ALTO MÉDIO BAIXO
Percentual de alunos com potencial de inteligência alto, médio e baixo
Verbal-lingüística Musical Lógico-matemática Espacial Corporal-cinestésica Interpessoal Intrapessoal Naturalista
humano. Embora considerando a relevância desse aspecto teórico o nosso empreendimento concentra-se na observação de uma das competências intelectuais: a inteligência verbal-ligüistica, ainda que saibamos que todas as inteligências se desenvolvem de forma independente.
Para o levantamento do espectro de inteligências múltiplas dos alunos utilizamos um questionário com um total de 24(vinte e quatro) assertivas, distribuídas grupos de 3(três) e a cada um deles associamos uma inteligência. Isso possibilitou a construção de um perfil da turma e, também, facilitou a identificação do potencial intelectual de cada aluno. De posse dos dados, o professor pode planejar, baseado no nível de potencial mais desenvolvido, e negociar com os discentes quais seriam as formas de implementação e execução das diversas atividades que seriam planejadas por grupos de alunos sob a supervisão de um professor de física e uma professora de artes.
A apreciação dos potenciais teve como referencial uma escala de unidades de potencial de inteligência (anexo “A”) dividida em 3(três) graus, que foram categorizados em: alto – Potencial entre 6 e 27 unidades; médio – Potencial entre 28 e 48 unidades; baixo – Potencial entre 49 e 69 unidades, conforme a escala que apresentamos na metodologia.
Esta representação gráfica evidencia um perfil da turma pesquisada cuja grande maioria dos alunos possuem um potencial médio de todas as inteligências. As competências intrapessoal e a naturalista, neste nível, contemplaram 36% de alunos, já a maior parte, 73% da turma tem potencial médio de competência espacial. As demais ficam dentre o nível mínimo e máximo de percentuais de alunos. Verifica-se, também, que o nível de potencial alto é mais representativo pela inteligência intrapessoal com 58% dos discentes, mas esse percentual cai para 4% no caso da inteligência espacial. Entretanto, há a possibilidade de muitos alunos que se encontram no nível médio poderem passar para o potencial alto através de atividades bem planejadas. No mesmo sentido podemos dizer isso com as inteligências corporal-cinestésica, verbal-lingüística e lógico-matemática que, também, apresentam uma pequena quantidade de alunos com potencial alto, indicando que instrumentos pedagógicos devem ser acionados a fim de alavancar o desenvolvimento dessas competências.
Por outro lado, no trabalho pedagógico devemos direcionar as nossas atenções para os baixos potenciais dos discentes, segundo a teoria das inteligências múltiplas. As maiores quantidades de alunos com esse nível de potencial incidem sobre as competências corporal-cinestésica e naturalistas. Causam preocupação, também, os percentuais com baixo potencial verbal-lingüística, lógico matemático e espacial. Neste caso, os 42 % dos alunos que apresentaram baixo potencial de inteligência naturalista e os 39% que necessitam desenvolver a inteligência corporal-cinestésica devem ser os focos para o planejamento do professor. Assim, na elaboração de atividades de ensino aprendizagem, deverá buscar as “rotas secundárias”, por exemplo, valendo-se da soma dos níveis médio e alto das competências musical (85%) espacial (75%) e interpessoal (100%).
Quanto a esses caminhos, podemos ver no gráfico que há forte potencial, na turma, das inteligências intra e interpessoais e isto favorece as atividades de trabalho em grupo. Da mesma forma, a cognição musical com 33% em nível alto e 52% em nível médio proporciona uma rota bastante atraente como suporte para atingir o desenvolvimento das inteligências verbal-lingüística, corporal-cinestésica e a lógico- matemática.
Assim, vemos que, na mudança da estrutura cognitiva, a teoria nos encaminha não para o desenvolvimento de uma competência, mas para a elevação do conjunto de todos os potenciais intelectuais humanos. Por essa razão, cada inteligência deve ser encarada como importante e, por isso, todo o esforço do ensino deve ser orientado no sentido de elevar o nível dos baixos potenciais intelectuais.