IEBCOPY EXAMPLE I
IEBCOPY EXAMPLE 2
Com o intuito de verificar o panorama da gestão de custos no Brasil, tendo em vista que anteriormente, se buscou os artigos que compõe este estado de arte por meio de strings em inglês, utilizou-se a técnica chamada de snowballing para realizar a atualização do mapeamento sistemático já realizado.
O snowballing é utilizado para encontrar trabalhos que não foram retornados em um processo de busca. Segundo Jalai e Wohlin (2012), esta técnica torna-se menos custosa e traz uma menor quantidade de “ruídos” (artigos que não serão selecionados) se comparado com as buscas de revisões sistemáticas.
Primeiramente, aplicou-se esta técnica nos repositórios citados na Seção 3.1.2 com as strings traduzidas para o português, como pode ser visto no Quadro 9, porém, não se conseguiu nenhum artigo que atendesse os critérios do mapeamento executado. Para solucionar esta questão, utilizou-se o repositório Google Scholar no qual foi possível encontrar os estudos.
Quadro 9 - Strings de busca em português
String Expressão
1 ( ("agricultura" AND "Sistema agrícola") OR "preço de commodities agrícolas" OR "variabilidade de preços" OR "nível de preço" AND "preços agrícolas" ) ) 2 ( ("gestão de custost" OR "métodos de custeio") AND ("agricultura" OR
"sistema agrícola" OR "preço de commodities agrícolas" OR "variabilidade de preços" OR "nível de preço" AND "preços agrícolas" ) )
Fonte: O autor
Dos 100 estudos retornados pelas strings de busca, foram selecionados 8 (oito) artigos que contemplaram os critérios do mapeamento. Estes resultados podem ser vistos no Quadro 10, o qual, contém as informações de autoria, objetivos, métodos de custeio, segmento agrícola, forma de aplicação do método e atributos dos trabalhos resultantes.
Quadro 10 - Resultados do Snowballing
(continua)
Autor/Ano Finalidade do Trabalho Método de
Custeio Segmento Agrícola Aplicação Atributos Domenico e Lima (1995). Implantar um piloto de um sistema de custos baseados em atividades em uma fazenda de citrus, da empresa Sucocítrico Cutrale Ltda.
Custeio ABC.
Citricultura Manual Fertilização, tratamento fitossanitário, controle de mato, aplicação de melaço, inspeção de pragas, formigueiro e manutenção da fazenda.
Rauber et al. (2005).
Elaborar o custo de produção das culturas de trigo e soja de uma propriedade localizada no munícipio de Toledo no Paraná.
Custeio Variável.
Soja e trigo. Manual. Adubos e fertilizantes, herbicidas, sementes, óleo diesel, mão de obra, inseticida, fungicida, depreciação de equipamentos agrícolas. Andrade et al. (2011). Demonstrar a viabilidade e a rentabilidade da cultura da soja, através de um estudo realizado na
Fazenda São Paulo, localizada no Distrito de Deciolândia, Diamantino – MT.
Custeio Variável.
Soja. Manual. Sementes, adubos e fertilizantes, calcário, defensivos químicos, combustíveis, manutenção de máquinas e implementos, fretes, mão de obra, depreciações, serviços profissionais, cantina, despesas administrativas e outras despesas fixas.
Barbosa et al. (2012).
Esquematizar e analisar, por meio do custeio variável, os gastos incorridos em uma empresa rural familiar, situada no município do Capão Leão/RS no ano agrícola de 2010/2011.
Custeio Variável.
Pecuário e lácteo.
Manual Arrendamento por hectares, defensivos, sementes, fertilizantes, H/Máquinas, Arrendamento por cabeça de gado, aquisição animal, pastagens, sanidade, silagem, vacinas, manutenção de equipamentos, ração e suplementação animal.
Quadro 10 - Resultados do Snowballing
(conclusão)
Autor/Ano Finalidade do Trabalho Método de
Custeio Segmento Agrícola Aplicação Atributos Moutinho et al. (2012). Analisar e comparar as metodologias Custeio ABC e Custeio Variável no cultivo de culturas temporárias. Custeio ABC e Custeio Variável.
Soja e Milho. Manual. Defensivos, fertilizantes, sementes de soja e de milho, combustível, manutenção de equipamentos, mão de obra, energia elétrica, telefone, depreciação, serviços agronômicos e pró-labore.
Silva et al. (2016).
Comparar a aplicação das diferentes modalidades do método Custeio por Absorção na produção de milho do estado do Mato Grosso.
Custeio por Absorção.
Milho. Manual. Insumos (sementes, fertilizantes e defensivos), operação com máquinas ou avião, mão de obra, impostos, outras despesas como assistência técnica, transporte, beneficiamento, classificação e armazenamento, juros do financiamento, depreciação geral, benfeitorias e instalações, manutenção periódica e seguro do capital fixo,
Bonfanti e Cittadin (2019).
identificar e analisar os custos
envolvidos na produção de arroz irrigado em uma propriedade rural localizada no município de Meleiro/SC. Custeio Variável. Arroz Irrigado.
Manual. Fertilizantes, agrotóxicos, sementes, óleo diesel, água, mão de obra, serviços mecânicos alugados, arrendamento, manutenção e depreciação de máquinas e implementos, assistência técnica e encargos financeiros.
Becker et al. (2020).
Identificar os custos de produção de tabaco em uma propriedade. rural do Sul Catarinense.
Custeio Variável.
Tabaco. Manual. Semeadura, preparo do solo, plantio das mudas, fertilização, capinação, desbrota, colheita das folhas, cura/secagem e classificação.
Com relação aos segmentos agrícolas presentes nos resultados dessa atualização tem-se: três ocorrências na cultura da soja, duas na do milho, uma ocorrência na do trigo, citrus e arroz irrigado e uma nos segmentos da pecuária, lacticínios e tabaco.
Os segmentos agrícolas trigo, arroz e pecuária foram encontrados nas duas versões do mapeamento. O trigo foi objeto de estudo nos trabalhos de Rauber et al. - encontrado na atualização da pesquisa - e Raja et al. (2017), o arroz está presente nos trabalhos de Bonfanti e Cittadin (2019) - resultante da técnica snowballing - e Raja et al. (2017), enquanto a pecuária é recorrente no artigo publicado por Barbosa et al. (2012) - proveniente do snowballing, Richards et al. (2008), Lopes et al. (2015), Saitone et al. (2016) e Raja et al. (2017).
O Custeio ABC foi o único método que foi semelhante ao já encontrado nos trabalhos resultantes do mapeamento. Pode-se perceber esta afirmação analisando o estudo de Moutinho et al. (2012) e Domenico e Lima (1995) que utilizam desta metodologia de custo e os artigos já encontrados anteriormente publicados pelos autores Ranogajec et al. (2009), González-Gómez e Morini (2009) e Hammer (2016). No que se refere a questão de trabalhos que propõe ferramentas automatizadas de gestão de custos na área agronômica, todos os trabalhos em português são propostas manuais de execução das metodologias de custeio, este resultado é similar ao encontrado anteriormente.
Com a atualização do estado de arte, pode-se perceber uma diferença em relação as metodologias de custeio do cenário internacional, onde o método mais recorrente foi o da Regressão e no nacional se destacou o método Custeio Variável. O mesmo acontece com os segmentos agrícolas, o da pecuária foi o mais recorrente nos estudos publicados em inglês e o da soja nos disponíveis em português. Notou- se que existem poucas soluções automatizadas na área de precificação na agricultura.
3.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO CAPÍTULO
Este Capítulo relatou a metodologia de pesquisa utilizada para verificar quais são os métodos de custeio já utilizados no decorrer de trinta anos, os segmentos agrícolas que foram aplicados e sua finalidade na área agrícola.
Pode-se perceber que o método mais utilizado nos estudos foi o de Regressão e o segmento que apareceu de forma frequente nos trabalhos foi a da pecuária.
Com relação aos atributos, nota-se que a maioria dos trabalhos consideram custos fixos, diretos e indiretos nos modelos de precificação, ainda há outras pesquisas que fazem a análise dos preços dos produtos já acabados, ou seja, aqueles vendidos como completos, para geração de custos. Verificou-se que neste mapeamento não foram encontrados estudos dedicados a agricultura familiar, apenas a agricultura como um todo.
Por meio do estado da arte observa-se que desenvolver ferramentas automatizadas que auxiliam no custeio de determinadas produções no contexto agrícola são futuros temas de pesquisa.
4 FRAMEWORK DE DOMÍNIO PARA FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDA DA