Chapitre IV : Matériels et méthodes
4. Identification de la récolte
A Igreja liderada por Paulo foi praticada fora da Palestina, isto é, fora do reduto do cristianismo de Jerusalém. O que nos dá uma ideia de que era um cristianismo voltado para o estrangeiro (pagãos), principalmente para que o evangelho chegasse à Grécia e à Roma (FERREIRA, 2001, p. 56). A premissa cristológica básica desse modelo de igreja é a fé em Jesus Cristo (Rm 3,21-26): 1) Paulo apresenta a mensagem do Cristo ressuscitado (divino, celestial). Em
Gálatas, afirma que seu evangelho procede de Deus: “Com efeito, eu vos faço saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo” (1,11-12). A grande missão de Paulo é a evangelização dos gentios. “Do qual Paulo se orgulha de ser apóstolo.” (SILVA, 2008, p. 68). Como consequência, dessa evangelização, houve uma abertura do evangelho de Jesus Cristo a todos os povos e de diferentes regiões (Ásia menor, Panfídia, Galácia, Éfeso etc...). “Deus não faz acepção de pessoas” (Gl 2,6). Paulo apresenta uma doutrina cristã aberta ao mundo, para fora da Judéia, tendo como pano de fundo uma teologia inclusiva (GONÇALVES, 2000, p. 62-69), ou seja, que tem espaço para todas as pessoas;
2) Paulo apresenta Jesus sob o nome grego Cristo (ungido), o mesmo significado de Messias (Hebraico). Talvez Paulo quisesse dar o mesmo valor, por isso buscou no grego uma palavra que representasse o poder e a glória do Senhor Jesus Cristo. Não obstante, apresenta o cristão como sendo uma pessoa livre do
pecado, pois pelo seu amor, Cristo acolhe e perdoa (Rm 8,1-4);
3) Para Paulo, a lei era obsoleta. Não exigia a observância da lei e nem a circuncisão para os pagãos (Gl 2,6), esta era a principal característica da Igreja coordenada por Paulo;
4) Outra característica relevante na Igreja coordenada por Paulo era que as comunidades surgiam ao redor das casas (oikos), nas periferias das grandes cidades da Ásia e da Europa. “Ao concentrar suas atividades religiosas nas casas, o apóstolo promove o ambiente da liderança feminina” (SILVA, 2008, p. 49);
5) Paulo não evangelizava sozinho, pois contava com apoio de vários missionários (Apolo, Barnabé, Timóteo, Silvano, etc), inclusive várias mulheres (At 16, 14-15) e vários casais, como exemplo: Priscila e Áquila (At 18,26);
6) Outro fator importante na Igreja coordenada por Paulo era a atuação das mulheres, principalmente nas casas (igrejas domésticas). Como exemplo de atuação temos: Lídia, em Filipos (At 16,14-15); Ninfa, em Laodicéia (Cl 4,15); Febe, diaconisa da comunidade de Cencréia (Rm 16,1.2); Maria (Rm 16,6); várias outras mulheres (Rm 16,12-15); mulheres discípulas (At 9,36); mulher colaboradora de Jesus Cristo (Rm 16,3 ) e companheira ou apóstola (Rm 16,7); 7) A Igreja coordenada por Paulo, retratada em suas Cartas, demonstra um sistema social, econômico e político injusto, pois, em seus relatos temos: pessoas da periferia (1Cor 1,26) e escravos (1Cor 12,13; Ef 6,5; Cl 3,22; 1Tm 6,1);
8) Entretanto, a grande marca da Igreja coordenada por Paulo era a justificação pela fé em Jesus Cristo. Suas premissas encontram-se em Gl 2,15-16:
“15Nós somos judeus de nascimento e não pecadores da gentilidade; 16sabendo, entretanto que o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Cristo, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei, porque pelas obras da Lei ninguém será justificado”.
E também em Rm 1,16-17:
“16Na verdade, eu não me envergonho do evangelho: ele é força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar do Judeu, mas também do grego. 17Porque nele a justiça de Deus se revela da fé para a fé, conforme está escrito: o justo viverá da fé”.
9) Outra característica da Igreja coordenada por Paulo é a liberdade cristã, que encontramos nos textos de Gálatas 2,1-14 e 5,1-26, neste último capítulo,
destacando os versículos de 1 a 6, que demonstram que Cristo nos resgatou para a liberdade;
10) Em Gálatas, Paulo nos mostra que o amor (5,6) e a liberdade (5,13) são frutos do Espírito Santo (5,22-25) que representam vida nova:
”1Portanto, não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. 2A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte. 3De fato, uma coisa impossível à Lei, porque enfraquecida pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho numa carne semelhante à 4do pecado da Lei se cumprisse em nós que não vivemos segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Rm 8,1-4)
Também,na concepção de Moacir Casagrande (2012, p. 72):
Cristo nos libertou da escravidão da lei, da morte e do pecado. Assim, nem a lei, nem o pecado, nem a morte tem poder sobre o cristão, a pessoa verdadeiramente livre é capaz de enfrentar e vencer tudo isso. Isso só é possível para quem se uniu profundamente a Jesus Cristo e vive no caminho dele.
Corroborando com essa ideia, O’Connor (2015, p. 9) afirma que Paulo utilizou-se desse espírito de liberdade para evangelizar a Ásia Menor e a Grécia. E também, a Igreja de Antioquia. Porém, essa igreja, mais tarde, no avançar do cristianismo, alinhavou-se com a Igreja de Jerusalém, coordenada por Tiago, “o irmão do Senhor”, sobre a observância da Lei, pondo em perigo o cristianismo pagão.
Em resumo, podemos dizer que Paulo foi o principal defensor da liberdade dos pagãos (étnico-cristãos), que a muito custo, após, aproximadamente cinco a seis anos, fez prevalecer a liberdade dos pagãos e sua fé pessoal em Jesus Cristo. Entretanto, como representante de um grupo cristão, enfrentou outros grupos da linha conservadora do cristianismo de Jerusalém, que se opunham a sua prática pastoral e sua evangelização, causando assim, muitas controvérsias. Por isso, no capítulo II, a seguir, faremos uma análise da controvérsia discutida na Assembleia de Jerusalém, onde debateram sobre a circuncisão para os novos cristãos vindos do paganismo.